Não existe 'último homem': lance de Diego Alves era para amarelo, não para VAR

Renata Ruel
Renata Ruel

O lance de Diego Alves causou muita polêmica na última quarta-feira. No empate por 1 a 1 entre Athletico Paranaense e Flamengo, o goleiro da equipe carioca pegou a bola com as mãos fora da área e o árbitro de vídeo não interveio.

Isso porque não existe o famoso "último homem” na regra.

A regra fala em oportunidade clara de gol e, para isso, avalia quatro pontos fundamentais para a tomada de decisão por um cartão vermelho: distância da meta, direção, adversários (posicionamento e quantidade) e controle ou possível controle da bola.

A bola estava em distância de disputa mesmo que o goleiro não a pegasse com as mãos, ou seja, o atacante não tinha o controle da bola e a possibilidade de controlá-la. Fica no “talvez”, e não em 100% de certeza.

Diego Alves e Marco Ruben em Athletico Paranaense x Flamengo
Diego Alves e Marco Ruben em Athletico Paranaense x Flamengo Gazeta Press

Desta forma, poderia se caracterizar um ataque promissor que definiria um cartão amarelo, mas não uma oportunidade clara de gol. E, em casos de cartão amarelo, a arbitragem de vídeo não pode intervir.

A imagem mostra a bola em distância de disputa entre ambos. Se o goleiro não pega com as mãos, ambos teriam praticamente a mesma oportunidade de chute.

Sem dúvida que o goleiro cometeu uma infração, mas se a bola estivesse passando por ele, ao lado do seu corpo, e ele colocasse a mão, ficaria mais caracterizada como oportunidade de gol.

Como a bola está em distância de disputa e em direção ao corpo do goleiro, a falta se enquadra em tática, impedido um ataque promissor, e não uma chance clara e manifesta de gol.

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

Comentários

Não existe 'último homem': lance de Diego Alves era para amarelo, não para VAR

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Seria o VAR o problema ou as regras do jogo?

Renata Ruel
Renata Ruel

Há quem pensou que a vinda do VAR solucionaria todos os problemas do futebol ou a maioria deles, seria o fim das polêmicas,  os resultados todos legitimados e a modalidade só ganharia com isso. Porém, depois de sua implantação, até recente, já é possível encontrar quem seja contra o sistema. Muitas críticas têm sido feitas não apenas em âmbito nacional, mas sim mundial.

Realmente há ocorrido lances polêmicos, o VAR entra ou não em cena, mas muitas vezes passa a sensação que acabou não ajudando como deveria.

Recordando que, segundo o protocolo, o VAR entra em ação em quatro situações: lances de penalidades (foi ou não pênalti, dentro ou fora; na cobrança ocorreu infração, a bola entrou ou não); quando um gol for marcado (houve algum tipo de infração – impedimento, falta; a bola entrou ou não); identificação equivocada de um jogador; e cartão vermelho.

É importante citar que no protocolo ainda consta que sua atuação deve ser em “erros claros e óbvios”, mas na regra 5 encontra-se o seguinte texto: “O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião. Em razão disso, o árbitro possui poder discricionário para adotar as medidas adequadas para cumprir a essência das regras do jogo.”

A frase “segundo sua opinião” mostra que a regra é interpretativa, pois a opinião de um pode ser diferente do outro, e do outro, e do outro.

Desta forma entram algumas perguntas: tenho como questionar uma imagem, um vídeo, uma foto ou a minha indagação é sobre a interpretação do árbitro ou da regra?

O que a imagem mostra todos estão vendo, se há confusão o problema não está no VAR, ou seja, não é a tecnologia que está ali, mas sim pode ser quem está por detrás dela, pois se cabe interpretações na regra, as opiniões vão divergir sim, nem sempre todos terão a mesma visão e tomada de decisão sobre o lance.

Quão claras são as regras para o VAR interferir somente em “erros claros e óbvios”? As diretrizes recebidas pelos árbitros são únicas ou também originárias de interpretações de instrutores sobre as regras e essas podem divergir entre si?

Se as regras não são claras muitas vezes, se instrutores opinam e também discordam em um mesmo lance com a imagem clara e óbvia, se as diretrizes passadas aos árbitros são distintas, citando as questões que cabem opiniões, entre o árbitro que está no campo e o árbitro de vídeo podem ocorrer percepções iguais ou não sobre a mesma imagem e isso gerar grande polêmica.

Os critérios precisam se encaixar, as diretrizes serem únicas, a comunicação: emissor – mensagem – receptor, não ser uma “brincadeira” de telefone sem fio, a informação chegar na Europa, América, África, Ásia e Oceania de forma igual, o árbitro do norte não receber informações distintas da do sul.

O VAR é uma realidade, a tecnologia veio para ajudar, mas os ajustes necessários nas regras e nas diretrizes precisam serem feitos para chegar a uma maior uniformidade nas tomadas de decisões.

Porém, enquanto na regra constar “segundo a sua opinião” e houver chances para interpretações, as discussões sobre possíveis erros ou acertos seguirão existindo, com ou sem VAR.

Realmente você acredita que um dia as polêmicas chegarão ao fim? Eu tenho as minhas dúvidas se terão fim, mas acredito que possam diminuir.

E ainda existem outros fatores a serem discutidos, o perfil do árbitro em campo e o de vídeo, a cultura futebolística de cada região, são exemplos do que mais pode interferir e diferenciar uma partida da outra.

De repente tudo isso ajuda a tornar o futebol tão apaixonante.

Fonte: Renata Ruel, blogueira do ESPN.com.br

Comentários

Seria o VAR o problema ou as regras do jogo?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

De pênalti inexistente a 'agressão desculpável': saiba quais foram os cinco maiores erros de arbitragem da Copa América

Renata Ruel
Renata Ruel

Sem dúvida, houve muito mais do que apenas cinco erros de arbitragem na Copa América, somadas as interpretações erradas das regras do jogo e alguns casos de tomadas erradas de decisões - tanto pelos árbitros quanto pelo VAR.

Messi se assusta com cartão vermelho
Messi se assusta com cartão vermelho Getty Images

Os cinco equívocos apontados abaixo foram os mais marcantes, mas não foram os únicos, evidentemente. Pelo que vimos no torneio, segue claro que a arbitragem ainda precisa de aprimoramento, conceitos e critérios mais uniformes – além de um uso mais eficaz da tecnologia.

Quatro deles podem ter sido determinantes para os resultados finais dos jogos. E o quinto simplesmente tirou do espetáculo um dos maiores jogadores de todos os tempos.

Vamos a eles:

1 – Uruguai x Japão – Primeira fase

No pênalti marcado a favor do Uruguai, sobre Cavani, o zagueiro japonês tentou bloquear a bola e o atacante uruguaio acabou chutando o seu pé. O árbitro colombiano Andrés Rojas, em campo, deixou seguir o lance, mas mudou de opinião após ser chamado pelo VAR para revisão. Era um lance normal de jogo, não houve penalidade.

2 – Uruguai x Japão – Primeira fase

Mais um erro de Andrés Rojas no confronto entre uruguaios e asiáticos. Logo no início do segundo tempo, após uma tentativa de drible, Nakajima caiu depois de receber um pontapé faltoso de Giovanni González, dentro da área penal. O árbitro nem sequer revisou o lance no VAR, mas o pênalti deveria ter sido marcado.

3 – Argentina x Chile - Disputa de 3º lugar

Não há como não se mencionar a polêmica expulsão do Messi, junto com Medel, na Arena Corinthians. Não houve qualquer agressão no lance. Na disputa da jogada, o atacante argentino empurra o jogador chileno sem intensidade, sem força excessiva, e recebe como troco algumas “peitadas”, que também não podem ser consideradas como agressões. Pela situação, como um todo, cartões amarelos ficariam de ótimo tamanho. Não havia a menor necessidade de o árbitro Mario Dias de Vivar, paraguaio, expulsar os dois jogadores.

4 – Brasil x Peru – Final

A regra mudou recentemente para determinar que não se deve marcar falta ou pênalti quando a bola tocar o braço de apoio de um jogador que está caindo. E foi exatamente isso o que ocorreu no lance em que o árbitro paraguaio Roberto Tobar assinalou penalidade máxima a favor do Peru: a bola bate no braço de apoio de Thiago Silva. O VAR o chamou para a revisão e mesmo assim, equivocadamente, o árbitro manteve a decisão original.

5 – Brasil x Peru  - Final

O pênalti marcado a favor do Brasil também gerou polêmica. A bola ainda estava em distância de disputa quando ocorreu o contato ombro com ombro, o que é permitido pela regra do jogo. O paraguaio Tobar foi à cabine do VAR e manteve a decisão no campo. Só que o pênalti não existiu.

Fonte: Renata Ruel

Comentários

De pênalti inexistente a 'agressão desculpável': saiba quais foram os cinco maiores erros de arbitragem da Copa América

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Duas profissões: árbitro de vídeo (VAR) deve ser nova função, diferente do juiz de campo

Renata Ruel
Renata Ruel

Já imaginou entrar para uma escolinha de futebol, estudar, praticar para ser jogador de campo, começar a atuar em jogos profissionais, mas, de repente, a tecnologia o tornar um jogador virtual?

E se for um treinador, um corredor, um nadador, que, ao invés de estar no campo, pista ou piscina, passasse a mesclar esses com uma tela e imagens na TV?

Era esse o intuito destes quando decidiram por suas profissões ou somente atuar no seu "habitat natural"?

"Um mundo virtual é um ambiente imersivo simulado através de recursos computacionais, destinado a ser habitado e permitir a interação dos seus usuários através de avatares (representações personificadas do usuário dentro do ambiente digital)." (Wikipedia)

E o árbitro de campo em relação ao de vídeo? O perfil é o mesmo? As competências são iguais? O CHA (conhecimento, habilidades e atitudes), que tanto é citado atualmente, não se torna relevante para diferenciar um do outro?

A percepção no campo muitas vezes é distinta ao ver uma imagem na tela. São ângulos e velocidades diferentes, o conhecimento e domínio das regras alteram a análise de um lance. A pressão que sofre o árbitro de campo pode ser menor hoje do que a pressão de quem está for - a do árbitro de vídeo.

Há pessoas que realmente são excelentes na prática, mas na teoria o desempenho não é o mesmo. Ou ao contrário: quando tiram 10 (dez) nas provas teóricas, mas não alcançam a mesma performance na prática.

Entre as atividades e avaliações feitas com os árbitros de futebol estão os vídeos-testes. Lances de jogos são analisados através de vídeos e os árbitros precisam decidir, por exemplo, se foi falta ou não, se o cartão deve ser aplicado no lance, se é o amarelo ou vermelho, se houve infração de impedimento ou não e, se sim, por interferir no jogo, interferir no adversário ou ganhar vantagem.

O objetivo das análises e testes de vídeos está em auxiliar o árbitro no conhecimento e domínio das regras para tomadas de decisões, até então no campo de jogo. Mas nota-se que nem todos os árbitros que vão extremamente bem dentro do campo em suas decisões, alcançam a mesma ação em avaliações teóricas.

Desta forma, se torna pertinente refletir se os árbitros que fazem um curso para ingressarem na arbitragem onde, até o momento, têm o foco de atuação dentro de campo, buscando aprimorar no árbitro o domínio das regras sempre, tem o mesmo perfil dos árbitros de vídeos.

Indo além de perfil e entrando no mérito de identificação e gosto do próprio árbitro. Quantos preferem somente atuar dentro das quatro linhas, não se identificam com o vídeo? Ou quantos, de repente, constatariam que o vídeo é mais interessante, mais apaixonante do que estar em campo?

Essas análises estão sendo feitas pela FIFA e entidades neste processo? 


Sem dúvida que todos os árbitros, sem exceções, devem conhecer o processo, protocolo e procedimentos, passando por treinamentos do VAR para que possam ter domínio dessa nova realidade do futebol. Desta forma, os próprios árbitros, mas também os instrutores e dirigentes identificarem se há o perfil, tudo pode ser trabalhado através do CHA, para um árbitro de campo e/ou de vídeo. 

Mas o importante é não ser algo imposto ao árbitro, pois todos entraram na arbitragem, até o momento, para estar no campo e não decidindo, muitas vezes, atrás de um monitor.

Hoje a Regra do Futebol não permite a atuação no VAR sem ser por árbitros atuantes, mas todos os anos a International Board estuda propostas de alterações nas mesmas. Quem sabe ex-árbitros e instrutores não possam fazer parte do quadro do VAR ou novos cursos surgirem com o intuito de formar especificamente árbitros de vídeo?

Nem todos os jogadores gostariam de deixar de estar em campo, nem todos os nadadores gostariam de deixar suas piscinas, será que todos os árbitros gostariam de atuar como VAR?

Durante o curso de arbitragem, o aluno decidirá se será árbitro central ou árbitro assistente. A escolha é conforme o seu gosto e identificação com a função. A maioria dos árbitros não gosta de bandeirar e uma grande parte dos assistentes não gosta de apitar. 

Por que o árbitro de vídeo não entra nessa escolha nos próximos cursos ou até mesmo entre os árbitros que já fazem parte do quadro e de repente tenham interesse em atuar somente no VAR? 

A arbitragem já perdeu excelentes árbitros por questões de testes físicos, condições físicas, exemplos Leonardo Gaciba e Wilson Seneme. No quadro atual de arbitragem  há árbitros que em função da idade e/ou condicionamento podem não estar sendo muito aproveitados, mas que possuem experiência e vivência que certamente fazem a diferença e podem se identificar com o VAR, desta forma não perderiam espaço na arbitragem e contribuiriam para uma excelente execução do trabalho e legitimação do resultado. 

O rugby quando implantou o VAR criou uma nova classe de árbitros, os que trabalhariam somente com o vídeo. Copiar o que deu certo pode ser uma grande alternativa.

Comentários

Duas profissões: árbitro de vídeo (VAR) deve ser nova função, diferente do juiz de campo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.