Boston tem chance de repetir feito de 80 anos atrás: ser campeã de três ligas ao mesmo tempo

Ubiratan Leal
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Bruins
Bruins Getty

“Cidade dos Campeões.”

Várias cidades americanas já se deram esse título, ou receberam de presente do jornal local, quando enfileirou uma sequência de conquistas nas grandes ligas esportivas da América do Norte. A mais recente foi Pittsburgh, quando Penguins e Steelers passaram por bons momentos e levantaram muitos troféus em sequência. Agora é o momento de Boston, que levou a temporada mais recente da MLB e da NFL. Uma fase que pode ser reforçada nesta quarta (12) se os Bruins vencerem o St. Louis Blues e levarem a Stanley Cup.

Boston é a dona da World Series e da NFL, com as conquistas de Red Sox e Patriots entre outubro de 2018 e fevereiro deste ano. Se levar a NHL, teria o título de três das quatro grandes ligas norte-americanas ao mesmo tempo. E, como o Toronto Raptors não fechou a série decisiva da NBA nesta segunda contra o Golden State Warriors, seria o terceiro título seguido de Boston. Feito raro, mas não inédito.

Ter dois títulos ao mesmo tempo não é algo particularmente raro. Nos moldes atuais, isso se tornou possível em 1927, com a criação da NHL. No ano seguinte, os nova-iorquinos comemoraram em dose dupla, com os Rangers no hóquei no gelo e os Yankees no beisebol.

Desde então, Nova York (1938-39, 56-57, 69-70 e 2000), Chicago (1934), Detroit (1954), Baltimore (1970-71), Pittsburgh (1979 e 2009), Los Angeles (1981-82, 1988 e 2002), São Francisco/Oakland (1989-90) e Boston (2004 e 2007-08) tiveram duas franquias campeãs ao mesmo tempo. Mas três títulos é algo bastante raro. Boston esteve perto na década passada. Os Red Sox venceram a World Series de 2007 e os Celtics ficaram com o título da NBA em 2008. Faltou uma taça entre as duas, e poderia ser a dos Patriots no Super Bowl. Mas o New York Giants e a recepção de capacete de David Tyree não permitiu.

Desse modo, três título ficaram na mesma cidade apenas uma vez*. O esporte fechou 1935 com o título do Detroit Tigers na MLB e do Detroit Lions em uma NFL pré-Super Bowl. O ano seguinte, o primeiro título foi o da NHL, vencido pelo… Detroit Red Wings. Como não existia NBA na época, essa sequência só terminou na World Series de 1936, conquistada pelo New York Yankees.

O feito foi bastante celebrado na época. Detroit recebeu o apelido de “Cidade dos Campeões” e o jornal Windsor Daily Star chamou “a mais incrível varrida de feitos esportivos já creditada a uma única cidade”. A onda positiva contava ainda com a ascensão de Joe Louis, criado na região, no ranking mundial de pesos pesados -- se tornaria campeão em 1937 -- e até de ligas menores.

Frank Fitzgerald, governador do estado de Michigan, decretou que 18 de abril, uma semana após a conquista do título dos Red Wings, seria o Dia dos Campeões. Vários eventos foram realizados na cidade, que até hoje carrega a condição de “Cidade dos Campeões” original.

*Nova York também conquistou três títulos seguidos, entre 1932 e 33. No entanto, não existiam a NBA e a NFL na época. Assim, as conquistas em sequência foram em duas ligas, com os Yankees na MLB em 1932, os Rangers na NHL e os Yankees novamente na MLB em 1933. Foram três títulos seguidos, mas jamais a cidade teve três times campeões ao mesmo tempo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Boston tem chance de repetir feito de 80 anos atrás: ser campeã de três ligas ao mesmo tempo

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Qual a cidade mais vitoriosa dos esportes americanos? Com título dos Raptors, Toronto surpreende

Ubiratan Leal
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Um dos primeiros textos que fiz nesse blog foi um ranking com as cidades mais vitoriosas das principais ligas norte-americanas (veja aqui). Na verdade, não foi um ranking, mas quatro. Afinal, medir o sucesso esportivo de cada região metropolitana é mais difícil do que parece. Vários recortes são possíveis, e cada um pode considerar um critério mais válido que outro.

A versão original do levantamento foi feita em dezembro de 2018. Desde então, três troféus foram levantados (NFL, NHL e NBA) e já dá para fazer uma atualização. Até porque, em um dos critérios, houve mudança na primeira posição. Tudo por conta da vitória do Toronto Raptors sobre o Golden State Warriors.

Veja os dados abaixo. Não há verdade absoluta, são apenas quatro possibilidades para cada um ver qual considera a mais adequada e usar isso para conversar com os amigos. Ah, e não esqueça de olhar as observações no final da página, explicando alguns dos critérios.

Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien
Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien GETTY

RANKING 1

Esse é o mais simples: somar os títulos das cinco ligas. Soma direta, sem rodeios.

1) Nova York - 58
2) Boston - 39
3) Chicago - 30
4) Los Angeles - 27
5) Montreal - 26
6) Detroit - 22
7) São Francisco/Bay Area - 20
8) Filadélfia e Toronto - 17
10) Pittsburgh - 16
11) St. Louis - 14
12) Green Bay - 13
13) Washington - 12
14) Baltimore e Cleveland - 9
16) Minneapolis - 8
17) Dallas, Houston e Miami - 7
20) Denver - 6
21) Cincinnati, Edmonton, Kansas City e San Antonio - 5
25) Ottawa e Seattle - 4
27) Atlanta, Buffalo, Canton, Milwaukee, Portland e Tampa - 2
33) Akron, Calgary, Columbus, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Providence, Raleigh, Rochester, Salt Lake City, San Diego e Syracuse - 1

RANKING 2 (apenas século 21)

Kobe Bryant foi o grande nome dos Lakers multicampeões da década de 2000
Kobe Bryant foi o grande nome dos Lakers multicampeões da década de 2000 ESPN

Muito torcedor - sobretudo no Brasil - não se importa muito se um time X ou Y foi campeão em 1915 ou em 1937. O que vale é o agora, é o período em que o esporte americano entrou no dia a dia do brasileiro. Para esses, os resultados recentes contam mais na hora de escolher um time para torcer ou para ver se a escolha já feita foi boa. Para facilitar o recorte, peguei os títulos deste século (desde 2001).

1) Los Angeles e Boston - 12
3) São Francisco/Bay Area - 8
4) Chicago, Pittsburgh e San Antonio - 5
7) Miami e Nova York - 4
9) Denver, Detroit, Houston e St. Louis - 3
12) Baltimore, Filadélfia, Kansas City, Seattle, Tampa, Toronto e Washington - 2
20) Atlanta, Cleveland, Columbus, Dallas, Green Bay, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Raleigh e Salt Lake City - 1

RANKING 3 (sem MLS)

Só as quatro ligas mais tradicionais, sem contar a MLS. Los Angeles e Washington não gostam muito dessa versão.

1) Nova York - 58
2) Boston - 39
3) Chicago - 26
4) Montreal - 26
5) Detroit e Los Angeles - 22
7) São Francisco/Bay Area - 18
8) Filadélfia - 17
9) Pittsburgh e Toronto - 16
10) St. Louis - 14
11) Green Bay - 13
13) Baltimore e Cleveland - 9
15) Minneapolis e Washington - 8
17) Dallas e Miami - 7
19) Cincinnati, Denver, Edmonton, Houston e San Antonio - 5
24) Ottawa - 4
25) Kansas City e Seattle - 3
27) Buffalo, Canton, Milwaukee e Tampa - 2
33) Akron, Atlanta, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Providence, Raleigh, Rochester, San Diego e Syracuse - 1

RANKING 4 (títulos / temporadas disputadas)

Jogadores do New England Patriots comemoram touchdown sobre o Oakland Raiders
Jogadores do New England Patriots comemoram touchdown sobre o Oakland Raiders Getty Images


Esse é o mais complicado. O ranking absoluto (o número 1) acaba dando muita força a cidades que tiveram franquias dominantes nas primeiras décadas da MLB, da NHL e da NFL pré-Super Bowl. Cidades de desenvolvimento econômico mais recentes acabam prejudicadas por terem criado times profissionais há menos tempo.

Por isso, montei um ranking que balanceia títulos conquistados com temporadas disputadas pelas equipes, incluindo as franquias já extintas. Assim, cidades que têm clubes há mais tempo ou que têm mais de um clube terão mais chance de levantar o troféu, mas também terão mais oportunidades de frustrar suas torcidas.

Um problema dessa lista é favorecer cidades que têm poucos times, mas vitoriosos (casos claros de Green Bay, Montreal, Edmonton e San Antonio). Assim, restringi apenas a mercados campeões em mais de uma liga ou com ao menos 180 temporadas disputadas na soma de suas equipes.

Admito que esta é minha lista preferida, a que parece mais justa. O número que aparece é o de temporadas disputadas na soma dos times para cada título conquistado. Ou seja, se uma cidade tem um time em cada uma das cinco ligas e está com o índice de 10, isso significa que ela conquista em média um título a cada dois anos.

Essa lista teve mudança na liderança em relação à edição anterior. Boston levou o título com o New England Patriots e Toronto com os Raptors, mas, na proporção, a cidade canadense acabou passando a norte-americana. Curiosamente, se os Bruins tivessem vencido o jogo 7 da final da Stanley Cup, Boston seguiria na primeira posição com vantagem de 0,005.

1) Toronto - 10,71
2) Boston - 10,97
3) Nova York - 12,98
4) Baltimore - 15,22
5) Pittsburgh - 16,13
6) Detroit - 16,36
7) Los Angeles - 16,33
8) São Francisco / Bay Area - 16,65
9) Chicago - 18,17
10) Miami - 20,14
11) St. Louis - 20,71
12) Filadélfia - 22,88
13) Washington - 23,83
14) Houston - 24,71
15) Denver - 26,14
16) - Minneapolis - 27
17) - Cleveland - 28,44
18) - Dallas - 28,43
19) Portland - 29
20) - Kansas City - 32
21) Seattle - 34,25
22) Cincinnati - 37
23) Tampa - 48,5
24) Buffalo - 61,5
26) Milwaukee - 62
27) Atlanta - 90

Obs.: Se colocarmos todas as cidades, sem restrições, a primeira colocada seria Canton, com um título a cada 3 temporadas, seguida por Montreal (um a cada 6,15), Akron (7), Green Bay (7,46), Edmonton e Frankfort (8), San Antonio (8,8), Rochester (9), Providence (10) e Ottawa (10,5). Também ficaram de fora pelos critérios de corte Raleigh (21), Columbus (38), Calgary (46), Salt Lake City (59), Buffalo (61,5), Nova Orleans (75), Indianápolis (84), San Diego (116) e Phoenix (127).

OBSERVAÇÕES

1) A avaliação é por região metropolitana, não por município. Fazer uma lista por município é completamente despropositada nos esportes americanos, pois Arlington, Foxborough, Nova Jersey e Sunrise, por exemplo, só têm times profissionais por questão de sede da arena. Os públicos/mercados de suas equipes são, pela ordem, os de Dallas, Boston, Nova York e Miami. Da mesma forma, Oakland e San Jose ficam na região metropolitana da Baía de São Francisco (chamei de São Francisco/Bay Area para deixar bem claro) e Anaheim na de Los Angeles;

2) Para times que mudaram de sede, os títulos contam para a cidade em que a equipe jogava na época da conquista;

3) Para o futebol americano, foram contabilizadas as conquistas da NFL e da AFL da era pré-Super Bowl como forma de atenuar o peso das conquistas de MLB e NHL (ligas mais antigas);

4) Contam os títulos de NFL, MLB, NBA, NHL e MLS (que, em algumas cidades, já é a quarta ou terceira liga mais vista), a não ser quando houver indicação de algo diferente.

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O que representaria para o Canadá um título dos Raptors

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Era comum a Fórmula 1 ter a manchete principal do caderno de esportes do jornal nas segundas após uma corrida, mas o dia anterior teve clássico paulista, então dava para mudar a ordem de prioridade. A primeira página esportiva da Folha de São Paulo em 26 de outubro de 1992 ficou com os repórteres Ricardo González e Paulo Ricardo Calçade (soa familiar?) na cobertura da vitória de virada ao Santos sobre o Corinthians no Morumbi, 3 a 1 com triplete de Guga. Na página 2, tabelão, uma tradição. Na 3, a vitória do São Paulo prestes a se tornar campeão mundial sobre o Guarani de Edílson Capetinha. A F1 ficou só na página 4, com Flávio Gomes escrevendo sobre a vitória de Riccardo Patrese e o primeiro ponto da carreira de Christian Fittipaldi no GP do Japão. Mas, a centímetros dali, um título me chamou a atenção.

“Bluejays ganham a primeira para o Canadá”

Bem, eu lia o caderno de esportes inteirinho -- costume que mantive enquanto assinei jornal impresso -- e ver algum assunto diferente era até mais legal. E o texto de Silvio Lancellotti contava como o Toronto Bluejays (assim mesmo, tudo junto) havia conquistado o primeiro título da World Series de um time canadense. Eu já conhecia o beisebol do colégio, o professor de Educação Física dava a modalidade nas aulas, mas não era familiarizado com a MLB e seus times. E com a cabeça de torcedor de futebol que via os campeonatos divididos por países, achei curiosa a existência de um time do Canadá na liga dos Estados Unidos. Pensamento imediato:

“Devem ser um time muito alternativo. Vou torcer por eles.”

Matéria sobre beisebol
Matéria sobre beisebol reprodução

Deu certo por um tempo, precisamente um ano. Em 1993, os Blue Jays conquistaram o bicampeonato e até foi possível seguir a reta final dia a dia no esporte da Folha (já separando o nome do time). Depois disso, só frustração. O retorno aos playoffs demorou 22 anos. O título mesmo só vejo quando ligo o celular e aparece o Joe Carter comemorando o maior home run da história (atenção: essa afirmação pode conter clubismo) no fundo de tela.

Dizer que eu sofro por isso seria um mastodôntico exagero. Primeiro, porque todo torcedor de beisebol começa o ano sabendo que verá seu time perder de 70 a 100 jogos na temporada. Ser derrotado é uma rotina. Segundo, porque não sou fanático. Terceiro, porque trabalhar com um esporte o obriga a vê-lo como um todo e até a se desligar de seu time em alguns momentos. Mas o torcedor canadense de verdade não tem essa escolha. E ele sofre.

Desde a World Series dos Blue Jays em 1993, o Canadá não viu nenhuma de suas franquias conquistar uma das quatro grandes ligas norte-americanas. O título da NBA nunca atravessou a fronteira. A Stanley Cup, antes de domínio canadense, não sai dos Estados Unidos desde o Montréal Canadiens de 1992-93. E a NFL é 100% americana.

Essa seca não é ignorada. O Canadá já é ofuscado em diversas coisas pelo gigantismo econômico de seu vizinho do sul, e o esporte acaba sendo mais uma delas. As equipes canadenses sofrem para ser competitivas, tendo de enfrentar problemas como regime tributário mais rígido, eventuais perda de valor de sua moeda em relação ao dólar e até o fato de alguns jogadores preferirem não mudar de país ao se transferir de time. Ao menos, sobretudo no caso de Raptors e Blue Jays, têm a torcida de toda a nação.

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Uma vitória dos Raptors sobre o Golden State Warriors, talvez o melhor time deste século na NBA, soa improvável. Mas mesmo essa pequena possibilidade já é suficiente para o Canadá inteiro se juntar em apoio ao Toronto. Não é apenas um time, é um país inteiro que não vê um título em suas principais ligas há 26 anos. Um país que sabe que seus representantes são vistos por muitos como alternativos e que só existem -- aí excetuemos o hóquei no gelo -- por uma concessão dos poderosos americanos aos simpáticos vizinhos. Ganhar o troféu é passar por cima de tudo isso. É mostrar que uma equipe canadense até pode ser alternativa, mas não é café-com-leite.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que representaria para o Canadá um título dos Raptors

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Japão entra na disputa, e MLB talvez tenha de rever salários nas ligas menores

Ubiratan Leal
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Kyler Murray foi selecionado pelo Oakland Athletics na sexta posição geral do draft de 2018 da Major League Baseball. Chegou a assinar um contrato e a acertar o bônus (luvas), mas desistiu de tudo para seguir o sonho de jogar na NFL. O tema gerou muita discussão e até um post neste blog, mas talvez nem seja a renúncia mais importante de um jogador draftado pelo beisebol no ano passado. Porque a não-assinatura de Carter Stewart com o Atlanta Braves pode ter um impacto de médio prazo muito maior para a MLB.

Stewart foi draftado na oitava posição em 2018. Arremessador da Eau Gallie High School, da Flórida, ele receberia US$ 2 milhões como bônus de contrato e seria integrado ao sistema de ligas menores dos Braves. Tudo bem, receber US$ 2 milhões de uma vez é tentador para qualquer garoto de 19 anos. No entanto, as perspectivas de médio prazo para ele não eram tão seguras assim.

Carter Stewart, draftado pelo Atlanta Braves em 2018
Carter Stewart, draftado pelo Atlanta Braves em 2018 Getty Images

Pela sua posição no draft, claramente Stewart era visto como uma grande promessa pelo Atlanta. No entanto, ele não fugiria do sistema tradicional: ficaria algumas temporadas nas ligas menores para terminar de desenvolver seu potencial técnico e físico até receber uma chance na MLB. Nada garante, porém, que ele não explodisse tecnicamente ou não sofresse lesões no caminho, e que talvez essa chance nas grandes ligas nunca chegasse.

Essa “chance nunca chegar” é problemático. Ainda que o bônus de US$ 2 milhões seja bastante apetitoso, os anos de ligas menores não são tanto. Os jogadores recebem salários bem baixos, muitos deles perto do salário mínimo, e são obrigados a viver em repúblicas ou alugar quartos em casa de família para morar durante a temporada. Além disso, não recebem pagamento durante o período de recesso da liga, tampouco pelo tempo da pré-temporada. E a rotina é desgastante, com viagens -- algumas bem longas -- sempre de ônibus pelo interior dos Estados Unidos.

A perspectiva de esse cenário mudar em curto prazo não é grande, pois o último acordo trabalhista entre a MLB e a associação de jogadores apertou ainda mais o cinto nas ligas menores. A maioria dos jovens que estão entrando no sistema agora não tem escolha, e alguns ainda preferem ganhar mal do que ir à universidade e não ganhar nada (a bolsa de estudos tem seu valor, mas, para jovens de famílias carentes, a necessidade de dinheiro é imediata). Mas Stewart pode se dar ao luxo de escolher, pois ainda é muito novo e, principalmente, tem poder de barganha pelo fato de ser uma grande promessa.

Assim, o empresário Scott Boras intermediou uma negociação e acertou a ida de Stewart para o Fukuoka Softbank Hawks, da liga japonesa. No Japão, ele receberá US$ 7 milhões em salários por um contrato de seis anos. Ainda que ele também tenha de passar pelas ligas menores japonesas, são US$ 5 milhões -- garantidos -- a mais. Além disso, a chance de ele efetivamente chegar ao time principal é muito maior, até pelas informações que recebeu dos Hawks. Por fim, ele terá apenas 26 anos ao final do vínculo, idade ainda boa para assinar um bom contrato com a MLB.

Se o caso de Stewart for bem sucedido, pode abrir o caminho para vários jovens americanos escolherem o beisebol profissional de outro país ao invés de seguir em categorias de formação que pagam mal (ou, no caso da NCAA, não pagam) nos EUA.

Essa tendência já está presente no basquete. O caso mais midiático foi dos irmãos LaMello e LiAngelo Ball, que preferiram o basquete profissional da Lituânia ao invés de jogar no universitário americano. Mas ele também ocorreu com Terrance Ferguson, que jogou na Austrália antes de ser draftado pelo Oklahoma City Thunder, e Emmanuel Mudiay, que teve passagem pela China.

Se os casos começarem a se acumular, pode provocar uma rediscussão no sistema de formação de jogadores nas ligas menores do beisebol e no universitário do basquete e do futebol americano. Seria mais um argumento para melhorar a remuneração desses atletas em formação, pois começariam a surgir opções que não eram consideradas até pouco tempo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Trocar a MLB pela NFL já valeu a pena para Kyler Murray. Ao menos no dinheiro

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Murray em ação pelos Sooners
Murray em ação pelos Sooners Getty


Você recebeu uma oferta de emprego para fazer o que gosta. Mais que isso, lhe pagam US$ 4,9 milhões antes mesmo de você começar a trabalhar, só por aceitar a proposta. Convenhamos, não há muitos empregos que podem ser melhores que esse, mesmo se for para jogar na liga esportiva mais rica do mundo. Por isso que muitos achavam que Kyler Murray se tornaria jogador do Oakland Athletics. Dificilmente a NFL apresentaria uma proposta melhor. Mas apresentou.

Na última semana foi anunciado o acordo de Murray com o Arizona Cardinals. O ex-quarterback (e outfielder) do Oklahoma Sooners terá um contrato de quatro ano, com uma opção do time de renovar por mais um. O valor garantido -- ou seja, que o jogador receberá de qualquer forma, mesmo que seja dispensado no meio do vínculo -- é de US$ 35,16 milhões, valor que se soma aos US$ 23,6 milhões de bônus na assinatura (equivalente às luvas do futebol brasileiro).

Isso é muito mais que os A’s davam de garantia a Murray. Como defensor externo recém-saído da primeira rodada do draft, ele recebeu um bônus alto (US$ 4,9 milhões) e… só. Como ocorre com jogadores de beisebol, Murray entraria em algum nível das ligas menores, recebendo salários baixos e tendo de encarar dois ou três anos morando em repúblicas de atletas jovens e viajando de ônibus. Se conseguisse crescer na modalidade, seria promovido ao time principal, ficaria alguns anos recebendo salários medianos para, quem sabe em alguns anos, virar free-agent e ganhar um contratão.

Se esse contrato de agente livre viesse, Murray talvez recebesse mais dinheiro do que verá em toda sua carreira no futebol americano. Considerando valor total do acordo, dos 20 maiores contratos da história dos esportes americanos, 16 são da MLB e nenhum da NFL. No entanto, o ex-Sooners não tem certeza se entrará nesse grupo dos craques do beisebol. Essa resposta só chegaria em uns cinco anos, para ser otimista. Na NFL, como quarterback de primeira escolha geral do draft, ele ainda não é um craque. Mas já recebe tratamento e dinheiro como tal.

Fonte: ubiratan leal

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Trocar a MLB pela NFL já valeu a pena para Kyler Murray. Ao menos no dinheiro

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Nada é tão cardíaco quanto uma prorrogação nos playoffs da NHL

Ubiratan Leal
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Pat Maroon abraça colegas de St. Louis Blues após a vitória no Jogo 7 contra o Dallas Stars
Pat Maroon abraça colegas de St. Louis Blues após a vitória no Jogo 7 contra o Dallas Stars Getty Images

Dallas Stars e St. Louis Blues se embrenharam em um épico de quatro horas para definir quem seria o primeiro finalista da Conferência Oeste dos playoffs da NHL. Era jogo 7 e o vencedor manteria suas chances de título. O perdedor podia arrumar as malas, ir ao aeroporto e sair de férias. No final, os Blues venceram por 2 a 1, com gol na segunda prorrogação. E nada pode ser mais cardíaco que a prorrogação de um jogo de mata-mata do hóquei no gelo.

Partidas de playoffs são, por definição, emocionantes. Confronto direto para definir o destino das duas equipes, um precisa superar o outro para seguir vivo. A NHL aproveita bem isso, até porque tem a fase de mata-mata mais imprevisível das grandes ligas americanas. Nesta temporada, por exemplo, os times de pior campanha passaram em cinco dos oito confrontos. Entre as vítimas esteve o Tampa Bay Lightning, equipe com mais vitórias em uma temporada regular na história da liga.

Mas a NHL é ainda mais especial quando o duelo chega ao tempo extra. Prorrogação na NBA, na MLB e na NFL também são emocionantes, mas são diferentes. Na NBA, os dois times desenvolvem um mini-jogo em que vão tentando ter melhor situação possível para o minuto final, quando o encontro é efetivamente decidido. Na MLB, um arremesso ruim pode definir a partida a qualquer momento, mas cada time tem seu momento de atacar e, se esse arremesso ruim for do time da casa, ele ainda terá uma oportunidade de se recuperar. Na NFL, é comum o time que perde o cara ou coroa sequer tocar na bola no prolongamento.

O hóquei no gelo é o caos. É um vaivém do disco, com jogadores patinando loucamente de um lado para o outro. Os turnos ofensivos não são tão demarcados como no beisebol e no futebol americano, e o tempo extra pode ser encerrado a qualquer momento, ao contrário do basquete. Na NHL, se sai um gol, fim de papo.

E esse gol pode realmente sair de formas aleatórias, desde uma articulada troca de passes até em uma finalização sem muito sentido que dá a sorte de passar em uma fresta de menos 5 centímetros entre o goleiro e a trave. Ou, como no caso de Blues e Stars, de um puck que bate na trave e na nuca do goleiro antes de se apresentar apetitoso ao atacante do St. Louis.

O único descanso para o coração do torcedor são os pedidos de tempo e o intervalo da TV. Fora isso, há uma sensação constante de que toda a campanha do time pode ser definida em cada ataque. Algo único do hóquei na prorrogação. E isso torna os playoffs da NHL ainda mais espetaculares e imperdíveis.

Fonte: Ubiratan Leal

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[Programação] Warriors e Rockets se reencontram nos playoffs da NBA

ESPN League
ESPN League
Stephen Curry marca James Harden
Stephen Curry marca James Harden ESPN

Desde que teve início a dinastia do Golden State Warriors, apenas dois oponentes pareceram fortes o suficiente para superar os californianos: o Cleveland Cavaliers nas finais de 2015-16 e o Houston Rockets em 2017-18. O primeiro, comandado por LeBron James e Kyrie Irving, conseguiu bater os Warriors em uma virada espetacular na decisão. O segundo ficou "apenas" com a melhor campanha na temporada regular, mas caiu na final da Conferência Oeste.

Pois os texanos têm chance da revanche. Nesta semana, Houston e Golden State se encontram nas semifinais do oeste e o fã de esporte poderá conferir esse duelo nos canais ESPN a partir deste domingo. 

Além disso, a ESPN também segue na cobertura do Draft da NFL, dos playoffs da NHL e das temporadas da MLB e da LBF. Veja a programação e não perca nada.

SÁBADO, 27 DE ABRIL

NFL
13h - Draft, quarta a sétima rodadas (ESPN)

NHL (playoffs)
21h - Columbus Blue Jackets x Boston Bruins (ESPN)

E-SPORTS
20h - Madden NFL 19 Bowl (ESPN Extra)

DOMINGO, 28 DE ABRIL

NBA (playoffs)
14h - Boston Celtics x Milwaukee Bucks (ESPN)
16h30 - Houston Rockets x Golden State Warriors (ESPN)

MLB
20h - Cleveland Indians x Houston Astros (ESPN)

SEGUNDA, 29 DE ABRIL

20h - ESPN LEAGUE (ESPN)

NHL (playoffs)
21h - St. Louis Blues x Dallas Stars (ESPN)

MLB
20h - Oakland Athletics x Boston Red Sox (ESPN 2)

TERÇA, 30 DE ABRIL

NBA (playoffs)
23h30 - Jogo não definido (ESPN)

MLB
20h - St. Louis Cardinals x Washington Nationals (ESPN 2)

QUARTA, 1º DE MAIO

NHL (playoffs)
20h - New York Islanders x Carolina Hurricanes (ESPN)

MLB
21h - Houston Astros x Minnesota Twins (ESPN 2)

QUINTA, 2 DE MAIO

NHL (playoffs)
23h - San Jose Sharks x Colorado Avalanche (ESPN)

LBF
19h - Sorocaba x São Bernardo (ESPN Extra)

SEXTA, 3 DE MAIO

20h - ESPN LEAGUE (ESPN)

NBA (playoffs)
21h - Jogo não definido (ESPN)
23h30 - Jogo não definido (ESPN)

MLB
20h - Minnesota Twins x New York Yankees (ESPN 2)

A programação pode ser alterada sem aviso prévio. Para ver a programação completa, clique aqui. Última atualização: 27 de abril, 11h30.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o Dallas Cowboys descobriu o valor das escolhas no draft (e dominou a NFL)

Ubiratan Leal
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Jerry Jones, dono do Dallas Cowboys, após conquista do Vince Lombardi no Super Bowl XXX
Jerry Jones, dono do Dallas Cowboys, após conquista do Vince Lombardi no Super Bowl XXX Getty Images

Após uma campanha terrível, com apenas uma vitória em 16 jogos, o New England Patriots tinha a primeira escolha do Draft da NFL de 1991. O Dallas Cowboys estava de olho nessa posição. Assim, os texanos ofereceram a 11ª e a 41ª escolhas, além de Ron Francis, David Howard e Eugene Lockhart, pelo direito de iniciar o recrutamento e contratar Russell Maryland.

Não parou por aí. Os Cowboys fizeram várias transações envolvendo escolhas do draft e pegaram dez escolhas nas quatro primeiras rodadas em 1991 e sete em 1992. Muitos dos selecionados, como Maryland, acabaram indo ao Pro Bowl em algum momento na carreira e, principalmente, ajudaram a reformular a base do Dallas. Um time que conquistou três Super Bowls entre 1992 e 95.

A série incrível de bons negócios no draft chamou a atenção, parecia que a franquia sempre estava um passo à frente das demais, que sabia algo que os outros não sabiam. E era isso mesmo.

A história começou com Mike McCoy, amigo de Jerry Jones (dono dos Cowboys) e acionista minoritário da franquia. Ele entendia pouco de futebol americano, seu trabalho era na área de exploração de petróleo. Mas isso se mostrou fundamental.

Até aquele momento, trocas envolvendo escolhas de draft eram feitas por instinto. É óbvio que uma 12ª escolha vale mais que uma 23ª, mas uma 12ª vale mais que a soma de uma 23ª e uma 103ª? Uma primeira escolha vale mais que dois jogadores já profissionais e consolidados na liga? Quando um time ligava para outro com a proposta, o que cada um oferecia dependia basicamente do achismo dos dirigentes naquele momento.

McCoy achava que havia outro caminho. Em seu trabalho na exploração de petróleo, o empresário tinha de definir se perfuraria ou não determinados campos. Se as reservas naquele local fossem boas, o lucro era imenso. Caso contrário, os prejuízos seriam milionários. Por isso, saber como calcular riscos era vital para sobreviver.

Seguindo o mesmo princípio, ele decidiu implementar um sistema para descobrir quanto valia na prática cada escolha no draft. McCoy pediu uma lista de todas as trocas realizadas no dia do draft nos quatro anos anteriores. O empresário deu uma pontuação para cada escolha do recrutamento e pôde definir quanto, em média, as franquias da NFL davam em troca por cada uma. O resultado foi uma tabela de valores, em pontos, para cada seleção de cada rodada do draft.

Com essa planilha em mãos, os Cowboys sabiam se uma oferta de troca no draft estava acima ou abaixo do valor médio praticado pela liga. Se a proposta valia a pena, a troca era feita. Se não valia, o Dallas rejeitava ou fazia uma contraproposta que fosse vantajosa. Além disso, os texanos também descobriram que franquias realizavam as piores trocas e, claro, as tornaram alvos preferenciais no mercado.

O domínio dos Cowboys no processo do draft ficou claro, e era óbvio que não duraria tanto tempo. Primeiro, porque as demais equipes passaram a desconfiar de qualquer sugestão de troca vinda de Dallas, imaginando que seria algo prejudicial a elas. Além disso, os olheiros dos caubóis viraram profissionais valorizados no mercado e receberam propostas vantajosas para trocar de time. E, quando chegavam ao novo emprego, traziam consigo uma cópia da planilha mágica de McCoy. Em pouco tempo, praticamente toda a NFL conhecia a tabela de valores do draft.

Quando as informações chegaram a todos, elas deixaram de ter valor estratégico. Mas os Cowboys já tinham atingido o objetivo inicial: reformular o elenco e conquistar títulos. Além disso, a iniciativa do empresário do petróleo deixou em toda a liga a ideia de que era preciso estudar o draft e criar sistemas próprios para avaliar o valor de cada posição. Atualmente, a planilha de McCoy pode ser considerada rudimentar e antiquada, mas, em uma época em que não havia nada, ela foi a diferença entre ter um time comum e ter uma dinastia.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o Dallas Cowboys descobriu o valor das escolhas no draft (e dominou a NFL)

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Por que a AAF fechou as portas antes de terminar sua primeira temporada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Andrew McDonald, do San Antonio Commanders, olha para cima durante jogo contra o Arizona Hot Shots, pela AAF
Andrew McDonald, do San Antonio Commanders, olha para cima durante jogo contra o Arizona Hot Shots, pela AAF Ronald Cortes/Getty Images

A Alliance of American Football surgiu com motivos para otimismo. A estrutura técnica tinha credibilidade, a NFL não via problemas em seu surgimento (pelo contrário), a audiência da TV foi decente na sua estreia e havia um consenso de que ela tinha lugar dentro do cenário esportivo dos Estados Unidos. Ainda assim, a AAF nem conhecerá seu primeiro campeão. Na última semana, a liga anunciou a interrupção de suas atividades duas rodadas antes do término da temporada regular. Mas o que aconteceu?

A informação direta é: Tom Dundon, dono do Carolina Hurricanes (NHL), comprou a liga por US$ 250 milhões e decidiu unilateralmente fechá-la, surpreendendo os criadores da AAF e os jogadores. A questão é o que levou o empresário a isso.

A decisão ainda é meio nebulosa, assim como os interesses de Dundon no negócio. Ao comprar a AAF, o empresário não levou apenas a competição em si, mas também os direitos à tecnologia de apostas que estava sendo desenvolvida em torno da liga. Para muitos, o interesse real do dono dos Canes era apenas esse sistema.

Mas essa não é a única questão, até porque há dúvidas sobre a legalidade dessa operação.

Pelas suas ações nas semanas que antecederam o fechamento da AAF, Dundon quis acelerar o processo de absorção da nova liga pela NFL. Seria um processo diferente do que ocorreu com a USFL na década de 1980, quando Donald Trump (como dono do New Jersey Generals) quis forçar uma fusão com a NFL. No caso da AAF, a ideia era torná-la oficialmente uma liga de desenvolvimento da National Football League.

Charlie Ebersol, responsável pela criação da AAF, sempre teve esse objetivo, e era algo conhecido da NFL e da NFLPA (associação de jogadores da NFL). No entanto, a meta era viabilizar essa parceria em três anos. Para isso, era preciso acertar questões trabalhistas com os jogadores, sobretudo os que tivessem de disputar as duas ligas ao longo de um ano (a AAF era realizada durante o recesso da NFL), e como estabelecer a relação entre as franquias da AAF com as da NFL.

A National Football League até foi receptiva à AAF, inclusive transmitindo as partidas na NFL Network. Um comportamento bem diferente do recebido pelas finadas USFL e XFL (que será relançada ainda neste ano). Para muitos, a NFL gostou da ideia de existir uma liga que não se pretendia como concorrente testar novas regras e fazer o papel de descobridora/desenvolvedora de talentos.

Mas Dundon quis acelerar o processo e disse que queria fechar essa parceria ainda nesta temporada. Talvez ele tenha blefado ou tentado usar a AAF como porta de entrada para o fechado mundo da NFL, talvez ele tenha percebido que a AAF era inviável comercialmente (apesar de números interessantes de TV, ela já vinha dando prejuízo) e quis evitar um problema maior. Talvez ele realmente quisesse apenas a tecnologia de apostas. Talvez uma soma de tudo isso.

O fato é que a AAF acabou subitamente. Jogadores se apresentaram para os treinos e encontraram as portas fechadas, com funcionários das franquias já empacotando equipamento e material dos times. A liga sequer bancou a passagem de volta para os atletas que estivessem fora de sua cidade a serviço de seus times.

Teoricamente, a liga ainda pode ressuscitar em 2020, mas parece pouco provável. A tendência é esse fim surpreendente e melancólico de um projeto que parecia realista e interessante para o futebol americano como um todo, inclusive a NFL.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a AAF fechou as portas antes de terminar sua primeira temporada

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Michael Jordan x Tim Tebow: quem é melhor… no beisebol?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Michael Jordan melhor que Tim Tebow?
Michael Jordan melhor que Tim Tebow? Getty

Quando se fala em esportes em Birmingham, é mais comum pensar em um motor roncando do que uma torcida vibrando por uma equipe. A cidade do Alabama é conhecida por ser sede do autódromo de Barber, sede de provas da Indy, e estar próximo a Talladega, um dos templos da Nascar. Esportes coletivos, só em ligas menores ou as equipes do UAB Blazers, normalmente coadjuvantes nas competições universitárias. Mas, há 25 anos, todo o universo do beisebol e do basquete voltavam seus olhos para a capital da siderurgia no sul dos EUA*.

Nesta segunda, completou-se um quarto de século da estreia de Michael Jordan como defensor externo do Birmingham Barons. Uma situação inimaginável alguns meses antes, mas que transformou o time de ligas menores (competições profissionais que funcionam como espécie de categoria de base ou liga de desenvolvimento) ligado ao Chicago White Sox em atração instantânea.

VÍDEO: Há 25 anos, Michael Jordan fez sua estreia no beisebol depois de deixar o Chicago Bulls

A temporada 1992-93 da NBA terminou com título do Chicago Bulls, o terceiro seguido da dinastia comandada por Jordan. Mas, semanas depois, o maior jogador da história do basquete perdeu seu pai, assassinado durante um assalto. A tragédia o afetou bastante, a ponto de, pouco antes de se apresentar para a pré-temporada dos Bulls em outubro de 1993, ele anunciar que abandonaria o basquete e tentaria a carreira no beisebol. Uma homenagem ao pai, que sonhava em ver o filho jogando na MLB.

Tim Tebow em ação pelos Mets
Tim Tebow em ação pelos Mets Getty

Mesmo sendo um novato-veterano de 31 anos, encontrar um time foi fácil. Primeiro, porque qualquer equipe gostaria de ter uma estrela como Jordan na sua pré-temporada e nas ligas menores. Segundo, porque o dono dos Bulls, Jerry Reinsdorf, era (ainda é) dono também do Chicago White Sox. Assim, foi assinado um contrato de ligas menores e Jordan foi designado para atuar no Birmingham Barons no nível double-A (equivalente ao time C dos White Sox) pela temporada de 1994.

Ficou uma temporada, depois jogou na Liga de Outono do Arizona (onde atuam as principais promessas das ligas menores). Decidiu retornar ao basquete em março de 1995, após uma greve dos jogadores da MLB tornarem real a chance de ser chamado para o time principal (no papel de fura-grave, que ele queria evitar).

VEJA: Jordan Rides the Bus (para assinantes do WatchESPN)

Corte rápido, avancemos 22 anos. Tim Tebow, estrela do futebol americano universitário, anuncia o desejo de se tornar jogador de beisebol após não vingar na NFL. Ele acabou recebendo uma oferta de jogar as ligas menores pelo New York Mets. Tornou-se atração por onde passou e tem tentado chegar à MLB desde então.

Dentro de seus esportes reais, não existe a menor possibilidade de comparar Jordan com Tebow. Um é um dos maiores atletas da história, somando todas as modalidades. Outro foi um jogador a mais que teve carreira curta na NFL. Mas, e no beisebol?

A comparação é mais fácil do que parece. Ambos jogaram na Liga de Outono do Arizona e em liga Double-A. Então, dá para considerar que atuaram contra adversários de nível técnico parecido.

Jordan fez uma temporada no Birmingham Barons, com aproveitamento de 20,2% no bastão, 3 home runs e 51 corridas impulsionadas em 127 jogos. Depois, atuou na Liga de Outono do Arizona, com 25,2% de aproveitamento, nenhum home run e 8 corridas impulsionadas. Os números pelos Barons não impressionam, mas é verdade que eles começaram muito piores e foram melhorando ao longo do ano, quando o craque do basquete desenvolvia mais sua técnica no beisebol. As estatísticas no Arizona foram boas para o nível técnico.

Tebow atuou em quatro níveis das ligas menores, do single-A até o triple-A (onde está neste ano). Pegando apenas os números nos níveis equivalentes aos de Jordan, o ex-quarterback do Denver Broncos teve 27,3% de aproveitamento, 6 home runs e 36 corridas impulsionadas em 84 jogos pelo Binghamton Rumble Ponies em 2018. Se não tivesse se contundido no final da temporada, tinha chances reais de ser chamado para o elenco dos Mets em setembro. No Arizona, teve 19,4% de aproveitamento, com nenhum home run e duas corridas impulsionadas em 2016.

As estatísticas favorecem Tebow no double-A, mas Jordan foi melhor na Liga do Arizona. Para tirar a conclusão, é preciso considerar os cenários que cada um enfrentou.

Tebow estreou diretamente na Liga do Arizona, antes mesmo de disputar qualquer competição profissional de beisebol. Era normal ter números muito ruins. Depois, se integrou às equipes filiais dos Mets. No primeiro ano, teve 22,6% de aproveitamento, 8 home runs e 52 corridas impulsionadas em 126 partidas pelos níveis single-A e single-A+. Tirando o aproveitamento, em que o ex-QB foi melhor, os demais números são incrivelmente semelhantes aos de Jordan em sua única temporada, mas contra adversários de nível técnico mais baixo.

Quando foi ao Double-A, Tebow já carregava uma temporada de experiência e treinamento específico no beisebol. Por isso, é legítimo imaginar que Jordan teria condições de evoluir se seguisse no diamante por mais tempo. Terry Francona, atual técnico do Cleveland Indians e treinador de MJ nos Barons, disse que o craque do basquete tinha potencial para chegar à MLB.

No geral, dá para dizer que, no beisebol, Tebow e Jordan são jogadores de níveis semelhantes. Mas se você tivesse de escolher um deles para seu time, a vantagem é de Tebow, que tem mais potencial de crescimento por entrar no esporte com três anos de idade a menos e não carregar a possibilidade de retornar à sua modalidade de origem.

Mas, comparações à parte, só a menção a “possibilidade real de chegar à MLB” já torna as duas histórias fantásticas.

* Pittsburgh é a capital da siderurgia nos Estados Unidos. Birmingham é forte nesse setor, a maior do sul do país, e por isso ganhou o apelido de “Pittsburgh do Sul”.

Fonte: Ubiratan Leal

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Michael Jordan x Tim Tebow: quem é melhor… no beisebol?

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Time a time, as escalações e as mudanças nos elencos para a temporada 2019 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Red Sox comemoram vitória
Red Sox comemoram vitória Getty

A temporada regular da Major League Baseball começou na semana passada, com dois jogos entre Seattle Mariners e Oakland Athletics no Japão. Era algo especial para essas duas equipes, as outras seguiam em pré-temporada. Mas agora é para valer: todo mundo já entrou em campo, as campanhas oficialmente começaram e os torcedores já sabem que (quase) todo dia terão um joguinho de seu time para acompanhar.

Para ajudar o fã de MLB nessa maratona de sete meses, preparei um resumo de como chegam os times para a temporada. Rápido e direto, com os alinhamentos ofensivos prováveis, a rotação provável e os principais nomes que chegaram e saíram.

Guarde esse link como um guia para a temporada.

Obs.: as posições estão com a sigla adotada universalmente, usando o nome em inglês: P = pitcher/arremessador, C = catcher/receptor, 1B = primeira base, 2B = segunda base, 3B = terceira base, SS = shortstop/interbase, LF = leftfielder/jardineiro esquerdo, CF = centerfielder/jardineiro central, RF = rightfielder/jardineiro direito, IF = infielder/defensor de campo interno, OF = outfielder/jardineiro

LIGA AMERICANA

DIVISÃO LESTE

Baltimore Orioles

ATAQUE: Cedric Mullins (CF), Jonathan Villar (2B), Trey Mancini (LF), Chris Davis (1B), Renato Núñez (DH), Rio Ruiz (3B), Dwight Smith Jr. (RF), Chance Sisco (C) e Richie Martin (SS). Obs.: Mark Trumbo começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Dylan Bundy, Andrew Cashner, David Hess e Mike Wright Obs.: Alex Cobb começa a temporada no departamento médico
FECHADOR: Mychal Givens
QUEM CHEGOU: Eric Young Jr. (CF), Nate Kearns (P), Richie Martin (SS), Drew Jackson (SS) e Rio Ruiz (3B)
QUEM SAIU: Adam Jones (RF), Tim Beckham (3B), Caleb Joseph (C), Pedro Álvarez (1B) e Colby Rasmus (3B)

Boston Red Sox

ATAQUE: Andrew Benintendi (LF), Mookie Betts (RF), Rafael Devers (3B), JD Martínez (DH), Xander Bogaerts (SS), Mitch Moreland (1B), Eduardo Nuñez (2B), Jackie Bradley Jr. (CF) e Christian Vázquez (C). Obs.: Dustin Pedroia começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Chris Sale, David Price, Rick Porcello, Nathan Eovaldi e Eduardo Rodríguez
FECHADOR: Matt Barnes
QUEM CHEGOU: Colten Brewer (P)
QUEM SAIU: Craig Kimbrel (P), Joe Kelly (P), Ian Kinsler (2B), Drew Pomeranz (P) e Brandon Phillips (2B)

New York Yankees

ATAQUE: Brett Gardner (CF), Aaron Judge (RF), Giancarlo Stanton (LF), Gary Sánchez (C), Miguel Andújar (3B), Luke Voit (DH), Greg Bird (1B), Troy Tulowitzki (SS) e Gleyber Torres (2B). Obs.: Aaron Hicks começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Masahiro Tanaka, James Paxton, JA Happ, Domingo Germán e CC Sabathia. Obs.: Sabathia começa a temporada com suspensão
FECHADOR: Aroldis Chapman
QUEM CHEGOU: James Paxton (P), JA Happ (P), DJ LeMahieu (2B), Gio González (P), Adam Ottavino (P) e Troy Tulowitzki (SS)
QUEM SAIU: Justus Sheffield (P), Erik Swanson (P), Ronald Torreyes (IF), Lance Lynn (P), Shane Robinson (CF), David Robertson (P), Andrew McCutchen (CF), Neil Walker (2B) e Adeiny Hechavarría (SS)

Aaron Judge, dos Yankees
Aaron Judge, dos Yankees Sean M. Haffey/Getty Images Sport

Tampa Bay Rays

ATAQUE: Austin Meadows (RF), Tommy Pham (LF), Ji-Man Choi (1B), Yandy Díaz (3B), Brandon Lowe (DH), Joey Wendle (2B), Kevin Kiermaier (CF), Mike Zunino (C) e Willy Adames (SS). Obs.: Matt Duffy começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Blake Snell, Charlie Morton e Tyler Glasnow. O time intercalará partidas iniciadas pelos abridores com partidas feitas com jogadores do bullpen
FECHADOR: José Alvarado (dependendo do dia, pode começar o jogo para uma ou duas entradas)
QUEM CHEGOU: Charlie Morton (P), Avisail García (RF), Mike Zunino (C), Yandy Díaz (3B), Emilio Pagán (P) e Guillermo Heredia (OF)
QUEM SAIU: Mallex Smith (OF), Jake Bauers (1B), Sergio Romo (P), Carlos Gómez (RF), Chih-Wei Hu (P), Kyle Bird (P) e Jake Fraley (OF)

Toronto Blue Jays

ATAQUE: Brandon Drury (3B), Randal Grichuk (RF), Justin Smoak (1B), Rowdy Tellez (DH), Teoscar Hernández (LF), Lourdes Gurriel Jr. (2B), Danny Jansen (C), Kevin Pillar (CF) e Freddy Galvis (SS)
ROTAÇÃO: Marcus Stroman, Aaron Sánchez, Matt Shoemaker, Trent Thornton e Clayton Richard. Obs.: Ryan Borucki e Clay Buchholz começam a temporada no departamento médico
FECHADOR: Ken Giles
QUEM CHEGOU: Bud Norris (P), Freddy Galvis (SS), Eric Sogard (2B), John Axford (P), Matt Schoemaker (P), Clay Buchholz (P), Oliver Drake (P), Elvis Luciano (P) e Trent Thornton (P)
QUEM SAIU: Kendrys Morales (DH), Aledmys Díaz (IF), Marco Estrada (P),Aaron Loup (P), Tyler Clippard (P), Yangervis Solarte (3B), Troy Tulowitzki (SS), Jordan Romano (P) e Travis Bergen (P)

DIVISÃO CENTRAL

Chicago White Sox

ATAQUE: Leury Garcia (CF), Yoan Moncada (3B), José Abreu (DH), Yonder Alonso (1B), Eloy Jiménez (LF), Daniel Palka (RF), James McCann (C), Tim Anderson (SS) e Yolmer Sánchez (2B)
ROTAÇÃO: Carlos Rodón, Reynaldo López, Ivan Nova, Lucas Giolito e Manny Bañuelos
FECHADOR: Alex Colomé
QUEM CHEGOU: Ivan Nova (P), Kelvin Herrera (P), Ervin Santana (P), Brandon Guyer (LF), Alcides Escobar (SS), Jon Jay (RF), Yonder Alonso (1B), James McCann (C), Alex Colomé (P), Manny Bañuelos (P)
QUEM SAIU: Omar Narváez (C), James Shields (P), Matt Davidson (DH) e Avisail García (RF)

Cleveland Indians

ATAQUE: Leonys Martín (CF), Jake Bauers (LF), José Ramírez (3B), Carlos Santana (1B), Hanley Ramírez (DH), Tyler Naquin (RF), Roberto Pérez (C), Brad Miller (2B) e Eric Stamets (SS). Obs.: Francisco Lindor e Jason Kipnis começam a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Corey Kluber, Trevor Bauer, Carlos Carrasco, Mike Clevinger e Shane Bieber
FECHADOR: Brad Hand
QUEM CHEGOU: Carlos Santana (1B), Jake Bauers (1B), Tyler Clippard (P), Matt Joyce (LF), Carlos González (RF), Ryan FLaherty (3B), Jordan Luplow (OF), Max Moroff (IF), Walker Lockett (P), Chih-Wei Hu (P) e Jefry Rodríguez (P)
QUEM SAIU: Edwin Encarnación (DH), Melky Cabrera (OF), Cody Allen (P), Josh Donaldson (3B), Lonnie Chisenhall (RF), Andrew Miller (P), Michael Brantley (RF), Yonder Alonso (1B), Yan Gomes (C), Yandy Díaz (3B), Erik González (IF) e Kyle Dowdy (P), Rajai Davis (CF), Hanley Ramírez (1B)

Yan Gomes trocou os Indians pelos Nationals
Yan Gomes trocou os Indians pelos Nationals Getty

Detroit Tigers

ATAQUE: Josh Harrison (2B), Nicholas Castellanos (RF), Miguel Cabrera (DH), Niko Goodrum (1B), Jeimer Candelario (3B), Christin Stewart (LF), Mikie Mahtook (CF), Grayson Greiner (C) e Jordy Mercer (SS). Obs.: JaCoby Jones começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Jordan Zimmermann, Matthew Boyd, Matt Moore, Tyson Ross e Daniel Norris
FECHADOR: Shane Greene
QUEM CHEGOU: Tyson Ross (P), Jordy Mercer (SS), Matt Moore (P), Reed Garrett (P), Brandon Dixon (IF), Gordon Beckham (2B), Josh Harrison (2B), Jordy Mercer (SS) e José Fernández (P)
QUEM SAIU: José Iglesias (SS), James McCann (C), Francisco Liriano (P), Victor Martínez (DH) e Jarrod Saltalamacchia (C)

Kansas City Royals

ATAQUE: Whit Merrifield (2B), Adalberto Mondesi (SS), Alex Gordon (LF), Jorge Soler (RF), Hunter Dozier (3B), Ryan O'Hearn (1B), Frank Schwindel (DH), Martin Maldonado (C) e Billy Hamilton (CF)
ROTAÇÃO: Brad Keller, Jakob Junis, Jorge López, Danny Duffy e Homer Bailey. Obs.: Danny Duffy começa a temporada no departamento médico
FECHADOR: Brad Boxberger
QUEM CHEGOU: Billy Hamilton (CF), Chris Owings (IF), Chris Ellis (P), Lucas Duda (1B), Brad Boxberger (P), Homer Bailey (P) Sam McWilliams (P), Conner Greene (P), Jake Diekman (P), Martín Maldonado (C) e Terrance Gore (OF)
QUEM SAIU: Elvis Luciano (P), Paulo Orlando (OF) e Jason Hammel (P)

Minnesota Twins

ATAQUE: Max Kepler (RF), Jorge Polanco (SS), Nelson Cruz (DH), Eddie Rosario (LF), CJ Cron (1B), Marwin González (3B), Jonathan Schoop (2B), Jason Castro (C) e Byron Buxton (CF)
ROTAÇÃO: José Berríos, Jake Odorizzi, Michael Pineda, Kyle Gibson e Martín Pérez
FECHADOR: Trevor May
QUEM CHEGOU: Marwin González (LF), Nelson Cruz (DH), Jonathan Schoop (2B), CJ Cron (1B), Ronald Torreyes (IF) e Michael Reed (OF)
QUEM SAIU: Ervin Santana (P), Logan Forsythe (2B), Lucas Duda (1B), Logan Morrison (DH) e Chris Carter (1B)

DIVISÃO LESTE

Houston Astros

ATAQUE: George Springer (CF), Alex Bregman (3B), José Altuve (2B), Carlos Correa (SS), Michael Brantley (LF), Yuli Gurriel (1B), Tyler White (DH), Josh Reddick (RF) e Robinson Chirinos (C)
ROTAÇÃO: Justin Verlander, Gerrit Cole, Wade Miley, Collin McHugh e Brad Peacock
FECHADOR: Roberto Osuna
QUEM CHEGOU: Michael Brantley (LF), Robinson Chirinos (C), Aledmys Díaz (IF) e Wade Miley (P)
QUEM SAIU: Dallas Keuchel (P), Brian McCann (C), Martín Maldonado (C), Tony Sipp (P), Evan Gattis (DH) e Marwin González (LF)

Los Angeles Angels

ATAQUE: Zack Cozart (3B), Mike Trout (CF), Justin Bour (1B), Albert Pujols (DH), Andrelton Simmons (SS), Kole Calhoun (RF), David Fletcher (2B), Jonathan Lucroy (C), Peter Bourjos (LF). Obs.: Justin Upton começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Trevor Cahill, Matt Harvey, Felix Peña, Tyler Skaggs e Chris Stratton Obs.: Andrew Heaney começa a temporada no departamento médico
FECHADOR: Cody Allen
QUEM CHEGOU: Matt Harvey (P), Trevor Cahill (P), Cody Allen (P), Jonathan Lucroy (C), Peter Bourjos (RF), Justin Bour (1B), Tommy La Stella (IF), Kevan Smith (C), Luis Garcia (P), Austin Brice (P) e Dillon Peters (P)
QUEM SAIU: José Álvarez (P), Garrett Richards (P), Matt Schoemaker (P), Junichi Tazawa (P), Eric Young Jr. (CF) e Jim Johnson (P)

Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

Oakland Athletics

ATAQUE: Robbie Grossman (LF), Matt Chapman (3B), Stephen Piscotty (RF), Khris Davis (DH), Chad Pinder (1B), Jurickson Profar (2B), Ramón Laureano (CF), Marcus Semien (SS) e Nick Hundley (C). Obs.: Matt Olson começa a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Mike Fiers, Marco Estrada, Brett Anderson, Daniel Mengden e Frankie Montas
FECHADOR: Blake Treinen
QUEM CHEGOU: Kendrys Morales (DH), Marco Estrada (P), Robbie Grossman (P), Jurickson Profar (IF), Nick Hundley (C), Joakim Soria (P), Tanner Anderson (P), Chris Herrmann (C) e Jerry Blevins (P)
QUEM SAIU: Emilio Pagán (P), Jeurys Familia (P), Jed Lowrie (2B), Trevor Cahill (P), Jonathan Lucroy (C), Edwin Jackson (P), Matt Joyce (LF) e Shawn Kelley (P)

Seattle Mariners

ATAQUE: Dee Gordon (2B), Mitch Haniger (RF), Jay Bruce (1B), Edwin Encarnación (DH), Domingo Santana (LF), Omar Narváez (C), Ryon Healy (3B), Tim Beckham (SS) e Mallex Smith (CF)
ROTAÇÃO: Marco Gonzáles, Yusei Kikuchi, Mike Leake, Wade LeBlanc e Félix Hernández
FECHADOR: Hunter Strickland
QUEM CHEGOU: Edwin Encarnación (DH), Hunter Strickland (P), José Lobatón (C), Justus Sheffield (P), Mallex Smith (OF), Domingo Santana (OF), Omar Narváez (C), JP Crawford (SS), Jay Bruce (RF), Anthony Swarzak (P), Zac Rosscup (P), Brandon Brennan (P), Kaleb Cowart (IF) e Erik Swanson (P)
QUEM SAIU: Robinson Canó (2B), Edwin Díaz (P), Jean Segura (SS), James Paxton (P), Mike Zunino (C), Alex Colomé (P), Ben Gamel (OF), Guillermo Heredia (OF), Juan Nicasio (P) e James Pazos (P)

Texas Rangers

ATAQUE: Shin-Soo Choo (DH), Rougned Odor (2B), Elvis Andrus (SS), Nomar Mazara (RF), Joey Gallo (LF), Asdrúbal Cabrera (3B), Ronald Guzmán (1B), Jeff Mathis (C) e Delino DeShields (CF)
ROTAÇÃO: Mike Minor, Lance Lynn, Edinson Vólquez, Drew Smyly e Shelby Miller
FECHADOR: José Leclerc
QUEM CHEGOU: Lance Lynn (P), Jeff Mathis (C), Asdrúbal Cabrera (3B), Shawn Kelley (P), Shelby Miller (P), Logan Forsythe (2B), Hunter Pence (RF), Jason Hammel (P), Matt Davidson (DH), Jesse Chávez (P), Drew Smyly (P), Patrick Wisdom (3B), Kyle Bird (P), Jordan Romano (P) e Jack Reinheimer (IF)
QUEM SAIU: Jurickson Profar (IF), Alex Claudio (P), Reed Garrett (P) e Drew Robinson (OF)

LIGA NACIONAL

DIVISÃO LESTE

Atlanta Braves

ATAQUE: Ender Inciarte (CF), Josh Donaldson (3B), Freddie Freeman (1B), Ronald Acuña Jr. (LF), Nick Markakis (RF), Ozzie Albies (2B), Brian McCann (C) e Dansby Swanson (SS)
ROTAÇÃO: Julio Teherán, Sean Newcomb, Kyle Wright, Bryse Wilson e Max Fried. Obs.: Kevin Gausman e Mike Foltynewicz começam a temporada no departamento médico
FECHADOR: Arodys Vizcaíno
QUEM CHEGOU: Josh Donaldson (3B), Pedro Florimón (SS), Brian McCann (C), Raffy López (C) e Josh Tomlin (P)
QUEM SAIU: Brandon McCarthy (P), Kurt Suzuki (C), Brad Brach (P), Ryan Flaherty (3B) e Aníbal Sánchez (P)

O brasileiro Luiz Gohara deve se integrar aos Braves ao longo da temporada
O brasileiro Luiz Gohara deve se integrar aos Braves ao longo da temporada Getty Images

Miami Marlins

ATAQUE: Curtis Granderson (LF), Brian Anderson (3B), Neil Walker (1B), Starlin Castro (2B), Garrett Cooper (RF), Lewis Brinson (CF), Jorge Alfaro (C) e Miguel Rojas (SS)
ROTAÇÃO: José Ureña, Trevor Richards, Pablo López, Sandy Alcántara e Caleb Smith
FECHADOR: Sergio Romo
QUEM CHEGOU: Curtis Granderson (LF), Victor Mesa (OF), Riley Ferrell (P), Julián Fernández (P), Nick Anderson (P) e Sergio Romo (P)
QUEM SAIU: JT Realmuto (C), Kyle Barraclough (P), Dillon Peters (P)

New York Mets

ATAQUE: Brandon Nimmo (LF), Jeff McNeil (3B), Robinson Canó (2B), Wilson Ramos (C), Michael Conforto (RF), Pete Alonso (1B), Juan Lagares (CF) e Amed Rosario (SS). Obs.: Jed Lowrie e Todd Frazier começam a temporada no departamento médico
ROTAÇÃO: Jacob deGrom, Noah Syndergaard, Zack Wheeler, Steven Matz e Jason Vargas
FECHADOR: Edwin Díaz
QUEM CHEGOU: Robinson Canó (2B), Edwin Díaz (P), Carlos Gómez (RF), Luis Avilán (P), Gregor Blanco (RF), Jeurys Familia (P), Wilson Ramos (C), Kyle Dowdy (P), Adeiny Hechavarría (SS) e Rajai Davis (OF)
QUEM SAIU: Jay Bruce (OF), Anthony Swarzak (P), Wilmer Flores (1B), Jerry Blevins (P), David Wright (3B), AJ Ramos (P), José Reyes (SS), Austin Jackson (CF)

Philadelphia Phillies

ATAQUE: Andrew McCutchen (LF), Jean Segura (SS), Bryce Harper (RF), Rhys Hoskins (1B), JT Realmuto (C), Odubel Herrera (CF), César Hernández (2B) e Maikel Franco (3B)
ROTAÇÃO: Aaron Nola, Nick Pivetta, Jake Arrieta, Zach Eflin e Vince Velásquez
FECHADOR: David Robertson ou Seranthony Domínguez
QUEM CHEGOU: Bryce Harper (OF), Andrew McCutchen (RF), Jean Segura (SS), David Robertson (P), Shane Robinson (CF), Juan Nicasio (P), James Pazos (P) e José Álvarez (P)
QUEM SAIU: Carlos Santana (1B), JP Crawford (SS), Luis Garcia (P), Wilson Ramos (C), Asdrúbal Cabrera (2B), Justin Bour (1B), Drew Butera (C), José Bautista (RF), Luis Avilán (P) e Trevor Plouffe (3B)

Bryce Harper ficou na mesma divisão: trocou os Nationals pelos Phillies
Bryce Harper ficou na mesma divisão: trocou os Nationals pelos Phillies Getty

Washington Nationals

ATAQUE: Adam Eaton (RF), Trea Turner (SS), Juan Soto (LF), Anthony Rendón (3B), Ryan Zimmerman (1B), Yan Gomes (C), Brian Dozier (2B) e Victor Robles (CF)
ROTAÇÃO: Max Scherzer, Stephen Strasburg, Patrick Corbin, Aníbal Sánchez e Jeremy Hellickson
FECHADOR: Sean Doolittle
QUEM CHEGOU: Patrick Corbin (P), Aníbal Sánchez (P), Yan Gomes (C), Kurt Suzuki (C), Brian Dozier (2B), Tony Sipp (P), Trevor Rosenthal (P), Kyle Barraclough (P) e Matt Adams (1B)
QUEM SAIU: Bryce Harper (CF), Joaquin Benoit (P), Mark Reynolds (3B), Kelvin Herrera (P), Greg Holland (P), Tanner Roark (P), Jefry Rodríguez (P) e Daniel Johnson (OF)

DIVISÃO CENTRAL

Chicago Cubs

ATAQUE: Albert Almora Jr. (CF), Kris Bryant (3B), Anthony Rizzo (1B), Javier Báez (SS), Ben Zobrist (DH), Kyle Schwarber (LF), Willson Contreras (C), Jason Heyward (RF) e David Bote (2B)
ROTAÇÃO: Jon Lester, Yu Darvish, Cole Hamels, Kyle Hendricks e José Quintana
FECHADOR: Pedro Strop
QUEM CHEGOU: Daniel Descalso (IF), Brad Brach (P), Xavier Cedeño (P), Kendall Graveman (P) e Junichi Tazawa (P)
QUEM SAIU: Tommy LaStella (IF), Daniel Murphy (2B), Ronald Torreyes (2B), Jesse Chávez (P) e Justin Wilson (P)

Cincinnati Reds

ATAQUE: Scott Schebler (CF), Joey Votto (1B), Matt Kemp (LF), Eugenio Suárez (3B), Yasiel Puig (RF), José Peraza (2B), Tucker Barnhart (C) e José Iglesias (SS)
ROTAÇÃO: Luis Castillo, Sonny Gray, Tanner Roark, Anthony DeSclafani e Alex Wood
FECHADOR: Raisel Iglesias
QUEM CHEGOU: Yasiel Puig (RF), Alex Wood (P), Tanner Roark (P), Matt Kemp (OF), Kyle Farmer (IF), Zach Duke (P), Matt Bowman (P), Robby Scott (P) e Connor Joe (IF)
QUEM SAIU: Matt Harvey (P) e Billy Hamilton (CF)

Milwaukee Brewers

ATAQUE: Lorenzo Cain (CF), Christian Yelich (RF), Ryan Braun (LF), Travis Shaw (3B), Jesus Aguilar (1B), Yasmani Grandal (C), Mike Moustakas (2B) e Orlando Arcia (SS)
ROTAÇÃO: Jhoulys Chacin, Freddy Peralta, Brandon Woodruff, Corbin Burnes e Zach Davies
FECHADOR: Josh Hader
QUEM CHEGOU: Yasmani Grandal (C), Alex Claudio (P), Cory Spangenberg (IF) e Ben Gamel (OF)
QUEM SAIU: Domingo Santana (OF), Joakim Soria (P), Jonathan Schoop (2B), Wade Miley (P), Gio González (P), Curtis Granderson (OF), Stephen Vogt (C), Xavier Cedeño (P) e Josh Tomlin (P)

Pittsburgh Pirates

ATAQUE: Adam Frazier (2B), Starling Marté (CF), Corey Dickerson (LF), Josh Bell (1B), Francisco Cervelli (C), Jung-Ho Kang (3B), Lonnie Chisenhall (RF) e Erik González (SS)
ROTAÇÃO: Jameson Taillon, Chris Archer, Trevor Williams, Joe Musgrove e Jordan Lyles
FECHADOR: Felipe Vázquez
QUEM CHEGOU: Lonnie Chisenhall (OF), Melky Cabrera (LF), Jordan Lyles (P), Erik González (IF), Francisco Liriano (P) e JB Shuck (LF)
QUEM SAIU: Ivan Nova (P), Jordan Luplow (OF), Max Moroff (IF), Tanner Anderson (P), Jordy Mercer (SS) e Josh Harrison (2B)

St. Louis Cardinals

ATAQUE: Matt Carpenter (3B), Paul Goldschmidt (1B), Paul DeJong (SS), Marcell Ozuna (LF), Yadier Molina (C), Dexter Fowler (RF), Kolten Wong (2B) e Harrison Bader (CF)
ROTAÇÃO: Miles Mikolas, Jack Flaherty, Dakota Hudson, Michael Wacha e Adam Wainwright
FECHADOR: Andrew Miller e Jordan Hicks
QUEM CHEGOU: Paul Goldschmidt (1B), Andrew Miller (P), Matt Wieters (C) e Drew Robinson (OF)
QUEM SAIU: Luke Weaver (P), Bud Norris (P), Carson Kelly (C), Patrick Wisdom (3B), Chris Ellis (P) e Andy Young (IF)

DIVISÃO OESTE

Arizona Diamondbacks

ATAQUE: Adam Jones (RF), Eduardo Escobar (3B), David Peralta (LF), Wilmer Flores (2B), Jake Lamb (1B), Ketel Marte (CF), Nick Ahmed (SS) e Carson Kelly (C)
ROTAÇÃO: Zack Greinke, Robbie Ray, Zack Godley, Luke Weaver e Merrill Kelly
FECHADOR: Greg Holland
QUEM CHEGOU: Wilmer Flores (1B), Adam Jones (RF), Greg Holland (P), Merrill Kelly (P), Luke Weaver (P), Carson Kelly (C), Nick Green (P), Matt Szczur (CF), Mark Rzepczynski (P) e Caleb Joseph (C)
QUEM SAIU: Paul Goldschmidt (1B), Patrick Corbin (P), AJ Pollock (CF), Daniel Descalso (2B), Jon Jay (RF), Clay Buchholz (P), Brad Boxberger (P), Shelby Miller (P)

Colorado Rockies

ATAQUE: Charlie Blackmon (RF), Daniel Murphy (1B), Nolan Arenado (3B), Trevor Story (SS), David Dahl (LF), Ian Desmond (CF), Ryan McMahon (2B) e Chris Iannetta (C)
ROTAÇÃO: Kyle Freeland, Germán Márquez, Tyler Anderson, Jon Gray e Chad Bettis
FECHADOR: Wade Davis
QUEM CHEGOU: Daniel Murphy (2B), Mark Reynolds (3B), Carlos González (RF) e Drew Butera (C)
QUEM SAIU: Brandon Brennan (P), Adam Ottavino (P), Gerardo Parra (RF), DJ LeMahieu (2B), Matt Holliday (OF), Michael Saunders (OF) e Santiago Casilla (P)

Los Angeles Dodgers

ATAQUE: Joc Pederson (LF), Justin Turner (3B), Corey Seager (SS), Max Muncy (1B), AJ Pollock (CF), Cody Bellinger (RF), Enrique Hernández (2B) e Austin Barnes (C)
ROTAÇÃO: Hyun-Jin Ryu, Ross Stripling, Kenta Maeda, Walker Buehler e Julio Urias Obs.: Clayton Kershaw começa a temporada no departamento médico
FECHADOR: Kenley Jansen
QUEM CHEGOU: AJ Pollock (CF), Paulo Orlando (OF), Josh Thole (C), Joe Kelly (P) e Adam McCreery (P)
QUEM SAIU: Manny Machado (SS), Yasmani Grandal (C), Brian Dozier (2B), Zac Rosscup (P), John Axford (P) e Ryan Madson (P)

Campeão na MLB em 2015, Paulo Orlando agora está nos Dodgers
Campeão na MLB em 2015, Paulo Orlando agora está nos Dodgers Reprodução ESPN

San Diego Padres

ATAQUE: Ian Kinsler (2B), Eric Hosmer (1B), Manny Machado (3B), Franmil Reyes (RF), Wil Myers (LF), Fernando Tatis Jr. (SS), Manuel Margot (CF) e Austin Hedges (C)
ROTAÇÃO: Eric Lauer, Joey Lucchesi, Chris Paddack, Matt Strahm e Logan Allen
FECHADOR: Kirby Yates
QUEM CHEGOU: Manny Machado (3B), Ian Kinsler (2B), Garrett Richards (P), Greg Garcia (IF), Adam Warren (P) e Sammy Solis (P)
QUEM SAIU: Colten Brewer (P), Walker Lockett (P), Rowan Wick (P), Raffy Lopez (C), Chris Young (P), AJ Ellis (C), Matt Szczur (CF) e Freddy Galvis (SS)

San Francisco Giants

ATAQUE: Steven Duggar (CF), Joe Panik (2B), Buster Posey (C), Brandon Belt (1B), Evan Longoria (3B), Brandon Crawford (SS), Gerardo Parra (RF) e Mac Williamson (LF)
ROTAÇÃO: Madison Bumgarner, Derek Holland, Dereck Rodríguez, Drew Pomeranz e Jeff Samardzija
FECHADOR: Will Smith
QUEM CHEGOU: Yangervis Solarte (3B), Gerardo Parra (RF), Drew Pomeranz (P), Stephen Vogt (C), Travis Bergen (RF), Drew Ferguson (OF) e Mike Gerber (OF)
QUEM SAIU: Hunter Pence (RF), Hunter Strickland (P), Nick Hundley (C), Gregor Blanco (RF), Peter Bourjos (RF), Cameron Maybin (RF) e Manny Parra (P)

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Time a time, as escalações e as mudanças nos elencos para a temporada 2019 da MLB

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Ichiro Suzuki foi a melhor representação de quão grande é o beisebol japonês

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Ichiro Suzuki em ação pelos Marlins
Ichiro Suzuki em ação pelos Marlins Getty Image

Pessoas contidas muitas vezes são tidas com pessoas frias. São coisas diferentes. O frio não sente emoção, o contido sente, só não demonstra isso com frequência. Alguns orientais, ao menos os dos estereótipos comuns no ocidente, demonstram pouca emoção. Não é frieza, não é incapacidade de ter sentimentos. É tê-los, muitas vezes com força, mas internalizá-los por uma mistura de personalidade com formação cultural.

Parece ser esse o conflito no peito de Yusei Kikuchi quando viu Ichiro Suzuki se aproximar para um último abraço como companheiros de time. Como lidar com tanta coisa que acontecia naquele momento? O sonho de estrear na Major League Baseball se misturava com o sonho de jogar em seu país, que se misturava com o sonho de atuar ao lado do ídolo de infância, que se misturava com a tristeza de ver aquele mesmo ídolo se aposentar após uma carreira de 26 anos.

Kikuchi, contido como se não quisesse roubar os holofotes do ídolo, chorou. Primeiro, discretamente, abaixando a cabeça em reverência ao colega. Mas essa resistência durou pouco segundos. No banco, escondendo o rosto na parede como Quico depois de tomar um cascudo do Seu Madruga, o arremessador estreante da noite desabou.

VEJA: Em casa e ovacionado, Ichiro Suzuki se aposenta da MLB após dez All-Star Games e mais de três mil rebatidas

Difícil explicar o que representa Ichiro Suzuki para o beisebol japonês e para o japonês que gosta de beisebol. O defensor externo do Seattle Mariners (que também passou por New York Yankees e Miami Marlins) é a representação física do que muitas vezes foi visto apenas como desejo ou ilação: um jogador nipônico se mostrando do mesmo nível, eventualmente até superior, aos ícones das grandes ligas americanas.

Até a estreia de Ichiro em 2001, pelos Mariners, os únicos japoneses com passagem na MLB eram arremessadores. Hideo Nomo -- em cima de quem Suzuki rebateu o primeiro home run de sua carreira, ainda na liga japonesa -- era o único de mais destaque. Mas Ichiro mudou tudo.

No auge da era dos esteroides, com rebatedores com bíceps que pareciam um tronco de sequóia e home runs que quase eram categorizados como objetos voadores não-identificados por ufólogos, aparece um japonês magro e dono de uma rotina de trabalho toda particular. Nada de força, só jeito. Um swing completamente diferente, quase como um tapa na bolinha, unido com muita velocidade e um braço surpreendente na defesa. Era todo o pacote da escola japonesa de beisebol personificada em um cara, e esse cara era fantástico.

No ano de estreia, Ichiro conquistou o prêmio de estreante do ano e de melhor jogador da Liga Americana. A partir daí, foram diversas marcas impressionantes: - Dez anos seguidos com mais de 200 rebatidas (recorde da MLB ao lado de Pete Rose)

- 262 rebatidas em 2004 (recorde da MLB)

- Dez Luvas de Ouro (melhor defensor de sua posição) - Duas vezes campeão de aproveitamento da Liga Americana

- Duas vezes campeão mundial pela seleção japonesa

Ele mostrou aos americanos que era possível um beisebol diferente. E mostrou aos japoneses que era possível vencer do outro lado do Pacífico. Por isso, Ichiro se tornou uma pessoa admirada nos Estados Unidos e idolatrada de forma quase religiosa no Japão.

Essa trajetória acabou, e não tinha mais como seguir. O Ichiro de 2019 ainda mostra lampejos do Ichiro de uma década atrás, mas não consegue mais manter o mesmo desempenho ofensivo. Ainda assim, era um momento que ninguém queria que chegasse. Mas, ao menos, podemos iniciar a contagem regressiva de cinco anos para sua imortalização no Hall da Fama do beisebol.

Fonte: Ubiratan Leal

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Ichiro Suzuki foi a melhor representação de quão grande é o beisebol japonês

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O melhor das novas regras do beisebol é que elas existem. Calma que eu explico

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Giancarlo Stanton no Home Run Derby
Giancarlo Stanton no Home Run Derby Getty

A Major League Baseball anunciou ao longo da semana algumas mudanças na regra do jogo. A maior parte busca tornar as partidas mais dinâmicas ou rápidas, atacando o que é apontado como um dos maiores problemas para a modalidade atrair o público jovem. Algumas são positivas, outras são mais perfumaria, mas o principal é: a liga e a associação de jogadores concordaram em implementá-las.

***

Primeiro, vamos às novas regras com um rápido comentário: 

1) O prazo final para transferências é 31 de julho, não existe mais o período de “waivers” que se extende por agosto

Mudança positiva, pois o período de waiver (em que o time colocava o jogador à disposição dos demais) era pouco claro, criava tensão entre clubes e seu elenco e ainda dava menos força para o fechamento tradicional da janela.

2) Home Run Derby distribuirá prêmio de US$ 2,5 milhões (sendo US$ 1 milhão para o vencedor)
Uma boa forma de atrair jogadores mais midiáticos e importantes para o evento.

3) Redução da quantidade de visitas ao arremessador
Até o ano passado, eram totalmente liberadas. Em 2018, foi criado o limite de seis visitas. Agora caiu para cinco. Não deve ter efeito prático muito grande.

4) Cada arremessador tem de enfrentar um mínimo de três rebatedores
Reduzirá bastante a quantidade de substituições de arremessadores nas entradas finais, mas deve tirar espaço no bullpen para relievers especialistas. Em relação ao ritmo de jogo, é uma medida que soa interessante. Mas deve haver resistência dos jogadores pela perspectiva de alguns perderem seus empregos.

5) Aumento de 25 para 26 jogadores em cada elenco (e redução de 40 para 28 em setembro)
A segunda parte é a mais interessante, pois reduz a distorção criada pelos elencos expandidos no último mês de temporada regular. A primeira parte tem o lado positivo de aumentar a chance de um especialista ser colocado no elenco para situações pontuais (um velocista para roubar bases, por exemplo).

6) Mudança na forma de escolha dos jogadores do All-Star Game
A votação será em duas fases, a decisiva em um dia único. É interessante para aumentar a exposição dos principais jogadores na mídia, torná-los figuras mais nacionais, mas não deve causar tanta diferença do modelo atual.

7) Prêmio para jogadores que participarem do All-Star Game
Deve reduzir a quantidade de jogadores que pedem dispensa do jogo.

8) No All-Star Game, as entradas extras começam com corredor na segunda base
Distorce um pouco o jogo, mas evita que ele se prolongue desnecessariamente.

***

Algumas das regras serão implementadas já nesta temporada, como as do All-Star Game. A mais polêmica e impactante, a de limite mínimo de rebatedores por arremessador, não está oficialmente aprovada ainda. No caso dela, o que foi anunciado é que “a associação de jogadores não contestará se a liga decidir implementar essa regra no ano que vem”. E mesmo essa afirmação é bem duvidosa, pois a regra pode tirar o emprego de alguns jogadores, que possivelmente pedirão para a associação intervir.

Mais que as mudanças em si, o importante é que houve aprovação. Associação de jogadores e liga estão com relações muito abaladas nos últimos anos, pois o atual acordo trabalhista se mostrou muito favorável aos donos de franquias. Os jogadores estão muito mais fragilizados na negociação de novos contratos -- basta ver como vários jogadores importantes, como Dallas Keuchel e Craig Kimbrel -- seguem sem contrato a menos de uma semana da abertura da temporada.

Com isso, muitos especulavam que os jogadores poderiam endurecer bastante a negociação do próximo acordo trabalhista, em 2021, e que uma greve era bastante possível. No entanto, o fato de os dois lados terem sentado à mesa e acordarem algumas mudanças, ainda que pontuais, é um bom sinal. O sindicato teve boa vontade com a questão dos arremessadores terem um número mínimo de duelos, a liga teve boa vontade em dar mais prêmios a jogadores.

Isso pode esfriar um pouco os ânimos e criar um clima mais construtivo para as próximas conversas, que tendem a discutir temas mais complexos para ambos os lados. A liga deverá propor algo como a implantação de relógio para os arremessadores e talvez até arbitragem eletrônica para strikes e bolas, os jogadores exigirão um processo de negociação que lhes dê mais força na negociação (ou que antecipem o final do primeiro contrato profissional, normalmente em valor subdimensionado).

Assim, a existência de novas regras, concordadas por todos, é mais importante do que as regras em si. Porque elas indicam que a possibilidade de um grande impasse, eventualmente resultando em uma greve, está mais distante.

Fonte: Ubiratan Leal

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Parem de hipocrisia e deixem os jogadores conversarem

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
LeBron e Davis
LeBron e Davis Getty

Kyrie Irving bate-papo com Kevin Durant. Escândalo! LeBron James troca ideia com Anthony Davis. Ultraje! Bryce Harper fala de Mike Trout. Ilegal!

No vocabulário do esporte americano, algumas circunstâncias transformam essas conversas em “tampering”, “adulteração”. A acusação é que elas ferem as regras estabelecidas para negociação de jogadores com clubes e geraram protestos de dirigentes e explicações por parte dos jogadores. Parece estranho, mas vamos voltar um pouco.

O mercado das ligas americanas seguem regras bem definidas. Há datas para janela de transferência, há período para negociação do clube com seus atletas para tentar renovar contrato e há período em que a negociação é livre para qualquer franquia que deseje um jogador sem contrato. E quem fecha o negócio são os general managers, os diretores esportivos dos times. O processo não prevê que um jogador de uma equipe entre em contato com outro para convencê-lo a se juntar a ele no futuro.

Essa prática se tornou comum na NBA, ganhando notoriedade com o Big Three do Miami Heat -- LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh -- e o quarteto de All-Stars do Golden State Warriors -- Stephen Curry, Klay Thompson, Kevin Durant e DeMarcus Cousins --, esquadrões que foram possíveis pela participação de atletas no trabalho de sedução de amigos.

Em relação ao equilíbrio técnico da liga, essa prática não foi das melhores. Ela criou duas dinastias (a do Heat não teve o impacto que se imaginava, mas foi um domínio absoluto na conferência por quatro anos) e diminuiu o equilíbrio em quadra. Por isso, tanta gente fica desconfiada quando Irving e Durant, dois jogadores que ficarão sem contrato ao final desta temporada, e LeBron e Davis, esse último pretendido pelo Los Angeles Lakers do primeiro, são vistos trocando ideia. Será que estão armando mais uma panelinha no basquete?

Foi o que o beisebol se deparou quando Bryce Harper, recém-contratado pelo Philadelphia Phillies, confirmou que tentará convencer Mike Trout a se juntar a ele ao final de 2020, quando termina o contrato do melhor jogador do mundo com o Los Angeles Angels. O time californiano protestou, acusando Harper de “adulteração”.

Do ponto de vista das regras de negociação estabelecidas pelas ligas, bate-papos e declarações públicas podem até soar fora dos limites. Fica, porém, um questionamento aos dirigentes, jornalistas e até torcedores que se escandalizam tanto essas conversas: já ouviram falar de WhatsApp, SMS, e-mail, Instagram Direct ou mensagem direta no Twitter?

Jogadores são amigos, é natural que conversem sobre os mais diversos assuntos. Desde questões de jogo até banalidades como “você conhece um restaurante bom na cidade onde farei minha próxima partida?” ou “já ouviu a nova música do fulano?”. No meio disso, é óbvio que falam do que seus times precisam e como a presença do amigo ajudaria.

Escandalizar-se por declarações ou conversas públicas é hipocrisia, é querer manter aparência de que o processo é inteiramente controlado por empresários e dirigentes, quando todos sabem que há tempos os jogadores também participam disso.

Então, que deixem os jogadores falarem, e os dirigentes que tratem de fazer propostas que sejam mais sedutoras do que a proximidade do amigo. Até porque isso acontece. No All-Star Game da MLB de 2016, os jogadores do Boston Red Sox não tiveram o menor pudor em mostrar a Edwin Encarnación -- então no Toronto Blue Jays, mas em fim de contrato -- como o queriam para substituir David Ortiz, que se aposentaria no final do ano. Encarnación se deixou levar no momento e assinou um bom contrato… com o Cleveland Indians.

Fonte: Ubiratan Leal

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Parem de hipocrisia e deixem os jogadores conversarem

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O maior contrato de free agent da história dos EUA parece ruim para os dois lados

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Bryce Harper
Bryce Harper Getty

Torcedores, jornalistas, jogadores e dirigentes esperavam esses números há meses, e eles vieram bem grandes: US$ 330 milhões por 13 anos. De acordo com a imprensa norte-americana, esses são os valores que Bryce Harper receberá para defender o Philadelphia Phillies a partir deste ano. Em montante total, trata-se do maior contrato de um agente livre da história dos esportes americanos, ultrapassando os US$ 300 milhões que Manny Machado acertou com o San Diego Padres semana passada. E, ainda assim, fica a sensação que foi um acordo ruim.

Ainda não foram divulgados detalhes do acordo, apenas o valor total, o tempo do vínculo e que não há opção de o clube encerrá-lo antes do tempo. Harper, 25 anos, receberá uma média de US$ 25,4 milhões por temporada, mas é bem provável que o valor ano a ano varie bastante. Uma variação que pode mudar um pouco a forma de ver o contrato, mas algumas coisas já chamam a atenção negativamente.

Para Harper

Tudo bem, saber que ganhará US$ 330 milhões em salários e terá emprego até 2032 deve ser um cenário bastante confortável. Eu adoraria viver com essa certeza. Dá para calcular a prestação da casa, comprar uma coisinha mais cara no mercado, pegar um hotel mais confortável na próxima viagem de férias. Nada a reclamar. Mas tudo indica que o jogador achava que poderia receber mais.

No final da temporada passada, o Washington Nationals fez uma oferta para renovar o contrato de Harper: US$ 300 milhões por dez anos, US$ 30 por ano. O jogador rejeitou, preferindo entrar de vez no mercado para ouvir propostas de outros clubes. Por uma questão óbvia, seu empresário -- Scott Boras, o mais poderoso do beisebol -- jamais aceitaria qualquer proposta inferior a essa dos Nationals, seria simbolicamente uma derrota para Harper e um atestado de incompetência do agente.

As negociações foram bem silenciosas, não houve vazamento dos valores oferecidos por cada pretendente até sair a notícia do acerto final. No entanto, é bem discutível se a proposta vencedora era realmente melhor que a apresentada pelos Nationals no final do ano passado. O valor final é superior em US$ 30 milhões, mas inclui três anos a mais de vínculo. Até 2029, Harper receberá US$ 5 milhões a menos por temporada do que ganharia em Washington. Isso só compensa se, entre 2030 e 32 (quando ele terá de 37 a 39 anos), o jogador imagina que não consiga mais de US$ 10 milhões/ano.

Ficou a sensação de que Harper não recebeu ofertas perto de US$ 35 milhões por ano, como provavelmente ele e Boras imaginavam, e fechou em um acordo que, devido a seu longo prazo de validade, soa melhor que US$ 300 milhões/10 anos. Mas é bem discutível se realmente é melhor.

Para os Phillies

São 13 anos de comprometimento com um atleta. Até 2032 o Philadelphia Phillies terá de destinar alguns milhões a Bryce Harper. O talento do defensor externo é enorme, mas o prazo é bastante longo e muita coisa errada pode acontecer até lá: contusões, problemas de vestiários, problemas com a torcida, problemas pessoais, queda de desempenho pela idade...

O risco é evidente e os últimos anos desse contrato podem ser um martírio. Basta ver o que o Los Angeles Angels estão enfrentando com Albert Pujols e o Detroit Tigers com Miguel Cabrera.

Estender o prazo e reduzir o valor por ano (ainda é preciso ver qual é o salário a cada temporada) pode sacrificar um pouco menos a folha salarial -- na comparação com um acordo que desse de US$ 30 a 35 milhões anuais, como Boras e Harper talvez imaginassem -- e deixar espaço para a contratação de algum outro grande jogador em breve. O alvo seria óbvio: Mike Trout, o melhor jogador do mundo fica sem contrato ao final de 2019 e cresceu como torcedor dos Phillies.

De qualquer modo, a sensação imediata é que os Phillies levaram um grande jogador, mas o contrato é bastante arriscado e pode trazer muitos dissabores na segunda metade da próxima década.

Fonte: Ubiratan Leal

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Onde você colocaria Tom Brady entre os maiores atletas de todos os tempos?

Ubiratan Leal
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Tom Brady, quarterback mais vitorioso da história da NFL
Tom Brady, quarterback mais vitorioso da história da NFL ESPN

Difícil julgar o tamanho de uma carreira antes de ela terminar. Por mais perto do fim que ela esteja, sempre é possível subir ou descer alguns degraus com uma conquista ou um vexame final. De qualquer modo, Tom Brady já fez o suficiente para ser cogitado fortemente como o melhor jogador de futebol americano da história. Claro, é difícil comparar eras diferentes, não é justo usar apenas conquistas como medidor de qualidade e sempre há quem contestará o quanto o quarterback do New England Patriots realmente é melhor que outras lendas da NFL, mas a conquista do sexto Super Bowl reforçou mais esse discurso na imprensa americana e nas conversas entre torcedores.

Aí, o jornalista Rodrigo Borges, um amigo que ama futebol americano e o New York Jets - ou seja, não tem motivo especial para torcer por Tom Brady - tuitou: “Se o futebol americano fosse um esporte mais global haveria zero dúvida de que Tom Brady é um dos 10 maiores atletas de todos os tempos”. De fato, o camisa 12 dos Patriots não costuma entrar na lista de maiores atletas da história, somando todas as modalidades. Mas seria a falta de projeção global da NFL o único motivo disso?

Bem, provavelmente eu colocaria Brady como maior jogador da história da NFL, mas jamais cogitaria listá-lo entre os principais de todas as modalidades. Mas esse ranking é puramente subjetivo, e a minha forma de ver a história do esporte acaba não ajudando o QB dos Patriots. A lista de outras pessoas poderia dar mais peso à NFL, ou a grandes conquistas, ou a impacto comercial, e ser mais generosa com Brady.

Fui tirar satisfação perguntar ao Rodrigo por que ele achava isso, até porque ele é um grande entusiasta de modalidades olímpicas e certamente não se encaixa no estereótipo de “fanboy que gosta de apenas um esporte e supervaloriza isso”. E ele me disse que, depois de tuitar, começou a fazer sua lista de maiores atletas da história e acabou mudando de opinião. Estar entre os dez melhores de todos os esportes seria demais para Brady. O que reforça a dúvida: por que ninguém - ou quase ninguém - coloca o maior jogador do esporte mais rico do país mais rico do mundo no top 10 da história?

Difícil adivinhar o que passa na cabeça de cada um quando pensa em quem são os maiores da história, mas dá para identificar alguns padrões a partir de listas de maiores atletas da história.

- Falta de um grande palco mundial

O futebol americano deixou de ser uma modalidade puramente americana. A audiência cresce em várias partes do mundo e já se valoriza o desempenho de vários jogadores - inclusive, claro, Tom Brady. No entanto, ele é um esporte com prática de altíssimo nível apenas nos Estados Unidos, o que tira um palco global para brilhar.

O que seria um “palco mundial”? Uma Copa do Mundo da modalidade ou Jogos Olímpicos, uma competição que todos vissem como a reunião dos melhores em todo o planeta. A NFL, apesar de juntar o que há de melhor do mundo no futebol americano, é basicamente um torneio de atletas americanos. A NBA já consegue extrapolar isso, pois efetivamente reúne jogadores de dezenas de países diferentes.

LeBron James abraça Michael Jordan
LeBron James abraça Michael Jordan Photo by Streeter Lecka/Getty Images

Essa questão tem peso muito grande, basta ver como a maior parte dos rankings de maiores de todos os tempos valorizam muito o desempenho olímpico ou conquistas em campeonatos mundiais. Essas competições servem de denominador comum entre modalidades, ajudam a comparar o desempenho de atletas de diferentes esportes. E Brady, por mais que se esforce, não tem como conseguir isso da NFL.

- Impacto na história de sua modalidade

Brady une grande técnica, capacidade quase paranormal de aparecer nos momentos decisivos e consistência impressionante ao longo de vários anos. No entanto, não se costuma dizer que ele é um quarterback que revolucionou sua posição ou a modalidade que pratica. Ele “apenas” fez o que todos faziam, mas muito melhor.

Como comparação, é mais comum ver rankings americanos de maiores da história colocar Babe Ruth ao invés de Brady. No beisebol os jogadores atacam e defendem, mas, no geral, também é uma modalidade de especialistas. No entanto, Ruth mudou a forma de o jogo ser praticado, e isso dá mais visibilidade a seu espaço na história.

Essa visão pode mudar no futuro, quando a carreira de Brady virar passado e se perceber um legado dele para outros QBs. Mas ainda não há essa percepção.

- Impacto extracampo

O maior campeão do Super Bowl é um sujeito relativamente pacato e tem uma vida extracampo tranquila. O que está ótimo para ele, ninguém tem obrigação de ser um personagem midiático quando não quer - e olha que ele é casado com a modelo mais famosa do mundo, era fácil se tornar figura carimbada mesmo fora do campo.

O beijo na amada: com a mãe Galynn Brady ao lado, Tom encontra a esposa Gisele e a filha Vivian após conquistar o Super Bowl LI
O beijo na amada: com a mãe Galynn Brady ao lado, Tom encontra a esposa Gisele e a filha Vivian após conquistar o Super Bowl LI Getty

De qualquer modo, ninguém vê Brady como “mais que um simples atleta”. Não é uma celebridade como Tiger Woods, nem o representante de uma causa social como Muhammad Ali ou Jesse Owens, tampouco alguém que enfrentou um grande obstáculo pessoal como Wilma Rudolph ou Magic Johnson.

- Modalidade de especialistas

Desde que se permitiu substituições infinitas, o futebol americano se tornou uma modalidade de especialistas. Cada jogador tem uma função específica em campo, e a soma delas que faz o desempenho geral da equipe. Claro, algumas posições são mais sensíveis ao time, como o quarterback e o tight end em relação ao long snapper, mas o jogador fica fora do campo em mais da metade da partida.

Isso é diferente no basquete e no futebol, por exemplo. Ainda que o jogador costume ter uma posição, ele atua na partida toda. Sua participação é mais ampla. Por isso é comum encontrar Pelé, Michael Jordan e talvez até Wayne Gretzky, que é de um esporte de menos repercussão global, do que Brady. Em esportes individuais, muitas vezes os atletas fazem “apenas uma coisa” (correr, nadar, atirar, lutar), mas essa coisa representa 100% de toda a competição. Ele não compartilha o desempenho com colegas de equipe.

Usain Bolt, atleta jamaicano
Usain Bolt, atleta jamaicano Getty Images

Conclusão

O contexto não favorece Tom Brady e nenhum representante da NFL a entrar em um ranking de maiores atletas da história. Talvez algum jogador que tivesse um papel extracampo destacado poderia ganhar pontos (Jim Brown, pensei em você), mas as circunstâncias inerentes à modalidade são desfavoráveis. Por isso, ainda que ele provavelmente seja o maior jogador da modalidade mais rica do país mais rico do mundo, colocá-lo entre os 10-mais de todos os esportes soa estranho. Parece exagero, que alguma coisa está superdimensionada.

Eu mesmo não tenho um ranking pronto de maiores atletas da história. Os dez primeiros sairiam de uma lista com Muhammad Ali, Michael Jordan, Pelé, Serena Williams, Nadia Comaneci, Jesse Owens, Michael Phelps, Usain Bolt, Jim Thorpe, Wayne Gretzky, Jackie Joyner-Kersee, Abebe Bikila, Mo Farah, Alexandr Karelin, Jackie Robinson, Teddy Riner e Michael Schumacher. Brady provavelmente ficaria em algum lugar entre 25º e 35º.

Fonte: Ubiratan Leal

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Onde você colocaria Tom Brady entre os maiores atletas de todos os tempos?

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O que é e o que podemos esperar da AAF, a nova liga profissional de futebol americano?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Legends x Apollos
Legends x Apollos Getty

Younghoe Koo entrou em campo com uma missão, acertar um field goal de 38 jardas. A marca não é das mais complexas para um kicker profissional, mas parecia uma montanha para o sul-coreano escalar. Em 2017, como chutador novato do Los Angeles Chargers, ele havia convertido apenas uma das cinco tentativas com mais de 30 jardas na NFL. Foi dispensado, e por isso aquela oportunidade de 38 jardas soava tão simbólica. Veio o snap, o holder posiciona a bola e… chute certeiro, no meio do Y.

Mais do que a redenção pessoal de Koo, aquele field goal entrou para a história pelo jogo, pelo momento. Naquele momento, noite de 9 de fevereiro no estádio Spectrum da University of Central Florida, o Atlanta Legends fazia 3 a 0 sobre o Orlando Apollos e anotava os primeiros pontos da AAF, a Alliance of American Football, a nova liga profissional de futebol americano.

Mas o que é a AAF? O que podemos esperar dela? O que ela tem diferente de outras ligas que foram criadas e desapareceram rapidamente?

Desde a fusão da American Football League com a National Football League em 1970, que se transformaram nas Conferências Americana e Nacional da atual NFL, houve duas tentativas mais relevantes de criar uma sombra à principal liga esportiva do futebol americano. Nos anos 80, houve a United State Football League (USFL). Na primeira década deste século, a Extreme Football League (XFL).

A história dessas duas ligas é fascinante e foi muito bem contada nos documentários “Small Potatoes” (USFL) e “This Was de XFL” (XFL), ambos produzidos pela ESPN dentro da série 30 por 30 e estão disponíveis com legendas em português no Watch ESPN. Se não viram ainda, vejam, porque são sensacionais.

A menção aos filmes da ESPN não é gratuita. O diretor do documentário sobre a XFL foi Charlie Ebersol. O cineasta concluiu a produção em 2016, mas, durante o trabalho de pesquisa, entrevistas e edição, ele ficou se convenceu de que o conceito de uma segunda liga profissional de futebol americano, cuja temporada se estendesse durante o recesso da NFL, era viável, bastava fazer ajustes no projeto. E ele tinha os contatos certos para fazer uma nova tentativa, até porque seu pai é Dick Ebersol, co-fundador da XFL e executivo aposentado do canal NBC Sports.

O principal problema da USFL foi uma disputa entre os donos das franquias (um deles Donald Trump), que levaram a liga a rumos erráticos que faliram o projeto. Mas a USFL e a XFL tinham em comum outro ponto que se mostrou problemático a ambas: a forma como se apresentavam ao público. Para chamar a atenção do torcedor, as duas organizações vendiam a ideia de que a NFL era uma “liga cheia de regras estúpidas que tiram a graça do jogo” e que ela era a representante do “futebol americano raiz, sem frescura, coisa para macho” (linguajar tosco proposital como forma de retratar o estilo).

A ideia fazia algum sentido considerando que o nível técnico era claramente inferior. Assim, se a qualidade do jogo não era das melhores, ao menos elas tentavam se diferenciar pelo estilo de jogo. No entanto, isso acabou se voltando contra os organizadores. Apesar de criar situações que viraram folclóricas, como substituir o cara ou coroa por jogadores correndo atrás de uma bola como em um fumble e a permissão aos jogadores para colocarem seus apelidos nas camisas, a linguagem alienou o público comum. Fez as ligas, principalmente a XFL, a ganhar a imagem de modalidade exótica que atendia a um nicho muito específico.

Charlie Ebersol percebeu que a estratégia virou um tiro no pé. Por isso, quando idealizou uma nova liga de futebol americano, ele percebeu que não podia tirar o foco do principal: apresentar jogos de bom nível técnico para torcedores de verdade. Sem afetação.

Por isso, trouxe para o projeto profissionais que podiam dar credibilidade técnica. As figuras mais conhecidas do público são Troy Polamalu, lendário safety do Pittsburgh Steelers, Bill Pollian, ex-diretor geral de Buffalo Bills, Carolina Panthers e Indianapolis Colts, Justin Tuck, ex-defensive end do Oakland Raiders, e Mike Pereira, ex-árbitro e comentarista de arbitragem na TV.

Com esses nomes ao lado, foi mais fácil atrair treinadores com experiência em trabalhar com times de alto nível. Para montar os times, foram selecionados jogadores que ficaram de fora na definição dos elencos da NFL - ou seja, jogadores que não tiveram espaço na liga mais importante, mas que têm nível técnico suficiente para terem recebido oportunidades de fazer testes e lutar por uma vaga - e que não foram draftados.

A AAF trabalhou também para adaptar algumas regras. Há uma tentativa de apresentar um jogo com menos faltas, uma reclamação constante dos torcedores mais tradicionalistas da NFL, mas sem a afetação de “aqui não tem frescura” da XFL. Outras mudanças são o fim do ponto extra (todo time é obrigado a tentar a conversão de dois pontos após o touchdown), dos kick offs (na nova liga, o time que receberia o chute já inicia a campanha de sua linha de 25 jardas) e do onside kick (se quiser manter a posse após pontuar, o time posiciona a bola na linha de 35 jardas de seu campo e tenta avançar 12 jardas em uma descida. Isso só pode ser feito em condições específicas).

Garantindo um nível técnico decente e uma partida com algumas modificações que tornem o jogo mais dinâmico e/ou divertido, a questão da AAF foi alocar suas franquias. Foram criados oito equipes, praticamente todos no sul dos Estados Unidos. Além disso, a preferência era por cidades que já tivessem equipes de grandes ligas profissionais - ou seja, mercado com capacidade comprovada de sustentar uma equipe economicamente -, mas que não estivessem na NFL - afinal, concorrer diretamente diante do mesmo público seria arriscado demais.

No final, acabaram abrindo exceções. Quatro equipes atendem a essas três condições: Orlando Apollos, San Diego Fleet, San Antonio Commanders e Memphis Express. Atlanta Legends e Arizona Hotshots são as únicas franquias e dividem mercado com uma da NFL (Falcons e Cardinals). Salt Lake City Stallions é a única que não está no sul dos EUA. E o Birmingham Irons é a única em cidade sem uma outra equipe profissional.

A rodada de estreia foi no último fim de semana, com quatro jogos. E a primeira impressão foi satisfatória. Apesar de a qualidade do jogo claramente não ser a mesma da NFL ou das melhores equipes da NCAA, foi possível ver jogadores de bom nível técnico, algumas jogadas empolgantes e uma ação mais fluida. O retorno na TV também foi bom: a CBS teve mais audiência que a ABC, que no mesmo momento transmitia Houston Rockets x Oklahoma City Thunder pela NBA.

Claro, é só uma primeira impressão. Ao longo da temporada, o nível técnico pode cair à medida que os elencos fiquem desgastados e acusem a falta de reposição à altura. A audiência também deixará de se beneficiar do fator curiosidade, que teve papel importante nos números da rodada de estreia. E a concorrência com outras modalidades, como a reta final da temporada regular da NBA e da NHL, o March Madness do basquete universitário e o início da temporada da MLB podem atingir a AAF.

De qualquer modo, a AAF parece uma boa aposta para uma liga secundária de futebol americano. O projeto tem uma base interessante e parece haver um cuidado para oferecer bons jogos ao público. Seria um milagre ela conseguir concorrer com a NFL ou mesmo atrapalhar a NBA, a NHL ou a MLB, mas ela pode se estabelecer como uma liga de desenvolvimento, dando uma segunda chance a dezenas de atletas de potencial que são dispensados da NFL ou ficam de fora do draft e que, hoje, só têm na Canadian Football League uma alternativa de seguirem suas carreiras.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como os Beatles invadiram um jogo de futebol americano há 60 anos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Beatles deixam campo em clipe de American Pie
Beatles deixam campo em clipe de American Pie Reprodução

Os Beatles estão no meio do campo. É intervalo de uma partida de futebol americano e eles animam a torcida com uma marcha. O público tentou entrar para dançar, mas não foi possível porque os jogadores queriam entrar logo no gramado, mesmo com a banda inglesa se negando a sair.

A cena acima parece resultado de um sonho envolvendo o show do intervalo do Super Bowl, os Beatles e uma mente muito imaginativa. Mas, em no universo alternativo regido pelos clássicos do rock, isso tudo aconteceu. Foi em 3 de fevereiro de 1959, data que completou 60 anos enquanto New England Patriots e Los Angeles Rams disputavam o Super Bowl de verdade.

Bem, mas como é possível os Beatles tocarem em um jogo de futebol americano de 1959 se a primeira turnê norte-americana da banda ocorreu apenas em 1964? Aliás, como é possível os Beatles tocarem em um jogo de futebol americano de 1959 se a banda só foi formada em 1960? Então acompanha o raciocínio.

Três de fevereiro de 1959 é uma data histórica no rock. Uma data triste. Na noite daquele dia, Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper Richardson viajavam em um pequeno avião entre uma apresentação e outra no Meio-Oeste americano. O tempo era ruim e o piloto não tinha a formação adequada para navegar apenas por instrumentos. A aeronave caiu em Clear Lake, estado de Iowa. Ninguém sobreviveu.

A melhor definição para o impacto do acidente veio apenas 12 anos depois. Don McLean, um adolescente na época da tragédia e grande fã de Buddy Holly, compôs em 1971 o épico “American Pie”, em que chama o 3 de fevereiro de 1959 de “o dia em que a música morreu”. Desde então, é assim que a data é conhecida até hoje.


Em “American Pie”, McLean descreve diversas cenas cotidianas dos Estados Unidos da década de 1950, com pessoas levando suas vidas normais sem imaginar que, naquele dia, a música morreria. Uma das cenas era uma partida de futebol americano. Não fica claro se é um jogo profissional, universitário ou escolar, nem em que cidade ele teria ocorrido:

“The players tried for a forward pass / With the jester on the sidelines in a cast / Now the half-time air was sweet perfume / While sergeants played a marching tune / We all got up to dance / Oh, but we never got the chance / 'Cause the players tried to take the field / The marching band refused to yield / Do you recall what was revealed / The day the music died?”

Tradução livre:

“Os jogadores tentaram um passe para frente / Com o animador na lateral do campo / Agora o ar do primeiro tempo tinha passado / Enquanto os sargentos tocavam uma marcha / Todos nós levantamos para dançar / Oh, mas nós nunca tivemos chance / Porque os jogadores tentaram tomar o campo / A banda se recusou a parar / Você se lembra o que foi revelado / No dia que a música morreu?”

Os “sargentos” eram os Sargeant Peppers, os Beatles. E, pela cronologia do terceiro parágrafo desse texto, fica óbvio que a banda de Liverpool não estava nos Estados Unidos tocando no intervalo de um jogo de futebol americano em fevereiro de 1959. Mas “American Pie” vai mais além do “dia em que a música morreu”. A canção usa as cenas cotidianas dos anos 50 como pano de fundo para diversas referências referências que acabam traçando a trajetória da música e a agitação cultural da virada da década de 1960 e 70.

O futebol americano era mais que um jogo. Era a juventude tentando se fazer ouvir e protestar em movimentos em favor dos direitos das mulheres, contra o racismo e contra a guerra. O animador do lado de fora era Bob Dylan (que ficou ficou recluso em 1966 após sofrer um acidente), os sargentos eram os Beatles, que entravam em ação como a voz da geração e agitavam os manifestantes. Os jogadores que tentavam expulsar quem curtia a música eram as autoridades buscando tomar as ruas de volta.

McLean nunca deixou completamente claro o que quis dizer em cada verso de “American Pie” e interpretações diferentes se espalharam. De qualquer modo, em 1989 foi gravado um clipe para a música que deixava claro que os sargentos eram os Beatles (a partir de 4:00 no vídeo acima).

Obs.: “American Pie” foi regravada em versão reduzida por Madonna em 2000. O trecho que menciona a partida de futebol americano foi cortado. Em 2005, enfim os Beatles realmente entraram em um jogo de futebol americano, ainda que indiretamente. Paul McCartney, um dos líderes da banda, foi a atração do intervalo do Super Bowl 39 com um repertório composto apenas por músicas dos Beatles (“Drive My Car”, “Get Back”, “Live and Let Die” e “Hey Jude”). Os jogadores não precisaram expulsá-lo para retomar a partida, em que os Patriots venceram o Philadelphia Eagles por 24 a 21.

Fonte: Ubiratan Leal

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O sonho olímpico da Nicarágua chega pelas ondas do WhatsApp

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Nicarágua enfrenta México no qualificatório para o Pan de 2019
Nicarágua enfrenta México no qualificatório para o Pan de 2019 Ubiratan Leal

O campo é pequeno, acanhado, não tem estrutura específica para a imprensa. Mas Carlos Alfaro León se vira do jeito que dá. O jornalista da Radio Ya de Manágua pega uma cadeira e uma mesinha de plástico, daquelas de salão de festas, e senta do lado da cerca que separa o que é dentro do que é fora do campo. Ele coloca seu boné da seleção da Nicarágua de beisebol, posiciona os cartões em que anota cada jogada da partida e não para de contar pelo WhatsApp tudo o que acontece em campo. Quando o jogo para, vai rapidinho para perto do banco nicaraguense para fazer algumas fotos e volta. Não pode perder tempo, pois milhões de torcedores em seu país dependem da rapidez e precisão de seus movimentos.

Alfaro é o único jornalista nicaraguense que veio a São Paulo para a disputa do qualificatório para o beisebol dos próximos Jogos Pan-Americanos, a serem realizados em Lima em julho e agosto deste ano. A quantidade de profissionais na cobertura não é proporcional à importância do torneio para a torcida Nica (como os nicaraguenses se referem às coisas de seu país). 

O beisebol é o esporte mais popular da Nicarágua e qualquer coisa que a seleção do país faz é motivo de grande expectativa dos torcedores. Uma paixão que se mantém mesmo diante de resultados discreetos e que aparecem apenas esporadicamente. Os Nica têm como principais glórias beisebolísticas medalhas de prata nos Pans de 1983 e 95 e um quarto lugar nos Jogos Olímpicos de 1996, além de pódios em torneios centro-americanos e do Caribe. A liga profissional tem apenas quatro equipes e é disputada por apenas cinco meses, mas o resto do ano é ocupada por uma competição semi-profissional com equipes de cada região. Uma estrutura modesta, mas que encanta Alfaro. Quando perguntado sobre o que o beisebol representa para os nicaraguenses, seus olhos brilham, o sorriso sai e ele diz apenas: "O beisebol na Nicarágua é tão lindo".

Só por ter em campo a camisa azul e branca com "Nicarágua" no peito, o Pré-Pan já é motivo para os nicaraguenses ficarem atentos ao que ocorre na Grande São Paulo. A estreia contra o Brasil, na última terça, era transmitida pela TV quando foi interrompida por chuva - a conclusão está prevista para esta sexta. Mas o jogo contra o México foi transferido para Ibiúna, no campo 2 do Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), onde não há estrutura para a transmissão em vídeo. Assim, os nicaraguenses ficam de ouvido no rádio. Mas… se o jogo não está na TV ou na internet e há apenas um repórter à beira do campo, como isso é possível?

Aí aparece a capacidade de improviso de quem está acostumado a lidar com recursos limitados, a magia do rádio e também um trabalho em equipe azeitado. Alfaro é mais que um repórter, ele é os olhos da equipe de transmissão que está em Manágua. Ele não desgruda de seu celular e fica se revezando entre as anotações do jogo e o WhatsApp.

Carlos Alfaro anota tudo e passa as informações para a equipe da Radio Ya na Nicarágua
Carlos Alfaro anota tudo e passa as informações para a equipe da Radio Ya na Nicarágua Ubiratan Leal

Do outro lado do aplicativo está a redação da rádio. E vai a mensagem:

“Óscar Félix pitcher zurdo. Hit de Ofilio, Vásquez a tercera, cuando el pitcher le pasaron la pelota, cometió error y anotó Vásquez. Vamos 5 - 0. El hit de Ofilio al center. El pitcher cometió error porque no agarró la pelota”

Segundos depois, essas informações chegam aos ouvintes da Radio Ya, que a dinâmica e exclamativa voz do narrador Moisés Ávalos Ruiz transforma de texto telegráfico em pura emoção:

“Hit de Ofilio Castro al centerfield. Wuillians Vásquez corre a la tercera. Más un hit a Nica pero... ¡EL PITCHER DE MÉXICO COMETE UN ERROR! ¡Óscar Félix no le agarró la pelota! ¡Le deja pasar la pelota! ¡ANOTA VÁSQUEZ! ¡NICARÁGUA CINCO, México cero!”

E assim vão as três horas e meia de jogo, vencido pelos Nica por 12 a 4. Alfaro envia por WhatsApp cada lance, e Ávalos narra como se estivesse vendo tudo. O repórter ainda fica de ouvido na transmissão para se certificar que tudo é interpretado da maneira correta ou que nenhuma mensagem tenha passado em branco. Quando surge alguma dúvida, ele telefona a um produtor da Radio Ya - ou recebe a ligação desse colega - para explicar com mais detalhes o que está acontecendo. "Preciso explicar bem, porque ele tem de imaginar a jogada e criar toda a narração em cima disso. Se alguma coisa não parece clara, melhor falar diretamente com eles", explica Alfaro.

A coordenação da equipe é fundamental. Enquanto não surge uma nova informação, Ávalos exercita sua capacidade de improviso e preenche os espaços vazios com comentários sobre a equipe, alguma história sobre os jogadores e, claro, os informes dos patrocinadores. A transmissão não é detalhada como uma feita com as imagens, mas é notável como o resultado final é convincente.

Até o papa atrapalhou

O qualificatório do Pan é mais que um torneio de beisebol, é também um exercício constante de jogo de cintura de jogadores, delegações e da organização, da busca por passagens aéreas até a definição da tabela. A Confederação Pan-Americana de Beisebol (Copabe) concedeu ao Brasil o direito de sediar o evento. A exigência era que todos os jogos fossem em estádios que pudessem para receber público. Com a estrutura bastante limitada para o beisebol no Brasil, só havia duas opções: o estádio Mie Nishi, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e o campo principal do CT da entidade, localizado em Ibiúna, a 61 km da capital paulista. Assim, a primeira fase, encerrada nesta sexta, se dividiu entre os dois estádios e as finais estão programadas para este fim de semana em São Paulo.

As dificuldades começaram antes mesmo de o primeiro arremesso ser feito. No último dia 15, menos de duas semanas antes da estreia, a Venezuela anunciou sua desistência. A equipe era uma das favoritas da competição, mas o governo local cortou a verba prometida para a viagem da delegação. Sem dinheiro para vir ao Brasil, restou aos venezuelanos desistirem. O Grupo B, com sede em Ibiúna, ficou com apenas Canadá, Colômbia e Panamá.

A chave do Brasil também teve seleções com problemas de viagem, mas de outra natureza. A Nicarágua também vive um momento de instabilidade política, mas conseguiu os recursos para a viagem. Mas sem direito a exageros.

A rota aérea mais tradicional e direta de um país centro-americano ao Brasil é com uma conexão no Panamá. No entanto, a Cidade do Panamá está recebendo a visita do Papa Francisco, e os preços das passagens para o país explodiram, extrapolando o orçamento nicaraguense. Assim, só uma parte da delegação Nica pôde fazer esse caminho. O resto do time se dividiu em duas levas: uma com um complicado voo Manágua - San Salvador (El Salvador) - Lima (Peru) - São Paulo e outra em Manágua - Santo Domingo (República Dominicana) - São Paulo. O time chegou aos pedaços a partir de 25 de janeiro e não teve tempo de se reunir para treinar antes da estreia contra o Brasil, no dia 29.

Jogador da Nicarágua ao lado da bandeira do país no banco do estádio do Bom Retiro, em São Paulo
Jogador da Nicarágua ao lado da bandeira do país no banco do estádio do Bom Retiro, em São Paulo Ubiratan Leal

A República Dominicana teve mais problemas ainda para chegar. Turistas dominicanos e brasileiros podem ir de um país ao outro livremente, mas a República Dominicana exige um visto especial para esportistas brasileiros que vão competir em seu território. Pela regra de reciprocidade adotada pelo governo brasileiro nessas questões, os atletas dominicanos também precisam desse visto para atuar aqui. E isso pegou a delegação dominicana desprevenida.

Como a liga dominicana de beisebol se encerrou apenas na semana passada, os atletas não estavam disponíveis para a federação. Os trâmites para o pedido de visto foram feitos em cima da hora e não deu tempo de todos estarem com a documentação regularizada antes da estreia contra o México, no dia 29.

A situação só não ficou pior porque a CBBS interveio, pedindo para a embaixada brasileira em Santo Domingo dar uma atenção especial ao caso dos jogadores dominicanos e acelerarem o processo, e a Copabe mudou a tabela, transferindo a partida contra os mexicanos para esta sexta (1º de fevereiro). Assim, todos os vistos ficaram prontos em um dia.

Sem a certeza de que a documentação estaria em ordem, a federação dominicana não comprou as passagens aéreas. Teve de fazer de emergência. A delegação embarcou no dia em que, pela tabela original, estaria estreando e se dividiu em cinco levas, vindo ao Brasil pelas mais diferentes rotas pelas Américas. O último grupo chegou apenas às 9h da manhã de 30 de janeiro, cinco horas antes de entrar em campo para enfrentar o Brasil.

Jogo adiado por chuva, mesmo sob sol escaldante

Um dos mais fortes candidatos ao título, os dominicanos poderiam sofrer com esse périplo para chegar a São Paulo. Enfrentariam o time da casa sem aclimatação, treino e mesmo uma noite de sono minimamente decente. Chegaram ao estádio do Bom Retiro às 12h30, uma hora e meia antes do jogo. Mas a sorte foi generosa. Era uma tarde de sol impiedoso em São Paulo, como tem sido esse começo de ano em boa parte do Brasil, mas a chuva forçou o adiamento do jogo.

Bem, não havia chovido ainda, e, naquele dia, só choveria às 17h30, a tempo de realizar a partida. No entanto, havia chovido forte no dia anterior (29). Tão forte que interrompeu o duelo entre brasileiros e nicaraguenses na terceira entrada e deixou o gramado - de drenagem notoriamente ruim - tão encharcado que mesmo o México x Nicarágua, programado para às 10h da manhã do dia 30 já havia sido adiado. A esperança da organização é que mais algumas horas de sol forte deixaria o campo em melhores condições para as 14h, horário da partida do Brasil.

Campo do Bom Retiro (São Paulo) castigado pela chuva no último dia 29
Campo do Bom Retiro (São Paulo) castigado pela chuva no último dia 29 Ubiratan Leal

Após vistoriar o gramado, a República Dominicana disse que não jogaria naquele gramado. Torcedores brasileiros reclamaram, achando que se tratava de alguma malandragem dos caribenhos para adiar o confronto e poder descansar adequadamente. No entanto, jogadores brasileiros que também entraram em campo confirmaram informalmente que não havia condições. “O pé afundava a cada passo. Não dá para correr e tem jogador aqui com contrato com times americanos, só vieram com seguro. O cara não vai arriscar uma contusão”, disse Tiago Magalhães, defensor externo.

O gramado do Bom Retiro deixou a organização em uma situação delicada no Grupo A. A primeira rodada, a do dia 29, teve um jogo adiado porque a República Dominicana não havia chegado ao Brasil e um jogo interrompido por chuva. A segunda rodada foi adiada por falta de condições do campo. Era preciso repor os quatro jogos antes do sábado, data prevista para as semifinais.

Menos mal para a Copabe e a CBBS que, com exceção da desistência venezuelana, as coisas no Grupo B, o de Ibiúna, estavam caminhando. Como o grupo se transformou em um triangular, havia apenas uma partida por dia. Era possível jogar antes das chuvas de verão de meio para o fim da tarde. E, com um campo de drenagem boa, a chuva da véspera não causava tantos problemas. O Canadá venceu o Panamá (5 a 1) na abertura do torneio em 29 de janeiro e a Colômbia bateu os mesmos panamenhos (10 a 4) no dia seguinte.

Canadenses e colombianos já estavam classificados para as semifinais - e para o Pan de Lima - e precisavam apenas decidir quem ficaria em primeiro lugar da chave. Dessa forma, a relevância do jogo se tornou melhor e foi possível transferir o Grupo A para Ibiúna. A última quinta (31) teve rodada quádrupla. Às 10h da manhã, Brasil e México (13 a 3 México) se enfrentaram no campo 1 do CT e Nicarágua e República Dominicana (10 a 3 República Dominicana) atuaram no campo 2. Às 15h, Brasil e República Dominicana se enfrentaram no campo 1 (3 a 2 para os dominicanos), enquanto nicaraguenses e mexicanos duelavam no 2 (os 12 a 4 Nica transmitidos por Carlos Alfaro pelo seu WhatsApp).

Sonho olímpico e nível técnico alto

Os resultados deixaram o Brasil praticamente eliminado. Só uma lavada homérica sobre a Nicarágua, combinada a uma vitória dominicana sobre os mexicanos, classificariam os brasileiros para as semifinais (e para o Pan). Não deu: logo na abertura da rodada final - que, na realidade, era a primeira rodada adiada - o México venceu a República Dominicana por 3 a 2, resultado que classificou os dominicanos e acabou com as possibilidades brasileiras.

Apesar da derrota contundente contra o México, o resultado que mais dá motivo para lamentação ao Brasil são os 3 a 2 contra os dominicanos. O arremessador Felipe Natel, chamado internamente de “Pelé”, teve uma atuação memorável. Formado no beisebol japonês, ele tem um estilo com bolas mais lentas e com muito efeito. Isso desconcertava os rebatedores dominicanos, que preferem bolas mais rápidas e retas. O abridor levou o no-hitter até o segundo eliminado da quinta entrada e teve seis entradas completas sem ceder corrida alguma.

Pelé enfrenta rebatedor dominicano
Pelé enfrenta rebatedor dominicano Ubiratan Leal

O Brasil vencia por 1 a 0 e bastava fechar as três entradas finais. André Rienzo, melhor abridor brasileiro, subiu ao montinho. Mas os dominicanos estavam preparados. Dois home runs seguidos deixaram o placar em 2 a 1 para os caribenhos. Na nona entrada, o Brasil conseguiu um par de rebatidas e empatou o jogo a uma eliminação do final. Poderia ter virado, não fossem dois erros de corredores na terceira base. Mas, na parte de baixo da nona entrada, duas rebatidas em cima de Thyago Vieira e um erro do catcher Daniel Molinari permitiram a vitória dominicana por 3 a 2.

A derrota doeu, pois uma vitória deixaria o Brasil em boas condições de lutar pela classificação (bastaria vencer a Nicarágua nesta sexta). Mas mostrou que a seleção é capaz de atuar contra equipes fortes.

O Pré-Pan tem nível técnico surpreendentemente alto. Como a temporada dos Estados Unidos está em recesso, vários jogadores vinculados à equipes da MLB foram liberados para jogar. Não os atletas de ponta, que formam o elenco principal das grandes ligas, mas algumas das principais promessas e até veteranos que querem ganhar ritmo de jogo antes de se apresentar para a pré-temporada norte-americana, na segunda quinzena de fevereiro. Além disso, jogadores importantes das fortes ligas profissionais da América Latina também se apresentaram, com exceção dos que estão na disputa da Série do Caribe, uma espécie de Copa Libertadores do beisebol que reúne os campeões nacionais latino-americanos e encerra a temporada na região.

Assim, o Brasil pôde contar com André Rienzo, ex-Chicago White Sox e Miami Marlins e atualmente no beisebol mexicano, e Thyago Vieira, membro do bullpen do time principal dos White Sox. O Canadá trouxe Michael Saunders, do Colorado Rockies, que disputou o All-Star Game há apenas três anos, e Dalton Pompey, do Toronto Blue Jays. O México veio com uma seleção de jogadores que atuam nas suas ligas profissionais, as que mais crescem nas Américas. A República Dominicana tem várias promessas da MLB, assim como Nicarágua, Panamá e Colômbia.

O arremessador Thyago Vieira, do Chicago White Sox e da seleção brasileira
O arremessador Thyago Vieira, do Chicago White Sox e da seleção brasileira Ubiratan Leal

Conversei com representantes de cinco equipes e todos eles diziam mais ou menos a mesma coisa: “temos poucas oportunidades de reunir jogadores desse nível para alguma competição. Ainda que seja apenas o qualificatório para o Pan, era uma boa chance de fazer nossa seleção jogar junto”. A oportunidade é rara porque o beisebol internacional depende muito da agenda da MLB, que centraliza os principais atletas das Américas - e alguns da Ásia.

No Pré-Pan, quatro seleções se classificam aos Jogos Pan-Americanos, onde se juntarão a Cuba, Porto Rico, Peru e Argentina. Os dois melhores terão vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, mas, em Lima, dificilmente as seleções terão o mesmo nível visto no Brasil. Cuba ainda levará o que tem de melhor entre os jogadores que atuam na ilha, mas os times da MLB estarão no meio da temporada e não devem liberar seus atletas.

A Nicarágua, por exemplo, não pôde contar com apenas cinco jogadores, vetados por franquias da MLB com as quais têm contrato. De resto, o que há de melhor no beisebol Nica está no Brasil. O que justifica todo o esforço de Carlos Alfaro e da Radio Ya para levar todas as emoções do Pré-Pan para a torcida nicaraguense. Um esforço que se pagou: a Nicarágua encerrou a primeira fase batendo o Brasil por 6 a 2 e conquistando uma surpreendente classificação para as semifinais, garantindo a vaga aos Jogos Pan-Americanos e mantendo vivo o sonho olímpico. Uma emoção que todos em Manágua puderam acompanhar na voz de Moisés Ávalos Ruiz e no WhatsApp de Carlos Alfaro.

Fonte: Ubiratan Leal

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Rivera é primeiro a entrar no Hall da Fama da MLB por unanimidade. O que isso significa?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Mariano Rivera é ovacionado pela torcida dos Yankees em seu último jogo
Mariano Rivera é ovacionado pela torcida dos Yankees em seu último jogo ESPN

Babe Ruth reinventou o beisebol, fazendo do home run uma arma ofensiva constante para seu time. Em torno dele se construiu a franquia mais vitoriosa do esporte americano. Em uma época em que a MLB era a única liga profissional com repercussão em todos os Estados Unidos, o craque do New York Yankees foi a primeira superestrela esportiva do país. Durante décadas, os americanos usaram o termo “ruthian” para se referir a algo inigualável, o melhor possível. Um ator que tivesse uma interpretação “ruthiana” é porque foi ao ápice de sua categoria, digno de Oscar.

Claro, Ruth está no Hall da Fama do beisebol. Foi imortalizado na primeira turma, em 1936. Justo por tudo o que ele representa à modalidade. E nem assim sua escolha foi unânime. Ele recebeu “apenas” 95,13% dos votos. Ty Cobb, outro mito das primeiras décadas da MLB, teve mais adesão. E nem assim foi perfeito: 98,23% dos votos. Podemos pegar dezenas e dezenas de grandes nomes do beisebol - Honus Wagner, Walter Johnson, Willie Mays, Joe DiMaggio, Cy Young, Lou Gehrig, Ted Williams, Hank Aaron, Carl Yaztrzemski, Stan Musial, Mickey Mantle, Jackie Robinson, Sandy Koufax, Whitey Ford, Greg Maddux, Roberto Clemente, Randy Johnson, Carl Ripken Jr, Pedro Martínez… - e não acharemos um sequer, NEM UNZINHO, que foi eleito por unanimidade. Até esta quarta, quando Mariano Rivera foi eleito com adesão de 100% do eleitorado.

Obs.: Para ser eleito, o jogador precisa receber um mínimo de 75% dos votos. Ele se torna elegível cinco anos após sua aposentadoria. Ele perde a elegibilidade se receber menos de 5% dos votos ou se ficar dez anos na cédula de votação sem ser eleito. Depois disso, só pode entrar por meio de comissões especiais.

Trata-se de um feito notável do panamenho, maior fechador da história e referência do bullpen dos Yankees por 20 anos. Não é formas de diminuir o tamanho dessa façanha, mas é preciso entender o que ela representa, até como marco para as próximas votações do Hall da Fama.

Ter sido o primeiro jogador com 100% dos votos não significa que Rivera tenha sido maior ou melhor que seus companheiros no Hall da Fama. A discussão sobre quem é maior jogador da história ainda fica entre Willie Mays (tecnicamente mais completo, eleito com 94,68%) e Babe Ruth (mais influência na história do esporte). Essa conclusão, relativamente fácil, nos leva a uma questão: por que isso só aconteceu agora, 83 anos depois de o Hall da Fama do Beisebol ser criado?

O cenário do momento estava levando o eleitorado a chegar à unanimidade em algum momento. O arremessador Tom Seaver foi eleito com 98,84% em 1992 e carregou o status de jogador mais votado durante mais de 20 anos. Nolan Ryan, também arremessador, teve 98,79% em 1999 e quase igualou a marca. Mas, na primeira década deste século, o eleitorado se mostrou muito hostil.

Nas 14 eleições entre 2000 e 2013, apenas seis jogadores foram eleitos com mais de 90% dos votos (Ozzie Smith em 2002, Wade Boggs em 2005, Carl Ripken Jr e Tony Gwynn em 2007, Rickey Henderson em 2009 e Roberto Alomar em 2011). Nas seis votações realizadas desde 2014, já foram oito com mais 90%: Greg Maddux e Tom Glavine em 2014, Randy Johnson e Pedro Martínez em 2015, Ken Griffey Jr em 2016, Chipper Jones e Vladimir Guerrero em 2018 e Mariano Rivera em 2019.

Mariano Rivera emocionou torcedores e companheiros de time em sua despedida
Mariano Rivera emocionou torcedores e companheiros de time em sua despedida Reuters

O eleitorado continua sendo jornalistas que cobrem a MLB e são membros da Associação de Jornalistas de Beisebol dos EUA há dez anos. Mas houve mudanças nos últimos anos. Nos últimos anos, foram aceitos jornalistas que trabalhassem em sites (antes era exclusivo para quem estivesse em jornais). Além disso, profissionais que não estão mais atuando na cobertura da MLB perdem o direito ao voto.

Essas mudanças levaram a uma significativa renovação no eleitorado. Jornalistas mais jovens passaram a ter mais força, trazendo consigo uma nova forma de avaliar o legado dos jogadores (por exemplo, considerando com mais carinho as estatísticas mais modernas e tendo menos resistência ao voto em jogadores que utilizaram doping). Outra questão importante foi o escrutínio do público e o papel das redes sociais.

Muitos dos craques do passado deixaram de ter 100% dos votos simplesmente porque ninguém tinha conseguido ainda. Como a marca não havia sido alcançada por mitos como Ruth, Mays e Aaron, muitos jornalistas tradicionalistas achavam que o certo é que ninguém a atingisse. Com isso, alguns eleitores deixavam de votar propositalmente em alguns jogadores - aqueles cuja eleição era barbada - só para evitar que eles chegassem à unanimidade.

No entanto, o público começou a fiscalizar mais os votos. Não votar em algum jogador deixou de ser visto como uma proteção aos ídolos do passado, mas como atitude mesquinha. O sujeito pode não votar em jogadores como Greg Maddux, Pedro Martínez ou Chipper Jones, mas é melhor ter argumentos técnicos para isso. Ou então mantém o voto em segredo para evitar as críticas.

Mas esse processo parecia inevitável. Em 2016, Griffey Jr bateu o recorde de 24 anos de Seaver e foi eleito com 99,32%. Quando o ídolo do Seattle Mariners ficou a três votos da unanimidade, ficou evidente que ela apareceria quando a cédula tivesse o nome de um jogador que fosse incontestavelmente um craque, admirado como pessoa e que tivesse atuado diante de uma audiência nacional. Muitos apostavam em Derek Jeter, mas Rivera chegou um ano antes.

Com a quebra da barreira dos 100%, a tendência é que essa marca se repita de tempos em tempos. Jeter tem boas chances em 2020. Em 2022 há uma questão interessante com Alex Rodríguez e David Ortiz, dois jogadores espetaculares, mas com histórico - confirmado ou fortemente suspeito - de doping.

De qualquer modo, isso não mudará o fato de que o Hall da Fama do beisebol continuará sendo visto como o mais difícil de entrar nas grandes ligas americanas. Apenas 1,2% dos jogadores da MLB conseguem a imortalização. Na NFL, o índice é ligeiramente inferior, 1,1%, mas dá para considerar empate técnico se considerarmos que punters, kickers e long snappers são praticamente descartados como jogadores “imortalizáveis” (há apenas um punter e quatro kickers no Hall da Fama do Futebol Americano Profissional). Na NBA e na NHL nem há comparação: 3% dos atletas acabam ganhando um busto no Hall da Fama.

Fonte: Ubiratan Leal

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Rivera é primeiro a entrar no Hall da Fama da MLB por unanimidade. O que isso significa?

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Patriots chegam à oitava final de conferência seguida. Quão rara é essa marca nas ligas americanas?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Tom Brady vai a sua oitava final seguida da AFC
Tom Brady vai a sua oitava final seguida da AFC Reprodução/EA Sports

A vitória foi tão tranquila que soou a constrangedora. O New England Patriots fez 41 a 28 - sendo que estava 38 a 7 no meio do terceiro período, quando o time puxou o freio de mão - no Los Angeles Chargers e conquistou a vaga na final da Conferência Americana. A oitava vaga seguida. Mais do que os seis Super Bowls no século ou as três presenças na finalíssima em quatro anos, essa série de oito finais da AFC dão a real dimensão da dinastia da equipe de Boston.

São oito anos seguidos ficando entre os quatro melhores da NFL, uma liga feita - do sistema de draft ao teto salarial e ao mata-mata em jogo único - para ter equilíbrio técnico entre as franquias. É uma marca inédita, e que dificilmente será alcançada. A outra grande sequência de finais de conferência na NFL tem 41 anos de idade: cinco seguidas do Oakland Raiders (1974-78) na Americana. Outras passaram perto, mas também são de décadas atrás: Dallas Cowboys fez dez finais da NFC em 13 anos (1971-83, mas com um máximo de quatro seguidas nesse período), o San Francisco 49ers fez seis da NFC em sete (1989-95, mas com duas séries de três), o Pittsburgh Steelers chegou a seis da AFC em oito (1973-80) e Los Angeles Rams (1975-80 na NFC) e Buffalo Bills (1989-94 na NFC) têm cinco em seis temporadas.

Mas, e se compararmos a dinastia dos Patriots com as das outras grandes ligas norte-americanas? Há precedentes?

Sim, há, mas são poucos. E o torcedor de Boston não ficará triste em saber a resposta.

A maior sequência da história é do Boston Celtics na Conferência Leste da NBA, com 13 finais seguidas entre 1957 e 69. O mais incrível é que foram 12 vitórias nas finais do leste e e 11 títulos da NBA no período. A dinastia é, na verdade, ainda maior, porque os Celtics não foram à final em 1956 (Syracuse Nationals, atual Philadelphia 76ers, contra Philadelphia Warriors, atual Golden State Warriors), mas chegaram nos três anos anteriores. Ou seja, 16 finais em 17 anos.

Três franquias dividem a segunda posição em finais de conferências seguidas, com oito. A primeira é o Los Angeles Lakers de 1982 a 89, time do Showtime de Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e Pat Riley no Oeste da NBA. A marca foi igualada pelo Atlanta Braves de Greg Maddux, Chipper Jones e Bobby Cox entre 1991 a 99 (são nove temporadas, mas não houve playoffs em 1994 por causa de greve que suspendeu o campeonato no meio) na Liga Nacional da MLB. E, agora, os Patriots de Tom Brady e Bill Belichick desde 2012.

Larry Bird e Magic Johnson - NBA Final 1987
Larry Bird e Magic Johnson - NBA Final 1987 Getty

Depois disso, 12 equipes conseguiram chegar a seis ou cinco finais de conferência seguidas. Os Lakers tiveram três dessas séries, quase emendadas: cinco entre 1951 e 55 (ainda em Minneapolis), cinco entre 1959 e 63 e seis entre 1968 e 73. No total, os Lakers chegaram a 20 finais do Oeste em um período de 25 anos.

Outras séries de finais de conferência*:

- St Louis Hawks (atual Atlanta), seis decisões do Oeste da NBA entre 1956 e 61, dentro de um período de 11 decisões em 13 anos;
- New York Knicks, seis finais do Leste da NBA entre 1969 e 74 e cinco finais entre 1949 e 53;
- Detroit Pistons, seis finais do Leste da NBA entre 2003 e 08 e cinco entre 1987 e 91;
- Oakland Athletics, cinco finais da Liga Americana da MLB entre 1971 e 75;
- Boston Celtics, cinco finais do Leste da NBA entre 1972 e 76 e outras cinco entre 1984 e 88;
- Oakland Raiders, as cinco da AFC mencionadas no segundo parágrafo.

O leitor atento percebeu que não houve menção à NHL. É que o hóquei no gelo faz jus à fama de mata-mata mais imprevisível das grandes ligas, com nenhum caso de equipe chegando a cinco finais seguidas de conferência desde que elas foram criadas, em 1982. Os dois casos que mais se aproximaram foi do Edmonton Oilers, com oito finais do Oeste em dez anos (1983-92), e do Colorado Avalanche, com seis finais do Oeste em sete temporadas (1996-2002).

* Warriors e Cleveland Cavaliers podem integrar esta lista na atual temporada. Ambos estão com quatro finais seguidas em suas conferências na NBA. Na MLB, o Los Angeles Dodgers tem três finais seguidas na Liga Nacional. Na NHL, Washington Capitals, Tampa Bay Lightning, Vegas Golden Knights e Winnipeg Jets, os quatro finalistas de conferência da temporada passada, têm uma "série" (aspas de ironia) de uma final, ainda que o Lightning tenha chegado em três decisões do Leste nos últimos quatro anos.

Fonte: Ubiratan Leal

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