O Império Contra-Ataca: por que me rendi aos Warriors

Antony Curti
Antony Curti

Em meio à saída de Kevin Durant, a força dos Splash Brothers apareceu novamente. A ScotiaBank Arena entrou no jogo, um toco fantástico seguido de enterrada rolou em Steph Curry, DeMarcus Cousins fez duas faltas que custaram 4 pontos aos Warriors e tudo parecia jogar contra. É nesse momento, nas adversidades, que o caráter de um time é revelado. 

Steve Kerr
Steve Kerr Noah Graham/NBAE/Getty Images

O Golden State Warriors fez jus ao seu nome, de guerreiros, na noite de ontem. Brinquei muitas vezes quanto à panela e etc, mas uma panela não funciona da maneira que funcionou ontem. É um instrumento artificial, uma união pura e simplesmente com o objetivo de ser campeão. No primeiro momento que o caldo engrossa na panela, ela racha. Não foi o caso ontem e, a bem da verdade, não vem sendo durante a pós-temporada Durantless.  Os Warriors funcionaram como um exército no qual há uma sinergia digna de Três Mosqueteiros, não de um exército de mercenários. 

Sem Durant, Curry e Thompson combinaram para 57 pontos e as duas cestas derradeiras da partida. Em vez da bola ficar horas com eles nas jogadas derradeiras, Klay e Steph eram os últimos a encostar nela - com movimentação sem bola, com um pump fake fatal de Thompson. Não foi a sequência de crossover/stepback clássico de James Harden, com a vedete da bola de três. Foi bola girada. Foi inteligência. Foi bonito. Foi o momento em que me rendi e desliguei o secador. 

Do outro lado, a panicada. Nick Nurse, técnico dos Raptors, pode ser considerado culpado pelo resultado. Afinal, quem por ação ou omissão contribui para o resultado, pode ser responsabilizado pelo mesmo. Com pouco mais de seis segundos faltando, os Raptors ainda tinham um tempo para pedir. Eis a sequência que vimos, conforme ilustro no tweet abaixo.

Nurse poderia ter pedido tempo, mas ele nem de perto é o único culpado. Sequer que há um. Talvez uma tempestade perfeita ao mesmo tempo que existe (MUITO) mérito na defesa de Golden State - conforme, em muitos e muitos jogos já falamos. O coração dos Warriors - e não um amontoado de jogadores caros que se juntam para ser campeão. 

Os Warriors de Kerr têm; 

6-1 quando enfrentam um jogo de eliminação. 
8-2 quando atrás numa série de playoff
3-1 quando estão atrás numa série de Finais da NBA

Isso não vem do nada. Não veio do nada. E, pelo jeito, não irá para o nada. Torcer contra os Warriors depois de ontem tornou-se inviável.  A superação de ontem não foi a do vilão, do mal. Foi a de um time baleado que encontrou em suas raízes - a movimentação, o altruísmo, a coerência tática - uma virada fora de casa.

 A vitória de ontem foi um triunfo de Kerr, Curry, Thompson e, acima de tudo, um triunfo da organização. O Império Contra-Ataca. 

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Blog do Curti: as cinco melhores defesas da NFL para 2019

Antony Curti
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Fonte: Antony Curti

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Os melhores quarterbacks da NFL para a temporada 2019

Antony Curti
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Fonte: Antony Curti

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Review: Madden 20 tem uma mudança que mais melhorou o gameplay em anos

Antony Curti
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Já é frequente aqui no blog a menção a "vale a pena comprar se o jogo é anual e muitas vezes parece apenas uma atualização de elencos?". Praticamente todo lançamento esportivo que tivermos eu vou acabar mencionando isso porque, bem, é o que importa para você que está lendo: saber o custo de oportunidade e se as mudanças – fora os elencos – são suficientes para gastar 250 reais num jogo novo. 

Antes disso, preciso endereçar algumas coisas. Para começar o timing deste review: o Madden 20 já está disponível há algumas semanas mas estou soltando a revisão apenas agora. Preguiça? Não, claro que não. Mesmo tendo o tempo corrido, o Madden é uma prioridade para mim há muito tempo (até por ter sido uma imensa ferramenta de aprendizado tático do jogo). A questão é que não queria fazer uma revisão sem realmente jogar o negócio. Nem fazer uma revisão por cima só passando pano ou algo do gênero. Até porque para saber se realmente o jogo vale a pena é essencial que eu tenha algumas horas de jogo. Para complicar, houve alguns patches importantes desde o lançamento – então este é o review "definitivo", por assim dizer. 

Agora, posso dizer que tenho essas horas de jogo para escrever aqui. Se você preferir vídeos a texto, fiz dois sobre o jogo, aliás: um com uma live de apenas gameplay – não falo em cima – e outro com uma revisão dos modos de jogo, as mudanças e o que você pode esperar de novidade para a versão 2020 do game. Abaixo, a live-review.


Aqui,  a live só com gameplay entre Steelers e Patriots – que é o primeiro Sunday Night Football do ano. 


Feito isso, vamos à análise. 

A mudança que pode fazer você colocar a mão no bolso

Há algum tempo a comunidade de Madden percebeu uma coisa interessante: se você perdia um quarterback titular (ou apenas estava de saco cheio dele) poderia facilmente substituí-lo com um reserva aleatório e seu time não sofria tanto assim. Num esporte com teto salarial rígido e mudança frequente na balança de força por conta de uma decisão boa ou ruim na free agency e no Draft, não fazia sentido. Vou dar um exemplo de como isso é danoso: há muitos anos eu joguei um franchise mode no qual troquei Eli Manning por três escolhas de primeira rodada – pegando um calouro no ano seguinte. O baque, considerando que Eli estava no auge lá pelos Madden 09 – não foi tão sentido. 

Ainda, no ano passado, fiz um longo franchise com os Patriots e, inevitavelmente, Tom Brady se aposentou. Acabei por substituí-lo pelo péssimo Brad Kaaya (que jogou marromeno no College em Miami e olhe lá). Mesmo que Kaaya tenha um braço absurdamente fraco para os padrões da NFL, isso não afetou meu jogo e... A Dinastia seguiu. Não faz sentido ser tão fácil assim, né?

Pensando nisso, alguns membros da comunidade do Madden faziam elencos (roster) com maior diferença entre o rating de grande jogadores e jogadores mais "normais". Confesso que já havia experimentado uma vez ou outra, mas a zona de conforto me impedia de fazer a mudança definitiva. Agora, não tem mais jeito: a própria EA fez a mudança de maneira que há "baques" claros no rating de jogadores bem conhecidos. Em outros anos, Patrick Mahomes – capa do jogo – seria 99 de overall. Neste ano, é 97. 

Patrick Mahomes é a capa do jogo nesta edição
Patrick Mahomes é a capa do jogo nesta edição Divulgação/EA

Lembra o Eli que eu disse acima? Ele está no fim de carreira e não produz bem há algum tempo. Em outros tempos, dificilmente Eli Manning estaria muito longe da casa dos 80. Neste, é 72. Daniel Jones, seu reserva imediato, é 68 – mesmo sendo escolha top 10 do Draft, o que costumava impulsionar os status de calouros. A vida agora no Madden é assim: se você perder seu titular, alta possibilidade de se lascar, para não dizer outra coisa. Diga-se de passagem, é o que acontece na vida real. 

Essa diferença entre os ratings fez com que o gameplay ficasse mais realista do que em anos. Sério, não é exagero: bastou isso para que a versão 2020 do jogo ficasse mais próxima do que acontece na vida real. Mas não foi apenas isso que mudou. 

Mais uma ideia importada de outros jogos: o "poder especial"

É cada vez mais frequente a incorporação de conceitos de RPG nos modos franchise em games como Madden, NBA 2k e outros. Afinal de contas, o próprio nome do sistema diz: role play. Se você tem um método para evoluir os atletas como se estivesse num RPG, a coisa fica mais fiel à realidade – até porque as métricas de um RPG são apenas representações de habilidades tal qual pode ser medido em praticamente qualquer coisa da vida. Por exemplo, numa escala de 0 a 10, meu humor está 5, hoje. Se eu acabar vendo uma comédia, "ganho XP" nisso e o status vai aumentar. 

Neste ano, o Madden recuperou um conceito antigo que havia sido retirado do game – as habilidades especiais, presentes no meio da década passada na geração PS2/XBox/GameCube. Elas já estão presentes no NBA 2k, vale lembrar. Em resumo, se você joga bem, seu atleta fica "in the zone" e praticamente imparável – experimente fazer várias cestas de 3 com Steph Curry no 2k e veja o que acontece. É o mesmo da vida real. 

Então, para diferenciar ainda mais as estrelas de jogadores comuns, a EA introduziu dois conceitos: o Superstar e o Superstar X-Factor. Se você fizer boas temporadas com um dado jogador no franchise mode, ele pode ganhar um dos dois. O primeiro é menos apelão: certas coisas são feitas melhores do que outros jogadores o fazem. Exemplo: Tarik Cohen, que é superstar, tem uma animação de corte (juke) mais rápida do que a de outros atletas. Isso é refletido no jogo. Agora, o Superstar X-Factor, meu amigo, é quase que a Tela Branca do Akuma no Street Fighter. Esse é o conceito de outros games que o Madden importou, no caso específico, os de luta: a barrinha do especial. 

Se você consegue passes longos com Patrick Mahomes, ele entra in the zone e vira um super-sayajin praticamente – passando a bola até 15 jardas mais longe do que o normal. Tom Brady já tem naturalmente o "poder" de ter mais rotas para jogar com (veja na live de gameplay que fiz) e, se você ficar "in the zone", ele fica com o "poder" do jogo avisar qual recebedor está livre. Odell Beckham Jr, vide abaixo, vira o Diabo da Tasmânia quando tem a bola em mãos após a recepção.

A parte ruim é que o cara fica absurdamente apelão. Mesmo. Nesse jogo que fiz o vídeo acima, Odell teve 350 jardas. Eu basicamente só passei a bola para ele. Então é algo a se pensar por parte da EA, tentar balancear um pouco, nem que seja de leve, para que ainda faça sentido com a realidade. 

Nem tudo são flores

O que impede uma "nota máxima" deste review são as inevitáveis comparações com o NBA 2k. Embora ambos sofram do mal do século chamado pay-to-win em forma de Ultimate Team, ao menos o MyLeague (equivalente ao franchise mode do Madden) é muito mais completo. Das opções de customização de uniformes e arenas até mesmo a possibilidade de contratos de forma que faça sentido com a realidade. Vou dar um exemplo: quando você assina um contrato na NFL, raramente todos os anos tem valores iguais. Você pode colocar mais dinheiro no início, para um jogador mais velho – o chamado front loaded. Ou, então, no final – quando terá mais espaço na folha, o chamado back loaded. No NBA 2k você pode fazer isso. No Madden, não. 

Ainda faltam inúmeras opções no franchise e isso é bem frustrante. O "encontrar troca", tão útil no NBA 2k, não existe no Madden (basicamente você tem que fazê-las na raça). De toda forma, isso não quer dizer que o modo seja ruim: a incorporação dos "arquétipos", bem ao estilo RPG, fez todo sentido e deu nova alma ao jogo. Você não vai evoluir a velocidade de Tom Brady se ele é um passador de dentro do pocket, por exemplo. Então, ao ganhar XP, você tende a melhorar atributos que façam jus ao estilo (leia-se: "role", para fins de RPG) dele. É como as classes no RPG, basicamente. 

Houve praticamente uma única adição ao franchise mode – e nem vou falar em Pro Bowl, pelo amor de Deus. Agora, há certos diálogos que aumentam a possibilidade de dar mais XP para uma dada situação. Isso de certa forma já acontecia no FIFA: o jogador vem cobrar tempo de jogo, você coloca ele e se ele jogar bem ganha mais experiência. Ainda, os contratos (valores, em específico), estão mais difíceis de serem assinados. Isso é bom. Mas ainda falta muita coisa para ser arrumada no franchise. Até pelas inevitáveis comparações com o 2k. 

Depois de mais de 5 anos, é possível jogar com o College novamente (mesmo que com jogadores em nada parecidos com a realidade)
Depois de mais de 5 anos, é possível jogar com o College novamente (mesmo que com jogadores em nada parecidos com a realidade) Divulgação/EA

Sai Longshot, entra QB1

A possibilidade de um modo carreira não é novidade no Madden. É uma das muitas coisas que foram retiradas do jogo e adicionadas como novidade agora. A diferença é que no PlayStation 2 você podia jogar com qualquer posição. Agora, só quarterback. A mudança é bem-vinda em relação ao Longshot (a versão Madden de Alex Hunter, do FIFA), que praticamente era um filme interativo digno de SEGA CD (embora menos polêmico que Night Trap, veja referências depois). 

Você escolhe para qual college vai e entra substituindo o titular nas semifinais do College. Basicamente, joga apenas duas partidas – não há todas as universidades disponíveis, só algumas, mas ainda assim é uma saborosa lembrança do antigo NCAA Football, também da EA Sports. Depois, Combine... Draft... E pum! O modo vira um franchise como jogador – algo que já existia no Madden antes. Então, na prática, a mudança foi pequena e em algumas horas você se vê de volta ao modo antigo. Para ser sincero, eu matei isso em duas horas e nem quis jogar mais, voltei ao modo carreira de time como um todo. 

Compro agora, espero promoção, o que faço?

A mudança no gameplay foi maravilhosa e bem-vinda, como disse. Fez com que eu voltasse a ter a vontade de jogar Madden como nunca antes – pelo jogo em si, não as perfumarias de franchise modeultimate teamEntão, valeu a pena ter o jogo desde o início de agosto por conta disso. Mas... Ainda falta muito. Alguns reviews vão falar sobre "o jogo estar na direção certa" ou "é o melhor Madden em anos". Isso é verdade. Mas, ao mesmo tempo, não vale o preço cheio de um lançamento triple A, os salgados 250 reais. 

Até porque um patch baixável da versão 2019 poderia adicionar boa parte das coisas que falei acima. E você não precisaria gastar tanto. Embora outros jogos façam mais sentido com a orientação "espere promoção", a temporada da NFL é curta demais para isso. Então é uma escolha difícil. Se eu fosse você, esperaria um pouco para não pagar o preço cheio. Dito isso, é, sim, o melhor Madden em anos. Só esperamos que o final da geração PlayStation 4/Xbox One ainda possa ver um Madden mais completo – em especial no franchise mode, renegado em favor da máquina de fazer dinheiro chamada ultimate team

Recomendação: Espere promoção  (mas não por muito tempo, porque a temporada da NFL é curta!).

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5 histórias do mês de agosto da MLB em sua temporada 2019

Antony Curti
Antony Curti

O mês de agosto terminou na MLB e, como sempre digo, a vantagem de termos 162 jogos é que as narrativas vão se desenrolando aos poucos como um grande livro. Com isso, após dados capítulos – que você determina do tamanho que quiser – podemos fazer recapitulações para saber onde estamos na história. Falta um mês para a reta final da temporada e decidi enumerar brevemente algumas das principais histórias que assistimos no mês de agosto. Bora?

Yankees e Astros duelando pela vantagem de jogar em casa nos playoffs: uma final de Liga Americana entre os dois é iminente. Também é iminente que tenhamos ambos com mais de 100 vitórias. Resta saber: quem vai mais alto? Isso é importante porque os dois times têm aproveitamentos faraônicos quando jogando em seus confins – acima dos 70%. Assim, a vantagem pode ser de suma importância na ALCS. Ainda falando em Yankees, vale lembrar que Aaron Judge (foto abaixo) chegou à marca de 100 home runs na carreira em vitória de 7 a 0 contra os Mariners. Com ele saudável, ataque dos Yankees pode se recuperar de uma rotação ruim?

Aaron Judge chegou aos 100 home runs em agosto
Aaron Judge chegou aos 100 home runs em agosto ESPN

E a rotação, hein?  Os Yankees têm um ataque fantástico mas seus arremessadores abridores são... Bom, eles não são bons. Chegando nos playoffs, preocupa? É o que eu falo sobre neste vídeo.


O calouro esquecido: Enquanto falamos bastante de Fernando Tatis Jr (Padres), Vlad Guerrero Jr (Blue Jays) e Pete Alonso (Mets), um nome passou esquecido nessa temporada de calouros especiais: Bryan Reynolds. O outfielder do Pittsburgh Pirates tem temporada acima dos 32% de aproveitamento no bastão e caminha para ser top 5 na Liga Nacional e, também, no beisebol. Enquanto o maior número de Home Runs entre os calouros deve ficar com Alonso, o batting title deve ser de uma das poucas coisas boas que os Pirates tiveram depois do All-Star Break. 

Lá vem os Nationals: Enquanto uma guerra vem sendo travada na NL Central, as coisas começaram a destoar na divisão leste com os Nationals se apresentando como força a ser batida junto do Atlanta Braves. E é inacreditável que isso tenha acontecido: Washington chegou a estar 12 jogos abaixo dos 50% (19-31) e com um início de temporada patético. Entrando em junho, tinham a oitava pior campanha do beisebol com 24-33. O que mudou? Bom, o ataque engrenou – saiu de 17º para 1º em corridas por jogo e o ERA da rotação e do bullpen, idem: saiu de 23º para 5º. 

E os Cardinals: Meu palpite para campeão da NL Central finalmente começou a aparecer com força. Tá certo que isso demorou bastante, mas o St. Louis Cardinals tem um bom elenco no papel, é um time bem treinado e se arrumar a rotação pode acabar indo longe neste ano. O time chegou a estar 26-28, perigando ficar longe da liderança da divisão. Agora, tem 15 jogos acima dos 50% com campanha de 73-58 e caminha para roubar a divisão dos inconstantes Milwaukee Brewers e Chicago Cubs. Vale sempre lembrar: essa camisa pesa. Se chegar outubro embalado, não duvide do que possa acontecer no Busch Stadium. 

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Programação: 2 jogos do College na TV e 19 no Watch ESPN

Antony Curti
Antony Curti

A cada semana, postarei aqui o calendário de transmissões do College Football na ESPN, ESPN2, ESPN Extra e Watch ESPN. Em 99% das vezes, as transmissões aqui listadas como Watch ESPN são em inglês, lembrando. Na semana passada, tivemos o bom jogo entre Miami e Florida – embora as equipes claramente não estivessem preparadas para um início tão cedo na temporada, vide os erros de tackles e turnovers. De toda forma, foi um jogo divertido. 

Agora, temos um amplo cardápio de jogos e pela primeira vez na Semana 1 há mais de um dia com transmissões na TV. A fila é puxada por Oregon e sua forte linha ofensiva contra Auburn no sábado à noite. Além da linha ofensiva, o destaque para os Ducks vai para o quarterback Justin Herbert (foto abaixo). Ele poderia ter ido para o Draft 2019 mas optou por refinar seu jogo em mais uma temporada no college – certamente é alguém para ficarmos de olho rumo ao próximo Draft. A partida será transmitida no sábado às 20:30 na ESPN Extra. 

Justin Herbert
Justin Herbert Getty

Também na TV temos um Monday Night College, por assim dizer. Na segunda, temos Notre Dame vs Louisville – a equipe de Indiana luta para começar e terminar uma temporada ranqueada no top 10 da Associated Press pela primeira vez desde o início da década passada. Em 2018, Notre Dame foi semifinalista do College Football Playoff e caiu diante de Clemson, eventual campeã, na semifinal (Cotton Bowl Classic). 

Abaixo, o cardápio completo. 

ESPN Extra:
Sábado, 20:30: #11 Oregon x #16 Auburn

ESPN 2
Segunda, 21h: #9 Notre Dame x Louisville

Apenas no Watch ESPN, em inglês: 

Sexta, 30 de agosto: 

20h: #19 Wisconsin vs South Florida
21h: Utah State vs Wake Forest 
23h: Colorado State vs Colorado

Sábado, 31 de agosto: 

13h: East Carolina vs NC State; Ole Miss vs Memphis; Boise State vs Florida State; South Alabama vs #24 Nebraska; Toledo vs Kentucky; Mississippi State vs Lafayette;
16:30: Duke vs #2 Alabama; South Carolina vs North Carolina
17h: Virginia Tech vs Boston College
19h: #22 Syracuse vs Liberty
20:30: Virginia vs Pittsburgh; Georgia Southern vs #6 LSU
21h: LA Tech vs #10 Texas
23:30: Fresno State vs USC

Domingo, 1º de setembro: 

20:30: Houston vs #4 Oklahoma

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Não é 1998, mas a briga por mais Home Runs está incrível nesta temporada

Antony Curti
Antony Curti

"O cara que lidera em Home Runs tem 11! Você pode acreditar nisso? Nos anos 90 isso era um final de semana fraco". Um dos muitos excelentes diálogos da série Two and a Half Man mostra um Charlie Harper descontente com o fim da "Era dos Esteróides" no beisebol – quando os números foram inflados na base do veneninho. Não preciso nem dizer os problemas do doping, mas de toda forma é uma frase engraçada e mostra a diferença do esporte dos anos 1990 para agora. Ou será que mostra? 

Mike Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Mike Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

A briga pelo topo nos home runs foi a grande manchete da temporada de 1998. Para apimentar as coisas, os dois grandes competidores jogavam em times rivais de divisão, St Louis Cardinals e Chicago Cubs. Tanto Mark McGwire (Cardinals) como Sammy Sosa (Cubs) obviamente não estavam jogando "puros", mas com asterisco ou não é algo que ficou para a história do esporte: a caça ao recorde de Roger Maris. Ambos estavam empatados com 65 em 25 de setembro – até que McGwire levou o "prêmio" com 70. 

Não foi a única briga especial pelo topo da estatística. Maris teve 61 em 1961 e quebrou o recorde de Babe Ruth (60, 1927) ao mesmo tempo que duelava com Mickey Mantle. Ainda a única temporada na qual um time, os Yankees, tiveram dois companheiros com pelo menos 50 ron-rons – a esperança era que isso pudesse acontecer de novo com Aaron Judge e Giancarlo Stanton, coisa que não parece possível para 2019 e tampouco fora no ano passado. 

2019 não fica muito atrás, acredite ou não. O ano marcou a primeira oportunidade desde... 1998 em que tivemos quatro jogadores chegando à marca de 40 HRs no dia 18 de agosto. Naquela ocasião, McGwire, Sosa, Ken Griffey Jr. e Greg Vaughn. Neste ano, Cody Bellinger & Christian Yelich – os dois potenciais MVPs da Liga Nacional, Mike Trout – o potencial MVP da Liga Americana e melhor jogador em atividade e o calouro Pete Alonso, que na semana passada quebrou o recorde de home runs por um calouro da Liga Nacional. Os quatro, segundo o ESPN Stats and Info, estão no passo para terem pelo menos 50 na temporada – isso aconteceu pela última vez em 2001, ao crepúsculo da Era dos Esteróides. 

Para além dos números, vem sendo uma temporada marcante em narrativas no que tange a uma corrida de Home Runs que não víamos há muito tempo. No início da temporada, dia 4 de abril, Yelich teve um jogo com três HRs – seu primeiro na carreira. No dia 8, Trout roubou um HR de Yelich no campo externo e, no dia 21, Bellinger roubou um também. Em junho, Pete Alonso entrou de vez no radar ao quebrar o recorde de home runs de um Met calouro – o grande Darryl Strawberry; No final das contas ele quebraria o recorde de todos os calouros da Liga Nacional no dia 18 ao mesmo tempo que venceu o Home Run Derby desta temporada. 

 

Com 'bastão de mel', Bellinger acerta dois home runs pelos Dodgers e garante vitória sobre os Indians
Com 'bastão de mel', Bellinger acerta dois home runs pelos Dodgers e garante vitória sobre os Indians Reprodução/ESPN

No momento, Cody Bellinger e Mike Trout lideram a briga com 42. É difícil vislumbrar que atinjam mais de 65 ou mesmo que mirei o recorde* de 1998, mas de toda forma é uma briga deliciosa de acompanhar todos os dias – como o beisebol bem nos proporciona. Yelich aparece em terceiro com 41 e Pete Alonso tem 40. Ainda, vale menção honrosa a Ronald Acuña, do Atlanta Braves, num honroso quinto lugar – 36. Se eu puder apostar minhas fichas em alguém, seria em Bellinger. Vou errar? Provavelmente. Mas essa imprevisibilidade narrativa é justamente o que vem dando o tempero a esta incrível corrida. 

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Baker queima Daniel Jones à toa – "alvo" nas expectativas dos Browns só aumenta com isso

Antony Curti
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Não há time mais falastrão e cercado de expectativas do que o Cleveland Browns de 2019. Barrado um início de temporada com o freio-de-mão chamado Hue Jackson, os Browns poderiam ter ido para os playoffs já no ano passado. Adicione uma pitada de Odell Beckham Jr e reforços defensivos, colocando um pouco de Pittsburgh Steelers sem Antonio Brown e Le'Veon Bell e, para terminar, um Baltimore Ravens dizimado pela free agency e com questionamentos sobre Lamar Jackson e temos o favorito da AFC North. 

Ante esse panorama, os Browns tornaram-se, ao mesmo tempo, duas coisas: menina dos olhos e alvo. Justamente por conta disso, por mais que admire a personalidade de Baker Mayfield – confesso que em alguns momentos falo o que me vem à cabeça também – não posso deixar de dizer que, nesta semana, ele errou. Justamente por conta das expectativas e do alvo nas costas. 

Baker Mayfield em sua estreia, contra os Jets
Baker Mayfield em sua estreia, contra os Jets Getty

Baker deu entrevista para a GQ – espécie da finada Revista VIP, lá nos EUA – e sem mais nem menos, teceu comentários ácidos sobre Daniel Jones, calouro que foi escolha número #6 do Draft pelo New York Giants. Enquanto a entrevista rolava, um segmento no SportsCenter americano era veiculado e o tema era Jones. O quarterback dos Browns, então, disse: "Não posso acreditar que os Giants pegaram Daniel Jones". O ponto de Baker era sobre a campanha de Daniel Jones na carreira em Duke, com fracos 17-19. "Me espanta. Às vezes as pessoas pensam demais, é aí que erram, elas esquecem que você tem que vencer", disse em referência ao histórico de Jones na universidade que fica em North Carolina e é bem mais famosa pelos seus times de basquete. 

De fato, Baker tem um ponto. Por outro, não. Por outro mais além, menos ainda. Tim Tebow foi um quarterback vitorioso no college, por exemplo, e nada vez de muito relevante além da Tebowmania durante uma reta final de temporada. Eu sou um dos grandes críticos da escolha dos Giants – sobretudo pela questão de custo de oportunidade. Suponha que você está numa loja em promoção e está louco por um videogame que praticamente só você quer mas uma TV também está em promoção e vai acabar logo. Você pega o quê primeiro? A TV, certo? Pois bem, em vez de pegar um jogador defensivo com potencial os Giants foram no videogame – aí reside a questão do custo de oportunidade, conceito de economia crucial para entender o Draft.

O ponto, claro, é que analisar essas coisas é minha profissão. Baker, embora falastrão, precisa tomar cuidado. Ao comentar sobre uma escolha contestada do maior mercado da liga sendo que já há uma certa expectativa nos Browns... O tiro pode sair pela culatra. Era evitável. Longe de ser necessário falar sobre um colega de profissão. Coisas que a maturidade nos traz – um dia já pensei como ele, hoje, não mais. 

Agora, vida que segue. A entrevista, contudo, só coloca um alvo maior ainda nas costas de Mayfield, Odell e de todo Cleveland Browns. Se não forem competitivos nesta temporada, as palavras voltarão com o dobro de força. 

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Sale fora, Pete Alonso voando, briga pela NL Central: as histórias da MLB no final de agosto

Antony Curti
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Reta final da temporada 2019 da MLB: a maratona de 162 jogos vai chegando ao final e temos desenhadas as brigas por divisão e quem já caiu e não compete mais. Há certos times, como o Kansas City Royals, Detroit Tigers, Miami Marlins e alguns outros que já sabemos que morreram na praia. Contudo, a Liga Nacional e a Liga Americana praticamente não têm nada muito definido fora o New York Yankees e o Los Angeles Dodgers como potenciais campeões de divisão – com o Houston Astros também forte, embora tenhamos que dar uma colher de chá para a força recente do Oakland A's.

Mets aparecem como força surpreendente

Mesmo com lesões no lineup em nomes de peso como Yoenis Cespedes e Robinson Cano, o New York Mets apresenta-se como candidato ao Wild Card da Liga Nacional. É bem verdade que boa parte dos times que giram em 50% de aproveitamento estão nessa briga – daria até para colocar no bolo o Arizona Diamondbacks, com campanha negativa e 4,5 jogos atrás – mas de toda forma é surpreendente que coloquemos os Mets nisso tudo. Até porque a temporada, sobretudo com essas lesões, não aparentava ser tão brilhante assim. 

Pete Alonso é o nome daquele que, a princípio, levanta esperança no coração do torcedor do Queens. Ele chegou à marca de 40 home runs neste domingo, quebrando o recorde anterior para um calouro na Liga Nacional – que era de Cody Bellinger em 2017 (sendo que hoje ele é candidato a MVP da NL). Alonso tem 979 de OPS e sem dúvidas é o eixo motor do ataque. 

O que não vem sendo tão falado – e deveria – é que o bullpen dos Mets está jogando bem melhor do que jogou na primeira metade da temporada. E isso veio num bom momento, dado que o resto da Liga Nacional começou a ter inúmeros problemas com os arremessadores de alívio (relievers).  Na divisão leste da NL, por exemplo, Atlanta saiu de 4,14 de ERA de bullpen até 31 de julho para 6.28 em agosto. Washington saiu de 5.96 (uh...) para horrendos 6.92. Os Mets desceram de 5.21 para 4.84. Considerando que a rotação de arremessadores titulares/abridores tem bons nomes, isso ajuda a explicar a melhora de Nova York. 

No momento, o Wild Card ainda é um sonho distante – mas possível. São apenas dois jogos dos Cubs/Cardinals, que têm campanha idêntica (também pela liderança da NL Central, que já falaremos sobre). 

Chris Sale, arremessador do Boston Red Sox
Chris Sale, arremessador do Boston Red Sox Getty

Mais uma baixa em Boston

Falei mais cedo neste mês aqui no blog como a luz amarela acendia forte e, como imaginava, a tendência de pós-temporada para o Boston Red Sox era cada vez mais diminuta. A baixa mais recente foi Chris Sale, que será examinado nesta segunda com inflamação no cotovelo. Sale está em uma das piores temporadas de sua carreira, com 4.40 de ERA (pior da carreira), 1.5 home runs cedidos/9 entradas (pior da carreira), 1.09 de WHIP (pior desde 2015) e 2.3 walks cedidos por 9 entradas arremessadas (piore desde 2012). 

Para complicar ainda mais, é o segundo ano consecutivo que os Red Sox colocam seu ace na lista de machucados por conta de um problema no braço – ele foi para a IL em julho do ano passado com inflamação no ombro esquerdo. Agora, é o cotovelo que preocupa – a segunda vez na carreira que ele perde tempo por conta de lesão no cotovelo, aliás. 

É nítido que Sale está tendo uma temporada aquém do que o torcedor espera. A própria média da bola rápida evidencia isso: caiu de 94.9 MPH para 93.1 MPH nesta temporada – no arremesso, está gerando a pior porcentagem de swings no vazio desde sua primeira temporada como abridor. Nada que está ruim não possa piorar, aliás: ele pode acabar passando pela Tommy John no braço e ficaria fora de 12 a 18 meses – o contrato de Sale é de 5 anos e 145 milhões e começa a ter efeito justamente na próxima temporada. A boa notícia é que a Tommy John não significa fim de carreira ou desempenho aquém por conta disso: só lembrar que Jacob deGrom passou por ela em 2010 e foi o Cy Young (Melhor Arremessador) da Liga Nacional na temporada passada. 

Atualização, 20/08: Sale foi examinado e não haverá necessidade de cirurgia Tommy John para ele. 

Briga esquenta na NL Central

Na transmissão de ontem – Pirates vs Cubs – mencionei como a Divisão Central da Liga Nacional era a melhor divisão do beisebol em 2019. Isso vem se confirmando jogo a jogo e pela disputa pelo topo da divisão. Não há nenhum que se destaque e as séries vem sendo bem equilibradas: parece que todo time tem um ponto negativo e um positivo a ser explorado e a explorar. 

Cubs e Cardinals estão na liderança com campanha idêntica em aproveitamento. Na sequência, aparece o Milwaukee Brewers a dois jogos. Cincinnati está a 7,5 jogos e já tem um sonho mais distante de chegar – mas é um time ofensivamente interessante. E Pittsburgh só ficou para trás por ter a pior campanha do beisebol desde o All Star Game, porque até então vinha forte. Os Cardinals agora têm série de três jogos contra os Brewers (64-60) e depois pegam os Rockies (57-67). Os Cubs pegam os Giants (63-62) e depois os Nationals (67-56). Depois dos Cardinals, os Brewers pegam série contra os Diamondbacks (62-63). Será um mês de agosto pra lá de especial na divisão. Olha a classificação dos três primeiros.

STL 65-57
CHN 66-58
MIL 64-60, 2 GB


Próximas transmissões da #MLBnaESPN: 

Segunda, 19 de agosto, 20h: Nationals vs Pirates, ESPN 2
Terça, 20 de agosto, 20h: Red Sox x Phillies, ESPN 2
Quarta, 21 de agosto, 23h: Yankees x A's, ESPN

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Sale fora, Pete Alonso voando, briga pela NL Central: as histórias da MLB no final de agosto

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A ridícula saga do capacete (e sumiço) de Antonio Brown

Antony Curti
Antony Curti

O domingo marcou mais um capítulo na estúpida, ridícula, estapafúrdia e digna de ficção saga do capacete de Antonio Brown. Para você que pegou o bonde andando, Brown sumiu do training camp do Oakland Raiders simplesmente porque não quer jogar com um capacete novo – seu antigo foi proibido pela NFL por questões de segurança. O detalhe – pequeno, quase insignificante – é que Antonio Brown já tem histórico de concussão na carreira, perdeu jogos por isso e mesmo assim bate o pé para usar um capacete não compatível com as atuais regras de segurança da NFL. 

Antonio Brown segue chamando atenção por sua polêmica com o capacete
Antonio Brown segue chamando atenção por sua polêmica com o capacete Getty

Ontem, o general manager do time, Mike Mayock, veio a público e deu uma forte declaração. "Sabemos que AB (Antonio Brown) não está aqui hoje, certo? Então no final das contas é assim; Ele está pistola com a questão do capacete. A gente lhe apoiou nisso. Entendemos, ok? Mas chegamos ao ponto de exaustão. Sob nossa perspectiva, é hora dele estar all in ou não. Esperamos que ele volte em breve. Temos 89 caras ralando lá fora", disse. Ainda, Mayock não permitiu perguntas aos jornalistas sobre o assunto. "Esperamos que ele seja parte de tudo isso na Semana 1 contra Denver. Fim de papo, sem perguntas". 

A troca por Brown foi correta pelos Raiders? Acredito que sim. Os Raiders estão de mudança para Las Vegas em 2020 e ingressos não se vendem sozinhos. De toda forma, a equipe sabia dos riscos que tomou e isso fica implícito nas palavras de Mayock. Meio que como um "morde e assopra". Algo como "estamos pistolas, mas por favor, volte". 

É inquestionável que, em campo, Antonio Brown é um gênio. Brown seria de muita utilidade para o ataque dos Raiders e isso fica claro em seus números no ano passado. São seis temporadas seguidas com pelo menos 100 recepções e nenhum jogador da franquia tem isso desde o grande Tim Brown em 1997. Derek Carr vem tendo problemas nos passes em profundidade mesmo tendo um braço, em teoria, forte. Os Raiders tiveram apenas quatro touchdowns em passes para mais de 20 jardas no ano passado. Sozinho, Antonio Brown teve oito. 

Falando sobre Carr, o ano de 2019 é meio que "vai ou racha" para ele. Os Raiders podem cortá-lo após esta temporada sem qualquer ônus – dinheiro garantido – na folha salarial do ano que vem. Até por conta disso o time investiu em tantas peças ofensivas nesta temporada: da linha ofensiva com Trent Brown até o corpo de recebedores, com Tyrell Williams. É justamente por esse motivo que a presença de Brown é tão importante. Porque com ele ali e Carr tendo os mesmos problemas de outrora, ficaria mais fácil o diagnóstico sobre qual quarterback os Raiders têm na mão. 

Enquanto isso, essa saga ridícula se desenvolve. Eu sei, são palavras fortes. Mas é uma atitude mimada. Vou dar um exemplo: às vezes, nas cabines de transmissão que fazemos os jogos, o microfone é um "headset". Eu, pessoalmente, não gosto muito – prefiro microfone de mesa. Mas se tiver só aquele bora. O que importa é o esporte e fazer uma boa transmissão. Se o futebol americano realmente fosse a coisa mais importante na vida de Antonio Brown neste momento, ele não se importaria em trocar o capacete. Afinal, Tom Brady também terá de fazê-lo e ganhou múltiplos Super Bowls com ele – qual seria a desculpa do camisa 84 então? 

Não há. Como Mayock disse, é hora de cair pra dentro ou cair pra fora. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

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Atuais campeões, Red Sox sofrem varrida no Bronx e começam a correr risco de não ir para a pós-temporada

Antony Curti
Antony Curti

Poucas ligas apresentam ressaca de títulos como a Major League Baseball. Os Cubs sofreram em 2017, os Astros no ano passado. Agora é a vez do Boston Red Sox. A ressaca foi grande e já apresentava sintomas no spring training. No início da temporada, havia a justificativa de que os Red Sox tiveram vários jogos fora de casa e na costa oeste. Depois, que o ataque estava "aquecendo" para 2019. Por fim, veio a questão: a temporada tem 162 jogos e é cedo para ficar preocupado. 

Atuais campeões, o Boston Red Sox corre sério risco de ficar fora dos playoffs da MLB
Atuais campeões, o Boston Red Sox corre sério risco de ficar fora dos playoffs da MLB Reprodução ESPN

O problema é que já estamos em agosto e as séries "derradeiras" contra Tampa Bay e New York Yankees tiveram desfechos pavorosos. Em dado momento, eram 14 confrontos "diretos" contra os Rays e os Yankees. O final de julho e início de agosto soava como um tudo ou nada para os Red Sox continuarem fortes na briga pela divisão. Afinal, diretamente daria para tirar a diferença. 

Foram 6 jogos contra os Rays. 2 vitórias e 4 derrotas. 

Foram 8 jogos contra os Yankees. 3 vitórias e 5 derrotas. 

A última, uma partida onde David Price espalhou a farofa já no início do jogo, em horário nobre, num dia seguinte a uma péssima atuação de Chris Sale – que, no papel, é o ace da rotação. Em termos de arremessadores, nada dá certo para Boston. Seja na rotação, seja no bullpen. Se os titulares não vão bem, o bullpen preocupa ainda mais: são 20 blown saves – lideranças perdidas – nesta temporada, segunda pior marca da Liga Americana. Três delas contra os Yankees. Se, hipoteticamente, tivessem segurado 10 dessas lideranças, os time estaria ainda na briga pela divisão. A saída de Craig Kimbrel é sentida especificamente aí. 


Com a varrida e a derrota de ontem, os Red Sox ficam a 14,5 jogos dos Yankees pela liderança da divisão. Há apenas mais uma série entre eles nesta temporada, no início de setembro, em Boston. A tendência é que não haja muitas vitórias: os Red Sox têm 4-16 contra os Yankees, seus maiores rivais, nos últimos 20 jogos. Agora, são 8 jogos sem vencer – pior marca da equipe desde 2015. O ERA da rotação de arremessadores titulares passa de 10 no período. 

Boston ainda pode dar um gás final e buscar uma vaga pelo Wild Card, mas a classificação via título da AL East tornou-se virtualmente impossível após a noite de ontem. Há ressacas e ressacas, mas para os Red Sox, acabaram as desculpas. Uma varrida no Bronx simboliza isso como poucas coisas.

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Melhor game de F1 já feito, F1 2019 é, também, mais do mesmo

Antony Curti
Antony Curti

Farei revisões de todos os lançamentos esportivos para PlayStation 4 e XBox One neste blog. Em todos, a mesma pergunta será feita ao final do texto: vale a pena comprar com preço cheio, especialmente se você já tem a versão do ano anterior? 

Chegamos a um ponto no qual a evolução dos motores físicos e gráficos é tamanha que pouca coisa pode mudar de um ano para o outro nesse tipo de lançamento. Antes de entrarmos nessas questões existenciais, vamos à revisão de fato para fazer jus ao título do review – que, embora contraditório, faz sentido. 

***

Quando tinha 6 anos, era fanático por Fórmula 1. Enchi o saco de minha mãe de tal forma que ela resolveu me dar de presente de aniversário um volante para jogar os games de corrida no PC – um amigo trouxe dos Estados Unidos, onde era possível comprar um em vez dos preços absurdos que tínhamos aqui, mesmo com o dólar 1:1 em relação ao real. Meu grande problema era conseguir configurar o tal volante para jogar com o Grand Prix 2 e F1 Racing, dois dos mais famosos games do gênero na metade da década de 1990. Mesmo quando conseguia, não era muito bom no jogo – normal para uma criança, convenhamos. 

A evolução dos jogos do gênero se deu de maneira concomitante à minha própria evolução jogando tais games. No início, não conseguia jogar sem assistência de freio, controle de tração e marchas no automático. A primeira coisa que consegui fazer foi jogar sem assistência de freio. Depois, comecei a passar a marcha no manual. Por fim, jogando hoje em dia com pedal e volante, o controle de tração que faz o carro rodar e virar um demônio se você acelera forte sem ele. 

Houve evolução dos jogos também? Sim. Desde o início da década, a Codemasters tem a exclusividade dos jogos de Fórmula 1 com os circuitos, equipes e pilotos do Campeonato Mundial. É "mato curto" para poder fazer coisas diferentes que permitam mais abrangência em modos de jogo, mas mesmo assim a produtora vem se esforçando para tal, como já veremos. 

Crédito: Divulgação/Codemasters
Crédito: Divulgação/Codemasters Codemasters

Simulação?

Que fique claro: F1 2019 não é um simulador tão fiel à realidade. Ele deixa a desejar para os Automobilistas, rFactos, iRacing e etc da vida especialmente no quesito de acerto de carros. Se você quiser se sentir como Nelson Piquet ou Niki Lauda nesse sentido, o F1 2019 não é o jogo para você. De toda forma, nem deveria ser. Esse é o custo "comercial" que a Codemasters paga para que o jogo seja viável. Há certos elementos arcade, por exemplo. Ele acaba sendo um jogo que vai agradar àquele que gosta de jogos de corrida, àqueles que assistem apenas às corridas de domingo e alguns que são fanáticos por Fórmula 1 a ponto de saber que a Andrea Moda é a pior equipe da história da categoria. 

Contudo, quem gosta mesmo de um simulador pode não ficar plenamente satisfeito. Há modelos de F1 em outros jogos – alguns nem tão hardcores em termos de simulação, como Gran Turismo Sport – que são mais fiéis à realidade. Ainda, no quesito simulação, os danos dos carros deixam muito a desejar – algo que deve ser até exigência da FIA. 

O conteúdo a mais: os carros clássicos

Ontem fui almoçar com amigos num restaurante alemão aqui em São Paulo. O prato principal estava delicioso, mas o que mais me deixou satisfeito foi a sobremesa: um apfelstrudel com chantilly – igual àquele que o Hans Landa come em Bastardos Inglórios. Se bobear, foi o que mais gostei no almoço. Não, pensando bem, foi. A analogia aqui faz sentido quanto aos carros clássicos disponíveis no jogo. São uma deliciosa sobremesa. 

É algo que a Codemasters faz desde a Era 360/PS3 – mas que agora podemos dizer que chegou ao ápice. Salvo modelos dos anos 1950 e 1960, a maior parte das gerações está contemplada. O plus da edição 2019 faz referência à temporada 1990, auge da rivalidade e disputa entre Alain Prost e Ayrton Senna. Seus bólidos naquele ano que terminou de maneira polêmica na primeira curva de Suzuka estão presentes na edição "Legends" do jogo e como DLC a parte para quem tiver a versão normal ou "anniversary", que foi a que testamos para o blog. 

De resto, mais do que já tínhamos antes. Sinto falta da Ferrari de 1995, com um ensurdecedor motor V12 que soava como poesia para meus ouvidos – mas, de resto, boa parte dos bólidos que fizeram história na Fórmula 1 estão presentes. Segue a lista: 

Década de 2000:  2010 Red Bull RB6,  2010 Ferrari F10 (F1 2019 Legends/Anniversary Edition bonus), 2010 McLaren MP4-25 (F1 2019 Legends/Anniversary Edition bonus), 2009 Brawn BGP 001, 2008 McLaren MP4-23, 2007 Ferrari F2007, 2006 Renault R26, 2004 Ferrari F2004, 2003 Williams FW25

Década de 1990: 1998 McLaren MP4-13, 1996 Williams FW18, 1992 Williams FW14, 1991 McLaren MP4/6

Década de 1980: 1990 Ferrari F1-90 (F1 2019 Legends Edition bonus), 1990 McLaren MP4/5B (F1 2019 Legends Edition bonus), 1988 McLaren MP4/4, 1982 McLaren MP4/1B

Década de 1970: 1979 Ferrari 312 T4, 1978 Lotus 79, 1976 Ferrari 312 T2, 1976 McLaren M23D, 1972 Lotus 72D

Modo Online: a bagunça de sempre

Detesto jogar games esportivos fora o FIFA quando o assunto é o ambiente online. Embora o Gran Turismo Sport tenha criado uma mecânica de reputação que deixa as corridas online mais limpas e o F1 2019 tenha algo parecido com isso, simplesmente não funciona e já há algum tempo é o caso. Se você quer jogar online este não é o jogo para você. Em literalmente todas as corridas online que disputei houve colisões absurdas na primeira curva. Em algumas, um carro que girou ficou no meio da pista só com o intuito de atrapalhar quem ainda estava  correndo. Foi uma experiência horrível e confesso que não estou surpreso em me desapontar com ela. 

Fora, claro, a questão do lag. Os carros dos oponentes parecem fazer um zig zag curto que atrapalha no vácuo e consequente ultrapassagem em muitas vezes. Nesse quesito, há muito a ser feito. Um servidor no Brasil ainda é um sonho distante como em Madden ou NBA 2k (esses, completamente injogáveis por conta de lag, coisa que o F1 2019 pelo menos não é). 

A Codemasters adicionou a possibilidade de customizar os carros no modo ranqueado, mas fora isso precisa endereçar a "boa educação" dos pilotos e principalmente a questão de servidores. Em ambos os casos, sinceramente, me parece algo impossível de vermos resolvido no curto prazo. Afinal, como disse acima, o jogo não é um simulador e menos ainda o será na modalidade online. 

A novidade do modo carreira: a Formula 2

Enquanto outros games do gênero como Project Cars 1 e 2 apresentavam a possibilidade de começar "lá atrás" no kart, o modo carreira da série da Codemasters sempre começou já na Formula 1. Isso tirava um pouco a imersão e foi endereçado nesta edição. Você agora começa – se quiser, se não pode pular direto para a F1 – na categoria de acesso, onde há rivalidades e "eventos" durante a temporada. Não se preocupe: é bem rápido, matei tudo em uma hora. De toda forma, recomendo que você dê uma olhada. É incrível como um carro de F2 é bem mais difícil de guiar do que um de F1 – até por ter anos luz menos aerodinâmica. Se você, no braço, treinar bastante com um bólido de F2, terá mais facilidades depois. Aqui, abaixo, dá para ver como tive que guiar o mais limpo o possível para fazer uma ultrapassagem. 

 

O primeiro evento se dá em Barcelona, com seu carro tendo problemas e a equipe ordenando que você deixe seu companheiro de equipe passar, dado que o carro dele está inteiro e pode buscar mais pontos para sua equipe. Como não é de minha personalidade deixar o cara passar fácil assim, não cumpri a ordem e ele não passou – pelo contrário, eu fiquei em segundo e ele ficou em quarto. Esse tipo de decisão bem como suas respostas em entrevistas – algo que já tínhamos no ano passado –lhe dão uma reputação de "showman" ou "cara legal". Essa reputação é importante porque cada equipe da F1 prefere um tipo ou outro. A Ferrari prefere o showman – a Mercedes, o cara legal. 

De resto, tudo o que já tínhamos na edição 2018 está lá. A árvore de melhorias no carro, por exemplo, segue por lá – onde você pode gastar os pontos ganhos no modo carreira em melhorias no motor, chassi e aerodinâmica para fazer sua equipe mais competitiva. As entrevistas, como também mencionei acima, também seguem no jogo e adicionam em imersão. 

É gratificante ver como as produtoras de games esportivos estão cada vez mais colocando elementos de RPG em seus "modos carreira" e aqui não foi diferente. Demoraram para entender como esses recursos são importantes para imersão mas, felizmente, eles viraram algo definitivo em jogos que simulam esportes. Ainda bem. 

Tenho o F1 2018, vale a pena?

Não. A menos, claro, que você faça muita questão dos carros e pilotos atualizados para a temporada 2019. Além das pequenas mudanças do modo carreira e um motor gráfico mais limpo – especialmente no que tange à iluminação – o game não mudou tanto assim da edição anterior para esta. A adição da rivalidade Senna/Prost é um elemento interessante e até mesmo ligeiramente replicada no início do modo carreira. Mas não é o suficiente para empolgar de verdade um fã casual que já tenha a edição anterior. 

Sinceramente, a menos que você seja muito fã hardcore ou tenha se empolgado com a adição da F2, eu recomendaria que esperasse uma promoção para adquirir o game em sua versão 2019. Como dito no início do texto, chegamos nessa eterna discussão de sexo dos anjos: será que um modelo de "subscrição" não faria mais sentido para jogos esportivos do que temos com os lançamentos anuais? Porque chegamos ao ponto que o mato está todo cortado e fica difícil, de verdade, colocar coisas novas a todo ano. A não ser que você faça o que a própria Codemasters já fez: tira um elemento do jogo, fica sem ele na geração seguinte e adiciona como novidade anos depois. Foi assim com os carros clássicos, por exemplo. 

De toda forma, temos o lado bom disso: como jogador da série desde os primórdios e como alguém que joga games de corrida desde o Grand Prix 2 no PC e os F1 World Grand Prix da vida no Nintendo 64, este é o melhor jogo de F1 já feito. Chegamos ao ápice. Agora é saber como a Codemasters vai lutar contra essa complacência em edições futuras. 

OBS: Review feito com todas as assistências desligadas (câmbio, freio, controle de tração) e num Logitech G29 no PlayStation 4. 

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No NBA 2k, os Rockets com Westbrook vão voar. E na vida real, funciona?

Antony Curti
Antony Curti

Histórias bonitas de amor no cinema não são lineares - gosto delas porque na vida real também é assim. Desencontros acontecem e quando os dois lados não estão na mesma página, a distância surge. Física, muitas vezes, mas em algumas oportunidades também uma distância em empatia, sintonia e todo o resto. 

Embora James Harden e Russell Westbrook estivessem distantes por 664 km, sempre se soube que seguiam próximos e, de certa forma, amigos. Ante ao terremoto que estremeceu a Costa Oeste na última free agency, Westbrook se viu sozinho em OKC. Nos últimos anos, Russell tornou-se um proprietário virtual do Thunder. A bola passava por ele, começava com ele e terminava com ele. As estatísticas, idem. Também nos últimos anos, ele era a esperança e o eixo motor do time, sobretudo no lado ofensivo da quadra. 

De repente, após anos de um sólido elenco com nomes como James Harden, Kevin Durant e outros, Westbrook se viu sozinho. Primeiro, Paul George pediu para ser trocado. Natural. A relação entre George e OKC sempre foi líquida. Ele era o escudeiro e não haveria uma fidelidade incontestável, nem para o sim e nem para o não. Essa foi a primeira peça do dominó final do desmanche. Na sequência, Jeremi Grant foi trocado para os Nuggets. A cena final do filme foi ontem a noite. 

Russell Westbrook durante partida do Oklahoma City Thunder contra o Indiana Pacers
Russell Westbrook durante partida do Oklahoma City Thunder contra o Indiana Pacers Getty

Por que Houston fez a troca?

Não havia outra saída para Daryl Morey, general manager dos Rockets. Primeiro, porque manter-se competitivo está em seu DNA e, de certa maneira, no da franquia também - não importando como os ventos estiverem soprando. Acontece que os ventos começaram a soprar de maneira mais forte no Oeste. De repente, a virtual garantia de que um time comandado por James Harden tivesse passaporte carimbado para a final do Oeste... Não existe mais.  

A análise da troca se opera em eixo. Primeiro, por que os Rockets "venderam" Chris Paul. Segundo, por que os Rockets "compraram" Russell Westbrook. Vamos à primeira. 

O contrato de CP3 era e é uma gigantesca bomba relógio e não há espaço na folha salarial de um time como os Rockets, que pretendem permanecer competitivos pelos próximos anos - o que não é problema no Thunder-2019. Chris Paul tem em seu contrato valores surreais e que não casam com sua produção. Ainda pior daqui uns anos. 2020-2021, aos 35 anos, conta em 41 milhões na folha. 2021-22, conta em 44 milhões. É como comprar um carro de luxo de 2010 e pagar mais caro do que um 0 km. Não faz o menor sentido e os Rockets perceberam isso a tempo - eu bati nessa tecla algumas vezes no ESPN League durante os playoffs, aliás. 

O outro lado é o por que os Rockets trocam CP3 por RW. No papel um é melhor que o outro. Westbrook é quatro anos mais novo e nas últimas três temporadas jogou 50% de minutos a mais do que Paul ao mesmo tempo que tinha um papel ofensivo muito mais importante em sua equipe. Ah, e foi candidato a MVP em todas elas. Ainda, caso o experimento dê errado, Russell pode ser trocado a partir de dezembro e certamente terá mercado - coisa que não é garantia com Chris. É como se livrar de um urânio empobrecido por um novinho em folha, que ainda não é radiativo. 

No NBA2k - ou no Live, vai que você prefere outro videogame - o elenco dos Rockets é maravilhoso para se divertir. Chuva de três pontos, Westbrook infiltra melhor do que Paul, enfim, vai ser uma beleza. Mas isso funciona na vida real? Porque vida real não é uma escalação no papel e nem videogame, com atributos dados aos jogadores e a química e ego entre eles não importando. A boa notícia, claro, é que eles são amigos. Mas como Westbrook vai jogar sem a bola? Nos últimos três anos, ele teve 33% de aproveitamento em catch-and-shoot, de acordo com o Second Spectrum Tracking, em bolas de três pontos. Paul? 45%.

Supondo que Russell carregue a bola, quanto ele vai dividi-la com James Harden num papel de shooting guard (ala-armador), se é que existe alguma possibilidade disso acontecer?  Embora exista a tara incessante das pessoas pelo precedente e pelo fato de ambos terem jogado junto antes, vale lembrar que James Harden jogando de vermelho está longe de ser o James Harden jogando de azul e laranja de OKC de 2012. 

Algo não encaixa, percebe? 

Westbrook vai ter que baixar a bola e perceber que virou um Michael Corleone ao final do terceiro filme. Já foi gigante, já foi candidato a MVP, mas para esse negócio funcionar, caso ele queira ser campeão, vai ter que se portar de maneira diferente. O time é de Harden, sempre foi e sempre vai ser. Westbrook chega para um papel de escudeiro que Paul George lhe foi na temporada passada. Quer prova maior que o time é de Harden do que o fato de que a diretoria trocou o futuro incerto pelo presente real por conta dele?

É uma nova aposta de Houston. Mas para funcionar, terá de ser, em essência, com muito risco - e  pouco ego. 

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Knicks não terem dado contrato máximo a Durant não é o absurdo que pintam

Antony Curti
Antony Curti

O autoconhecimento é uma ferramenta extremamente poderosa para o crescimento e o equilíbrio. Eu não pegaria um carro de Fórmula 1 para pilotar em Interlagos do nada, sei das minhas limitações e que, invariavelmente, iria me machucar. Da mesma forma, na 5ª série, eu não iria mandar um correio elegante na festa junina para a menina mais bonita da classe. 

O New York Knicks não quis oferecer um max contract para Kevin Durant. Foram duramente criticados na imprensa americana, no twitter e onde mais fosse. Mas é preciso contexto. Os Knicks não são uma franquia qualquer. Seu poder de atração de free agents é inversamente proporcional ao que deveria. Sem um título desde a década de 1970, com as demandas do mercado consumidor nova-iorquino  e com uma avalanche de decisões ruins atrás de decisões ruins, uma bola de neve foi criada e virou uma gigantesca avalanche. 

Não é exagero nenhum dizer que o melhor momento dos Knicks no século sequer existe em termos compatíveis com a grandeza que Nova York demanda. Em quadra, foi em 1998-1999 ao chegar nas Finais contra os Spurs. Meio que em quadra e fora dela, a era de esperança de Carmelo Anthony e o momento de euforia com Jeremy Lin e as semanas de Linsanity. No que realmente importa, títulos, não passaram da segunda rodada do Leste. 

Numa situação tão delicada, não é um passe de mágica que vai solucionar a avalanche no Madison Square Garden. O que funciona em outros times, como a contratação de um free agent de peso que muda o espírito da franquia, não funciona mais em Nova York. É necessária uma imensa reestruturação e, embora o Draft da NBA por vezes não seja tão impactante como o da NFL em termos de montagem de elenco, é por meio dele que essa reestruturação virá. Muita frustração foi criada em torno de não ter a primeira escolha geral e, por tabela, Zion Williamson. Pouco otimismo legítimo foi criado em torno do fato de, mesmo assim, terem R.J. Barrett, jogador com piso de produção alto e que de maneira orgânica pode melhorar as coisas em Nova York. 

Kevin Durant em sua passagem nos Warriors
Kevin Durant em sua passagem nos Warriors Getty Images

Ante esse contexto, digo: os Knicks não erraram em não dar um max contract para Kevin Durant. Primeiro porque para sair da situação em que se encontram, suor vai ter que ser derramado - um "processo" muito mais doloroso e cuidadoso do que ocorreu em Philadelphia. As expectativas em torno de um Durant que só volta na próxima temporada poderiam ser uma nova auto sabotagem para os Knicks. O time passaria mais um ano no limbo, esperando um Durant que voltaria de uma lesão grave. Lesão essa que, nos últimos 25 anos, só Dominique Wilkins conseguiu realmente se recuperar. Ou você esqueceu que Kobe Bryant e DeMarcus Cousins machucaram o tendão de Aquiles e não foram os mesmos depois disso?

Não estou agourando Kevin Durant ou torcendo contra, não é isso. Até porque citei o exemplo de Wilkins como exceção à regra e KD pode entrar nessa exceção. Mas os Knicks não podem ficar refém dessa esperança. Precisam organizar a casa de maneira orgânica. 

Ainda: quem garante que Durant toparia ir para lá? Tudo na vida de uma organização esportiva funciona como uma empresa FORBES 500. Imagine que os Knicks se esforçassem pelo contrato máximo em vez de arrumar a casa - a contratação de Julius Randle é bem subestimada, falando nisso - e ficassem sem nada? Sem Durant nem qualquer outra peça dessa reestruturação orgânica que eu disse? 

Claro que nem tudo funciona preto no branco. Mas acho que há exagero demais nas críticas a Nova York. Meio que virou, por padrão, uma crítica em piloto automático. Nem quando os Knicks são pé-no-chão e racionais parece que existe uma isenção de culpa. Tudo tá ruim. Tudo é limbo. Não acho que é assim. Caso Durant estivesse saudável, outros quinhentos. No panorama atual, foi a saída conservadora - mas com maior chance de haver uma recomposição da legitimidade de um time que deveria ser do tamanho de Nova York. 

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Knicks não terem dado contrato máximo a Durant não é o absurdo que pintam

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5 motivos que fazem o All Star Game da MLB ser tão legal

Antony Curti
Antony Curti

A quarta-feira , 10 de julho, marca um dia esquisito para os fãs do esporte americano: é o único dia do ano no qual não haverá uma partidas sequer de uma das quatro ligas que tanto admiramos e gostamos. Mesmo no natal (NBA), dia de ação de graças (NFL) ou Dia da Independência americana (MLB) há um cardápio recheado de partidas. Aliás, esses feriados chegam até a ser momentos importantes do calendário das respectivas ligas. A quarta, porém, não tem jogo nenhum – o que dá uma excelente janela para a realização dos ESPYs, os prêmios dados pela ESPN americana aos melhores do esporte dos EUA. 

Por que não tem nada na quarta? Bom, porque antes tem o jogo dMLB, as estrelas (All Star Game) do beisebol nesta terça, 9 de julho. Em vez de fazer uma série de tweets, resolvi fazer este pequeno texto para ilustrar como o All Star do beisebol é o melhor dos esportes americanos. Não que isso signifique tanta coisa a ponto de deixar o fã hardcore das outras ligas (e somente delas) meio pistola e faça com que ele venha tirar satisfações comigo no Twitter. Afinal de contas, ainda é um amistoso. 

Bryce Harper no All Star Game de 2018
Bryce Harper no All Star Game de 2018 []

Há mais defesa, por assim dizer

O primeiro motivo que faz do All Star da MLB o mais divertido dos esportes americanos é, também, a essência do esporte em relação aos outros. A defesa do beisebol não se opera de maneira física como na NBA, na NFL ou na NHL. Assim, o elemento "vamos evitar nos machucar" e, por tabela, defender com menos entusiasmo, não aparece na MLB. Claro que os placares são mais elásticos, com mais corridas anotadas, do que os jogos de temporada regular. Mas ainda assim há mais defesa, por assim dizer, do que na pointfest que virou o All Star da NBA, por exemplo. 

De certa forma, há alguma rivalidade entre os times

Leste e Oeste, Conferência Americana e Nacional: no final das contas, em ambos os casos, não há nenhuma rivalidade entre ambos. Já houve, mas não é mais o caso. Aliás, na NBA, o All Star Game não é nem mais entre Leste e Oeste, mas entre duas panelas (desculpa falar a verdade, mas você sabe que é o caso) de dois jogadores que "tiram time" para o jogo. Aliás, é mais legal assim. Na NFL, o formato AFC x NFC voltou – mas não sem antes fazer essa experiência, com lendas do esporte "tirando time" entre si e sendo treinadores das equipes. 

Já na MLB, ainda há certo resquício de rivalidade, dado que as duas Ligas, Americana e Nacional, têm uma regra diferente entre si: a do rebatedor designado. Na Liga Nacional, o arremessador vai ao bastão. Na Liga Americana, um rebatedor designado – que não joga na defesa, só rebate– faz isso por ele. Então a montagem dos elencos muitas vezes se dá de maneira diferente, embora nos últimos anos essas diferenças tenha sido reduzidas. 

Oportunidade de ver jogadores que em outros casos não veríamos

A MLB tem uma regra interessante para seu jogo das estrelas: todos os times, necessariamente, terão pelo menos um jogador no All Star Game. Isso faz com que o torcedor sinta-se mais representado – embora, claro, possa haver mais injustiças. De toda sorte, é por um motivo nobre. O beisebol tem uma relação com seu torcedor – e vice-versa – nos EUA que é um tanto quanto semelhante àquela do torcedor brasileiro com o futebol. Você raramente vê um torcedor do São Paulo (eu) assistindo porque sim a uma partida de Grêmio/Internacional/Atlético/Cruzeiro. Geralmente a gente vê os rivais, quando muito. No beisebol também é assim nos EUA: um torcedor dos Yankees raramente vai assistir a uma partida do Colorado Rockies. 

Na NBA e na NFL isso não acontece muito. Primeiro porque a primeira é uma liga de atletas: o nova-iorquino vai assistir aos Bucks porque quer ver Giannis Antetokounmpo. Na NFL, o esporte nacional (por muito) dos EUA, o calendário menor gera uma certa urgência de se assistir ao máximo de jogos possível. Na MLB, como demonstrei, isso não acontece. Assim, o All Star Game é uma ótima oportunidade para que esse torcedor dos Yankees veja Keltel Marte (2B do Arizona Diamondbacks), Nolan Arenado (3B do Colorado Rockies) e outros tantos que ele passa sem assistir de abril a setembro. 

Mais justiça na votação – o caso dos arremessadores

Além de garantir que haja um jogador de cada equipe, o All Star Game da MLB tem um elemento bem interessante que evita injustiças. Os arremessadores não são escolhidos pelo público. O escritório da liga e os próprios jogadores votam em quem será arremessador titular e reserva no All Star Game. Isso, claro, não evita que haja 100% de justiça – Blake Snell, arremessador do Tampa Bay Rays, estava fazendo temporada fantástica no ano passado e não esteve na primeira lista. O fato dele jogar num mercado consumidor menor e ser um jogador que não tinha tido uma temporada fabulosa anteriormente pesou, claro. De toda forma, justiça divina foi feita: Corey Kluber, dos Indians, acabou não jogando e Snell lhe substituiu. 

Seja como for, tirar o elemento do público na votação de uma das posições é um equilíbrio interessante. Neste ano, temos Jose Berrios merecidamente no All Star Game. Se a votação fosse aberta ao público, sinceramente não sei se o arremessador do Minnesota Twins seria eleito em favor de outro vindo de um mercado com mais torcida votante. 

É o que mais parece com um "jogo" mesmo

Bom, esse ponto o Ubiratan Leal me disse uma vez e estou me apoderando dele – dando os créditos, Bira! Se você pega os jogos das estrelas da MLB, da NFL (Pro Bowl), da NBA e da NHL, em qual deles você conseguiria enganar um leigo lhe dizendo que era uma partida entre dois times que realmente existem? Acho difícil que o da NFL, com os jogadores evitando dar tackle, e o da NBA, com os atletas defendendo mais de boa do que não sei o quê. Na NHL temos um jogo 3x3, com menos jogadores. Então só por conta disso, por padrão, o da MLB seria o mais parecido com um jogo de temporada regular. 

Dito tudo isso: o All Star Game da MLB ou das outras ligas está longe de ser algo além de um jogo festivo. Mas, deles, o que mais fico entretido é o da MLB. Por mais que as outras ligas façam mudanças tentando dar um quê a mais para seus jogos, creio que isso não deva mudar: até por conta da natureza do beisebol em relação aos outros esportes americanos. 

O All Star Game da MLB tem transmissão da ESPN para o Brasil – ao vivo e exclusivo a partir das 20:30 nesta terça, 9 de julho. 

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Kawhi Leonard nos Clippers: vencedores e perdedores

Antony Curti
Antony Curti

Tudo na vida se baseia em equilíbrio e numa balança. Poderia eu, estar fazendo uma propaganda demasiada ao signo de libra, para o qual pertenço? (risos). Talvez. Mas não é o ponto aqui. Um fato sobre análises esportivas é que, no final das contas, tudo se baseia em vitória e derrota. Um atleta mais talentoso é esquecido dezenas de anos depois em favor de um menos talentoso que acabou ganhando um título. 

Assim, como o mundo é dos vencedores, textos assim são uma excelente fórmula para a análise do pós-batalha. Farei bastante deles aqui. Para inaugurar o modelo, vamos à movimentação que mexeu com a força de vários times da NBA após o final de semana. 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Vencedor: Kawhi Leonard

Kawhi não precisou montar um circo para anunciar sua decisão. Embora o The Decision de LeBron James – "vou levar meus talentos", lembra-se? – teve sua renda de anúncios revertida para publicidade, foi algo que por um certo tempo maculou a carreira de James. Pareceu espetaculoso demais para alguns. Não que eu tenha me importado na época ou agora, mas fato é que muita gente torceu o nariz.

Com um silêncio ensurdecedor, Kawhi Leonard fez um The Decision à sua maneira: sem falar uma palavra sequer. Deixou a mídia fazer isso por ele, dado que de longe ele era o melhor free agent ainda disponível no mercado após a primeira leva de jogadores – Kyrie, Kevin Durant e etc. Como sobrou só ele, os programas americanos e o twitter dedicaram virtualmente todo seu tempo para falar de Kawhi. 

Ainda, o ala conseguiu algo importante: embora a ida para o Los Angeles Lakers seria uma quase garantia de título, ele nunca seria a estrela dominante. Poderia incorrer no "se perder, a culpa não é do LeBron" e o "se ganhar foi principalmente por conta dele". Isso não me parece muito atrativo para um diamante do nível de Leonard. Agora, nos Clippers, ele tem chance de aumentar seu brilho por contraste caso faça mais do que LeBron nos Lakers e ainda tem um time para chamar de seu no Staples Center. 

Nem perdedor, nem vencedor: Los Angeles Lakers

Não dá para falar que os Lakers saem vencedores ao não conseguir a contratação de Kawhi, mas também acho um tremendo de um exagero dizer que são perdedores. Afinal, ainda contam com o melhor jogador de basquete da década em LeBron James e um monstro do garrafão em Anthony Davis. Fosse um NBA Jam daria para dizer que seriam favoritos, mas o oeste selvagem não permite que com apenas dois jogadores possamos afirmar isso. De toda forma, os Lakers saem sem Kawhi mas com um plano mais austero, investindo em peças ao redor de LeBron – que jogará de armador – e AD. Como 3 and D, veio Danny Green e ainda outros reforços, como a volta de Rajon Rondo e a contratação de DeMarcus Cousins. 

Na prática é o New Orleans Pelicans de alguns anos atrás – que tinha muita expectativa em torno de si – mais a adição de um certo jogador de basquete nascido em Ohio. Não dá para dizer que os Lakers perderam. 

Perdedor: Toronto Raptors

Foi especulado que houve certas movimentações para que Paul George fosse trocado para os Raptors e, assim, Kawhi ficasse no Canadá. Para a diretoria de Toronto, o pacote – que supostamente envolveria Pascal Siakam, eleito o jogador que mais melhorou em 2018-2019 – seria caro demais e não apertaram o gatilho. Seja como for, não me parece uma decisão errada. 

De toda forma, os Raptors saem como perdedores. Não tem como dizer que o time vem forte como ano passado. A perda de Kawhi Leonard significa, também, a perda de protagonismo no Leste. Embora Toronto deva conseguir se classificar, não tem mais o mesmo poder de fogo para combater Milwaukee e Philadelphia. 

Vencedor: O resto do leste fora Toronto – principalmente o Boston Celtics

Em meio a uma gigante incerteza quanto ao time de Brad Stevens, uma certeza: há um competidor menos forte no Leste. Os Celtics estão na briga com outras equipes numa segunda potencial prateleira de força da Conferência Leste  – a primeira listei acima, Bucks e Sixers. Sem Kawhi, Boston tem poder de fogo para brigar ao menos pela terceira cabeça-de-chave no Leste, o que deixa a vida menos difícil para o time, que perdeu Kyrie Irving (se é que isso não seria reforço ante as tretas de vestiário) e Al Horford. Falando neste, agora nos Sixers, há um buraco no garrafão e não parece haver tanto talento no TD Garden para suprir isso – embora haja esperança se Enes Kanter começar a chutar melhor, vai que, né. 

Vencedor: Los Angeles Clippers

Um time que vem de um trabalho excelente com Doc Rivers – talvez o melhor que ele ja fez – e de uma campanha de 48 vitórias. Esse mesmo time deu canseira em Golden State completo, com direito a Klay Thompson e Kevin Durant saudáveis. Caso você tenha se esquecido, os Clippers roubaram dois jogos na série, que foi até o Jogo 6. Esse mesmo time agora tem Kawhi Leonard, atual MVP das Finais, e um Paul George de uma capacidade defensiva inestimável.  É possível dizer, embora a Conferência Oeste tenha um monte de bons times, que o lado azul e vermelho do Staples Center pinta como favorito depois da chegada de Kawhi e George. 

Não, a troca não saiu cara. Oklahoma City recebe um pacotão, mas lembre-se sempre: embora haja bons exemplos como os Warriors de Curry/Klay, os competidores se fazem via Free Agency na NBA, não pelo Draft, via de regra. Essas escolhas foram para ter Paul George e também Kawhi Leonard. Não apenas o ex-Indiana e OKC. 

Saudade daquilo que a gente não viveu
Saudade daquilo que a gente não viveu J Pat Carter/Getty Images

Perdedor: Russell Westbrook

 

Acho que o tweet acima diz tudo. 

Perdedor: Mercados pequenos

Não é a primeira vez que vimos isso acontecer, sejamos francos. A NBA tem uma disparidade muito grande entre mercados consumidores pequenos e grandes e, como é uma liga de atletas – e não de franquias, como na NFL – isso fica ainda mais óbvio em situações como esta. Ano passado vimos a mesma coisa com LeBron James dar opt-out de seu contrato com Cleveland para poder explorar as imensas oportunidades comerciais que se abrem em Los Angeles – uma cidade bem maior e segundo maior mercado consumidor dos EUA. A decisão de Kevin Durant escolher Brooklyn também não foi ao acaso, dado que Nova York é o maior mercado consumidor dos EUA. 

A times de mercados consumidores menores – e aos Knicks – com menor poder de atrair jogadores na free agency, o Draft fica ainda mais importante e isso ficou claríssimo em mais uma free agency. 

Perdedor: os outros 14 times do oeste

Sem Kawhi, por mais que houvesse um núcleo interessante e um bom trabalho de Doc Rivers, os Clippers não eram candidatos ao título. Agora são e, bem, é mais um time assim na costa oeste – para o desespero dos outros 14 times. Veja o caso de Golden State, por exemplo, que não conta mais com Kevin Durant e não deve contar com Klay Thompson até a véspera dos Playoffs: Houston, Los Angeles Clippers, Los Angeles Lakers, Utah Jazz, Denver Nuggets: de cabeça temos cinco times que têm totais condições de ficar acima dos Warriors na classificação. Isso é a demonstração de como o oeste estará mais selvagem que na segunda temporada de Westworld. 

Vencedor: o fã de NBA

Ok, seria bonito ver Anthony Davis, LeBron James e Kawhi Leonard dominando a pós-temporada com um basquete quase imparável que poderia se tornar o melhor time da década junto dos Warriors. Eu, pessoalmente, acharia bacana por alguns momentos. Mas fora o torcedor dos Lakers, uma hora essa panela iria começar a frustrar aquele que sonha em ver seu time brigando ou, ao menos, sonhando em brigar. Aqui, sei que minha opinião está longe de ser unânime e vai ter gente reclamando, mas eu prefiro muito mais uma NBA competitiva como essa que se avizinha do que a que poderíamos ter com um BIG 3 supremo nos Lakers.

Não dá para cravar nem o campeão do oeste e nem o campeão do leste. Há favoritos, claro, mas veja no oeste: tirando dois ou três times, temos pelo menos 10 com chances reais de se classificar e uns 5 com chances de chegar às finais. Isso é incrível para o esporte. O esporte, aliás, é o melhor reality show que existe. E é muito mais legal quando a gente não sabe o final da história. 

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Iguodala e Durant saem, D'Angelo chega: Splash Family nos Warriors?

Antony Curti
Antony Curti

Havia uma grande certeza antes da última temporada da NBA: o Golden State Warriors chegava para brigar, como favoritos, e provavelmente estariam na final da liga. Foi o caso: o time não passou nenhum grande perrengue no caminho até as Finais - a bem da verdade o grande problema foi o inesperado e imponderável, as lesões de Kevin Durant e Klay Thompson. 

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Como está o panorama agora? Tudo aberto. Os Warriors são um time diferente para 2019-2020 do que eram há 365 dias, após a primeira leva da Free Agency. Se antes era uma certeza de que Golden State era o grande time a ser batido para a temporada, agora há uma pulverização de talento. Mais: o Los Angeles Lakers pode ser o grande favorito com LeBron James, Anthony Davis e... Kawhi Leonard - este, cenas dos próximos capítulos, dado que é o último grande free agent ainda disponível no mercado. 

Falando justamente nisso, o quinteto dos Warriors promete ser diferente de tudo o que estávamos acostumados antes de 2019. Klay Thompson começa o ano machucado e, com certo otimismo, deve voltar para a pós-temporada 2019-2020. Sua saída é suplementada por D'Angelo Russell, armador com início conturbado de carreira nos Lakers e que reencontrou seu bom basquete no Brooklyn Nets - em ano no qual brigou pra ser o Most Improved Player (jogador que mais melhorou) com Pascal Siakam. 

Com a chegada de Russell, veio a saída de Andre Iguodala para Memphis, sexto homem da dinastia dourada. A saída foi necessária por questões salariais para comportar a chegada de Russell. Com D'Angelo, Curry e a renovação de Klay Thompson, os Warriors têm 107 milhões de dólares comprometidos na folha. O problema? Draymond Green é free agent em 2020. A alma defensiva do time pode estar de saída num futuro próximo. 

Seja como for, o presente é o que importa. Enquanto Thompson não volta e sem Durant, é óbvio que é um time menos forte do que outrora. Menos imbatível, também. Mas é necessário certo respeito a D'Angelo e, queira ou não, certo otimismo também. Russell mostrou bastante inteligência no pick-and-roll na temporada passada e também um alcance especial no perímetro - coisa que parece e é importante para um time de Steve Kerr. No ano passado, merecidamente All-Star, D'Angelo teve 21,1 pontos por jogo, somando ainda a média de 7 assistências por partida. Isso, considerando que tem apenas 23 anos, é excelente. 

Até existe certa preocupação de alguns sobre como colocar Klay/Steph/D'Angelo em quadra - três armadores. Mas num time de Kerr, pouco pode ser duvidado quanto a isso. Não seria a primeira vez que uma tendência de small ball foi criada em Oakland/San Francisco. Com efeito, a saída de Kevin Durant é sentida mas isso não muda o paradigma estabelecido no meio da década, de que os Warriors ainda são um competidor ao título. 

Pode ser de maneira diferente, mas a alma de campeão do time segue em voga. É temerário acabar com essa dinastia. Os Warriors seguem fortes, embora de uma maneira diferente. Agora, como novos nomes ao lado dos Splash Brothers. Com Russell, talvez tenhamos até que pensar num apelido novo. Splash Family, talvez? 

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Mais um sinal de que fica? Kawhi assina contrato com empresa aérea canadense

Antony Curti
Antony Curti

Com a lesão de Kevin Durant, o destino potencial de Kawhi Leonard tornou-se um dos grandes focos e narrativas da intertemporada da NBA. Atual campeão e MVP das Finais, Kawhi tem opção contratual de tornar-se agente livre e assinar com qualquer franquia se assim desejar. Ele pode exercer essa opção e assinar com o próprio Toronto Raptors, é bem verdade, mas considerando a personalidade reservada do ala é virtualmente impossível prever algo nessa novela.

Ou será que não? 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Se juntarmos algumas peças de quebra-cabeça que nos foram deixadas, talvez possamos chegar a uma conclusão. Para começo de conversa, precisamos delimitar o sujeito da história: Kawhi Leonard. O título pelos Raptors contra o todo-poderoso Golden State Warrriors é um elemento a ser considerado na equação. Kawhi é do tipo de pessoa focada o suficiente para não se apaixonar pelos penduricalhos da fama. Redes sociais, dinheiro, fama, nada disso importa senão sua família e o amor pelo jogo. Como o objetivo do jogo é ser campeão, Toronto mostrou que pode lhe dar isso e que ainda poderá lhe dar, é algo com peso na decisão. 

Ainda, vale lembrar que por mais que haja uma ascensão de Giannis Antetokounmpo/Milwaukee Bucks, do bom time do Philadelphia 76ers e outros aspectos, a Conferência Leste ainda é um caminho mais fácil para as finais do que o povoado oeste. Na Conferência Oeste, mesmo um Utah Jazz que briga pelas quatro vagas finais dos playoffs ainda tem um time competitivo e que acabou de se reforçar com a chegada de Mike Conley para ajudar Donovan Mitchell. A vida no leste é bem mais fácil.  

Isso é importante de ser dito porque o outro potencial destino para Kawhi é o Los Angeles Clippers. Leonard é da cidade e o time fez bonito, considerando o elenco que tinha, num dos melhores trabalhos da carreira de Doc Rivers como treinador. Adrian Wojnarowski, cacique-mor entre os insiders americanos, afunila as possibilidades de times para esses dois. 

Kawhi segue em seu processo decisório mas há sinais – ou ruídos? – de que ele fica em Toronto. Além dos aspectos intangíveis que mencionei acima, temos alguns rumores. O primeiro dele é que ele vem se relacionando cada vez melhor com os companheiros de vestiário. Depois, saiu um rumor de que ele estaria matriculando sua filha numa escola de Toronto. Vale lembrar, LeBron James fez  a mesma coisa – mas com Los Angeles – antes de levar seus talentos para os Lakers. 

Hoje, saiu isto.


"Dando boas-vindas ao Rei do Norte, o verdadeiro #funguy (cara divertido) à família Cargojet"

A CargoJet é uma empresa canadense do ramo de frete aéreo e Drake tem contrato com ela. Não faria sentido Kawhi assinar algo com uma empresa canadense e ir embora de lá, certo? Bom, pelo menos na minha cabeça a lógica seria essa. Ainda, Kawhi levou sua namorada a um jogo de beisebol na noite de ontem enquanto o Draft rolava  – um jogo do Toronto Blue Jays. Se não houvesse ao menos um pequeno sinal de que ele possa ficar, Leonard não iria se expor publicamente assim. Lembrando que outrora ele esteve em jogos de beisebol em Los Angeles, aquele que na época parecia ser seu destino favorito – antes do exílio convertido em título no Canadá. 

Com Kevin Durant machucado, Kawhi Leonard torna-se o principal jogador na free agency e todos sabem do que ele é capaz: um jogador capaz de mudar narrativas, favoritos e os rumos de uma conferência inteira. Daí a #KawhiWatch que se segue. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

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Crônica: Os Guerreiros que caíram de pé

Antony Curti
Antony Curti
Steph Curry
Steph Curry Getty

A diferença entre guerreiro e mercenário reside além de lutar por dinheiro em vez de lutar por honra. Reside em como você cai. 

O Golden State Warriors chegou em sua quinta final de NBA com a impressão de que eram um exército de mercenários. Com DeMarcus Cousins jogando por virtual salário mínimo e Kevin Durant tendo se juntado aos Warriors depois de ter tomado a virada por 3-1 na final da Conferência Oeste, tudo indicava que o time era uma máquina mortífera, afinada e pronta para eliminar qualquer coisa que viesse pela frente. Com KD no quinteto, os Warriors ficaram atrás no placar em apenas uma série - na final do oeste do ano passado - contra os Rockets. De resto, só dominação. Chegaram à final deste ano sem ele e varrendo Portland. 

O título parecia inevitável. Mas há momentos em que as derrotas também são. 

Há certas coisas que não conseguimos ler ou prever nos esportes. As lesões são parte delas. E, em meio ao imponderável, os Warriors fizeram jus ao seu nome e mostraram seu verdadeiro valor. Em nenhum momento foram um exército de mercenários, jogando apenas por um anel. Jogaram com sangue, suor e lágrimas em quadra. Primeiro, Kevin Durant machucou. Depois, Kevon Looney.  Ambos voltariam à quadra na série final - mesmo sem nenhuma condição de jogo. 

Leia também: Kawhi, Rei do Norte (e da NBA)

A verdadeira virtude do guerreiro é lutar pelo próximo ao seu lado, mesmo que isso não faça sentido ou que a vitória seja um objeto distante, quase que inatingível. Kevin Durant entrou no Jogo 5 sem qualquer condição de jogar, Looney jogou hoje no sacrifício - esta, aliás, é a palavra que define os Warriors nesta série final. Sacrifício. Altruísmo. Essa é a diferença de um time qualquer, montado para vencer, e um time que joga junto. 

Golden State perde o título e não terá o tricampeonato. Perdem para um time forte, que merece os louros da vitória. Para um Kawhi Leonard impecável, que mereceria o título de MVP dos Playoffs se isso existisse. Perdem desfalcados, mas nunca jogando de maneira mole. Nunca desistindo mesmo parecendo que tudo estava jogando contra. 

O golpe derradeiro foi Klay Thompson saindo no Jogo 6 quando já tinha passado dos 25 pontos. Sentiu o joelho. Fez cara de dor. Em vez de dar as costas para a despedida da Oracle, voltou para bater o lance livre com a esperança que, com isso, pudesse voltar para a partida. Sua noite acabou ali. Mas não a temporada dos Warriors. Como seu nome diz, foram guerreiros até o último milésimo. Lutaram até o final. 

A Oracle Arena, que tanto ficou consagrada com chutes de 3 pontos de Stephen Curry, viu nessa jogada a última vez que os Warriors tentaram uma cesta - sem sucesso. A vitória dos Raptors estava consagrada. A luta dos Warriors teve seu fim. 

A diferença entre guerreiro e mercenário reside além de lutar por dinheiro em vez de lutar por honra. Reside em como você cai. Os Warriors mostraram por que são guerreiros. Porque caíram de pé. 

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Crônica: Kawhi, Rei do Norte (e da NBA)

Antony Curti
Antony Curti
Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Oracle Arena, 2017. Na frente do placar mesmo sendo zebra. Kawhi Leonard salta para fazer o chute e recebe o contato de Zaza Pachulia. A lesão. A incerteza. A derrota na série. 

Oracle Arena, 2019. Na frente do placar mesmo sendo zebra, Kawhi Leonard não precisa saltar para fazer os lances livres derradeiros e os pontos finais que o ginásio do Golden State Warriors viu em sua longa história. 

Nesse pulo de linha entre os dois parágrafos, muita coisa aconteceu. Leonard batalhou contra lesões e praticamente não jogou na temporada passada. O clima pesou em San Antonio. Ele dizia estar machucado e sem condições de jogo. O time não parecia acreditar muito na situação. O franchise player que deveria dar continuidade no reinado Duncan-Parker-Ginobili se afastou do time. Como resultado, foi trocado para o Toronto Raptors. 

Parecia o casamento imperfeito e que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. Kawhi exilado para o Norte como Jon Snow indo para a Patrulha da Noite em Game of Thrones. Os Raptors ainda lambendo as feridas de varridas sofridas, da brincadeira de "LeBronto", do sofrimento. Em momentos difíceis, ambos se deram as mãos e construíram algo. 

Toronto não chegou na pós-temporada como absoluto favorito que tínhamos em Golden State no oeste. Precisou de um Jogo 7 contra o Philadelphia 76ers, num buzzer beater de Kawhi. Nas finais do Leste, saiu atrás por 2-0 contra o Milwaukee Bucks - melhor campanha da liga e do potencial MVP, Giannis Antetokounmpo. Viraram a série e ganharam em seis jogos. Contra os Warriors, muitos imaginavam que apenas seriam uma dura luta e nada mais. 

Aí veio o Jogo 1, o (terrível) 2, as duas vitórias na Oracle. A pane no Jogo 5. O 3-2 e a chance de fechar a Oracle Arena no mesmo cenário em que todo aquele turbilhão começou na carreira de Leonard. A carreira parecia completamente bagunçada, havia incerteza de que se ele voltaria a jogar em alto nível. Uma carreira mergulhada em incerteza em meio às lesões e ao clima em San Antonio. Foi trocado para Toronto meio que como "um exílio" para o Canadá. 

No exílio, se fez Rei do Norte. Hoje, da NBA toda. 

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Crônica: A Redenção de Kevin Durant

Antony Curti
Antony Curti

O Golden State Warriors ficou atrás em apenas um jogo numa série enquanto dispunham de Kevin Durant em quadra - ano passado contra Houston. Em finais da NBA, embora já tenham vencido o título sem ele na Era Steve Kerr, tinham 9 vitórias e 1 derrota com ele. Sem ele, 8-9. Ficou claro, límpido e cristalino que os Warriors são virtualmente imbatíveis com ele e um time mais mortal sem - embora o "Splash Warriors" seja incrível por si só. 

Durant sabia disso quando se juntou aos Warriors na Free Agency. O movimento foi duramente criticado nos Estados Unidos e, aqui no Brasil, chamamos de panela. Eu incluso - você, leitor de longa data, deve saber disso. A meu ver, foi covardia, porque ele sabia que ao se juntar aos Warriors a coisa ia virar um Megazord e ficar imbatível como de fato o foi. Não haveria como derrotar um time com 4 All-Star numa série melhor de 7 jogos. 

Recebi mensagens e argumentos em contrário dizendo que seria o mesmo que sair de um emprego e ir para outro melhor. Não vejo como sendo o caso: Durant estava no Thunder, um time de mercado consumidor menor e de torcida apaixonada, na frente por 3-1 na série valendo a Conferência Oeste e, ao perder, juntou-se aos Warriors. Não tem como dizer que foi o movimento mais nobre do mundo. Não tem como dizer que foi algo como Cristiano Ronaldo saindo do Manchester United para o Real Madrid. Ele seguiu o "se não pode com eles, junte-se a eles". Ele o fez e os tornou imbatíveis. 

Kevin Durant
Kevin Durant Getty Images

Isso, contudo, de nada mais importa. 

Na noite de ontem, Durant teve sua redenção. Jamais poderá  ser julgado como alguém que tinha na cabeça apenas a caça a um anel, a dinheiro, a fama ou qualquer coisa que seja. Durant colocou seu corpo na linha, sua carreira na linha, pela chance - apenas pela chance - do time seguir vivo nas Finais. A essência do altruísmo reside em se doar ao próximo sem que haja um bem para si, sem que haja pontos positivos para si. É fato que o título seria importante para ele, mas nessa altura da carreira, ele já tem dois. E especulava-se que KD sequer ficaria nos Warriors para 2019-2020, dado que tem uma cláusula no contrato que lhe permite ser free agent logo menos. 

Durant tinha nada a ganhar e tudo a perder. Doou-se pelo time dos Warriors, time este que não parecia mais ser tão seu como outrora. Em novembro do ano passado, no início da temporada regular, reportou-se que durante uma briga normal de vestiário, Draymond Green,supostamente, gritou:

"Vaza daqui, não precisamos de você"

Os Warriors tinham acabado de perder na prorrogação para os Clippers e o clima esquentou.  Ante essa situação e ao fato de que em nenhum momento vimos Kevin Durant negar os rumores de que seria free agent, ante os rumores de que o clima não estava legal, ante a questão dele supostamente ter se juntado aos Warriors de maneira artificial só para ganhar títulos, não faria sentido algum que ele arriscasse seu corpo e sua carreira por eles. 

Mas o altruísmo não precisa fazer sentido. Nós erramos. Eu errei. 

"A TODOS vocês que questionaram meu filho como homem, questionaram seu coração, questionaram sua integridade e seu AMOR pelo basquete, vocês NÃO conhecem-no. Ele tem o coração de um verdadeiro Guerreiro [Warrior]! Isso vai passar. Deus abençoe a TODOS".  Poucas pessoas conhecem alguém como uma mãe conhece o filho. Achamos que Durant sequer voltaria nessa série. Ele poderia arriscar a carreira como Kobe Bryant, Isiah Thomas e outros tantos que passaram por lesão de tendão de Aquiles. 

Ele não tinha condições de jogo, como ficou claro.  Isso não lhe impediu de ter condições de tentar ajudar os Warriors a reascender a esperança. 

Paneleiro. Covarde. Fraco. Kevin Durant foi chamado de muitas coisas nos últimos três anos. Só faltou uma palavra que realmente descreveu o que ele fez ontem. 

Warrior. 

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Crônica: A Redenção de Kevin Durant

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