3º quarto: Como os Raptors roubaram o jogo 4 na Oracle Arena

Antony Curti
Antony Curti

Aqui neste blog, chamei a atenção para algo que já é mais do que sabido, no texto Nenhuma Liderança está a salvo contra os Warriors: Golden State é um time impressionante no terceiro quarto. 

"Nas últimas três pós-temporadas, os Warriors têm 54 sequências nas quais fizeram 10-0 em cima do oponente. Segundo o ESPN Stats and Info, de longe é a melhor marca da NBA. Como você deve esperar, boa parte dessas sequências aconteceram no terceiro quarto, vulgo a hora que o bicho pega para Golden State. A diferença de pontos dos Warriors, em pós-temporada em um dado quarto, é de absurdos +1.329 – 500 a mais que o segundo colocado no quesito, os Rockets, que o fazem no primeiro. "

O Golden State Warriors não é puramente um exército de mercenários ou uma panela sem alma. Brinco, claro, que é uma panela – e isso obviamente deixa a NBA menos competitiva. Mas é impossível dar o braço a torcer em relação ao coração e à química entre os jogadores. O mérito de Steve Kerr também há de ser dado quanto a ajustes do segundo pro terceiro quarto, mas essas sequências de 10 pontos sem resposta e as 7 viradas que falei acima também acontecem porque há uma cultura estabelecida na Oracle Arena. 

Enquanto outros times ficariam complacentes com um jogo fora de casa em série melhor de 7 e estando atrás por tantos pontos, os Warriors não querem saber de nada senão a total e completa dominância.  Poucas coisas, moralmente falando, demonstram isso como o poder de superação do time quando tão atrás no placar. Golden State pode não ser o "time do amor" para muitos. Mas, com certeza, é o time da virada."

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Ou pelo menos assim o foi até ontem

Durante o primeiro tempo, era nítido que o time dos Warriors estava eficiente e havia a expectativa de que a vitória viria a galope. Com a liderança e entrando no terceiro quarto costumeiramente avassalador, parecia que o jogo caminhava para uma vitória de Golden State. Aí vieram os Raptors. Toronto colocou 16 pontos a mais do que Golden State no terceiro quarto, a pior marca dos Warriors num jogo de playoff na Era Steve Kerr. 

O que os Raptors fizeram bem? Bom, primeiro de tudo, o óbvio, Kawhi Leonard teve 17 pontos, sua melhor marca em um quarto na carreira. Ajustes foram feitos por Nick Nurse também. No primeiro tempo, tiveram apenas 6 pontos na transição. No terceiro quarto, 13. No primeiro tempo, não conseguiram aberturas para chutes não contestados, forçaram várias bolas. No terceiro quarto foram perfeitos (4/4). Fora do garrafão, tinham 17% (4-23) de aproveitamento no primeiro tempo. No terceiro quarto? 66% (10-15). Eficiência foi a palavra de ordem.

O que esperávamos de Golden State aconteceu com Toronto. A série está com uma vantagem formidável dos Raptors.  34 vezes um time esteve 1-3 nas finais da NBA. Só os Cavaliers de 2016 viraram a série, justamente contra os Warriors. A boa notícia: times de Steve Kerr tem 83% de aproveitamento quando encaram um jogo de eliminação. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

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Mais um sinal de que fica? Kawhi assina contrato com empresa aérea canadense

Antony Curti
Antony Curti

Com a lesão de Kevin Durant, o destino potencial de Kawhi Leonard tornou-se um dos grandes focos e narrativas da intertemporada da NBA. Atual campeão e MVP das Finais, Kawhi tem opção contratual de tornar-se agente livre e assinar com qualquer franquia se assim desejar. Ele pode exercer essa opção e assinar com o próprio Toronto Raptors, é bem verdade, mas considerando a personalidade reservada do ala é virtualmente impossível prever algo nessa novela.

Ou será que não? 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Se juntarmos algumas peças de quebra-cabeça que nos foram deixadas, talvez possamos chegar a uma conclusão. Para começo de conversa, precisamos delimitar o sujeito da história: Kawhi Leonard. O título pelos Raptors contra o todo-poderoso Golden State Warrriors é um elemento a ser considerado na equação. Kawhi é do tipo de pessoa focada o suficiente para não se apaixonar pelos penduricalhos da fama. Redes sociais, dinheiro, fama, nada disso importa senão sua família e o amor pelo jogo. Como o objetivo do jogo é ser campeão, Toronto mostrou que pode lhe dar isso e que ainda poderá lhe dar, é algo com peso na decisão. 

Ainda, vale lembrar que por mais que haja uma ascensão de Giannis Antetokounmpo/Milwaukee Bucks, do bom time do Philadelphia 76ers e outros aspectos, a Conferência Leste ainda é um caminho mais fácil para as finais do que o povoado oeste. Na Conferência Oeste, mesmo um Utah Jazz que briga pelas quatro vagas finais dos playoffs ainda tem um time competitivo e que acabou de se reforçar com a chegada de Mike Conley para ajudar Donovan Mitchell. A vida no leste é bem mais fácil.  

Isso é importante de ser dito porque o outro potencial destino para Kawhi é o Los Angeles Clippers. Leonard é da cidade e o time fez bonito, considerando o elenco que tinha, num dos melhores trabalhos da carreira de Doc Rivers como treinador. Adrian Wojnarowski, cacique-mor entre os insiders americanos, afunila as possibilidades de times para esses dois. 

Kawhi segue em seu processo decisório mas há sinais – ou ruídos? – de que ele fica em Toronto. Além dos aspectos intangíveis que mencionei acima, temos alguns rumores. O primeiro dele é que ele vem se relacionando cada vez melhor com os companheiros de vestiário. Depois, saiu um rumor de que ele estaria matriculando sua filha numa escola de Toronto. Vale lembrar, LeBron James fez  a mesma coisa – mas com Los Angeles – antes de levar seus talentos para os Lakers. 

Hoje, saiu isto.


"Dando boas-vindas ao Rei do Norte, o verdadeiro #funguy (cara divertido) à família Cargojet"

A CargoJet é uma empresa canadense do ramo de frete aéreo e Drake tem contrato com ela. Não faria sentido Kawhi assinar algo com uma empresa canadense e ir embora de lá, certo? Bom, pelo menos na minha cabeça a lógica seria essa. Ainda, Kawhi levou sua namorada a um jogo de beisebol na noite de ontem enquanto o Draft rolava  – um jogo do Toronto Blue Jays. Se não houvesse ao menos um pequeno sinal de que ele possa ficar, Leonard não iria se expor publicamente assim. Lembrando que outrora ele esteve em jogos de beisebol em Los Angeles, aquele que na época parecia ser seu destino favorito – antes do exílio convertido em título no Canadá. 

Com Kevin Durant machucado, Kawhi Leonard torna-se o principal jogador na free agency e todos sabem do que ele é capaz: um jogador capaz de mudar narrativas, favoritos e os rumos de uma conferência inteira. Daí a #KawhiWatch que se segue. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

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Crônica: Os Guerreiros que caíram de pé

Antony Curti
Antony Curti
Steph Curry
Steph Curry Getty

A diferença entre guerreiro e mercenário reside além de lutar por dinheiro em vez de lutar por honra. Reside em como você cai. 

O Golden State Warriors chegou em sua quinta final de NBA com a impressão de que eram um exército de mercenários. Com DeMarcus Cousins jogando por virtual salário mínimo e Kevin Durant tendo se juntado aos Warriors depois de ter tomado a virada por 3-1 na final da Conferência Oeste, tudo indicava que o time era uma máquina mortífera, afinada e pronta para eliminar qualquer coisa que viesse pela frente. Com KD no quinteto, os Warriors ficaram atrás no placar em apenas uma série - na final do oeste do ano passado - contra os Rockets. De resto, só dominação. Chegaram à final deste ano sem ele e varrendo Portland. 

O título parecia inevitável. Mas há momentos em que as derrotas também são. 

Há certas coisas que não conseguimos ler ou prever nos esportes. As lesões são parte delas. E, em meio ao imponderável, os Warriors fizeram jus ao seu nome e mostraram seu verdadeiro valor. Em nenhum momento foram um exército de mercenários, jogando apenas por um anel. Jogaram com sangue, suor e lágrimas em quadra. Primeiro, Kevin Durant machucou. Depois, Kevon Looney.  Ambos voltariam à quadra na série final - mesmo sem nenhuma condição de jogo. 

Leia também: Kawhi, Rei do Norte (e da NBA)

A verdadeira virtude do guerreiro é lutar pelo próximo ao seu lado, mesmo que isso não faça sentido ou que a vitória seja um objeto distante, quase que inatingível. Kevin Durant entrou no Jogo 5 sem qualquer condição de jogar, Looney jogou hoje no sacrifício - esta, aliás, é a palavra que define os Warriors nesta série final. Sacrifício. Altruísmo. Essa é a diferença de um time qualquer, montado para vencer, e um time que joga junto. 

Golden State perde o título e não terá o tricampeonato. Perdem para um time forte, que merece os louros da vitória. Para um Kawhi Leonard impecável, que mereceria o título de MVP dos Playoffs se isso existisse. Perdem desfalcados, mas nunca jogando de maneira mole. Nunca desistindo mesmo parecendo que tudo estava jogando contra. 

O golpe derradeiro foi Klay Thompson saindo no Jogo 6 quando já tinha passado dos 25 pontos. Sentiu o joelho. Fez cara de dor. Em vez de dar as costas para a despedida da Oracle, voltou para bater o lance livre com a esperança que, com isso, pudesse voltar para a partida. Sua noite acabou ali. Mas não a temporada dos Warriors. Como seu nome diz, foram guerreiros até o último milésimo. Lutaram até o final. 

A Oracle Arena, que tanto ficou consagrada com chutes de 3 pontos de Stephen Curry, viu nessa jogada a última vez que os Warriors tentaram uma cesta - sem sucesso. A vitória dos Raptors estava consagrada. A luta dos Warriors teve seu fim. 

A diferença entre guerreiro e mercenário reside além de lutar por dinheiro em vez de lutar por honra. Reside em como você cai. Os Warriors mostraram por que são guerreiros. Porque caíram de pé. 

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Crônica: Kawhi, Rei do Norte (e da NBA)

Antony Curti
Antony Curti
Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Oracle Arena, 2017. Na frente do placar mesmo sendo zebra. Kawhi Leonard salta para fazer o chute e recebe o contato de Zaza Pachulia. A lesão. A incerteza. A derrota na série. 

Oracle Arena, 2019. Na frente do placar mesmo sendo zebra, Kawhi Leonard não precisa saltar para fazer os lances livres derradeiros e os pontos finais que o ginásio do Golden State Warriors viu em sua longa história. 

Nesse pulo de linha entre os dois parágrafos, muita coisa aconteceu. Leonard batalhou contra lesões e praticamente não jogou na temporada passada. O clima pesou em San Antonio. Ele dizia estar machucado e sem condições de jogo. O time não parecia acreditar muito na situação. O franchise player que deveria dar continuidade no reinado Duncan-Parker-Ginobili se afastou do time. Como resultado, foi trocado para o Toronto Raptors. 

Parecia o casamento imperfeito e que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. Kawhi exilado para o Norte como Jon Snow indo para a Patrulha da Noite em Game of Thrones. Os Raptors ainda lambendo as feridas de varridas sofridas, da brincadeira de "LeBronto", do sofrimento. Em momentos difíceis, ambos se deram as mãos e construíram algo. 

Toronto não chegou na pós-temporada como absoluto favorito que tínhamos em Golden State no oeste. Precisou de um Jogo 7 contra o Philadelphia 76ers, num buzzer beater de Kawhi. Nas finais do Leste, saiu atrás por 2-0 contra o Milwaukee Bucks - melhor campanha da liga e do potencial MVP, Giannis Antetokounmpo. Viraram a série e ganharam em seis jogos. Contra os Warriors, muitos imaginavam que apenas seriam uma dura luta e nada mais. 

Aí veio o Jogo 1, o (terrível) 2, as duas vitórias na Oracle. A pane no Jogo 5. O 3-2 e a chance de fechar a Oracle Arena no mesmo cenário em que todo aquele turbilhão começou na carreira de Leonard. A carreira parecia completamente bagunçada, havia incerteza de que se ele voltaria a jogar em alto nível. Uma carreira mergulhada em incerteza em meio às lesões e ao clima em San Antonio. Foi trocado para Toronto meio que como "um exílio" para o Canadá. 

No exílio, se fez Rei do Norte. Hoje, da NBA toda. 

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O Império Contra-Ataca: por que me rendi aos Warriors

Antony Curti
Antony Curti

Em meio à saída de Kevin Durant, a força dos Splash Brothers apareceu novamente. A ScotiaBank Arena entrou no jogo, um toco fantástico seguido de enterrada rolou em Steph Curry, DeMarcus Cousins fez duas faltas que custaram 4 pontos aos Warriors e tudo parecia jogar contra. É nesse momento, nas adversidades, que o caráter de um time é revelado. 

Steve Kerr
Steve Kerr Noah Graham/NBAE/Getty Images

O Golden State Warriors fez jus ao seu nome, de guerreiros, na noite de ontem. Brinquei muitas vezes quanto à panela e etc, mas uma panela não funciona da maneira que funcionou ontem. É um instrumento artificial, uma união pura e simplesmente com o objetivo de ser campeão. No primeiro momento que o caldo engrossa na panela, ela racha. Não foi o caso ontem e, a bem da verdade, não vem sendo durante a pós-temporada Durantless.  Os Warriors funcionaram como um exército no qual há uma sinergia digna de Três Mosqueteiros, não de um exército de mercenários. 

Sem Durant, Curry e Thompson combinaram para 57 pontos e as duas cestas derradeiras da partida. Em vez da bola ficar horas com eles nas jogadas derradeiras, Klay e Steph eram os últimos a encostar nela - com movimentação sem bola, com um pump fake fatal de Thompson. Não foi a sequência de crossover/stepback clássico de James Harden, com a vedete da bola de três. Foi bola girada. Foi inteligência. Foi bonito. Foi o momento em que me rendi e desliguei o secador. 

Do outro lado, a panicada. Nick Nurse, técnico dos Raptors, pode ser considerado culpado pelo resultado. Afinal, quem por ação ou omissão contribui para o resultado, pode ser responsabilizado pelo mesmo. Com pouco mais de seis segundos faltando, os Raptors ainda tinham um tempo para pedir. Eis a sequência que vimos, conforme ilustro no tweet abaixo.

Nurse poderia ter pedido tempo, mas ele nem de perto é o único culpado. Sequer que há um. Talvez uma tempestade perfeita ao mesmo tempo que existe (MUITO) mérito na defesa de Golden State - conforme, em muitos e muitos jogos já falamos. O coração dos Warriors - e não um amontoado de jogadores caros que se juntam para ser campeão. 

Os Warriors de Kerr têm; 

6-1 quando enfrentam um jogo de eliminação. 
8-2 quando atrás numa série de playoff
3-1 quando estão atrás numa série de Finais da NBA

Isso não vem do nada. Não veio do nada. E, pelo jeito, não irá para o nada. Torcer contra os Warriors depois de ontem tornou-se inviável.  A superação de ontem não foi a do vilão, do mal. Foi a de um time baleado que encontrou em suas raízes - a movimentação, o altruísmo, a coerência tática - uma virada fora de casa.

 A vitória de ontem foi um triunfo de Kerr, Curry, Thompson e, acima de tudo, um triunfo da organização. O Império Contra-Ataca. 

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O Império Contra-Ataca: por que me rendi aos Warriors

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Crônica: A Redenção de Kevin Durant

Antony Curti
Antony Curti

O Golden State Warriors ficou atrás em apenas um jogo numa série enquanto dispunham de Kevin Durant em quadra - ano passado contra Houston. Em finais da NBA, embora já tenham vencido o título sem ele na Era Steve Kerr, tinham 9 vitórias e 1 derrota com ele. Sem ele, 8-9. Ficou claro, límpido e cristalino que os Warriors são virtualmente imbatíveis com ele e um time mais mortal sem - embora o "Splash Warriors" seja incrível por si só. 

Durant sabia disso quando se juntou aos Warriors na Free Agency. O movimento foi duramente criticado nos Estados Unidos e, aqui no Brasil, chamamos de panela. Eu incluso - você, leitor de longa data, deve saber disso. A meu ver, foi covardia, porque ele sabia que ao se juntar aos Warriors a coisa ia virar um Megazord e ficar imbatível como de fato o foi. Não haveria como derrotar um time com 4 All-Star numa série melhor de 7 jogos. 

Recebi mensagens e argumentos em contrário dizendo que seria o mesmo que sair de um emprego e ir para outro melhor. Não vejo como sendo o caso: Durant estava no Thunder, um time de mercado consumidor menor e de torcida apaixonada, na frente por 3-1 na série valendo a Conferência Oeste e, ao perder, juntou-se aos Warriors. Não tem como dizer que foi o movimento mais nobre do mundo. Não tem como dizer que foi algo como Cristiano Ronaldo saindo do Manchester United para o Real Madrid. Ele seguiu o "se não pode com eles, junte-se a eles". Ele o fez e os tornou imbatíveis. 

Kevin Durant
Kevin Durant Getty Images

Isso, contudo, de nada mais importa. 

Na noite de ontem, Durant teve sua redenção. Jamais poderá  ser julgado como alguém que tinha na cabeça apenas a caça a um anel, a dinheiro, a fama ou qualquer coisa que seja. Durant colocou seu corpo na linha, sua carreira na linha, pela chance - apenas pela chance - do time seguir vivo nas Finais. A essência do altruísmo reside em se doar ao próximo sem que haja um bem para si, sem que haja pontos positivos para si. É fato que o título seria importante para ele, mas nessa altura da carreira, ele já tem dois. E especulava-se que KD sequer ficaria nos Warriors para 2019-2020, dado que tem uma cláusula no contrato que lhe permite ser free agent logo menos. 

Durant tinha nada a ganhar e tudo a perder. Doou-se pelo time dos Warriors, time este que não parecia mais ser tão seu como outrora. Em novembro do ano passado, no início da temporada regular, reportou-se que durante uma briga normal de vestiário, Draymond Green,supostamente, gritou:

"Vaza daqui, não precisamos de você"

Os Warriors tinham acabado de perder na prorrogação para os Clippers e o clima esquentou.  Ante essa situação e ao fato de que em nenhum momento vimos Kevin Durant negar os rumores de que seria free agent, ante os rumores de que o clima não estava legal, ante a questão dele supostamente ter se juntado aos Warriors de maneira artificial só para ganhar títulos, não faria sentido algum que ele arriscasse seu corpo e sua carreira por eles. 

Mas o altruísmo não precisa fazer sentido. Nós erramos. Eu errei. 

"A TODOS vocês que questionaram meu filho como homem, questionaram seu coração, questionaram sua integridade e seu AMOR pelo basquete, vocês NÃO conhecem-no. Ele tem o coração de um verdadeiro Guerreiro [Warrior]! Isso vai passar. Deus abençoe a TODOS".  Poucas pessoas conhecem alguém como uma mãe conhece o filho. Achamos que Durant sequer voltaria nessa série. Ele poderia arriscar a carreira como Kobe Bryant, Isiah Thomas e outros tantos que passaram por lesão de tendão de Aquiles. 

Ele não tinha condições de jogo, como ficou claro.  Isso não lhe impediu de ter condições de tentar ajudar os Warriors a reascender a esperança. 

Paneleiro. Covarde. Fraco. Kevin Durant foi chamado de muitas coisas nos últimos três anos. Só faltou uma palavra que realmente descreveu o que ele fez ontem. 

Warrior. 

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Warriors saem derrotados, Curry sai vencido

Antony Curti
Antony Curti

47 pontos. Derrota. Mas da mesma forma que existem vitórias de Pirro, existem derrotas nas quais se cai para cima. Ao jogar com um time completamente desfalcado, Stephen Curry não fugiu e não se escondeu. Não há como qualquer um prosseguir com a narrativa de que ele some e pipoca em jogos importantes sem parecer um imbecil dizendo isso. Desculpe a honestidade, mas é apenas a realidade cuja atuação carimba após o jogo de ontem. 

A foto que postei acima, no Instagram, demonstra com clareza o momento. É importante ler além de palavras, cestas e assistências. Esporte, sobretudo, também é moral, psicológico, narrativa. A expressão de Curry, olhando para o logo do Golden State Warriors de maneira quase como lamentando, é emblemática. Curry olha como se soubesse que, em meio às lesões de Kevin Durant e Klay Thompson, ele sobrara como o último bastião entre a defesa do título e a invasão do Norte. 

Curry fez o que pode. Em termos numéricos, desde o primeiro momento, a partida caminhava para ser um momento de "Rambo" por parte de Steph, como tantas e tantas vezes vimos LeBron James tendo de fazer pelo Cleveland Cavaliers – em especial no início de sua primeira passagem por Ohio. Curry foi vítima do destino e das lesões mas não se fez de vítima. Embora na foto acima tenha baixado a cabeça em sinal de lamentação, não baixou a cabeça para a forte defesa dos Raptors e tentou proteger a Oracle Arena. Acabou sendo em vão. 

Kevin Durant novamente está fora segundo Steve Kerr e não joga na sexta. Klay Thompson deve jogar e, como vimos no Jogo 2, sua participação nos Warriors – até mesmo defensiva, aspecto subestimado de seu jogo – é de vital importância. A série está 2-1 e nada está perdido para os Warriors. Para Stephen Curry, mesmo com a derrota, é uma partida que aumenta seu legado. É uma atuação maiúscula. É uma atuação de caráter. É uma atuação que coloca fim em qualquer narrativa de que ele se esconde em jogos grandes. Os Warriors saíram derrotados ontem. Curry saiu vencido. 

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Sem Durant, Cousins será essencial no Jogo 3

Antony Curti
Antony Curti


8 de maio. 

Essa foi última vez que vimos Kevin Durant em quadra. Era o jogo 5 da série entre Golden State Warriors e Houston Rockets, valendo pela semifinal da Conferência Oeste. De lá para cá, os Warriors perderam apenas uma vez, no jogo 1 contra o Toronto Raptors. Isso não quer dizer que ele não seja necessário neste momento. Até porque, considerando a quantidade de lesões para além de KD, a coisa não está fácil. 

Klay Thompson, que saiu do jogo 2 com lesão no posterior da coxa, está com participação questionável para o jogo 3. Durant está fora. Looney está fora. Cousins está dentro. 

Kevin Durant
Kevin Durant Getty Images

Esse é o grande ponto para o Jogo 3, sobretudo no lado defensivo. De toda forma, cabe perguntar: como o Golden State Warriors da Era Steve Kerr joga sem suas estrelas? O ESPN Stats and Info compilou essa informação. 

Desde 2016-2017/temp regular e playoffs e considerando o "big 4" como Curry, Durant, Green e Thompson, os Warriors têm 79% de aproveitamento quando todos jogam. Quando um deles está fora, 73%. Quando dois deles está fora, como pode ser o caso de quarta caso Klay não jogue, 61%. 10% parece pouca coisa, mas se tratando de um dos melhores times da história e em casa, qualquer desfalque pode fazer a diferença pra o oponente começar a sonhar. 

O impacto da ausência potencial de Klay

É, mas isso não significa nada - sobretudo se DeMarcus Cousins jogar no nível que jogou no jogo 2. Cousins visivelmente ainda não esta 100% - como também não parece ser o caso de Andre Iguodala, que foi visto mancando no vestiário. Seja como for, os Warriors mostraram inteligência e um poder de superação que são dignos de seu legado. Os 22 últimos chutes da partida mostraram aquela bola girando de mão em mão até chegar a sexta - eles todos foram assistidos. 

A potencial ausência de Klay Thompson pode ser sentida, sobretudo, se a defesa de Toronto jogar como o fez no primeiro jogo: com intensidade e contestando chutes. Thompson fez 31 pontos nessas situações no Jogo 1 e 2 e seu gatilho estava tão impressionante como... Bem, como sempre. O resto dos Warriors combinados em situações similares? 31 pontos. Todo o resto do time. Klay teve 46% de aproveitamento nessas situações e o resto apenas 22%. 

Parece uma estatística solta, mas quando combinada com questões de eficiência ofensiva, preocupa. Com Thompson em quadra, ainda segundo o Stats and Info, são 112.1 pontos/100 posses para Golden State. Sem ele, a marca cai para 96.2. Essa diferença, de -15,9, é a maior queda na ausência de qualquer jogador dos Warriors com pelo menos média de 10 minutos nas finais. 

É por isso que Cousins precisa repetir o que fez no Jogo 2

DeMarcus Cousins pode ter pouca experiência em playoffs, mas teve impacto incrível no Jogo 2. 

Depois de jogar apenas 8 minutos no primeiro jogo, Cousins teve sua minutagem aumentada por Steve Kerr para 28 e começou a partida. Jogou de maneira inteligente, com a cabeça erguida e sem ser apenas um poste no garrafão. 35% das cestas dos Warriors com ele em quadra foram assistidas por ele - foi a melhor marca de um jogador dos Warriors na partida e a melhor por um jogador com mais de 2,10 m desde as finais de 1997. 

O impacto defensivo de Cousins talvez tenha sido ainda mais impressionante. Até porque temos que considerar a ausência de Kevin Durant.  Ele selou o garrafão de maneira incrível e sua fisicalidade frustrou os Raptors. Sem chance de infiltrar, o time optou por tiros de média e longa distância e eles simplesmente não deram certo - subir a marcação e meia ajuda foram essenciais e temos que bater palmas para Steve Kerr por conta desses ajustes. Não é como se Toronto não tivesse tentado bater pra dentro, infiltrar. Fez isso. Mas Cousins entrou como um homem em missão na quadra. No jogo 2, em 12 oportunidades de infiltração de garrafão com Cousins sendo um dos defensores, os Raptors saíram com... 0 pontos. 

É difícil prever esse tipo de coisa. Aliás, com exceção às grandes lendas do esporte, um jogo fora de série não necessariamente virá seguido de outro - vide Siakam no Jogo 2. Mas o Golden State Warriors, especialmente na ausência potencial de Klay, precisa jogar de maneira a compensar a eficiência perdida. Essa eficiência - nos dois lados da bola - pode vir com Cousins. Cabe saber se ele entregará. 

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Sem Durant, Cousins será essencial no Jogo 3

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ESPN League segue diário até o último jogo das finais da NBA; Veja horários

Antony Curti
Antony Curti
[]

As finais da NBA estão a todo vapor com o Jogo 3 na quarta-feira entre Golden State Warriors e Toronto Raptors, valendo o Larry O'Brien Trophy e o título da NBA. Tratando-se de um momento tão especial nos esportes americanos, natural que haja o ESPN League com todos os detalhes da grande final - sejam narrativas, questões táticas, as coletivas de imprensa e até mesmo o movimento na NBA House aqui em São Paulo. 

Para isso, coloco aqui os horários do League até o Jogo 5 - que teremos a não ser que haja uma improvável varrida de Toronto. Caso haja Jogo 6 ou 7, o League segue diário até lá - com a participação de nossa equipe direto de Toronto e de Oakland, onde a série estiver no momento. 

Sem mais delongas, vamos aos horários! ]

Segunda, 3 de junho: 20h

Terça, 4 de junho: 20h

Quarta, 5 de junho (pré-jogo 3): 20h

Quinta, 6 de junho: 20h

Sexta, 7 de junho (pré-jogo 4): 20:45

Sábado, 8 de junho: 20h

Domingo, 9 de junho: 20h

Segunda, 10 de junho (pré-jogo 5): 20:45

Programação sujeita de alteração, fique ligado emespn.com.br/programacao caso haja alguma mudança! 

***

O Golden State Warriors enfrenta o Toronto Raptors em série melhor de 7 jogos  - em jogo o título da NBA. Você confere tudo ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN. Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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10 histórias para acompanhar nas Finais da NBA

Antony Curti
Antony Curti

A partir desta quinta (30), ao vivo e exclusivo na tv paga na ESPN e Watch ESPN, começa a série final e decisiva da temporada 2018-2019 da NBA. O Golden State Warriors chega a mais uma final consecutiva - surpresa para ninguém, mesmo para quem acompanha a liga de vez em quando. Com a lesão de Kevin Durant, os Splash Brothers voltaram com tudo e aquele Warriors clássico que começou essa estrada de dominância no meio da década voltou a aparecer. 

As finais, contudo, não se tratam apenas disso. Há diversas narrativas para ficarmos de olho a partir de quinta. Mesmo que haja uma varrida de Golden State - convenhamos, é algo que não podemos descartar - temos mais para assistir além da tendência da dinastia de Oakland/San Francisco continuar. 

1) A importância do Jogo 1

Por ter tido campanha melhor na temporada regular, o Toronto Raptors tem mando de campo nessas finais. Isso significa que pela primeira vez na Era Steve Kerr o Golden State Warriors abrirá uma série final fora de casa. Ganhar o Jogo 1 é mais do que importante nesse sentido. Significa que haverá no mínimo 5 jogos e que a série volta para a Scotiabank Arena e para o Canadá. Ou seja: a chance de zebra depende muito do resultado desta primeira partida. Claro que o Jogo 2 também é em Toronto, mas perder o primeiro jogo pode indicar uma espiral negativa na parte psicológica do time dos Raptors. É como um jogo de truco, quando "fazer a primeira" dá moral e vantagem no resto. 

2) Experiência vs Novidade

Kawhi Leonard já esteve lá e foi campeão com o San Antonio Spurs, mas a verdade é que estas finais tratam-se de um duelo da experiência no grande palco contra a novidade, que é o caso do Toronto Raptors. Criado como franquia de expansão da liga em 1995, junto do então Vancouver Grizzlies (hoje em Memphis) a equipe representa o "norte" e o Canadá pela primeira vez nas finais da NBA. É o primeiro finalista da liga que não joga nos Estados Unidos. A cidade tem um representante numa final de NFL/MLB/NBA/NHL  pela primeira vez desde 1993, quando o Toronto Blue Jays foi bicampeão da World Series. 

3) Kevin Durant vai voltar? Se voltar, que tal seu duelo contra Kawhi?

O estelar ala dos Warriors está fora do Jogo 1 e, a bem da verdade, o Golden State Warriors varreu o Portland Trail-Blazers na final do Oeste sem parecer que sentiu tanta falta assim de KD. É óbvio que sua presença fortifica o já absurdo elenco dos Warriors, mas o time é tão competente que consegue suplementar a ausência de um potencial MVP de finais como ele - como, aliás, já foi. É incerto que Durant voltará ainda nesta série, dado que ainda não começou a treinar. Embora não jogue na quinta, ele viajou com o time para Toronto, o que é uma boa notícia. 

Falei mais aqui sobre a pós-temporada fantástica de Kawhi: Não existe amor ideal, constrói-se um - vide Kawhi e os Raptors

Quando/se voltar, resta saber quem o marcará. A tendência é que a missão seja dada a Kawhi Leonard. Para o azar de todos que amam um duelo como este, a outra vez que tivemos a chance de acompanhar isso acabou em um só jogo. Foi no Jogo 1 das Finais do Oeste de 2017, quando Leonard ainda estava no San Antonio Spurs - ele saiu machucado da partida após um pisão de Zaza Pachulia, agora em Detroit, e não voltou mais. 

Stephen Curry
Stephen Curry Getty

4) "Os outros" dos Raptors

A gente sabe o que esperar de Kawhi Leonard, vide sua pós-temporada fora de série neste ano. De toda forma, os "coadjuvantes" são ainda mais importantes nesta série. O Golden State Warriors, como bem disse Kobe Bryant neste vídeo, lhe força muitas vezes a marcar "3x3" e não simplesmente 1x1. Os corta-luz sem a bola são movimentos mágicos quando os Warriors giram a bola. Comunicação é mais do que importante. 

Lowry, Danny Green & amigos têm papel mega importante para tentar marcar bem  o perímetro e evitar que comece aquela chuva de três pontos que os Warriors são capazes de impor aos oponentes. Ainda, um destaque especial tem que ser dado a Pascak Siakam, ala que tem sérias chances de ser eleito MIP (Jogador que Mais Melhorou) nesta temporada.  Siakam lembra, guardadas as proporções, o papel de Draymond Green na quadra. Sua capacidade de rebotes defensivos e dar a ignição de pontos fáceis na transição pode ser um ponto importante para os Raptors caso consigam a zebra.

5) Raptors na frente? Segura a emoção

Poucos times têm a capacidade de virar jogos como o Golden State Warriors. A franquia estabeleceu uma marca pra lá de incrível na série contra Portland.  Foram três viradas seguidas depois de estar 15 pontos atrás no placar - a maior sequência dos últimos 20 anos - e soa absolutamente natural em se tratando do time que é. Desde os playoffs de 2017, os Warriors têm 7 vitórias e 6 derrotas quando atrás por esses 15 pontos ou mais. 

Sabe quanto o resto da NBA tem? 12-146. Isso significa que o aproveitamento de Golden State é acima dos 50% e do resto da NBA é abaixo dos 10% – 7,6%, para ser mais preciso. 

Leia mais: Nenhuma vantagem está a salvo contra os Warriors

Ditos os fatos óbvios que muitos de vocês já sabiam e já devem ter lido no twitter, o que faz desse time tão potente em situações como essas? Claro, há o aspecto de ter Stephen Curry, Klay Thompson e um extremamente subestimado Draymond Green. Mas, para além disso e do intangível aspecto de coração de campeão e da cultura vencedora que logo falarei, temos aspectos dentro de quadra que são mais visíveis a olho nu. 

Nas últimas três pós-temporadas, os Warriors têm 54 sequências nas quais fizeram 10-0 em cima do oponente. Segundo o ESPN Stats and Info, de longe é a melhor marca da NBA.  Falei mais sobre neste texto do blog. Ou seja: mesmo que os Raptors estejam à frente em qualquer um dos jogos da série, é bom não se emocionar. Se tem um time capaz de implodir vantagens, esse time é o Golden State Warriors. 

6) Despedida da Oracle Arena

O Golden State Warriors despede-se de Oakland nesta temporada - por tabela, da Oracle Arena.  Os Warriors jogarão seus últimos jogos lá antes de se mudarem para o Chase Center para a próxima temporada. Além de uma mudança de ginásio, é uma mudança de cidade, queira ou não. O time representa o norte da Califórnia e, mais especificamente, a região da Baía de San Francisco - na cidade em si jogou na década de 1960 e voltará para lá agora. 

7) VanVleet seguirá sequência inacreditável?

Depois de um início de pós-temporada bem apagado, Fred VanVleet resolveu aparecer nesta pós-temporada nos três últimos jogos da série contra Milwaukee. Reserva e não draftado em 2016, VanVleet tornou-se um herói improvável na final da Conferência Leste ao ter 14/17 em três pontos durante os três jogos derradeiros - 82% de aproveitamento, algo surreal. A sequência coincide com o nascimento de seu filho, aliás. 

Em termos estatísticos é um tanto quanto improvável que essa sequência siga contra os Warriors - pela qualidade defensiva do time e pela própria questão da "regressão à média" que se apresenta nos esportes. 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

8) Só Lakers e Celtics na frente? 

Se o Golden State Warriors confirmar o favoritismo e vencer mais um título, junta-se ao Boston Celtics da Era Bill Russell como os únicos a terem quatro títulos em cinco anos - Boston venceu oito seguidos de 1959 a 1966, chegando a 10 finais seguidas no total. Falando em Celtics, apenas eles e os Lakers teriam mais títulos do que os Warriors se o Larry O'Brien for para a Oracle Arena. 

Seria o sétimo título e quebraria o empate com o Chicago Bulls, que tem 6 - todos na Era Michael Jordan. Assim, Golden State seria o terceiro maior campeão da história da liga. Boston tem 17 e os Lakers têm 16.

9) "Vingança" da temporada regular?

Como disse no twitter, o fato de Toronto ter "varrido" Golden State na temporada regular não quer dizer tanta coisa assim. Primeiro que são dois jogos na série - entre oponentes de conferência distinta - e segundo que o jogo foi lá no início da temporada. O que ficou desses jogos? No primeiro, Kawhi Leonard teve 37 pontos e a equipe venceu mesmo com Kevin Durant tendo 51 pontos, sua maior marca no ano. O jogo foi para a prorrogação, vale lembrar - e Steph Curry não jogou. 

No segundo, foi Kawhi quem não esteve em quadra - o time conseguiu superar sua ausência para quebrar uma sequência de 13 derrotas consecutivas na Oracle Arena. Curry jogou e fez apenas 10 pontos. Esse é o jogo que os Raptors querem que se repita. Lowry teve papel de protagonista e foi o cestinha de Toronto na partida, com 23 pontos. Agora ele precisa aparecer de novo. 

10) Drake e as apostas malucas

Las Vegas conta com apostas para absolutamente tudo, inclusive em relação a Drake. Torcedor fanático dos Raptors e rivalizando com Spike Lee pelo título de "mala" oficial do courtside, Drake chegou até a fazer massagem no técnico Nick Nurse durante um dos jogos da série contra os Bucks. 

Vegas têm apostas para todos os gostos, incluindo se Drake sairá na mão com um jogador dos Warriors, se ele estará presente no Jogo 3 - que é em Oakland - ou mesmo se a segurança vai lhe retirar do ginásio. Há também aposta para a "zica reversa". Conhecido como o "Mick Jagger" dos esportes americanos, Drake usa itens/roupas de um dado time e ele acaba sucumbindo na pós-temporada. Será que ele vai tentar zicar os Warriors usando algum item com as cores e logo dos Dubs? Cenas dos próximos capítulos. 

***

O Golden State Warriors enfrenta o Toronto Raptors em série melhor de 7 jogos a partir de quinta - em jogo o título da NBA. Você confere tudo ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN. Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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10 histórias para acompanhar nas Finais da NBA

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Não existe amor ideal: constrói-se um – vide Kawhi e Raptors

Antony Curti
Antony Curti

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Embora séries de televisão e filmes românticos indiquem que haja uma necessidade de se achar uma "pessoa certa" desde o início, prefiro acreditar que não é assim que as coisas funcionam. O romantismo, enquanto movimento cultural do século XIX, apresenta-se como manifestação da paixão em oposição à razão iluminista e ao realismo que lhe combateria no mesmo século. É a arte do ideal, da fantasia. Prefiro o realismo. Prefiro acreditar que um relacionamento não é moldado pelo início mas pela construção ao longo de momentos marcantes. 

Foi um ano conturbado. Kawhi Leonard praticamente não jogou na temporada 2017-2018 pelo San Antonio Spurs. O futuro era incerto e, tal como um rebelde contra o governo local, foi exilado para outro país. Com opção de sair do contrato herdado pelo Toronto Raptors na troca, muitos achavam que a passagem de Kawhi pelo Norte seria apenas uma estadia curta. Uma pós-temporada depois e na final da Conferência Leste, o improvável casamento parece ter dado certo. 

Momentos marcantes não faltaram na estadia de Leonard ao norte da fronteira. 

Começo a acreditar – e a torcer – para que a permanência dele em Toronto vire realidade independente do que acontecer ao final da série contra o Milwaukee Bucks, pela final do Leste. Para além do buzzer beater em casa ou de roubar o Jogo 5 em Wisconsin, Kawhi tem números absurdos nesta pós-temporada: 51-44-88 resumem em estatística a beleza do jogo do ala. Os olhos para além dos números puderam testemunhar quantas vezes ele carregou o time nas costas nestes playoffs. 

Como consequência e construção de uma pós-temporada histórica, o Toronto Raptors varreu as cicatrizes das varridas que lhe foram impostas. Pode até acontecer dos Bucks virarem a série e temos que respeitar um elenco que concorre para ser o melhor quinteto do leste – não por acaso tiveram a melhor campanha da temporada regular. Mas o poder de decisão de Kawhi pode ser o suficiente para que isso caia por terra. São sete jogos com pelo menos 35 pontos nestes playoffs e isso beira o absurdo. 

Meu palpite no ESPN League da semana passada era de que Toronto venceria a série em 6 jogos. Na minha cabeça, considerando o que Kahwi vinha fazendo nesta pós-temporada, era plenamente factível que os Raptors roubassem um dos jogos em Wisconsin e pudessem fechar a série no Canadá. Foi o que aconteceu. 

Os Raptors são favoritos para vencer o Jogo 6, segundo Las Vegas. O sábado será a primeira vez desde 1993 que uma equipe de Toronto poderá garantir presença numa final de liga – a última oportunidade foi com os Blue Jays garantindo vaga para a World Series, na qual eventualmente sairiam campeões. A boa notícia para o torcedor é que os Raptors conseguiram fechar as últimas quatro séries em casa quando assim tiveram a oportunidade. Nesta temporada, em duas vezes, contra Philadelphia e contra Orlando. Independente do que acontecer no sábado ou num potencial Jogo 7, é certo afirmar que o casamento entre Kawhi e os Raptors, por mais improvável que fosse e mais difícil de acreditar que daria certo em química, foi o ideal para ambos. Agora é ver o que acontece sábado. 

Se depender do que Kawhi vem fazendo, é plenamente possível acreditar que o Norte representará o Leste contra o Golden State Warriors. 

***

As finais da NBA começam no dia 30 de maio (quinta que vem), ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN.  Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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Nenhuma liderança está a salvo contra os Warriors

Antony Curti
Antony Curti

Nos jogos 2, 3 e 4, Portland chegou a ficar 17 pontos na frente e a maioria de vocês que leem esta frase sabiam que a liderança não estava a salvo. 

Por mais que eu brinque que o Golden State Warriors com Kevin Durant é uma panela – e, bem, é – tenho que dar o braço a torcer em relação a um aspecto: os Warriors têm um coração que vai além de um quinteto artificial. Seja com Durant ou sem, não se trata de um exército de mercenários que foram "comprados" para uma dada batalha: há coesão e o sangue frio em momentos decisivos mostra justamente isso. 

Nos três jogos que falei acima, os Warriors conseguiram a virada. Fosse outro time, soaria como um feito fora da curva. Em se tratando de Golden State, é mais um dia de trabalho. As três viradas seguidas depois de estar 15 pontos atrás no placar são a maior sequência dos últimos 20 anos e soa absolutamente natural em se tratando do time que é. Desde os playoffs de 2017, os Warriors têm 7 vitórias e 6 derrotas quando atrás por esses 15 pontos ou mais. 

Warriors têm 54 sequências de 10-0 nas últimas três pós-temporadas
Warriors têm 54 sequências de 10-0 nas últimas três pós-temporadas Getty

Sabe quanto o resto da NBA tem? 12-146. Isso significa que o aproveitamento de Golden State é acima dos 50% e do resto da NBA é abaixo dos 10% – 7,6%, para ser mais preciso. 

Ditos os fatos óbvios que muitos de vocês já sabiam e já devem ter lido no twitter, o que faz desse time tão potente em situações como essas? Claro, há o aspecto de ter Stephen Curry, Klay Thompson e um extremamente subestimado Draymond Green. Mas, para além disso e do intangível aspecto de coração de campeão e da cultura vencedora que logo falarei, temos aspectos dentro de quadra que são mais visíveis a olho nu. 

Nas últimas três pós-temporadas, os Warriors têm 54 sequências nas quais fizeram 10-0 em cima do oponente. Segundo o ESPN Stats and Info, de longe é a melhor marca da NBA. Como você deve esperar, boa parte dessas sequências aconteceram no terceiro quarto, vulgo a hora que o bicho pega para Golden State. A diferença de pontos dos Warriors, em pós-temporada em um dado quarto, é de absurdos +1.329 – 500 a mais que o segundo colocado no quesito, os Rockets, que o fazem no primeiro. O terceiro da lista? Os Warriors em primeiro quarto, com +720.  São 7 viradas dos Warriors, considerando os três últimos anos, estando 10 pontos atrás no placar ao início do terceiro quarto e estando à frente ao seu final. 

Agora, o aspecto intangível. 

Como disse acima, o Golden State Warriors não é puramente um exército de mercenários ou uma panela sem alma. Brinco, claro, que é uma panela – e isso obviamente deixa a NBA menos competitiva. Mas é impossível dar o braço a torcer em relação ao coração e à química entre os jogadores. O mérito de Steve Kerr também há de ser dado quanto a ajustes do segundo pro terceiro quarto, mas essas sequências de 10 pontos sem resposta e as 7 viradas que falei acima também acontecem porque há uma cultura estabelecida na Oracle Arena. 

Enquanto outros times ficariam complacentes com um jogo fora de casa em série melhor de 7 e estando atrás por tantos pontos, os Warriors não querem saber de nada senão a total e completa dominância. 

Poucas coisas, moralmente falando, demonstram isso como o poder de superação do time quando tão atrás no placar. Golden State pode não ser o "time do amor" para muitos. Mas, com certeza, é o time da virada. 

***

O Golden State Warriors espera o vencedor da série entre Toronto Raptors e Milwaukee Bucks pelo Leste e está nas Finais da NBA. Elas começam dia 30 de maio (quinta), ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN. Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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Como Senna é ídolo mesmo para quem nunca viu uma corrida dele ao vivo?

Antony Curti
Antony Curti

Ayrton Senna Comemora Vitoria GP Belgica Formula 1 F1 25/08/1991
Ayrton Senna Comemora Vitoria GP Belgica Formula 1 F1 25/08/1991 Pascal Rondeau/Getty Images

Eram outros tempos no Brasil. Os avanços sociais que começaram a ser consolidados em julho daquele ano com o Plano Real, ainda não tinham acontecido. O país era terra fértil para a criação de um herói, de um mito. Ainda mais quando, ao contrário dos Estados Unidos com os "Pais Fundadores", não há heróis nacionais no Brasil. Tiradentes é um herói fabricado, o elo mais fraco da Inconfidência que foi aproveitado quando da Proclamação da República – mas que não causa comoção. Tampouco Dom Pedro I, que nada mais foi do que a continuidade do Reino Unido a Portugal, quase como um quê de "pai, vou morar fora de casa" no 7 de setembro. 

É nesse solo de desigualdades e de carência de ídolos que Ayrton Senna nasceu – tanto o homem quanto o mito.  O que causa comoção até hoje, 25 anos de sua morte, era a parte do "Brasil que deu certo". 

Algumas pessoas guardam memórias a partir dos 4 anos de idade. Outras, 3 anos. Acredito que esteja incluído no segundo caso. Sou nascido em 1991 e, como muitos no dia de hoje, reverencio um mito que, em realidade, eu nunca vi. Mas me lembro quando partiu.

O clima em casa não era dos melhores e era difícil entrar na cabeça de uma criança de 3 anos de idade que as pessoas estavam tristes com a perda de uma pessoa que parecia ser da família mas que, em realidade, não era. 

É difícil, 25 anos após sua morte, escrever algo que ainda não foi escrito sobre Ayrton Senna. Até por conta disso, pensei: e se eu escrever como um dos poucos jornalistas que, hoje, sequer sabia escrever na época que ele corria? 

É uma sensação estranha saber que, de certa forma, tenho como herói alguém que eu nunca vi e, embora estivesse vivo nos anos finais de sua vida, não guardo nenhuma lembrança de vitórias e glórias. Eu não vi nenhuma corrida dele ao vivo. Como tantos outros millennials, os nascidos do final da década de 1980 até 1995, eu só tive contato com o mito. Não com o humano. 

O que faz de sua imagem algo tão celebrado, impactado e lembrado até hoje? Não há um aniversário "redondo" – 10, 15, 20, 25 – que não me pegue escrevendo sobre ele. Mesmo que sequer essa seja minha área no jornalismo esportivo. 

A força do mito criado em torno de sua carreira, valores e vida é tão forte que, indiretamente, ele influencia pessoas que nunca viram uma volta ao vivo na Toleman, Lotus, McLaren ou Williams. 

Senna em Interlagos
Senna em Interlagos Getty

Na efeméride de 10 anos de sua morte que acabou dando uma faísca para que eu escrevesse sobre esporte. Ainda tenho os textos guardados, mal escritos como se espera de um aluno da 7ª série, mas que talvez foram o ponto de partida para que eu pegasse gosto por escrever. Hoje, 15 anos depois, ainda o faço – mas como profissão e como ganha-pão. No ano seguinte, 2005, avacalhei tudo o que podia em termos de não estudar para provas de matemática.

Passar de ano ou não estaria nas mãos do "Conselho de Classe". Enquanto eles decidiam e eu esperava o telefone tocar para me avisar da decisão, assistia ao Grande Prêmio do Japão de 1988 – corrida na qual Ayrton tem problemas na largada e passa um por um até consagrar-se campeão do mundo pela primeira vez. De certa forma, sua tranquilidade em cada curva de Suzuka me tranquilizou. 

Na efeméride de 20 anos, em maio de 2014, minha mãe me deixou na porta da ESPN para aquele que seria meu teste como comentarista na NFL. Estava absurdamente nervoso, como era de se esperar. Aí, pedi um conselho para minha mãe – para que eu não ficasse assim, dado que se gaguejasse no microfone, um abraço. Ela disse para que eu mentalizasse alguém que eu admirava e que "mandava bem" em situações como essas.

Na hora, me lembrei da postura de Ayrton no primeiro teste em um F1, ainda em 1983 – o teste é mostrado no documentário "Senna", de Asif Kapadia. Ayrton menciona o teste como um presente de Deus, pelo qual ele estava esperando há tempo. A lembrança dessa imagem e sua confiança – bem como o excelente desempenho que teve naquele dia – me tranquilizaram o suficiente e, bem, aqui estou. 

A figura do mito é justamente essa, desde os tempos de Grécia Antiga. Por meio de um personagem, valores são carregados através de gerações – mesmo que essas gerações sequer tenham tido contato direto com os personagens ou a Era de quando os deuses em questão viveram. É inegável que Senna não era perfeito.

Senna em 1991
Senna em 1991 Getty

Seja como piloto, vide alguns erros como em Mônaco em 1988, batendo sozinho, e Itália em 1988 (única não-vitória do MP4/4 naquele ano) ou no Brasil em 1990, ambas situações nas quais ele bate em um retardatário e perdeu a prova. A vingança em Prost em 1990, após o tapetão de Jean-Marie Balestre no ano anterior, também não é das moralmente mais louváveis atitudes de um piloto. 

Mas todo o resto é composto de valores que atravessaram gerações. Determinação, fé, vítória, sucesso, paixão pelo ofício, são tantas que poderíamos ficar linhas e mais linhas lembrando-as. A compaixão, como demonstrada ao ajudar Erik Comas após batida na Eau Rouge é outro bom exemplo.

Do primeiro teste em 1983 na Williams até a última curva na mesma equipe, os mesmos valores estavam lá. Senna carregava consigo no cockpit do instável FW16 uma bandeira da Áustria, a qual usaria para homenagear Roland Ratzenberger, morto em Ímola no dia anterior.

Do início ao fim de sua trajetória, fica claro: a Tamburello pode ter tirado a vida de Ayrton, mas a verdade é que seu nome naquele momento virou sinônimo eterno com os valores que ele carregava para si. Lembraremos dele – e dos valores – hoje e em cada um dos próximos 1º de maio que vierem. 



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NFL: Draft Simulado 1.0 de Antony Curti

Antony Curti
Antony Curti

A versão completa do Draft Simulado 1.0 já está disponível no WatchESPN. Lá, o fã do esporte poderá ver a análise completa das 32 escolhas da 1ª rodada do recrutamento.

Clique para assistir no WatchESPN:

Picks 10 a 1
Picks 20 a 11
Picks 32 a 21

Lembrando que os canais ESPN mostram os três dias do evento de 2019.

Quinta-feira - 21h (de Brasília) - 1ª rodada na ESPN e WatchESPN
Sexta-feira - 20h (de Brasília) - 2ª e 3ª rodada na ESPN 2 e WatchESPN
Sábado - 13h (de Brasília) - 4ª a 7ª rodadas na ESPN 2 e WatchESPN

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NFL Draft: Haskins? Murray? Os cinco melhores quarterbacks da classe de 2019

Antony Curti
Antony Curti


Em 2019, os canais ESPN e o WatchESPN mostram os três dias do recrutamento. Confira os horários:

Quinta-feira - 21h (de Brasília) - 1ª rodada na ESPN e WatchESPN
Sexta-feira - 20h (de Brasília) - 2ª e 3ª rodada na ESPN 2 e WatchESPN
Sábado - 13h (de Brasília) - 4ª a 7ª rodadas na ESPN 2 e WatchESPN

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Josh Rosen é tão ruim quanto querem que você ache?

Antony Curti
Antony Curti
Josh Rosen em ação pelos Cardinals
Josh Rosen em ação pelos Cardinals Getty Images

Imagine que você se formou na faculdade e vai para o emprego de seus sonhos. Ao menos você assim espera que seja, porque fez tudo certo até então, demonstrou dedicação, evolução e teve notas boas. Chegando na empresa que você achava que era o melhor lugar do mundo, percebe que falta até marca-texto para trabalhar e os demais materiais de escritório. No início, sequer teve entrosamento com o seu departamento, porque te colocaram para trabalhar com estagiários que sequer estariam na empresa no mês seguinte. Seus chefes foram colocados ali e você não tem a menor ideia como isso aconteceu, porque claramente eles não são capacitados para o que fazem. Seus colegas de trabalho ou te atrapalham ou não te ajudam quando há um projeto em grupo.  Aquele cara que você fez amizade foi mandado embora no meio do ano. 

Basicamente, essa foi a situação de Josh Rosen no Arizona Cardinals de 2018. 

Rosen fez um excelente trabalho num elenco limitado de UCLA, com destaque para a épica virada contra Texas A&M. Depois, chegou num time sem linha ofensiva, com um corpo de recebedores aquém do desejado. Para complicar, foi listado como o terceiro quarterback do elenco, trabalhando na pré-temporada com o terceiro time de wide receivers – muitos dos quais sequer estariam no elenco de temporada regular. Não havia motivo nenhum para tanto, foi palhaçada da diretoria mesmo. O segundo do plantel era Mike Glennon (péssimo) e o primeiro era Sam Bradford (cortado no meio da temporada depois de Rosen virar titular). 

Mike McCoy começou o ano como coordenador ofensivo e ninguém tinha a menor ideia como isso aconteceu em 2018, vide os planos de jogo horríveis que sequer usavam David Johnson, excelente running back recebendo passes, no jogo aéreo. Steve Wilks foi contratado como head coach depois de uma passagem marromeno como coordenador defensivo nos Panthers.  Os colegas de Rosen no time formam um dos piores elencos da NFL e inúmeras vezes mais atrapalharam do que ajudaram – como na derrota contra o Denver Broncos. Christian Kirk, wide receiver calouro com quem Rosen criou sintonia, se machucou na reta final da temporada. 

Muitos podem dizer que ele foi o pior quarterback calouro de 2019. Eu digo que ele sobreviveu ao Arizona Cardinals de 2018.

Agora, os Cardinals devem escolher Kyler Murray na primeira escolha geral do Draft 2019 e eu entendo. Você tem um treinador novo com um sistema peculiar para rodar (Air Raid) e precisa de um quarterback novo que maximize esse sistema. Murray é esse cara e, embora Rosen não fosse fazer feio nesse sistema tático novo, Murray tem potencial para fazer melhor. Não tenho tantos problemas com isso. 

Mais Draft: Times que podem subir e que podem descer no Dia 1

Meu problema é achar que após um ano podemos atear fogo em meses de análises que foram feitas em cima do tape de Rosen no College. Como se não valessem de nada. Ainda, Rosen não demonstrou nenhuma das imaturidades que muitos temiam. Hoje, ele quebrou o silêncio e disse que "é seu dever provar que os Cardinals estão certos em mantê-lo ou de prová-los errados se eles despacharem-no".  Acredito cada vez mais na segunda hipótese. 

O time que receber Rosen terá um quarterback com piso alto, produção em meio ao inferno que viveu e um profissionalismo que os críticos não esperavam. Os jogadores dos Cardinals se apresentaram na última semana para os treinos de intertemporada. O primeiro a aparecer, mesmo em meio à chance de ser trocado? Josh Rosen. 

O Draft da NFL terá transmissão da ESPN e do Watch ESPN para o Brasil a partir das 20h, com Abre o Jogo. A primeira rodada acontece na quinta, 25 de abril. 

Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no Instagram em @AntonyCurti, sempre postarei em ambos muito conteúdo sobre a NFL. 

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NBA: 5 histórias para acompanhar nos playoffs para além do favoritismo dos Warriors

Antony Curti
Antony Curti

A série "Formula 1: Drive to Survive" é um sucesso na Netflix muito porque ela joga na nossa cara um fato interessante: há mais na categoria para além de Ferrari e Mercedes. Ambas não deram acesso aos produtores, então a série/documentário é todo focado nas outras equipes da modalidade. Ao deixar de focar-nos nos vencedores e na briga entre Sebastian Vettel e Lewis Hamilton, pudemos ver que há muito além dos dois ou das duas equipes hegemônicas na Fórmula 1 atual. A história da Haas ou vai-fica de Daniel Ricciardo na Red Bull com a ascensão de Max Verstappen são bons exemplos. 

A meu ver, a NBA tem uma pegada parecida nesta temporada e, por que não, playoffs como um todo. Mesmo que o Los Angeles Clippers tenha operado um milagre na última madrugada, ao virar uma partida praticamente perdida, o Golden State Warriors tem a força e o poder da panela para rumar ao título da temporada 2018-2019. A menos que uma catástrofe aconteça – e não, a lesão de DeMarcus Cousins não é o suficiente para minar esse favoritismo. Para o leitor ter ideia, Las Vegas cota o time com 70% de chance de levantar o Larry O'Brien mais uma vez. 

Assim como a Fórmula 1, há outras narrativas para além do domínio Mercedes/Warriors. Eu sei, não tem LeBron James nos playoffs. Mas isso não quer dizer que não há um monte de histórias boas para contar. Aqui, o objetivo é falar justamente de todo o resto, dando histórias para o fã de esporte acompanhar até meados de junho. 

1- Spurs, sequência de pós-temporada e Jokic em ano de MVP

O San Antonio Spurs tem uma das mais incríveis sequências de pós-temporada nos esportes americanos – são 22, começando em 1998 e empatados com os 76ers dos anos 1950 e 1960. Quando comparamos esse feito com os outros esportes americanos, fica ainda mais surreal. Na NHL (hóquei no gelo), o Pittsburgh Penguins está há 13 temporadas seguidas com visitas aos playoffs. Na MLB, a maior é do Los Angeles Dodgers, com 6. Na NFL, são as 10 dos Patriots.

Em todas as aparições dos Spurs, o técnico era Gregg Popovich e a abordagem do time parece ser distinta a esse festival de bolas de três que tomou a liga de assalto nos últimos anos com Warriors e Rockets. Nenhum time tem menos cestas de 3 pontos por jogo – 9,9 – ao passo que o time tem 10,8 cestas de distância média (mid-range)/jogo, o que mostra essa abordagem diferente com clareza. 

Do outro lado da série, cujo Jogo 2 se dá nesta terça, o Denver Nuggets tem em Nicola Jokic sua grande estrela e, por que não, uma das gratas surpresas da temporada. Não digo que "camisa pesa" porque esse argumento é raso demais – de toda forma, experiência pode pesar. Os Nuggets voltam aos playoffs pela primeira vez desde 2012-2013 – tendo sido eliminados na primeira rodada em 10 das últimas 11 aparições. Vencer o Jogo 2 pode ser um passo para inverter isso, mas eu sinceramente não conseguiria apostar contra Pop & Cia. 

James Harden
James Harden Getty

2- Harden precisa jogar como o faz em temporada regular

James Harden foi uma grande máquina de triplos-duplos neste ano e sua minutagem está absurdamente alta: a média foi de 40,5 durante a temporada. Apenas Russell Westbrook em 2016-2017 ficou mais tempo em quadra e, de certa forma, isso preocupa pela quantidade de jogos na temporada regular e pelo fato de que, bem, são humanos e não máquinas. Mas, principalmente, porque os Rockets precisam do quinteto completo para terem uma chance real contra os Warriors numa eventual semifinal de conferência. Vale lembrar, nenhum time foi campeão com um jogador tendo uma minutagem tão elevada – o mais alto foi Michael Jordan com 34,7 em 1992-1993. 

Em temporada digna de MVP, Harden sabe que o sucesso do time passa por si. Mas ele precisa ter os mesmos números de temporada regular quando o calendário vira para playoffs. Veja seus números (carreira) em temporada regular e playoffs: 

Pontos/Jogo, Temporada Regular: 30,3
Pontos/Jogo, Playoffs: 27,9

Aproveitamento na bola de 3, Temporada Regular: 36%
Aproveitamento na bola de 3, Playoffs: 32%

3- Preparados para os Bucks?

O Milwaukee Bucks busca seu segundo título tendo em Giannis Antetokounmpo a grande estrela e, em Las Vegas, o favorito para o prêmio de MVP da temporada. Embora a maldição do MVP seja bem menos forte na NBA em comparação à NFL (onde um MVP não ganha o Super Bowl desde 1999), é notório que ter um jogador de tanto impacto em séries eliminatórias pode ser prejudicial no caso de, uma bela noite, esse dado jogador não estar em seus melhores dias. Desde 1983, apenas 13 MVPs de temporada regular foram campeões da liga. 

A bem da verdade, vale lembrar que o quinteto dos Bucks é sólido para além de Antetokounmpo. É um time bem treinado no lado defensivo da bola – sobretudo em defesa dentro do garrafão – e no Jogo 1 houve um sonoro passeio de 121 a 86 contra os (8) Detroit Pistons. Não foi nada muito diferente do que vimos na temporada regular, visto que o time teve 45 vitórias por 10 ou mais pontos durante o ano. Milwaukee deve suar (se for o caso) apenas na próxima série, contra o vencedor de Boston/Indiana

Giannis Antetokounmpo é o favorito ao MVP, mas o histórico não é dos melhores para tal
Giannis Antetokounmpo é o favorito ao MVP, mas o histórico não é dos melhores para tal Getty Image

4- A montanha-russa de Boston vai até onde?

Os Celtics abriram 1-0 contra o Indiana Pacers mas, como o jargão esportivo bem fala, "venceram mas não convenceram". Antes da temporada, colocava-se o time na primeira prateleira do Leste junto de Toronto e, possivelmente, Philadelphia.  Coloco montanha-russa no subtítulo porque, bem, foi isso que aconteceu. 

21 de fev - 3 de mar: 1V-5D
5 de mar-16 de mar: 5V-1D
18 de mar-24 de mar: 0V-4D
26 de mar - final da temporada: 6V-2D

Qual Boston vai aparecer durante a pós-temporada? Egos do vestiário serão silenciados em prol do conjunto? Brad Stevens mostrará por que tem o status de ser um dos melhores técnicos da liga? Além de Stevens, todos os olhos estarão voltados para Kyrie Irving. Sem ele em quadra é inegável que o time esteve em momentos  melhores, vide as estatísticas. Mas a NBA é uma liga de jogadores. Quando estamos em momentos como estes, são as estrelas que resolvem. No Jogo 1 contra Indiana, Irving teve 20 pontos e 7 assistências numa sólida atuação. 

Mais no meu blog: 
Draft da NFL: quais equipes podem subir e descer na primeira rodada
Palpites MLB: Campeões de Divisão e Prêmios de Temporada
Como o Los Angeles Lakers de 2019 lembra Poderoso Chefão III

5- Thunder vs Blazers: Há favorito? 

Não. Próximo!

Falando sério, são duas equipes que buscam quebrar "narrativas negativas" ao entrar em pós-temporada. Nos últimos anos o Trail-Blazers fez boas campanhas mas acabava tropeçando nos playoffs quando a coisa apertava. O Thunder, por sua vez, entra nos playoffs com uma péssima sequência e busca se curar dessa ressaca. A equipe tem campanha de 12-13 desde o All-Star Break. 

No Jogo 1, deu Portland, mas a bem da verdade é difícil definir os rumos da série com um espaço amostral tão pequeno. Se queres ficar de olho em algo que pode definir a série, atente-se para o Thunder em iso (quando há "isolação" do chutador em 1x1, com os companheiros afastados para lhe dar espaço. O Thunder foi um dos piores da liga desde o All-Star Break – contra a defesa de Portland, uma das piores da liga no quesito no mesmo período. 

***

A pós-temporada da NBA tem uma avalanche de jogos na ESPN e Watch ESPN – você pode conferir a programação completa clicando aqui. Às segundas e sextas à noite, a análise completa no ESPN League. 

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NBA: 5 histórias para acompanhar nos playoffs para além do favoritismo dos Warriors

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NFL Draft 2019: Quais times podem subir e descer na noite do Dia 1

Antony Curti
Antony Curti

Draft NFL
Draft NFL Getty

Numa casa escura e aparentemente assombrada, os dois heróis da trama se entreolham e um deles abre o bico, dizendo: Tá tudo muito quieto.

Quantas e quantas vezes você não viu esse recurso de roteiro em filmes, videogames ou na literatura? É um recurso batido, mas funciona. Ele é usado no momento em que a ação na narrativa fica mais fria do que nunca e algo acontece. No caso do Draft da NFL, podemos estar diante desse momento. 

Tá tudo muito quieto em termos de trocas. Fora a gigante cortina de fumaça/possibilidade real de que o Arizona Cardinals escolha o quarterback Kyler Murray na primeira escolha geral e, por tabela, troque Josh Rosen para algum time carente na posição, pouco se fala sobre. Mas a verdade é que, justamente por tudo estar quieto que a possibilidade é maior. Dois anos atrás, em 2017, ninguém poderia imaginar que o Chicago Bears subiria uma escolha e pegasse Mitchell Trubisky – isso não vazou em lugar algum e fomos pegos de surpresa na noite do recrutamento. 

No caso do Draft, é justamente quanto tudo está quieto que esse tipo de coisa pode acontecer com maior frequência. Neste momento, são apenas suposições minhas, mas há ingredientes mais do que suficientes para imaginarmos que haverá times subindo e descendo. Antes de mais nada, um pouco de lógica da coisa. Para subir no Draft você tem que dar munição – ou seja, mais escolhas abaixo daquela que quer. Para descer, acaba acontecendo o contrário: você ganha mais escolhas para compensar ter descido na ordem. 

Eis a ordem da primeira rodada, aliás:

1) Arizona Cardinals

2) San Francisco 49ers

3) New York Jets

4) Oakland Raiders

5) Tampa Bay Buccaneers

6) New York Giants

7) Jacksonville Jaguars

8) Detroit Lions

9) Buffalo Bills

10) Denver Broncos

11) Cincinnati Bengals

12) Green Bay Packers

13) Miami Dolphins

14) Atlanta Falcons

15) Washington Redskins

16) Carolina Panthers

17) New York Giants (via Cleveland na troca por Odell)

18) Minnesota Vikings

19) Tennessee Titans

20) Pittsburgh Steelers

21) Seattle Seahawks

22) Baltimore Ravens

23) Houston Texans

24) Oakland Raiders (via Chicago na troca por Khalil Mack)

25) Philadelphia Eagles

26) Indianapolis Colts

27) Oakland Raiders (via Dallas na troca por Amari Cooper)

28) Los Angeles Chargers

29) Kansas City Chiefs

30) Green Bay Packers (via New Orleans Saints na troca que fizeram para pegar Marcus Davenport no Draft 2018)

31) Los Angeles Rams

32) New England Patriots

Alguns que podem descer e acumular escolhas

Dito isso, há alguns times que se beneficiariam de terem mais escolhas. O New York Jets, por exemplo, está com a terceira escolha geral e têm menos escolhas neste ano justamente porque subiu ano passado para poder pegar o quarterback Sam Darnold. Assim, considerando que o time precisa de reforços e com Nick Bosa escolhido antes por Cardinals/49ers, compensaria ter mais escolhas para "ter mais dardos para jogar no alvo", por assim dizer. Não é como se houvesse uma unanimidade na #3 fora, talvez, Quinnen Williams – e há de se considerar que os Jets já têm um jogador na posição, Leonard Williams, conquanto seu contrato acaba em 2019. 

Outro time que pode descer é o Tampa Bay Buccaneers. Aqui, passa por uma situação parecida à dos Jets: há muitos buracos no time e nenhum jogador realmente fora da curva para se pensarmos que Williams e Bosa saem antes da escolha de Tampa Bay. Sobraria Devin White, linebacker de LSU que faria sentido no time após a saída de Kwon Alexander para os 49ers na free agency. Aqui, porém, vem o pulo do gato: Dwayne Haskins, meu quarterback #1 dessa classe, ainda deve estar disponível. Os Buccaneers poderiam trocar com alguém apaixonado por ele – e que esteja com medo que na #6 os Giants escolham Haskins. Tampa Bay poderia capitalizar em cima disso – oferta escassa e demanda desesperada costuma resultar em preço alto. Ou melhor: em mais escolhas vindas na troca. 

Ainda no top 10, também por motivos semelhantes aos acima, o Detroit Lions e o Jacksonville Jaguars podem acabar descendo no Draft para acumular escolhas caso não estejam apaixonados por nenhum prospecto em especial – o que é bem possível. Na parte final do recrutamento, o Seattle Seahawks pode descer também, como já lhe é tradicional. 

Alguns que podem subir

Neste momento, creio que o principal candidato a subir seja o Cincinnati Bengals. Embora não tenha havido visita oficial (até o fechamento desta matéria) de Dwayne Haskins ao CT dos Bengals, faria sentido. Andy Dalton está no crepúsculo da sua carreira e a janela de títulos do time já fechou – a equipe é forte candidata a último lugar de sua divisão. O time poderia subir para a #5 de Tampa Bay e escolher o produto de Ohio State. 

Outra equipe candidata a subir é o Green Bay Packers. O time tem duas escolhas na primeira rodada e, caso Ed Oliver ou outro bom prospecto defensivo esteja "caindo" como Derwin James ano passado, diria que é pra lá de provável que o time suba para pegá-lo. 

É mais difícil prever outras equipes subindo porque o Draft opera-se como um grande efeito borboleta que dura três horas numa quinta-feira à noite. Se Kyler Murray não for escolhido pelo Arizona Cardinals, o Oakland Raiders pode acabar querendo subir para a #2 do San Francisco 49ers para pegá-lo, por exemplo. Munição nos Raiders, não falta – são três escolhas na primeira rodada, vale lembrar. 

As trocas de longe são o elemento que mais gera interesse e empolgação na noite do Draft. É o que mais chega próximo de um grande jogo de poker entre general managers da NFL. Ainda, além de avaliarmos os prospectos, gera aquela questão de saber se a troca valeu a pena ou não. 

O Draft da NFL terá transmissão da ESPN e do Watch ESPN para o Brasil a partir das 20h, com Abre o Jogo. A primeira rodada acontece na quinta, 25 de abril. 

Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no Instagram em @AntonyCurti, sempre postarei em ambos muito conteúdo sobre a NFL. 

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MLB The Show 19: Vale a pena comprar?

Antony Curti
Antony Curti
MLB The Show 19 tem Bryce Harper como capa e destaque do Philadelphia Phillies
MLB The Show 19 tem Bryce Harper como capa e destaque do Philadelphia Phillies []

Tenho por hobby colecionar videogames antigos. Não sou muito de sair a noite ou amar gastar dinheiro em outras coisas, então que bom que é um hábito que não avacalha o bolso como outros. Seja como for, essa experiência, percebi que poucos gêneros se beneficiaram tanto da evolução gráfica do que o esportivo. 

Há alguns títulos que envelheceram mal em outros gêneros, como no caso de Goldeneye 007 (Rare, 1997, Nintendo 64) no first person shooter – mas, indiscutivelmente, os jogos esportivos são os que mais envelheceram em termos de jogabilidade e motor gráfico. Normal: no caso de games de plataforma como Mario, Sonic e outros tantos, o mundo poderia ser criado de acordo com os parâmetros que os desenvolvedores bem imaginassem. No caso de esportes, as limitações da tecnologia acabavam sendo uma barra que impedia que uma simulação realmente enganasse nosso cérebro. A realidade era difícil de imitar com um chip de 8, 16 ou 64 bits. 

Há exemplos nos quais a jogabilidade "salva". NBA Jam (Midway, 1993, Arcades), Ken Griffey Jr. Presents Major League Baseball (Nintendo, 1994, Super Nintendo) e Tecmo Bowl (Tecmo, 1989, NES) são alguns dos bons casos. No último mês joguei todos esses, para citar alguns. A maioria, porém, fica no passado. Pegar um FIFA 97 para jogar de boa é algo meio que impensável para mim hoje. O jogo é... Travado, para não dizer outra coisa. 

Nesse sentido de se beneficiar da evolução gráfica na indústria, há a analogia da faca de dois gumes. A exemplo de alguns first person shooters, os jogos de esporte são lançados em edições anuais que fazem o consumidor pensar: vale a pena comprar a versão 2019 se eu comprei a versão 2018 e parece que pouca coisa mudou além de uma atualização de elencos? 

No caso de MLB The Show 19, a pergunta é difícil de ser respondida. Graficamente, o jogo não é tão diferente do que versões anteriores. A jogabilidade mudou o suficiente? Afinal, vale a pena comprar?

Defesa mais realista

Segundo os desenvolvedores, o grande "tchan" na versão deste ano do game é o fato do fielding (defesa) estar mais realista do que em outros anos. De fato, era um tanto quanto frustrante que os jogadores defensivos agissem de modo robótico e praticamente imune a erros. Não parecia haver muita diferença na habilidade de um para outro. Jason Heyward, do Chicago Cubs, não era um defensor externo tão melhor do que Kyle Schwarber, também dos Cubs. Fora a velocidade diferente entre eles, não havia tanta diferença nítida. Agora há. 

No que tange às rebatidas – talvez o aspecto mais "terapêutico" de se jogar um game de beisebol – elas estão mais divertidas em relação ao ano passado. Não sei dizer se é um "placebo" pelo "Novo é Sempre Melhor" digno de Barney Stinson em How i Met Your Mother, mas percebi que está ligeiramente mais fácil de se fazer um bom contato em relação a anos anteriores. Em termos de jogabilidade, as novidades terminam aqui. Pode ser algo bom ou ruim dizer isso, mas a verdade é que as edições anteriores já tinham evoluído muito no quesito. 

Melhor modo carreira dos games de esporte?

É páreo duro com o modo carreira do NBA 2k, mas a meu ver, sim. O beisebol é um enorme RPG esportivo – não por acaso os japoneses amam ambos – e o modo Road to The Show replica um RPG como poucos modos-carreira poderiam. A novidade deste ano se dá na possibilidade de maximizar todos seus status a 99 (não era possível na edição 18) e as "personalidades" que você pode dar a seu jogador. Como qualquer papel (role, em inglês), há pontos positivos e negativos. Você pode ser um líder na equipe, a là Derek Jeter, e melhorar o status de companheiros – ou ser um lobo solitário e maximizar as próprias habilidades. São 4 personalidades possíveis: o Capitão (Captain), o Raio (Lightning Rod), o Coração (Heart and Soul) e o Lobo Solitário (Maverick). 

Dependendo do arquétipo que você escolher, há pontos positivos e negativos
Dependendo do arquétipo que você escolher, há pontos positivos e negativos []

Além da personalidade, os arquétipos por posição retornam após boa aceitação da comunidade em 2018. Também com perdas e ganhos de acordo com sua escolha. Por exemplo: se você escolher jogar como um segunda base que tem como arquétipo as rebatidas de contato e a velocidade, será mais difícil maximizar rebatidas de força.  No caso do exemplo da foto acima, que tem Aaron Judge como "espelho" do mundo real, você tem força no bastão mas em contrapartida menos habilidade no contato com a bola e menos velocidade do que o desejável. 

Para melhorar os atributos, além do básico "jogar bem", há duas novas possibilidades. A primeira são desafios que você topa e que multiplicam os pontos ganhos ao fazer coisas boas. Por exemplo: dois homens em posição de anotar corrida. Quando você estiver no bastão, vai aparecer a possibilidade de ganhar 150% de pontos caso você consiga impulsionar duas corridas. Ainda, a SIE San Diego incluiu minigames que há muito tinham sumido de jogos esportivos. Se você se lembra bem, eles eram figurinhas carimbadas no meio da década passada, especialmente em jogos da EA Sports. Agora voltaram e são adições interessantes – como supino para melhorar a força de seu jogador e assim em diante. 

Respondendo à pergunta, para mim este é o melhor modo carreira dos jogos esportivos. Longshot de Madden e The Journey de FIFA são bem roteirizados e tal, mas pecam justamente por não permitir a criação de uma saga própria ao jogador. Em termos de NBA 2k, eu nem vou entrar no mérito das microtransações "pay to win" porque isso me enoja. Então, por padrão, o Road to the Show sai na frente ao oferecer o melhor de todos os mundos. Além, claro, da própria estrutura do beisebol. Imagine começar num time da terceira divisão do Campeonato Brasileiro até chegar ao estrelato – é mais ou menos isso que rola, necessariamente, em todo save que você começa neste modo por conta da natureza do beisebol, na qual um draftado começa de baixo na Double A (que é, grosso modo, equivalente à terceira divisão no futebol).  

Modo Franchise praticamente sem alterações – novo modo "March to October" aparece

Enquanto o modo Franchise não ganhou nenhuma adição, a SIE San Diego criou o modo "March to October" – que pode ser traduzido como "Marcha para Outubro" mas que também é um trocadilho com os meses que iniciam e encerram a temporada, março e outubro. Você escolhe um time e boom, só entra em ação em momentos-chave de uma temporada de 162 jogos. Dá para terminar uma temporada entre 10 e 15 horas, pelas minhas contas nos últimos dias. Bem menos do que os meses que levei para terminar um franchise mode completo ao jogar todas as partidas da temporada regular. 

A grande crítica da comunidade é que o modo franchise não tem novidades. Ah, mas já fizeram muito! Não, ainda faltam algumas coisas presentes nos pares NBA 2k e Madden, como realocação. Se eu quiser mover o Tampa Bay Rays para Monterrey ou Montreal, por exemplo, vou ter que esperar um novo MLB The Show, porque neste ainda não pode. Outros aspectos administrativos de uma franquia que estão presentes no Madden – como construir um estádio novo – ainda não aparecem aqui. Já deveriam aparecer, dado que em 2004 eram presentes em MVP Baseball, da EA Sports. 

O foco parece ser Diamond Dynasty, versão Ultimate Team, da EA, no MLB The Show. Eu, particularmente, não sou tão fã – é praticamente inviável jogar online aqui no Brasil se não for um jogo com servidor local. Não é o caso do The Show, nem do Madden e nem do NBA 2K. Então, lamento e passo longe. 

Leia também: 
Palpites MLB: Campeões de Divisões e Prêmios de Temporada
Temporada 2019 da MLB: 4 Favoritos e os Desafiantes ao título

Veredito: vale a pena?

Sendo sincero, se você já tem a versão 2018, vale a pena em três casos:

 a) Se você é um completo fanático por beisebol e precisa muito ver Fernando Tatis Jr brilhando ao lado de Manny Machado no San Diego Padres e quer ver Bryce Harper (o jogador na capa do jogo, aliás) no uniforme dos Phillies;

b) Se você faz muita questão da jogabilidade melhorada quanto ao fielding (defesa)

c) Se você gosta muito do modo carreira com apenas um jogador – como disse, as melhorias são interessantes e gosto de ser um "captain" como faço quando jogo basquete com meus amigos

Agora, se você não tem a versão 2018 ou nenhuma anterior, vale a pena dar uma chance. É possível dizer que, salvo as perfumarias que disse no modo franchise, MLB The Show 19 é o melhor jogo de beisebol já produzido. É difícil dizer isso de maneira enfática para outros gêneros. The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Switch) é melhor que Ocarina of Time (Nintendo 64)? Dá uma boa discussão. No caso de jogos esportivos, vivemos a melhor era de todos os tempos e, sinceramente, não há discussão. Se você quer uma simulação que chegue perto da realidade e que ao mesmo tempo te ensine os nuances do beisebol, não haverá jogo melhor. 

PS: A propósito, farei lives do The Show 19 em meu canal do YouTube. Clique aqui para se inscrever.

***

A temporada da Major League Baseball nos canais ESPN e no Watch ESPN já começou. Acompanhe a tabela de jogos em espn.com.br/programação – e siga-me no twitter em @CurtiAntony e no Instagram em @AntonyCurti, sempre postarei lá as transmissões da semana.

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Palpites MLB: Campeões de Divisões e Prêmios de Temporada

Antony Curti
Antony Curti

Kershaw é o líder dos Dodgers na busca pelo tricampeonato da Liga Nacional
Kershaw é o líder dos Dodgers na busca pelo tricampeonato da Liga Nacional Getty

A marcha para outubro já começou. Lesões, home runs, jogos formidáveis e narrativas se desenrolando pouco a pouco até que o verão chegue nos Estados Unidos e, com as primeira folhas caindo no outono, o novo campeão seja determinado na World Series. 

Em uma temporada longa, de 162 jogos, parece quase impossível termos alguma certeza de qualquer coisa. Parece que são muitas coisas que podem acontecer pelo caminho – tal como um livro, conforme brinquei no texto que separa os times da MLB por "prateleiras" para a temporada 2019. A coisa mais louca de tudo é que... Não, não é bem assim. Mesmo numa temporada com tantos jogos, é possível ter algumas certezas. Uma delas é que Boston Red SoxNew York Yankees e Houston Astros são os grandes favoritos desta temporada – a exemplo do que aconteceu no ano passado. 

Sendo assim, vamos aos palpites. É meio que tradição como texto "introdutório" de temporadas e não poderíamos deixar passar aqui no blog. É a segunda parte da minha prévia de 2019 para a temporada. Como "chorinho" no final do artigo, coloco palpites para os prêmios do beisebol e para a World Series – aí sem justificar muito, porque poucas coisas são mais palpite que isso.

Aaron Judge, do New York Yankees
Aaron Judge, do New York Yankees Getty

Liga Americana 


Divisão Leste: New York Yankees 

Tudo o que podia dar certo com os Red Sox deu e tudo o que podia dar errado com os Yankees, bem, também deu. No saldo de aquisições e perdas da última intertemporada, vejo os Yankees mais fortes do que ano passado e os Red Sox ligeiramente mais fracos – o bullpen preocupa após a não-renovação de Craig Kimbrel. Os Yankees foram completamente assolados por lesões durante toda a temporada e isso não costuma se repetir, estaticamente falando, em dois anos seguidos. 

Nesse sentido do "tudo o que podia dar errado/certo", a regressão à média costuma ser eficiente para prever o futuro no beisebol. Seja como for, não há palpite errado aqui: ambos os times devem brigar pela divisão jogo a jogo e as 18 partidas entre Boston e Nova York têm tudo para serem fantásticas. 

Divisão Central: Cleveland Indians

A melhor rotação da Liga Americana, a meu ver. Claro que o bullpen perdeu nomes e Francisco Lindor, o melhor no bastão pelo time, começa a temporada machucado – mas a divisão central da Liga Americana é o equivalente à AFC East da NFL. É uma das barbadas já há algum tempo. O que pode complicar aqui para os Indians é se o Minnesota Twins tiver uma temporada fantástica com Byron Buxton e Miguel Sanó desencantando e se contratarem Dallas Keuchel para reforçar a rotação de arremessadores. Seja como for, é bem difícil que esse título fique fora de Cleveland, que deve dominar suas séries contra ChicagoKansas  City e Detroit  – e só aí temos 54 jogos dos quais uns 45 são bem ganháveis.

Divisão Oeste: Houston Astros

Se com todos os problemas do ano passado esse time chegou na marca das 100 vitórias, é esperado que o mesmo aconteça neste ano. Sim, eu sei que a rotação perdeu nomes como Charlie Morton (Rays), Lance McCullers (fora da temporada por lesão) e Dallas Keuchel (Free Agency), mas ainda tem aquele monte de arremessador que os Astros tiram do nada e que lançam na casa das 97 mph e mais uma esperança de que Gerrit Cole tenha uma temporada excelente. Ainda, o ataque foi reforçado e tá tudo bem nesse sentido, com a expectativa que Carlos Correa não jogar mal como na reta final da temporada. São meu palpite para a World Series, aliás. 

Wild Cards: Boston Red Sox/Los Angeles Angels

Com mais times "tankando" na AL West (Rangers/Mariners), acredito que o maior beneficiado deva ser o Los Angeles Angels de Shohei Ohtani e Mike Trout. Claro, a rotação ainda preocupa, mas creio que uma temporada saudável de Ohtani seja o gás que o time precise para finalmente poder dar uma vitória em playoff para Trout em sua gloriosa carreira. Epa. Talvez não. O segundo Wild Card da AL deve jogar fora de casa contra o time "que sobrar" na briga da Divisão Leste. Ou seja: Yankees ou Red Sox. Aí complica. Nesta minha visão, seria Boston por conta dos motivos que já ilustrei acima – devemos ter Red Sox/Yankees de novo na ALDS ou Red Sox/Astros como em 2016. 

Mike Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Mike Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

Liga Nacional 


Divisão Leste: Washington Nationals

Ta aí uma das previsões mais difíceis de serem feitas nos esportes americanos. De toda forma, uma hora tem que dar certo em Washington, né? A equipe conta com a melhor rotação de arremessadores da divisão – reforçada pelo canhoto Patrick Corbin na free agency. Ainda, mesmo com a saída de Bryce Harper, há inúmeros talentos no time. O destaque vai para o jovem Juan Soto, que pode muito bem ser eleito o MVP da Liga Nacional. BravesMets e Phillies estão na briga, óbvio. Mas meu desempate, pensando em Liga Nacional, vai para a rotação. 

PS: A ver se o bullpen dos Nationals não vai desmontar. 

Divisão Central: St. Louis Cardinals

Excelentes reforços vieram para um time cuja "camisa pesa" no beisebol. Eu sei que é um argumento muitas vezes piegas para muitos esportes, mas acredito de coração que no beisebol ele seja válido. Os Cardinals têm em Paul Goldschmidt sua grande adição de intertemporada e, bem, ele já mostrou num home run durante o Opening Day do que é capaz. A presença de Andrew Miller, também recém-chegado, no bullpen pode ser pra lá de interessante. Bullpen esse que conta com Jordan Hicks, o arremessador mais potente da MLB desde a temporada passada. Os Cardinals tiveram uma temporada além do esperado no ano passado e se "recarregaram" para esta temporada. Têm tudo para voltar ao topo, mesmo que a divisão tenha times fortes como o Milwalkee Brewers e o Chicago Cubs

Divisão Oeste: Los Angeles Dodgers

A versão "Divisão Central da Liga Americana" na Liga Nacional é esta: o oeste. O Los Angeles Dodgers é o grande favorito para o título da NL e isso se deve, também, a estar presente numa divisão mais fraca que as outras duas. São 18 jogos contra Arizona Diamondbacks e San Francisco Giants, duas equipes que perderam força em relação a anos anteriores. O elenco dos Dodgers é fantástico e completo – talvez o mais completo da Liga Nacional. A rotação tem desde Clayton Kershaw até a boa surpresa Walker Buehler. No bastão, nomes como Justin Turner e Corey Seager, de volta após perder 2018, formam o lineup que deve dominar a NL West. 

Leia também: Temporada 2019 da MLB: 4 Favoritos e os Desafiantes ao título

Wild Cards: Philadelphia Phillies e Chicago Cubs

Qualquer time que você colocar aqui da Divisão Central ou Leste é um palpite plausível. Coloquei os Phillies pelos reforços no ataque – Bryce Harper notoriamente, mas também J.T. Realmuto e Andrew McCutchen. Ainda, os Cubs porque não é possível que um time campeão há tão pouco tempo e cuja base retorna desse título não vá ao menos ao Wild Card. No caso dos Phillies, a rotação além de Arrieta/Nola preocupa, bem como o bullpen. No caso dos Cubs, a rotação como um todo – bem como sua longevidade e, por que não dizer, idade. 

Atlanta Braves e New York Mets também são dois bons palpites aqui, vale lembrar. 

Pra arredondar, uma imagem bonitona com os palpites e mais a World Series.

[]

Melhor Arremessador, Liga Americana (Cy Young): Chris Sale, Boston Red Sox

Melhor Arremessador, Liga Nacional (Cy Young): Max Scherzer, Washington Nationals 
MVP, Liga Americana: Mike Trout, Los Angeles Angels
MVP, Liga Nacional: Paul Goldschmidt, St. Louis Cardinals
Calouro do Ano, Liga Americana: Vlad Guerrero Jr, Toronto Blue Jays
Calouro do Ano, Liga Nacional: Fernando Tatis Jr, San Diego Padres

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A culpa não é de LeBron James

Antony Curti
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LeBron James lamenta em jogo do Los Angeles Lakers
LeBron James lamenta em jogo do Los Angeles Lakers Getty Images

Cercado de expectativas, Poderoso Chefão III foi rodado com Al Pacino retornando no papel de Michael Corleone e Francis Ford Coppola como diretor. Se você assistiu ao primeiro e ao segundo filme da saga, sabe que o terceiro esteve longe de ser uma continuação digna. Não me entenda errado: não chega a ser um filme ruim. É, apenas, um filme aquém se comparado aos pares da trilogia. 

A temporada 2018-2019 do Los Angeles Lakers de LeBron James, considerada por muitos a potencial "sucessora" do Showtime Lakers de Magic Johnson e da Era Kobe/Shaq, virou um grande Poderoso Chefão III. Os ingredientes pareciam estar lá. Mas a execução esteve longe de ser a esperada pela torcida, fazendo com que a seca de pós-temporada siga no lado amarelo e roxo de Los Angeles. 

Houve presságios. Um primeiro calafrio pareceu vir quando os Lakers não conseguiram assinar com Paul George, cuja decisão foi de ficar em Oklahoma City ao lado de Russell Westbrook.  O segundo presságio do problema veio no momento que, a bem da verdade, nunca houve 4 nomes certos no quinteto titular além de James. 

Nesse ponto, é difícil encontrar – ou mesmo procurar – culpados. Naturalmente, as luzes são sempre mais fortes quando falamos de LeBron. Mas seria ele culpado ou vítima? Nenhum dos dois. Numa era na qual a ficção se prende mais a personalidades "cinzas" no que tange a vilões e heróis, não vejo necessariamente um vilão ou um herói em Los Angeles. Até se machucar no natal contra o Golden State Warriors, LeBron saiu de quadra "entregando" um time competitivo na tabela do oeste. O FiveThirtyEight, site irmão ao nosso, listava a equipe com 71% de chance de playoff no dia 22 de dezembro.Foi a última boa brisa que soprou no lado amarelo do Staples Center. 

A analogia hollywoodiana segue na medida em que, pela montagem do elenco, os Lakers viraram um Titanic. A densa camada de aço chamada LeBron James impediu que a água entrasse para dentro do casco, mas no momento em que ele cedeu a lesão, tudo ruiu. Se você duvida, veja as estatísticas de Los Angeles antes e depois desse marco zero.

ANTES DE LEBRON MACHUCARDEPOIS DE SUA VOLTA
CAMPANHA20-148-17
PONTOS/JOGO113.2111.5
PONTOS CEDIDOS/JOGO111.0117.6


Fica claro como aquele momento foi o derradeiro para que a temporada começasse a ver seu fim. Na analogia, é o Titanic acertando o ice berg. Na sequência, acabou expondo todos os problemas que a maquiagem lebronesca impedia que pudéssemos ver a olho nu – notoriamente a defesa desorganizada que foi "montada" por Luke Walton.  Ainda, numa era na qual os três pontos são cada vez mais importantes, o elenco dos Lakers nunca teve um real chutador de alcance maior. A equipe teve a segunda pior média de aproveitamento nos três pontos nesta temporada – apenas os Suns foram melhores. No ano passado? A mesma coisa. É a pior porcentagem na linha dos 3 de um time lebrônico desde os Cavaliers de 2004-2005. Coincidência ou não, a última vez na qual LeBron James não foi para os playoffs.

Depois da lesão, veio o momento em que os Lakers não conseguiram trocar por Anthony Davis. Para complicar o clima, boa parte dos jovens do elenco foram incluídos no "pacotão" da troca que eventualmente não aconteceu. Los Angeles saiu perdendo mesmo sequer havendo uma negociação, dado que não haveria muito clima para continuar após o vazamento da proposta para os Pelicans. 

As lesões de Brandon Ingram e Lonzo Ball foram apenas os últimos pregos no caixão e os Lakers seguiram, jogo a jogo, rumo a não-pós-temporada.  Antes de Lonzo sair do time – goste você dele ou não – o ESPN Stats and Info listava os Lakers como sétimo melhor time em eficiência defensiva. Após sua saída, caíram para 30º. Ou melhor, último.  Sequer consistência do quinteto houve em Los Angeles. Kyle Kuzma, Javale McGee, LeBron James, Brandon Ingram e Lonzo Ball dividiram juntos a quadra em apenas 18 jogos. 

LeBron fez sua parte?


Muito se falou e se falará sobre isso, mas a meu ver, sim.  A média de pontos/assistências e rebotes combinados por parte do camisa 23 ficou em 44, a melhor de um Laker desde Kobe Bryant em 2005-2006. Ainda, LeBron termina a temporada – já que a diretoria anunciou que ele não joga mais em 2018-2019  – com oito triplos-duplos, melhor marca de um Laker desde Magic Johnson com 13 em 1990-1991. 

Há pontos de interrogação sobre James, como sua velocidade neste momento da carreira ou o fato dele ter perdido uma sequência grande de jogos por lesão quando isso nunca tinha acontecido. Mas a verdade é que os Lakers não tinham um Kevin Durant ou coisa do gênero além da camisa 23 em quadra e isso ficou exposto quando James saiu por lesão. Claro, Kuzma e Ingram não foram mal. Mas não era o suficiente. Aí, uma bola de neve virou avalanche. Dentro de quadra, as perdas de Ingram e Ball. Fora, a moral do time abalada pelo fato do elenco parecer (e era) "descartável" por uma chegada potencial de Anthony Davis. 

A bem da verdade, a analogia com Poderoso Chefão III funciona até nisso. No filme, não temos a presença de Robert Duvall como Tom Hagen, o conselheiro da família Corleone. Duvall não teria entrado em acordo com a produção do filme quando ao seu cachê. O filme não é abaixo da média da série por conta de Michael Corleone/Al Pacino, ele faz sua parte. Os Lakers não foram abaixo da média por conta de LeBron James. Só que, numa era na qual é quase impossível vencer na NBA sem que haja pelo menos duas estrelas, faltou alguém para LeBron contracenar junto.

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A culpa não é de LeBron James

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