O dia que enfrentei Jéssica Andrade, a nova campeã peso-palha do UFC

Mayara Munhos
Mayara Munhos
A nova campeã peso-palha do UFC
A nova campeã peso-palha do UFC Buda Mendes/Zuffa LLC

Em 2015, eu estava me preparando para lutar o Campeonato Mundial da Confederação Brasileira de Jiu-jitsu Esportivo (CBJJE). Um pequeno mundial organizado no Brasil, mas que atrai muitos atletas pelo "glamour" do nome. 

Faixa azul na época, eu estava confiante, treinei muito, peguei férias no trabalho para focar ainda mais. Minha primeira luta seria com uma tal de Jéssica C. Andrade, da equipe PRVT (que eu nunca tinha ouvido falar, até então). Era a Paraná Vale Tudo.

Chegou o dia e lá estávamos nós. Vi a Jéssica na concentração. Kimono branco, tipo um metro e meio (ela tem 1,57m) e um rosto normal. Isso significa que, de aparência, ela era só mais uma competidora, como eu. Não era daquelas que você olha e sente medo. Era apenas mais uma. E eu continuava confiante.


E então chegou a hora. E foi especial, porque minha família estava lá para me assistir - uma pressão a mais. Nos cumprimentamos e começamos a luta. Chamei ela na guarda um pouco desajeitada, e ficamos por muito tempo brigando: eu na meia guarda e ela só tentando passar. Eu fazendo uma retenção e ao mesmo tempo tentando raspar, e ela com o quadril alto, sem abraçar a minha cabeça e nem nada, mas ela estava claramente mais calma. Em um momento da luta, vi a oportunidade de levantar num single leg e tentar botar ela no chão. Foi o que fiz, ou tentei, porque não sou nada boa nesse negócio de single leg. Subi, ela foi para trás e em questão de segundos, ela pulou na guarda já puxando meu pescoço. Quem está lendo até aqui e conhece minha adversária, já sabe: era uma guilhotina. No chão e com a guarda fechada em mim, ela apertava, e eu não sabia defender muito bem porque não é tão comum guilhotina com kimono. Eu estava pensando que era inaceitável e conseguia ouvir meu antigo professor gritando 'cabeça no chão, cabeça no chão', para aliviar a pressão. Mas até eu conseguir chegar com a cabeça no chão, não dei conta e bati. Eu estava desistindo. 

A luta tinha um total de 5 minutos e eu aguentei até cerca de 4. Eu não estava satisfeita. Minha mão não saiu levantada. E na beira do tatame, eu desabei de chorar. A Jéssica saiu um pouco depois de mim e se abaixou do meu lado.


Ela me deu um abraço. "Cara, você é muito forte", ela me disse. "Obrigada, eu treinei muito", respondi. "Foi uma boa luta, não fica triste, você é realmente forte e foi um prazer", ela falou e me deu um apertinho, não como de quem está debochando de mim, mas de alguém que sabe o que estou sentindo porque estava ali pelo mesmo motivo que eu.

Naquele dia, ela venceu mais 3 lutas, todas por finalização e em tempo menor - a final foi em 18 segundos, como ela publicou no Instagram. Ela recebeu de seu professor, Gillard Paraná, a faixa roxa no pódio mesmo (a quem dedicou a vitória do UFC 237). Depois, alguém me disse que aquela garota que eu tinha lutado, era do UFC. Eu continuei insatisfeita pelo resultado, mas confesso que serviu um pouco de consolo. Fui pesquisar um pouco sobre ela que, apesar de não estar em evidência, já tinha 7 lutas e 4 vitorias, só no UFC. A finalização predileta dela era guilhotina - a calma dela na luta comigo era claramente porque ela já sabia que era isso que ia fazer. Mais que Jéssica Andrade, ela era a Jéssica 'Bate-Estaca', um golpe que é ilegal no jiu-jitsu, mas foi assim que ela chegou ao cinturão do UFC neste final de semana - já que no MMA, pode. Ela venceu Rose Namajunas no UFC 237, no segundo round, mostrando o por quê de 'Bate-Estaca'.

É a dor e a delícia do jiu-jitsu. Você não escolhe suas adversárias. Diferente do UFC, você não diz 'sim' ou 'não'. Você paga um campeonato, se inscreve e lá, você vai lutando contra quem tiver feito o mesmo, seja alguém da academia pequena da esquina, até a nova detentora do cinturão peso-palha do UFC. 

Seria maravilhoso dizer que eu venci aquela luta. Mas também não é amargo dizer que perdi. Hoje, a Jéssica é faixa marrom de jiu-jitsu. Naquela época, ela competia muito. Ela rodava o Brasil, lutava campeonatos de várias federações e em 2015, tinha se dado super bem por onde competiu. Paralelo a isso, ela treinava MMA e estava no UFC. 

Jéssica, que tem hoje 15 lutas no UFC, é mais uma brasileira responsável por colocar nosso país no "top" do MMA feminino. Após a vitória, o Brasil domina as categorias femininas do UFC. Das quatro, o cinturão de três delas pertence às brasileiras. Amanda Nunes é dona do peso galo e pena. Isso sem esquecer que Cyborg foi a rainha do peso pena durante muito tempo. 

É uma honra dizer que o MMA brasileiro é um destaque nas categorias femininas. E uma honra ainda maior ver o quanto a Jéssica de 2015 cresceu e está conquistando o mundo. VOA, JÉSSICA!

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Fisiculturista também precisa fazer cardio?

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Quem vê um fisiculturista sabe que ele fica horas na academia praticando musculação e levantando quanto peso puder suportar, mas pouca gente sabe o quanto o treinamento cardiovascular é também essencial na vida de um bodybuilder.

Sim! Ter uma rotina de exercícios cardiovasculares também faz parte do cardápio de exercícios dos atletas de fisiculturismo. Eu hoje venho usando o samba como o meu cardio. Confesso que não é a melhor opção para um fisiculturista, por ser pesado demais, mas como tenho essa paixão pelo Carnaval, fazer o quê?    

Mas a verdade é que boa parte dos fisiculturistas usa o treinamento cardiovascular principalmente como um meio de aumentar o gasto calórico, maximizando, assim, a perda de gordura, ou diminuindo o ganho de gordura. Entretanto, os benefícios do cardio vão muito além disso, como explicarei a seguir:

1.Melhoria da saúde do coração

O primeiro benefício é desenvolver  uma melhor condição do coração.  Nosso coração é um músculo como qualquer outro e, para que ele se torne forte, deve ser trabalhado. Se isso não acontecer, ele vai enfraquecer ao longo do tempo, o que pode causar uma variedade de efeitos negativos na saúde.

 2. Metabolismo Aumentado

Outra razão para realizar cardio é por seus efeitos no metabolismo. Juntamente com a aceleração do ritmo cardíaco, o exercício cardiovascular também aumenta a taxa de vários outros processos no corpo, também conhecido como o seu metabolismo.

De um modo geral, quanto mais intensa a sessão de cardio, mais notável será o aumento de sua taxa metabólica. Sprints de intervalo intenso (também conhecido como HIIT) aumentam o metabolismo; o mais alto com um processo chamado EPOC (Excess Post-exercise Oxygen Consumption). Um aumento do metabolismo significa a maneira mais fácil de manter seu peso (ou perder peso, conforme o caso).

3. Melhor Perfil Hormonal

Realizar exercícios cardiovasculares também altera consideravelmente o perfil hormonal de seu corpo. Ele libera hormônios “do prazer” que ajudarão a aliviar os sintomas de depressão e fadiga, além de liberar hormônios que diminuem o apetite.

Indivíduos que participam regularmente do exercício cardio, muitas vezes, têm uma visão muito mais positiva da vida, simplesmente porque eles estão recebendo os benefícios de alívio do estresse desses hormônios.

4. Melhor capacidade de recuperação

Certos tipos de exercícios aeróbicos, geralmente mais baixos, com formas mais moderadamente estimuladas, também podem diminuir seu tempo de recuperação. Se você acabou de realizar uma sessão difícil na academia, ir paraa esteira para uma caminhada ou corrida leve ajudará a remover alguns dos subprodutos que foram criados durante a sessão de musculação.

Isso ajudará a reduzir as dores musculares e a trazer mais sangue rico em oxigênio para o tecido muscular, melhorando o processo de reparo e reconstrução.

5. Gestão de Diabetes

Por fim, para aqueles que têm diabetes, o exercício cardiovascular ajuda a gerenciar essa condição. Ao realizar o exercício, você aumentará a capacidade do seu músculo de utilizar glicose. Aqueles que se exercitam regularmente tendem a ter melhor controle de seus açúcares no sangue e não observam tantas oscilações  quanto aqueles que não o fazem.

Bom, espero que tenham curtido e entendido o quanto o cardio é importante para qualquer pessoa, seja atleta, fisiculturista ou não!

Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

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Precisamos falar sobre transtorno alimentar!

Rê Spallicci
Rê Spallicci

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Não podemos tapar o sol com a peneira! Sim, o mundo do fisiculturismo pode ser cruel com suas dietas megarrestritas e uma cobrança monstruosa, para que tenhamos o corpo perfeito.

 E, infelizmente, muitas vezes, esta pressão imposta pela sociedade, pela comunidade do esporte e, principalmente, por nós mesmos pode acabar levando a transtornos alimentares.

Foi exatamente o que aconteceu com Sarita Federle, que tomou a decisão de abandonar as competições exatamente por conta deste problema.

 Atleta Pro WBFF, Sarita competiu de 2011 a 2018, mas, em seus dois últimos anos como atleta, passou a ter problemas com as dietas megarrestritivas do esporte. 

 “Geralmente quando terminava uma competição, eu passava alguns dias me permitindo ingerir alimentos que eu ficara meses sem comer. Sempre fui muito disciplinada e levava sempre 100 % o protocolo que meu treinador passava durante a preparação. Não saía por nada da dieta, mas, quando acabava a competição, eu não conseguia ter o controle e comia compulsivamente, porque sabia que logo teria que restringir novamente  minha alimentação. Não conseguia ter um equilíbrio. No início, durava poucos dias e logo passava... E já entrava em uma próxima preparação. Mas, nas duas últimas competições, uma aqui no Brasil e outra em Los Angeles, percebi que essa compulsão se estendeu por meses e eu já não estava feliz. Meu psicológico não estava legal. Fora isso, vários outros problemas foram me preocupando e me deixando ansiosa, o que piorou ainda mais.Descontava tudo na comida’’, confessa Sarita.

 Além disso,  sua própria cobrança por um corpo perfeito atrapalhava bastante, conforme explica.  “Ao me olhar no espelho e não ver mais aquele corpo ‘seco’ e com músculos, eu sofria. Eu me cobrando, as pessoas me olhando com olhares diferentes, porque queriam ver um corpo de atleta  e não um corpo saudável fora de competição, tudo isso me incomodava muito. Foi quando decidi que precisava mudar minha cabeça e me afastar das competições para melhorar.”

Após algumas sessões de terapia e fortalecimento da fé, Sarita entrou em um processo de autoconhecimento e autoaceitação, e hoje, se sente muito melhor com a nova situação em sua vida.

“Ser atleta me ensinou a não questionar Deus, quando as coisas não acontecem como se espera. Tudo tem um propósito maior, e ele sabe a hora certa. Sempre fui muito grata pelas minhas vitórias, mas, muitas vezes, me pegava questionando  minhas derrotas. Hoje, entendo que tudo tinha um motivo para acontecer da forma como foi. Estar fortalecida na fé e oração faz muito diferença para um atleta”, professa. 

Sarita Federle
Sarita Federle []


Mais do que um problema do esporte, Sarita acredita que os transtornos alimentares têm a ver com a nossa cobrança sobre nós mesmos e pela busca por um corpo perfeito inatingível. “As pessoas se cobram e se comparam demais, e essa comparação constante com os outros diminui a autoestima e faz com que uma pessoa se sinta mal consigo mesma. Acho que devemos procurar melhorar e evoluir sempre, mas não precisamos nos machucar para isso. Precisamos levar em conta nossas limitações e prioridades.”

Atualmente,  Sarita atua como influenciadora e tem uma loja de acessórios femininos em sua cidade natal, Guarapuava.“Eu já conquistei e realizei muitas coisas que, quando adolescente, eram apenas sonhos... sempre quis ser independente e ter minhas coisas por méritos meus. Hoje tenho uma loja de acessórios femininos que é referência na cidade, tive a oportunidade de trabalhar com moda que é outro ramo que adoro, sonhei em me tornar atleta profissional e conquistei. Meu sonho sempre foi morar fora do Brasil, quando era pequena. Então, esperei ter idade, planejei e fui... morei na Inglaterra em 2004, EUA, em 2015, e estou mudando novamente de país. Estou sempre estudando, me reciclando e buscando novas oportunidades... O céu é o limite! Motivação para mudar, para querer o novo, sair da zona de conforto e não parar nunca, isso nos mantém vivos e motivados. Esse é o meu legado, provar para as  pessoas que elas podem obter tudo o que quiserem”, explica.

Embora ela afirme  que está muito mais feliz com sua nova fase,  não descarta voltar ao mundo das competições. “Nunca digo nunca. Se um dia sentir que estou preparada pra voltar a competir, voltarei. Mas hoje isso não faz parte dos meus planos, consigo aproveitar muito mais meu tempo para a empresa, família e amigos. Sempre fui de curtir muito a vida, e as competições me limitaram, então, agora quero aproveitar e me dedicar ao máximo àquilo que amo e em que acredito.”

Para quem pensa em começar no esporte ela aconselha: “Como qualquer esporte o fisiculturismo precisa de muita dedicação. Você deve ter em mente que vai precisar seguir dietas na maioria das vezes bem rigorosas, por longos períodos,  e que precisará adaptar toda  sua rotina diária às suas necessidades alimentares, aos treinos e abrir mão de muitas coisas . É necessário muito esforço, muito trabalho duro, foco e dedicação.O desafio é você com você mesmo! O importante é o seu esforço e superação de cada dia. Não crie muitas expectativas com federações e competições , não tenha medo do fracasso e acredite em você”, finaliza.

Busque seu propósito. Deixe  seu legado. 

  Rê Spallicci

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Rainha baiana das águas veleja no Pan com o marido e mira a Olimpíada

Marília Galvão
Marília Galvão

Juliana Duque e Rafael Martins competem na classe Snipe
Juliana Duque e Rafael Martins competem na classe Snipe José Olímpio

De uma coisa ela sabia: sua vida está relacionada à água. Foi nela que Juliana Duque começou com a natação, tentou o surfe, mudou para a vela, foi campeã mundial, conheceu o parceiro e marido, vai para o Pan de Lima e quer chegar à Olimpíada. Há três anos, esta velejadora compete junto ao marido, Rafael Martins, também atleta profissional.

O casal conquistou a única vaga da classe Snipe para disputar os Jogos Pan-Americanos de Lima, que acontecem entre os dias 26 de julho e 11 de agosto deste ano.

A classe Snipe, apesar de não ser olímpica, é considerada uma das mais técnicas da vela e também a mais tradicional. É disputada em um barco monótipo de 4,72m de comprimento para dois velejadores (timoneiro e proeiro). O casal conquistou a vaga para o Pan com o título da Copa Brasil de Vela 2018.

Juliana Duque e Rafael Martins competem juntos desde 2016
Juliana Duque e Rafael Martins competem juntos desde 2016 Matias Capizzano

“Nós treinamos muito para esse campeonato, estávamos até exaustos, mas valeu a pena, era um sonho ir pela primeira vez para os Jogos Pan-Americanos e ele foi realizado. A sensação é a melhor possível e para mim foi a melhor conquista que tivemos (ela e seu marido) até hoje”, conta com exclusividade ao espnW.

Juliana é natural de Salvador e começou a velejar aos 11 anos no Yatch Clube da Bahia, onde treina até hoje com Rafael. “Quando eu era bebê, a minha família já tinha um barco grande de veleiro de oceano, então eu sempre tive contato com o mar, não tinha medo. Depois que entrei para o esporte, acabei gostando e como sou competitiva já participava de torneios.”

Rafael Martins e Juliana Duque
Rafael Martins e Juliana Duque []

No início de sua carreira na vela, a atleta começou velejando na classe “optmist”, que é a porta de entrada no esporte, já que se trata de um barco de pequeno porte recomendado para crianças de sete a 15 anos. Juliana foi inclusive campeã Sul-Americana Feminina nessa classe.

Aos 15 anos, fez a mudança para a classe “Laser Radial”, que é a modalidade olímpica feminina na qual o barco é bastante simples e conta também com apenas um velejador. Juliana logo quis trocar de classe. “Não tenho biotipo apropriado para essa classe, então na época eu passei o ano só velejando, conhecendo o barco, mas ainda cheguei a ganhar um Campeonato Brasileiro Sub-16. Também velejei no ‘Match Race’ (uma corrida entre dois barcos). Depois disso tudo, fui para a ‘classe Snipe’ (com dois velejadores no barco), que é a classe que eu velejo hoje.”

Juliana Duque e Rafael Martins
Juliana Duque e Rafael Martins []


Nessa época, Juliana começou a se aproximar de Rafael Martins, que também pratica o esporte. “Eu conheci o Rafael no ‘meio da vela’, já sabia quem ele era há algum tempo. Quando passei para a classe Snipe, com uns 17 anos, aí sim o conheci realmente. Viramos amigos e éramos concorrentes em barcos diferentes. Acabamos começando a namorar e percebemos que tínhamos o mesmo objetivo de crescer no esporte. Em 2016, decidimos nos juntar para competirmos juntos no mesmo barco e tem dado super certo”, conta Juliana.

Ao lado de Rafael Martins, a atleta foi campeã Sul-Americana em 2016 e vice-campeã Sul-Americana em 2017 da classe Snipe. A dupla, inclusive, conquistou o vice-campeonato no Hemisfério Ocidental, em 2018. 

Rafael Martins e Juliana Duque
Rafael Martins e Juliana Duque []

O casal baiano, que representa o Yacht Clube da Bahia, segue uma rotina bastante puxada de treinos de preparação para o Pan. “Nós treinamos na água cinco vezes por semana. Moramos na Bahia, e lá não tem muitos barcos para treinar. Acabamos treinando sozinhos muitas vezes. De vez em quando temos alguns parceiros de treino, mas na maioria das vezes acabamos treinando sozinhos e é um treino monótono. Procuramos viajar uma vez no mês para treinar com outros barcos, o treino é mais dinâmico e conseguimos treinar outras partes técnicas que em Salvador não conseguimos.”

Juliana conta que no fim do ano passado seu maior sonho era se classificar para o Pan, mas agora é outro. “Hoje meu maior sonho é ganhar o Pan e quando terminar o campeonato nosso próximo objetivo vai ser ir para a Olimpíada em 2024 na ‘classe 470’ (modalidade olímpica em que o barco mede 470 cm) e que vai virar mista (homem e mulher no mesmo barco)”, finaliza.

Fonte: Marília Galvão

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As categorias do fisiculturismo feminino

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Muitas vezes, quando as pessoas ficam sabendo que eu sou atleta de fisiculturismo, me dizem : “Nossa, mas você nem é tão grande! Não tem músculos supervolumosos!” Ou então, algumas meninas me procuram dizendo que querem entrar para o esporte, mas que não podem porque não têm o tipo de corpo ideal para isso.

 A verdade é que a maioria não sabe que o fisiculturismo possui várias categorias, exatamente para se adaptar a cada tipo de corpo, e até mesmo ao gosto de cada um. Realmente, no princípio do esporte, havia um único esporte físico feminino: o fisiculturismo. Mas, com o passar dos anos, à medida que os corpos se tornaram maiores e mais elitistas, as organizações competitivas introduziram novas divisões para contemplar diferentes tamanhos, estilos e níveis de condicionamento. Isso permitiu que mais mulheres - e mais físicos - subissem aos palcos.

Por isso, hoje resolvi aproveitar a minha coluna para falar um pouco sobre cada uma das categorias mais tradicionais do fisiculturismo, lembrando que esta classificação pode variar, dependendo da associação de competição, ok?

Hoje, as principais divisões incluem:

Bikini Fitness

Wellness

Body fitness

Women’s Physique

As quatro categorias são diferentes, mas todas  exigem esculpir e desenvolver seu corpo com musculação, nutrição e cardio. Qualquer que seja a divisão, o sucesso da atleta exigirá enormes quantias de esforço, determinação e persistência.

Aqui vai um resumo de cada uma das categorias

 Bikini Fitness

 Essa divisão enfatiza os físicos curvilíneos e equilibrados com um tônus muscular suficiente. O quanto "basta de músculos" dependerá da organização e do nível de competição.

 A Bikini é, de longe, a divisão feminina mais popular atualmente. As competidoras usam maiô de duas peças, saltos altos e joias cintilantes, e são julgadas pela aparência física geral, incluindo pele e apresentação. A atitude no palco conta muito também.

 Uma cintura pequena com uma estrutura equilibrada e curvilínea e pernas longas e bem torneadas parece ser a genética ideal para o bikini

"A divisão do biquíni exige uma forma mais curva, mais uma figura de ampulheta, em que a parte superior e inferior são igualmente proporcionais; mas, se ela for um pouco inferior ou superior, isso pode ser moldado por dieta e treinamento", diz Gigi Amurao, um profissional da IFBB e personal trainer que treinou centenas de competidoras de Bikini.

Dito isso, você deve evitar exibir um corpo, ou partes do corpo, que sejam "rasgadas" no linguajar do esporte.

Como o desenvolvimento muscular necessário para competir nesta categoria é mais discreto do que o do culturismo tradicional, ela atrai uma grande variedade de mulheres que realizam outra atividade além do esporte.    

"A candidata típica do biquíni é alguém que quer ter boa forma, que trabalha duro na academia e quer mostrar seu físico de maneira elegante e respeitável", diz o promotor Dave Liberman, que organiza duas grandes competições amadoras em Cleveland, todos os anos.

A modalidade é dividida ainda em subcategorias, levando em conta a altura das competidoras:

até 1,60 m;
até 1,63 m;
até 1,66 m;
até 1,69 m;
até 1,72 m; e
acima de 1,72 m.

Wellness

Para quem quer um corpo um pouco mais sarado, a categoria ideal é a Wellness. Ela só existe em competições realizadas no Brasil, mas anda atraindo tanta gente que algumas federações internacionais já estão de olho nela.

Ela engloba o típico corpo brasileiro das saradas que têm muita coxa e bumbum, o que, em outras categorias, pode ser visto como desproporção, mas que, aqui no Brasil, acaba sendo um padrão de beleza. Na Wellness, são avaliadas as atletas que têm coxas e glúteos volumosos, conservam o corpo feminino e exibem pouco percentual de gordura.

Ela também é subdividida em categorias que englobam alturas diferentes:

até 1,58 m;
até 1,63 m
até 1,67 m; e
acima de 1,67 m.

Body fitness

Para quem gosta de pegar um pouco mais pesado, existe a categoria Body fitness. Ela aceita mulheres com físico desenvolvido, mas que querem se apresentar com as coreografias do esporte, que são movimentos executados para que os jurados possam avaliar melhor o desenvolvimento dos grupos musculares.

Na Bodyfitness, a competidora tem que exibir ombros mais largos, braços bem malhados, alto volume muscular e pernas fortes. O tônus muscular deve ser desenvolvido simetricamente. O corpo dessas atletas se assemelha muito ao formato da letra Y, e o percentual de gordura corporal deve ser próximo do zero. São avaliados ainda os cabelos e a beleza facial.

 Women’s Physique

 Nesta categoria, o nível é extremamente profissional. Engloba mulheres que querem levar seu desenvolvimento muscular ao máximo de definição com treino e dieta. No entanto, deve respeitar a anatomia, o volume e silhueta feminina. Ou seja, o que vemos em uma competição é um corpo atlético, mas que ainda conserva sua feminilidade.

 São quatro os critérios avaliados durante a competição: simetria, proporção, volume e definição — com análise rigorosa para saber se a atleta manteve a proporção entre os membros inferiores e superiores.

Ela é avaliada ainda pelo modo como se porta e caminha, e se consegue “encaixar” as poses de exibição dos músculos, como a expansão das costas e da caixa torácica. A categoria tem duas modalidades: até 1,63 m e acima de 1,63 m.

E aí, entendeu como funcionam as categorias? Viu em qual delas seu corpo se encaixaria melhor?

Espero que tenha curtido! Até a próxima!

 Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci

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A NBA tem trabalhado para aumentar a representatividade feminina na liga

Paula Ivoglo
Paula Ivoglo

Assim como na NFL, a NBA está trabalhando para que a representatividade feminina na liga aumente, e nessa semana os Celtics anunciaram a contratação de Kara Lawson como técnica assistente, se tornando a primeira mulher da franquia a assumir essa posição.

Antes dela, os Spurs contrataram Becky Hammon em 2014, que foi a primeira mulher assistente em tempo integral. Ano passado os Mavericks contrataram Jenny Boucek e esse mês, os Cavaliers contratram Lindsay Gottlieb. Kristi Toliver trabalhou como assistente de técnico pelo Washington Wizards nessa temporada, e também joga pelo Mystics na NBA, da mesma cidade. Em dezembro, o Indiana Pacers tornou Kelly Krauskopf a primeira mulher a ter o título de assistente de general manager na NBA.

Além delas, em 2018, a NBA promoveu 5 novos juízes, e duas delas eram mulheres: Ashley Moyer-Gleich e Natalie Sago.

Kara Lawson no WNBA Draft de 2019
Kara Lawson no WNBA Draft de 2019 Getty Images

Mas, nunca houve uma técnica mulher na NBA.

Diferente da NFL, a NBA possui uma liga profissional apenas de mulheres, a WNBA, e teoricamente seria mais fácil e mais comum encontrar mulheres que praticam e se envolvem profissionalmente com o esporte, porém a quantidade de mulheres assumindo posições técnicas ou de gerência na liga ainda é muito pequena.

Realisticamente, a NBA e o basquete universitário masculino ainda não consideraram, até recentemente, que as mulheres faziam parte do grupo de talentos para treinadores (ou pessoal de front-office no lado profissional), salvo raras exceções. Isso é diferente dos meios de mulheres na faculdade e da WNBA, que sempre procuraram um grupo de talentos de mulheres e homens.

O comissário da NBA, Adam Silver quer mudar essa realidade, principalmente no que se refere a novos juízes, e pretende que haja uma divisão mais equilibrada: metade homens e metade mulheres, pois que entende que não há motivos para essa posição ser predominantemente masculina, visto que não existe nenhum impeditivo físico por exemplo.

Adam Silver, comissário da NBA
Adam Silver, comissário da NBA Getty Images

“O mesmo para técnicas inclusive, nós temos um programa também. Não há motivos para mulheres não serem técnicas de times de basquete masculino”, disse Silver em maio desse ano, no The Economic Club of Washington, em D.C.

Silver também emitiu um comunicado em Setembro de 2018, em que encoraja fortemente o aumento do número de mulheres em todos os níveis e a melhoria do processo de denúncia de conduta imprópria, depois do escândalo envolvendo o time do Mavericks em acusações de assédio sexual durante 20 anos que após uma investigação independente, foi constatado que a administração do Mavericks era ineficaz, incluindo falta de conformidade e controles internos, e que essas deficiências permitiram o crescimento de um ambiente no qual atos de má conduta e indivíduos que os cometeram puderam florescer.

O dono do time, Mark Cuban, concordou em doar US$ 10 milhões de dólares para "organizações que estão comprometidas em apoiar a liderança e o desenvolvimento de mulheres na indústria do esporte e no combate à violência doméstica" como resultado das investigações da NBA.

O técnico do San Antonio Spurs, Gregg Popovich também apoia a causa, e acredita que existem muitas mulheres como Becky ou Lawson que só precisam ser notadas e receber a oportunidade de pessoas que são sábias e corajosas o suficiente para fazer isso e não apenas sentar no velho paradigma.

Apesar do ceticismo, a NBA está se movendo na direção certa. A contratação de um front office e de um pessoal secundário mais diversificado pode - e esperançosamente irá - produzir uma estrutura de poder diferente e mais equitativa. Então, basquete pode ser basquete, onde as identidades, experiências e conhecimentos de todos são igualmente válidos e validados.

 

Fonte: Paula Ivoglo

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A NBA tem trabalhado para aumentar a representatividade feminina na liga

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CEO da Unlimited Sports e da Ironman Brasil incentiva a participação do público feminino

Elas no Triathlon
Elas no Triathlon
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Entre o Ironman 70.3 e o Full, ambos em Florianópolis, em meio a correria de uma rotina nada fácil, Galvão (como prefere ser chamado), respondeu prontamente às nossas perguntas. E nos parabenizou pelo projeto Elas no Triathlon. Pela iniciativa de atrair e ajudar cada vez mais mulheres a aderir ao esporte. Leia abaixo, o resumo da entrevista feita no dia 29 de Maio de 2019.

ELAS: Conversemos com sua equipe - dos montadores, produtores, ao “recepcionista” de atletas pós-pórtico. Como consegue manter uma equipe motivada, especializada e fiel, durante tantos anos?
CG: A equipe é altamente envolvida com o esporte e há uma grande sinergia entre todos. Existe um bom ambiente de trabalho. O que favorece a baixa rotatividade da equipe e sua fidelidade.

ELAS: A indústria de cosméticos teve um crescimento exponencial em relação aos anos anteriores, o que a equipara com as indústrias: farmacêutica e de acessórios esportivos. Ao que se deve esse crescimento em relação aos esportes (no geral)?
CG: Está cada vez mais claro para a população que é importante implementar uma rotina saudável no cotidiano, e o acesso à informação cada vez mais abrangente garante que haja um desenvolvimento neste setor.

ELAS:  Você enxerga algum tipo de preconceito em relação as mulheres, no esporte - especificamente o Triday Series e no Ironman? 
CG: Por parte da Unlimited Sports, nenhum.

ELAS: Existe alguma diferença entre a participação das mulheres brasileiras, se comparadas às edições internacionais? O que difere?
CG: Conceitualmente, nenhuma diferença. Apenas no exterior, o percentual de mulheres praticantes é um pouco maior.

ELAS: "E se eu não conseguir terminar a tempo? O que acontece?" O medo pode ser paralisante. Como podemos esclarecer essa questão? O que realmente acontece? A pessoa é retirada (à força) da prova? O pórtico permanece até a chegada do último atleta? Ou é desmontado? Toda a equipe de produção, fica no aguardo? Existe algum protocolo internacional a respeito do que deve ser feito?
CG: O atleta é comunicado sobre o tempo de corte pela nossa equipe e é oferecida a opção de transporte até a chegada. Nunca tivemos problema em relação a essa questão, uma vez que os atletas estão de fato cientes sobre esta regra. Todos os atletas têm assistência garantida até o final da prova – chegada ou corte.

ELAS: No Brasil, qual foi o maior tempo que uma pessoa demorou para concluir a prova? (extrapolou o limite das 17 horas). Quem estabelece o tempo de corte? 
CG: Algumas pessoas já extrapolaram este limite, mas por poucos minutos além. Mas esses poucos atletas que não conseguem terminar no tempo oficial, recebem a medalha de finisher da mesma maneira. O tempo é estabelecido pela WTC.

ELAS: Em relação aos anos anteriores, as mulheres, pouco se atreviam no esporte. Atualmente, é possível mensurar o quando esse aumento, de participação, representa em números (faturamento)? Se comparado ao movimento masculino.
CG: A média de participação feminina é de 18% nas provas IRONMAN e IRONMAN 70.3 e 22% em TRIDAY. Houve sim um crescimento, mas ainda aquém do potencial.

ELAS: Qual é a estimativa de crescimento do mercado para os próximos anos? 
CG: O crescimento do mercado está ligado a fatores que ainda não conseguimos prever ou garantir como, por exemplo, a economia do país. Mas esperamos que o esporte cresça como um todo.

ELAS: A participação das mulheres cresceu numa época em que os meios de comunicação eram escassos. Como enxerga a participação da nova geração de triatletas no Ironman, com a overdose de informação, promovida pelos inúmeros meios de comunicação atuais?
CG: Sem dúvida, o acesso facilitado a informações, impulsiona a divulgação do esporte e, consequentemente, mais adeptos. Esperamos aumentar gradativamente a participação das mulheres no Triathlon.

ELAS: Como vê a importância da realização de projetos como o Elas no Triathlon? Cujo o objetivo é transmitir conhecimento, incentivar a prática do esporte e a participação nas provas do Ironman. 
CG: Projetos como este são muito bem-vindos, pois promovem um estilo de vida que temos grande satisfação em promover no Brasil.

ELAS: O contrato da Unlimited, com a marca do Ironman, segue até 2020. Você pode compartilhar se teremos novidades? Mudanças? Prospecções? 
CG: A priori, seguiremos 2020 nos moldes do cenário atual - 2019

ELAS: Existe algum protocolo internacional, específico, em relação a participação das mulheres? No que difere os homens? 
CG: Não existe um protocolo diferenciado.

ELAS: A USP sediara pela primeira vez, talvez, o maior evento do País. Recentemente recebemos a notícia que o principal espaço de treinamento dos triatletas, será restrito. Com regras nada inclusivas e um tanto radicais. O que acha dessa polemica? Como isso pode influenciar o evento? 
CG: Entendemos que a USP possui prioridades relacionadas à educação e gestão do espaço, com foco nos estudantes e profissionais da Universidade. Havendo necessidade de se estabelecer regras para utilização, é necessário que os atletas se adequem a tais ou proponham soluções que garantam o interesse de ambos.

ELAS: De todos os estados e cidades do país, como é a sua percepção da participação feminina?
CG: A participação feminina segue dentro da mesma média em todas as praças.

ELAS: O número de espectadores, cresceu na mesma proporção que a participação feminina? Qual é a edição/local que você percebe mais agitação? 
CG: O número de espectadores tem também crescido, mas acredito que a participação feminina deva seguir numa crescente maior que a quantidade de espectadores. A maior agitação é, sem dúvida, no IRONMAN Brasil.

Carlos Galvão
Carlos Galvão Reprodução

ELAS: O Brasil tem estrutura de produzir mais versões? Qual lugar você gostaria de fazer acontecer? 
CG: Por enquanto, acreditamos que a quantidade de provas está adequada ao número de praticantes.

ELAS: O número de mulheres. Assim como sua participação em diversas áreas da sociedade, veem aumentando. Sua participação em provas, também é muito expressiva. A que se deve? Você acha que é apenas uma questão social - de crescimento do papel da mulher como um todo, ou deve-se a outro fator?
CG: A participação feminina é um crescente em todos os âmbitos. No esporte não seria diferente.

ELAS: Quanto a participação internacional. Como estamos? O Brasil faz parte do calendário internacional. Podemos dizer que nosso país está em qual posição no ranking de maior procura?
CG: O Brasil tem um apelo turístico que favorece a vinda de atletas estrangeiros, também reforçada pelo bom histórico de nossas provas. Com certeza, é uma opção sempre levada em consideração no cenário internacional.

ELAS: De onde vem a sua inspiração? Quem são os seus exemplos?
CG: Minha inspiração vem da busca incessante que tenho para atingir a excelência no que fazemos. Meus exemplos vêm de dentro da minha casa, da minha base e da minha formação.

ELAS:  Você se vê fazendo outra coisa senão a administração geral do Ironman Brasil? Ambição maior?
CG: Teria grande satisfação em continuar contribuindo para o desenvolvimento do esporte ao consolidar mais provas no país, projeto este iniciado com o IRONMAN e reforçado com o lançamento do TRIDAY Series.

ELAS:  Cada ano um novo desafio, assim como uma nova lição. Estamos no meio do ano de 2019. O que aprendeu até agora?
CG: Este ano estamos implementando algumas alterações em relação às Transições das provas IRONMAN 70.3, seguindo um alinhamento mundial junto à WTC. Esse processo de adaptação da equipe em busca de melhorias tem sido um processo bastante interessante.

ELAS: Qual foi o episódio mais incrível, ao longo de todas as produções no Brasil?
CG: Foram vários. Os mais recentes estão mais frescos na memória e posso citar a chegada do triatleta Fábio Rigueira (46). Nesta última edição do IRONMAN Brasil, o atleta terminou a prova com suas muletas e foi, sem dúvida, um momento memorável. * Devido ao câncer, perdeu sua perna esquerda e pulmão direito.


Fábio Rigueira - Exemplo de Superação. Ironman Brasil - Florianópolis 2019

ELAS: Qual seria o conselho para aquelas mulheres que estão começando e tem o Ironman como objetivo?
CG: O IRONMAN é uma prova que exige muita dedicação e o meu conselho é que se cerque de bons profissionais da área para que tenha as melhores orientações durante os treinamentos.

ELAS: Qual foi a decisão mais importante e impactante em sua vida, no que diz respeito as produções da Unlimited?
CG: Creio que tenha sido a decisão de investir no esporte em suas primeiras edições, quando o IRONMAN ainda não tinha a projeção que tem hoje.

ELAS: Sempre existe espaço para que possamos melhorar sempre. Evolução. O que acha que pode melhorar nas provas? 
CG: O processo de melhora deve ser constante, precisamos estar sempre atentos à evolução do esporte, às tecnologias que surgem e, principalmente, no feedback dos atletas.

ELAS: As pessoas treinam e esperam a perfeição no Ironman. O mesmo com a produção. O que acha que pode melhorar?
CG: Cada evento possui uma especificidade e, para cada um deles, a cada edição, enxergamos pontos a serem melhorados. De uma forma geral, pensamos em sempre como melhorar a entrega final ao atleta, a experiência dele na prova.

ELAS: Qual a importância para a Unlimited S de envolver-se em projetos sociais? Quais são eles? A parte social deve fazer parte de todo grande projeto.
CG: Temos uma longa trajetória com algumas instituições as quais acreditamos e temos orgulho de apoiar: ADETRISC (Escolinha de Triathlon de Santa Catarina), AFLODEF (Associação dos deficientes físicos de Florianópolis), Casa do Pequeno Cidadão (SP), Talentos do Capão (SP), Instituto Fernanda Keller (RJ), Instituto Monike Azevedo (RJ) e Projeto Cidadão (Fortaleza).

ELAS: Como foi a decisão de fazer um Ironman em SP?
CG: Com a viabilização do TRIDAY Series USP, prontamente identificamos a oportunidade do IRONMAN 70.3 SP, o qual só foi possível graças a um trabalho conjunto com a Prefeitura de SP e a USP.

ELAS: Podemos dizer que o Triday Series é uma preliminar do Iron? A criação do TRIDAY Series se deu para atender a duas demandas principais.
CG: Disseminar o esporte entre atletas que tinham simpatia pelo triathlon, mas que enxergavam o IRONMAN como um objetivo distante, e oferecer opções de treino para atletas que já estabeleceram o IRONMAN como prova alvo.

ELAS: Seu contrato permite a criação de provas novas onde quiser no Brasil, ou somente a manutenção das existentes?
CG: O contrato garante a execução de provas apenas no Brasil, cabendo a nós estabelecer quais e onde.

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CEO da Unlimited Sports e da Ironman Brasil incentiva a participação do público feminino

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Precisamos falar sobre o Monte Everest

Juliana Manzato
Juliana Manzato
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No final do mês passado, precisamente no dia 23 de maio, uma quinta-feira, o nepalês Nirmal Purja publicou uma foto em sua conta no instagram que ganhou o mundo e levantou questionamentos. Se você acha o trânsito de São Paulo ruim, garanto que o do Everest, rumo ao cume, é pior. Aliás, bem pior por conta da altitude e do previsível mal de montanha. 

A foto em questão é essa aqui:

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Assustadora e bela, a foto trouxe a tona questionamentos sobre o montanhismo, governo nepalês e o quanto o Everest, agora, é pop. Antes mesmo de iniciar minha história com montanhas - que fique claro, sou uma iniciante! - convivi por um período com grandes montanhistas brasileiros. Aprendi muito sobre o esporte que envolve muito mais do que o famoso "sair da zona de conforto" ou a tal "motivação". A montanha, para quem a tem como esporte, é paixão, respeito e humildade. Você pode até pagar US$ 11.000 doláres para conseguir a autorização do governo Nepalês para fazer cume, mas, isso não te tornará um montanhista ou alpinista. 

E aí que a foto em questão fez outra mensagem rodar a rede social e chegar até mim pelo menos umas 100 vezes, essa aqui: 

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Tem uma outra imagem que inclui a história de sair da zona de conforto e tal, mas não achei para ilustrar esse digníssimo texto. Então, o que eu queria dizer para vocês é o seguinte: você não precisa fazer o cume da maior montanha do mundo para saber a hora de ouvir o seu corpo e parar. O Everest envolve riscos altos? Sim. É preciso ter coragem? Sim. Mas uma montanha como o Everest exige muito mais do que análise de risco, coragem ou motivação. Estamos falando de inteligência emocional, que bem, se você não souber trabalhar isso a seu favor, pode ser no Everest ou pode ser na sua mesa de trabalho, você não vai saber lidar com adversidades e vulnerabilidades apresentadas pela vida. 

Outra grande oportunidade que tive na vida foi de conviver com atletas profissionais de esportes radicais. Todos me disseram que a sensação de quase morte era a sensação mais viva que tinham sentido. Quem decide ir para uma montanha como o Everest tem motivos que vão além da sensação de conquistar o topo do mundo. É a busca incansável do ser humano em se conhecer, testar corpo, mente e espírito. É também a busca por importância. Talvez, o topo do mundo revele o que é realmente importante. Talvez uma ultramaratona de 150 km também revele o que realmente importa. Talvez uma corrida, dando à volta no Ibirapuera revele o que realmente importa. 

Sabe o que acontece? As resposta que tanto buscamos não estão necessariamente no desafio que aceitamos. As respostas estão num passo antes, no por quê de escolher determinado desafio. 

Então, sugestão antes de compartilhar mensagens sobre o Everest, limite, zona de conforto, motivação e etc, dá uma olhadinha nos desafios que você anda aceitando para sua vida - ou não. 

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Dicas para começar no fisiculturismo

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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O fisiculturismo é um esporte ainda pouco difundido no Brasil. E, desde que comecei minha coluna aqui no espnW, recebo muitas mensagens de mulheres que se interessam pelo esporte e gostariam de saber como proceder para se iniciarem no mundo dos fisiculturistas.

Então, resolvi separar algumas dicas básicas e essenciais para todas aquelas que querem entrar nesse delicioso universo, seja para competir profissionalmente ou simplesmente para esculpir um físico bem musculoso.

Primeiramente, como sempre insisto aqui em minha coluna, saiba que ser um fisiculturista envolve muito mais do que levantar pesos na academia: também requer paciência, disciplina e um regime alimentar bem rigoroso.

 Com planejamento e dedicação adequados, você pode entrar neste mundo desafiador, mas recompensador, do fisiculturismo.

Independentemente de você pretender participar de competições de musculação ou não, tornar-se um fisiculturista requer uma mudança de estilo de vida que vai  levá-lo a se concentrar em uma nutrição saudável e em treinos direcionados. Requer também que tenha a orientação de um profissional de nutrição e um de educação física!

Um “construtor de corpo” deve seguir um plano de treino voltado para a construção de massa muscular e seguir uma dieta que lhe permita manter a gordura corporal baixa.

Prepare-se para treinar

 Para alcançar o corpo de fisiculturista, você deve estar preparada para ganhar muita massa muscular. Isso significa treinos focados em grupos musculares específicos e um trabalho levado até a exaustão.

O fisiculturismo requer sessões rigorosas de treinamento de força, além de  trabalhar com um variedade de halteres e aparelhos de musculação.

O ideal é que você tenha sessões de treinamento de força três vezes por semana, e um a dois dias de descanso entre as sessões. Isso permite que seus músculos tenham um tempo de recuperação adequado e minimiza o risco de overtraining, o que pode impedir seu progresso como fisiculturista.

 Além disso, você deve criar um plano de treino, com o apoio de um profissional de educação física, concentrar em exercícios com bastante peso e pouca repetição. O ideal é que você se concentre em uma ou duas partes de seu corpo, durante cada treino. 

Por exemplo, no dia da perna, você pode fazer agachamentos com barra, extensões de perna, elevação de panturrilha sentada e elevação. 

Se você achar que o crescimento e a força muscular estão se estabilizando, mude os exercícios para enfatizar o músculo de uma maneira diferente.

Plano de nutrição para fisiculturistas

Consumir uma quantidade de proteína suficiente é fundamental para desenvolver um corpo de fisiculturista e aumentar a massa muscular. Recomenda-se um grama de proteína por quilo de peso corporal.

Carboidratos devem compor aproximadamente metade de sua dieta. Escolha fontes saudáveis, como frutas, vegetais e grãos, e evite açúcares e carboidratos processados. Consuma de cinco a sete porções de frutas e legumes por dia. Gorduras devem constituir cerca de um quarto de sua dieta e devem vir de fontes saudáveis, como sementes, nozes e óleos vegetais.

Coma um mínimo de três refeições por dia, mas considere comer refeições menores e adicionar lanches saudáveis entre elas. 

Finalmente, fique hidratado. Beba água ao longo do dia, não apenas antes e depois do treino. A hidratação é um dos maiores segredos para um fisiculturista. 

Embora a construção de massa magra seja possível apenas através de dieta e exercício, muitos fisiculturistas optam por suplementar suas dietas com glutamina, multivitaminas, creatina ou proteína em pó como forma de aumentar o crescimento muscular.

Consulte sempre um médico

Bom, e é claro que antes de embarcar em sua jornada pelo fisiculturismo, agende um exame físico com seu médico para verificar se há alguma condição de saúde que possa tornar o levantamento de peso intenso perigoso para você. 

Espero que com essas dicas básicas, tenha ajudado você a se decidir sobre a entrada nesse mundo! Posso dizer que o caminho é difícil e requer muita disciplina e força de vontade, mas acompanhar os resultados e o progresso do nosso corpo é altamente recompensador

Busque seu propósito. Deixe  seu legado.

Rê Spallicci

 

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Árbitra brasileira se consagra ao ser convocada para Mundial Juvenil de ginástica rítmica na Rússia

Marília Galvão
Marília Galvão

Conceição irá arbitrar primeiro campeonato Mundial Juvenil da história
Conceição irá arbitrar primeiro campeonato Mundial Juvenil da história Ricardo Bufolin / Panamerica Press /CBG

Ela dedicou a vida ao esporte. Desde o início escolheu não ser a protagonista, mas ficar nos bastidores. Dessa forma, Maria da Conceição, aos 67 anos, foi convocada como árbitra brasileira para o Campeonato Mundial Juvenil de ginástica rítmica, primeiro evento global da categoria até 15 anos, que acontecerá entre os dias 19 e 21 de julho, em Moscou, na Rússia.

Desnecessário dizer que isso a torna uma das principais árbitras da Confederação Brasileira de Ginástica. Sua história mostra que não foi à toa a convocação.

Conceição nasceu em São Luís do Maranhão - MA e começou sua relação com o esporte quando criança. Ela praticava atletismo e vôlei. Aos 10 anos, mudou-se para São Paulo. Como sempre esteve ligada à área esportiva, formou-se em Educação Física na Universidade de São Paulo (USP).

“Quando entrei na universidade, tive meu primeiro contato com a ginástica rítmica moderna. Veio uma professora da Alemanha que foi nos ensinando a trabalhar com bola, arco, fita, corda. Fui gostando e me apeguei a essa modalidade", conta com exclusividade ao EspnW.

"Depois que me formei eu passei em um concurso do Estado e da Prefeitura e fui trabalhar em um centro educacional com ginástica para a terceira idade, e aí com o passar do tempo alguns pais começaram a me pedir para também dar atividade a suas filhas”, continua.

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Conceição acatou o pedido dos pais e começou a dar atividade de recreação para uma turma de crianças e trabalhar iniciação para a ginástica rítmica com bamboles, cordas, bolas mais pesadas (diferente das que usam hoje), etc. 

“Comecei a trabalhar iniciação com essas crianças usando bola, corda, arco, e quando me vi eu já estava dentro da GR (ginástica rítmica). Eu era uma professora naquela época que estava dando aulas para a terceira idade e de recreação para as crianças, não tinha a intenção em ser técnica e nem árbitra de ginástica rítmica. Ela (a ginástica rítmica) surgiu sem querer, por acaso.”

Nessa época, Conceição começou a trabalhar como técnica de ginástica rítmica, além de apenas dar aula de recreação. "Isso foi ficando mais profissional. Fui em todos os cursos que aparecia de ginástica rítmica moderna. Eu investi muito no começo da minha carreira em cursos, mesmo sem saber se eu realmente levaria jeito para seguir como técnica de GR (ginástica rítmica). Estava preocupada em adquirir uma bagagem de conhecimento”, disse a profissional.

Maria da Conceição arbitrará o campeonato mundial juvenil de ginástica rítmica
Maria da Conceição arbitrará o campeonato mundial juvenil de ginástica rítmica Ricardo Bufolin / Panamerica Press /CBG

Conceição levou bastante jeito como técnica, passando inclusive pelo cargo na seleção brasileira de ginástica. Como árbitra, teve sua primeira experiência em 1980. “Apareceu o curso de arbitragem estadual e eu decidir fazer e passei. E esse curso me dava o direito de fazer o curso nacional, fiz e passei também. Nesse mesmo ano, fiz um curso intercontinental também e passei. Foi quando me tornei árbitra internacional.”

Para Conceição, os campeonatos mais importantes que já arbitrou foram os Mundiais de Ginástica, que incluem o Mundial de Alicante, na Espanha, em 1990 e o Mundial de Budapeste, na Hungria, em 1996, além do Pan-Americano (campeonato das Américas) de Havana, em Cuba, em 1991.

Em 1999, Conceição foi convidada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para treinar a seleção da Guatemala. “Morei oito meses lá para treinar o país. Foi a única vez que saí do país para treinar outra seleção. Foi uma experiência muito boa.”

A profissional sempre conciliou a função de treinadora com a de árbitra. Atualmente, aos 67 anos, ela trabalha na Fundação de Assistência Esportiva de Osasco (FAE), onde está desde 2014.

“Eu não parei mais, hoje dou aula na academia em Osasco. Eu trabalho com mais duas professoras, a Beatriz e a Daniela. Nesse momento eu não pertenço à seleção brasileira, eu apenas treino as meninas da FAE e sou árbitra da Confederação Brasileira de Ginástica, da Federação Internacional de Ginástica e da Federação Paulista de Ginástica.”

Conceição e suas alunas da Fundação de Assistência Esportiva de Osasco (FAE)
Conceição e suas alunas da Fundação de Assistência Esportiva de Osasco (FAE) Acervo pessoal

“Eu sou bastante realizada, eu já estou aposentada e estou praticamente encerrando minha carreira de treinadora com esse grupo de Osasco, e aí vou continuar um pouco mais na arbitragem acredito que por mais uns dois anos.”

Em julho deste ano, Conceição foi convocada pela Federação Internacional de Ginástica (FIG) para arbitrar o primeiro Campeonato Mundial Juvenil de ginástica rítmica da história, que terá a estreia no dia 19 de julho. Para a profissional, isso é uma grande realização por ser a única brasileira a arbitrar o campeonato inédito.



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Um desabafo pessoal: não é sobre mudar o técnico, é sobre mudar uma cultura inteira

Julia Vergueiro
Julia Vergueiro
Marta aponta para a 'chuteira da igualdade' após marcar gol
Marta aponta para a 'chuteira da igualdade' após marcar gol PASCAL GUYOT/AFP

Estou muito orgulhosa da nossa seleção. Ontem, logo após a eliminação, falei e escrevi bastante sobre isso, mas agora preciso desabafar.

Taticamente, o Brasil teve um desempenho excelente. Neutralizamos um dos melhores ataques dessa Copa do Mundo e jogamos de igual para igual contra uma das principais favoritas ao título. Antes da partida, quando publiquei a escalação brasileira divulgada pela CBF, vi enxurradas de críticas à comissão técnica por não começar com a Andressinha. Mas em poucos minutos de jogo ficou clara quão necessária era a função de Ludmila e Debinha pelos lados do campo, segurando as principais armas francesas e apostando no contra-ataque nas costas delas. O mérito é apenas da Ludmila e da Debinha? Ou é também da comissão que estudou a equipe adversária e por isso as instruiu a jogarem assim?

Não foram poucas as jogadoras que perdemos por lesão ou por estarem abaixo do nível físico necessário para a Copa do Mundo - Rafaelle, Bruna Benites, Adriana, Erika e Andressa Alves são nomes que fizeram muita falta a essa equipe, ainda mais em um jogo longo como o de ontem, no qual a reposição de peças à altura era essencial para mantermos a qualidade e a proposta tática. Soma-se a isso à baixa disponibilidade que ainda temos de jogadoras de altíssimo nível no Brasil, uma vez que o trabalho no futebol de base feminino aqui é quase nulo. Não se pode negar que diante desse cenário a tarefa de construir uma equipe capaz de fazer frente a times como França, Estados Unidos e Inglaterra, é no mínimo desafiadora.

O futebol é um jogo coletivo, e todo mundo que já disputou um campeonato sabe quão relevante e indissociável é a influência da comissão técnica no desempenho de qualquer equipe. A meu ver, não existe isso de “se perder é culpa do técnico, se ganhar é apesar dele”.

Eu também não concordei com a saída da Emily do comando da seleção. Eu também fiquei indignada de ver que a CBF não tinha sequer justificativas plausíveis para demití-la. Se tinha, não as trouxe à tona, mas a verdade é que por desempenho, por estilo de trabalho e por autoridade junto às jogadoras, ela merecia no mínimo a oportunidade de continuar.

Obrigada, seleção
Obrigada, seleção Getty Images

No entanto, o fato de ela ter sido injustamente demitida não é motivo para que o trabalho do técnico que veio a substituir seja também injustamente avaliado. Muitas pessoas da imprensa e personagens do universo do futebol feminino estão fazendo com o Vadão o que a CBF fez com a Emily – julgando competência por meio de resultados e de personalidade. Quão justo é você dizer que um treinador não se importa com a equipe só porque ele não esboça reações emocionais na beira do campo? Se a nossa seleção encheu tanto os brasileiros de orgulho nessa Copa, será mesmo que não existe qualquer mérito da comissão técnica que mereça ser destacado?

Repito: eu também prefiro uma mulher no cargo de treinadora da seleção feminina. Eu mesma faço questão de só contratar treinadoras mulheres no meu próprio clube, por inúmeros motivos. Mas assim como me incomoda saber que qualquer pai ou mãe das minhas alunas está colocando em xeque a competência das minhas funcionárias por causa de gênero, orientação sexual ou a forma como elas falam ou se vestem, também fico indignada que isso aconteça na relação imprensa-seleção. Em muitos dos casos, as pessoas que tanto criticam nunca sequer estiveram presencialmente em um treino dessa seleção comandada por Vadão.

Outros países entenderam que é possível formar grandes atletas e grandes equipes mesmo sem ter o "dom natural" com a bola. Aqui, a maioria ainda não entendeu isso. E muitos que já entenderam ou não sabem como aplicar as mudanças necessárias ou não possuem as ferramentas para isso. Esse desafio cabe tanto aos times femininos como aos masculinos.

É preciso criticar? Sim, sempre. Temos muito a melhorar como modalidade e como Confederação? Demais. Mas assim como nós clamamos por respeito às nossas jogadoras, treinadoras, jornalistas, árbitras, gestoras e a todas as mulheres que trabalham no futebol, também precisamos respeitar. Também precisamos olhar e avaliar todos os envolvidos sem pré-julgamentos e buscando ouvir ambos os lados de cada história. Não é sobre clube da Luluzinha ou clube do Bolinha, é sobre o profissionalismo de que o nosso futebol, a nossa impresa, e todo o nosso país precisa mais do que nunca. Se queremos voltar a ser potência no masculino e buscar ser potência no feminino, é a postura de todos nós que precisa mudar. 

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Mente e músculos em conexão: o que isto importa?

Rê Spallicci
Rê Spallicci
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Quem treina vai entender bem sobre o que vou falar agora: sabe aquele músculo ou grupo muscular que, não importa o quanto você os treine, parece nunca crescerem?

Sabia que o problema pode estar mais em sua mente do que em seus músculos?

 Embora o levantamento de peso seja percebido por muitas pessoas como um treinamento estritamente físico, existem muitos aspectos psicológicos fundamentais  em questão. E, hoje, eu quero abordar um dos mais significativos dentro do fisiculturismo: a conexão mente-músculo.

 A conexão mente-músculo (MMC)

Já  é conhecido que o movimento muscular é controlado pelo cérebro. O primeiro passo para a contração muscular é um sinal enviado por ele aos seus músculos, para que se contraiam. Você pode dizer que a conexão mente-músculo (MMC) ocorre em algo chamado junção neuromuscular que se dá quando “a mente encontra o corpo”.

Neste momento, o cérebro libera um neurotransmissor químico chamado "acetilcolina" para se comunicar com os músculos do corpo. Quando a acetilcolina é liberada na junção neuromuscular, ela cruza as "sinapses" (o espaço minúsculo que separa o nervo do músculo), as quais se ligam aos receptores na superfície das fibras musculares. É aí que se dá a contração muscular.

Logo, quanto mais você puder melhorar essa comunicação, mais fibras musculares você vai recrutar. Em última análise, ao melhorar o seu MMC, você está realmente aumentando o número de fibras musculares que estão sendo recrutadas, quando você faz um determinado exercício. E isso resulta em melhor contração muscular e, consequentemente, melhores resultados.

 Por que o MMC é tão importante?

Você já teve a sensação de estar na academia somente de corpo presente? Teve um dia estressante e cansativo, está lá treinando, mas sua mente está divagando...  seus pensamentos se desviam para as tarefas do trabalho ou assuntos rotineiros. Pois, então, é exatamente aí que está o problema: você perdeu a conexão mente-músculo.

Primeiramente, para entender por que o MMC é tão importante, você precisa entender a diferença entre os motores primário e secundário. O motor primário é o músculo que se destina a fazer o máximo trabalho na movimentação de um peso. Os motores secundários são os músculos que sustentam o motor primário.

Por exemplo, o peitoral maior é o principal motor do supino, e os tríceps e deltoides são motores secundários. O motor primário, ou músculo alvo, é aquele que você está tentando isolar e fazer crescer durante determinado exercício.

A gente sabe que existem muitos músculos no corpo que são inerentemente difíceis de serem trabalhados.  Geralmente os menores, porque não são responsáveis por muito trabalho pesado (como seus deltoides posteriores). Mas músculos como estes são extremamente importantes para construir um físico de qualidade. E para desenvolver músculos como os deltoides posteriores, você deve ser capaz de isolá-los e, para isso, só com um MMC forte.

Mais mente e menos peso

Quando você está no meio de uma série, o que passa por sua cabeça? Você está simplesmente tentando forçar o máximo de repetições?  Se a resposta é “sim”, você precisa rever alguns conceitos.

Ao realizar determinado exercício, você deve estar comprometido em sentir cada um de seus músculos-alvo. Você pode estar levantando uma enorme quantidade de pesos, mas, se você não está maximizando o trabalho feito por seu músculo primário, você está perdendo boa parte do trabalho.

Muitas pessoas ficam obcecadas com quanto peso estão levantando, em vez de se preocuparem com quanto trabalho seus músculos estão realmente tendo. Se você maximizar a força colocada em seus músculos-alvo, maximizará seus ganhos e resultados.

Levantar mais peso sem realmente direcionar os esforços não significa que seus músculos-alvo estão tendo mais trabalho, além de deixá-los mais suscetíveis a lesões.

E, se você treinar consistentemente assim, seu cérebro nunca aprenderá como se comunicar adequadamente com seus músculos e seu MMC.  Portanto, você deve concentrar sempre sua energia mental em contrair seus músculos-alvo em vez de levantar peso.

Se você quiser começar a ter ganhos consistentes, precisa aprender a fazer cada repetição como se ela fosse única. Existe uma enorme diferença entre completar dez repetições e fazer dez repetições. Cada repetição que você não sente é uma repetição desperdiçada.

Você pode treinar o quanto quiser, mas, se a sua conexão mente-músculo não estiver totalmente desenvolvida, nunca alcançará todo o  potencial. O desempenho atlético vai melhorar, quando você for capaz de bloquear mentalmente as distrações externas. Portanto, não deixe sua mente vagar na academia! Você não está lá para socializar (pelo menos você não deveria estar), mas  para se exercitar.

Treinar duro é importante, e é claro que todos querem levantar mais pesos. No entanto, se você quiser ter uma performance diferenciada, é melhor deixar seu ego de lado e pensar mais em como está treinando do que quanto de peso está levantando!

Busque seu propósito. Deixe  seu legado. 

  Rê Spallicci

 

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A Marta e o manifesto pela igualdade de gênero na Copa do Mundo dizem muito

Juliana Manzato
Juliana Manzato

Marta aponta para a 'chuteira da igualdade' após marcar gol
Marta aponta para a 'chuteira da igualdade' após marcar gol PASCAL GUYOT/AFP

Foi em dezembro do ano passado que conheci pessoalmente Marta. Foi em dezembro também que me emocionei com o seu discurso no ESPN Bola de Prata Sportingbet 2018. Ser a Bola de Ouro da premiação teve um gosto especial para Marta, tão premiada e aclamada fora do país, o reconhecimento no próprio país precisava vir. E veio. Veio com discurso emocionado e que também emocionou todos os presente no evento. Chorei naquele dia, e ainda choro todas as vezes que assisto. Foi a primeira Bola de Ouro dada a uma mulher, e era ela. (Pega o lencinho e vem comigo!).  

Ontem no jogo do Brasil contra a Austrália na Copa do mundo feminina de futebol, foi a estréia de Marta no torneio. Ela jogou o primeiro tempo, fez gol, atingiu a marca de Miroslav Klose, ex-jogador da Alemanha e maior goleador de Copas do Mundo, com 16 gols. Com os pés, a seis vezes melhor do mundo fez também o seu melhor - e maior - manifesto. O silêncio de quem já disse muito, e que hoje mostra para o mundo por que conquistou um novo recorde nessa Copa. Ah, Marta <3 

Na comemoração, a atenção foi parar nas chuteiras da jogadora. Uma chuteira preta e sem marca definida exibia o símbolo à favor da igualdade de gênero no esporte. Um manifesto tão significativo, que ganhou as redes sociais com apoio e declarações emocionantes sobre Marta e o futebol feminino. Aplaudir de pé é pouco. 

No perfil @goequal_, dá para acompanhar mais de perto o manifesto que traz a tona a desigualdade no esporte em meio à inúmeras polêmicas envolvendo patrocínio. Como falei no outro texto dessa semana, sobra oportunismo e frases de efeito, mas ainda falta o engajamento real das marcas - e do público, para o futebol feminino. 

O abismo entre o futebol masculino e feminino aparece dentro da própria Fifa. Enquanto a premiação na Copa da Rússia no ano passado ficou em torno de US$ 38 milhões, a Copa da França deste ano fará a Fifa desembolsar cerca de US$ 4 milhões para o time vencedor. O #ManisfestoMarta traz à tona não só a relação entre marcas e jogadoras, mas a valorização do futebol feminino dentro da própria federação.

Antes mesmo de discutir sobre o patrocínio de atletas, precisamos falar sobre mídia, oportunidades e também representatividade. Marcas precisam urgentemente mudar o mindset sobre projeção de marca, mídia e resultados. A cultura do nosso país é imediatista para tudo, seja para conquista de títulos ou negócios, isso inclui o posicionamento de muitas marcas que ao invés de desenvolverem um novo mercado, acabam escolhendo o caminho mais fácil para investimento. E ai, meus amigos, essas mesmas marcas querem entrar em campo e jogar o futebol feminino em condições que precisam ser revistas e principalmente, desenvolvidas. 

Se uma chuteira preta fez tanto barulho, imagina o futebol depois dessa Copa? 

#GoEqual #GoMarta #GoFutebolFeminino

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A Marta e o manifesto pela igualdade de gênero na Copa do Mundo dizem muito

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Caçula da seleção brasileira de golfe faz preparação para o Pan de Lima

Marília Galvão
Marília Galvão
Nina Rissi faz treinos intensos de preparação para o Pan
Nina Rissi faz treinos intensos de preparação para o Pan Acervo pessoal

Ela não pode viajar da Espanha, onde mora, para o Brasil, sem autorização dos pais por não ter completado 18 anos. Mesmo assim, conseguiu uma das quatro vagas para representar o país no golfe, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, em julho deste ano.

Nina Rissi foi apresentada ao golfe com seis anos, mas, na época, não se identificou com o esporte. A paixão surgiu alguns anos mais tarde, quando começou a disputar campeonatos. Hoje, aos 17 anos – ela faz aniversário no próximo dia 22 de junho - é a caçula da seleção brasileira e fará sua estreia no Pan. 

O maior evento multiesportivo das Américas será o campeonato mais importante já disputado na promissora carreira da atleta. “Estou muito ansiosa para poder jogar e acho que vai ser uma das melhores experiências da minha vida. No esporte, a melhor. Quando recebi a notícia foi uma sensação incrível, parecia um sonho, uma sensação de gratidão por receber uma oportunidade tão grande.”, conta ao espnW.

Nina Rissi é a caçula da seleção brasileira de golfe
Nina Rissi é a caçula da seleção brasileira de golfe Acervo pessoal

Nina deixou o Brasil e se mudou para a Espanha com apenas cinco anos. Ela mora em Barcelona com a mãe, o irmão – que também joga golfe – e o padrasto. A casa ficava perto de um campo para a prática do esporte. Então a mãe e o irmão tiveram o interesse de conhecer e, por terem gostado bastante, levaram Nina para praticar também. Ela não gostou num primeiro momento. 

“Depois de um tempo, quando eu tinha dez anos, minha mãe começou a me levar nos campeonatos que o meu irmão jogava e insistiu bastante para eu começar a disputar também. Como sou bem competitiva, comecei a gostar do esporte cada vez mais e a partir dos 12 anos eu já competia em nível nacional e internacional, ganhando campeonatos importantes. Isso me deu uma sensação de satisfação que me levou a jogar até hoje”, afirma.

Nina conta com o apoio de sua mãe para seguir firme na carreira. “Minha mãe sempre foi meu melhor apoio e minha maior fã. Ela moveu montanhas para dar a melhor vida para mim e para o meu irmão. Ela trabalhava de madrugada para poder nos levar para treinar durante o dia”, lembra a brasileira.

Nina Rissi faz treinos intensos de preparação para o Pan
Nina Rissi faz treinos intensos de preparação para o Pan Acervo pessoal


Lesões na carreira

Em setembro de 2016, Nina passou por um momento bastante difícil na sua carreira. A atleta teve duas lesões praticamente ao mesmo tempo, uma em um dos pulsos e outra no quadril. Depois de muita fisioterapia sem sucesso, precisou passar por cirurgia.

De acordo com a atleta, esse foi um momento de superação. “A parte mais difícil mesmo foi a recuperação, porque fiquei uns dois meses sem conseguir andar e nem usar uma das mãos, e realmente foi muito difícil acreditar que eu estaria jogando de novo, e com horas e horas de treinamento", disse.

Apenas quatro meses após a cirurgia, Nina foi campeã de uma prova do ranking nacional espanhol, campeonato que considera o mais especial da sua vida por ser o primeiro após a lesão.

A atleta também participou de outros torneios. O Grand Prix de Hossegor na França, quando ficou em quinto lugar, é um deles. Em março de 2019, jogou o Campeonato Sul-Americano juvenil na Argentina representando o Brasil, terminando na oitava posição. Neste ano, Nina disputou o campeonato nacional amador da Espanha, com mais de cem atletas, e ficou em nono.

Nina Rissi é atleta da seleção brasileira de golfe
Nina Rissi é atleta da seleção brasileira de golfe Acervo pessoal


Rotina de treino

Nina faz treinamentos intensos. A rotina começa às sete da manhã com a academia. Depois, ela vai para o campo. “É um trabalho muito estruturado e planejado. Além do golfe, faço atletismo. É um hobbie e um jeito de me preparar melhor para o meu esporte”.

No ano passado, a atleta assinou um contrato com a Universidade Estadual de Michigan por quatro anos para estudar e também seguir com a carreira de golfista. “Gosto de ter um plano B, sempre gostei de estudar. Já realizei esse sonho de entrar em uma faculdade no Estados Unidos. Quando acabar, quero estar boa o suficiente para jogar profissionalmente em um circuito que chama LPGA [tour das melhores jogadoras do mundo], nos Estados Unidos.”

Nina já confirmou participação também no 89º Campeonato Amador do Brasil, o torneio mais antigo e tradicional do país, que será disputado no início de julho no Campo Olímpico do Rio e que servirá de aquecimento para sua participação nos Jogos Pan-Americanos de Lima.

Ainda que no golfe a única diferença real entre amador e profissional seja o fato de que o primeiro não recebe premiação em dinheiro em torneios e o segundo sim, vale destacar que Nina é a única amadora entre os quatro convocados, e terá pela frente o primeiro grande teste da sua carreira.

A Confederação Brasileira de Golfe divulgou recentemente os nomes dos quatro representantes que disputarão os torneios feminino, masculino e duplas mistas no Pan. Além de Nina Rissi, foram chamados Adilson da Silva, Alexandre Rocha e Luiza Altmann. A abertura do Pan ocorrerá no dia 26 de julho e o torneio de golfe entre os dias 8 e 11 de agosto, no Lima Golf Club.

Nina Rissi é a caçula da seleção brasileira de golfe
Nina Rissi é a caçula da seleção brasileira de golfe Acervo pessoal
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Os musculosos também amam!

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas
Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas []

Hoje é Dia dos Namorados e o amor está no ar! E se vocês pensam que os fisiculturistas são musculosos insensíveis, estão muito enganados! Nós também amamos, afinal, o coração também é um músculo... ou não é? Rs

Eu admito! Namorar um atleta do fisiculturismo não deve ser uma tarefa fácil! A gente tem mil restrições de dieta, tem sempre horários regrados para treinar, comer e dormir, nas proximidades das competições ficamos com um mau humor daqueles…

 Isso sem contar que ainda existe a questão da exposição dos nossos corpos, que, muitas vezes, gera ciúmes! Meu noivo, o Marcelo Toledo, é megacompreensivo! Mas ele, além de ter sido atleta de natação, também pratica esportes e tem uma vida supersaudável! E, além disso, é meu companheiro e incentivador número 1.

Mas conheço muitas histórias de meninas que têm dificuldade de ter relacionamentos mais duradouros por causa do nosso esporte! Por outro lado, o palco das competições também pode ser um excelente cupido!

E é uma dessas belas histórias de amor, a de Diogo Montenegro e Bruna Ribeiro, que eu quero compartilhar com vocês neste dia 12 de junho!

Uma história de amor!

 

Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas
Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas []

Quando o Diogo Montenegro começou a competir no fisiculturismo, Bruna Ribeiro ainda nem pensava em entrar para aquele mundo. Praticante de musculação desde os 14 anos, foi em 2011 que o Diogo foi levado a uma competição de fisiculturismo por um amigo, se apaixonou pelo esporte e começou a treinar para valer.

 Logo então vieram os primeiros títulos amadores: ExpoNutrition 2012, IFBB Champion 2012, Arnold Classic Brasil 2014 e Arnold Classic Europe 2014.

Enquanto Diogo estava no seu quarto título, Bruna estava começando a treinar para valer. “No último ano da faculdade, em 2014, comecei a competir por influência de amigos e acabei me apaixonando pelo fisiculturismo. Sempre fui muito magra e treinava pra tentar ganhar massa muscular, mas não me preocupava com dieta. Eu achava que dieta era só pra quem quisesse emagrecer… então, comia um monte de porcaria, esperando que virasse músculo, mas, na verdade, eu estava virando uma falsa magra molenga. Minha primeira preparação foi feita em três meses e consegui ser campeã já na ExpoNutrition 2014.”

Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas
Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas []

O caminho dos dois continuou seguindo em paralelo, ela em Maringá, e ele no Rio de Janeiro. Bruna acompanhava Diogo pelo Instagram – “ele já era famosinho na época” e a única coisa que tinham em comum naquele momento eram as conquistas constantes de campeonatos. Além disso, faziam parte da mesma equipe. “Mas eu sabia pouco dele. Sabia que era um dos melhores mens do Brasil, que já tinha competido no Olympia, e que estávamos no mesmo time de um treinador. Mas acho que ele nem sabia da minha existência,” relembra Bruna

Até que, em 2016, naquelas ciladas do destino, a Bruna resolveu comemorar o aniversário de uma forma diferente e viajou para o Rio de Janeiro. Na festa onde ela foi para curtir a data, estava lá o Diogo. “Na hora que o vi, pedi pra tirar uma foto com ele. Mas eu não tinha certeza do nome dele. Não sabia se era Diogo ou Diego, e ainda achava que o sobrenome era Monteiro , mas já o achava  bonitão, né?  Pedi pra minha amiga bater a foto e falei o nome dele rápido pra ele não perceber que eu não sabia”, Bruna se diverte lembrando.

Dois dias depois, ela postou a foto com os dois e o marcou no Instagram. “Daí ele me achou nas redes sociais e começamos a conversar”. No fim de semana posterior, Diogo viajou para Maringá, e a história do casal começou. Até que depois de muitas idas e vindas de ambos, entre Maringá e Rio, Diogo se mudou para o Paraná, e os dois passaram a morar juntos!

 Vida de atleta

Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas
Bruna Montenegro e Diogo Montenegro - Atletas []

Hoje, Diogo e Bruna acumulam títulos e histórias juntos. Ele já venceu a Prestige Crystal Cup, em 2015 e 2016, Europa Games Orlando, em 2017 e 2018, a Muscle Contest Brazil 2018 e também no ano passado ficou em 12º no Pro Olympia. Bruna é bicampeã Estadual, campeã brasileira, top3 mundial, campeã Arnold South América e também campeã Muscle Contest Brazil 2018. E no na passado, competiu no Olympia e amador e se tornou PRO.

 Mas o torneio que tem um gosto especial para ambos é  Muscle Contest Brazil, tem como me contou o Diogo. “A Bruna competiu no sábado, foi campeã, e eu a pedi em casamento na hora da premiação. No dia seguinte, eu competi e também fui campeão.”

Sob o ponto de vista deles, namorar uma pessoa do meio facilita muito as coisas, porque um compreende mais a vida do outro. “Querendo ou não, esse esporte define todo o nosso estilo de vida. Uma disparidade muito grande quanto a isso ia gerar muitos conflitos e não daria certo. Nós não bebemos, não saímos todo final de semana, treinamos todos os dias e, principalmente, entendemos o mau humor um do outro perto das competições, nos períodos de restrições maiores”, revela Bruna. E Diogo completa: “A desvantagem é que sempre rola uns estresses quando a fome aperta, mas sabemos lidar com isso muito bem”.

 Mas, se rolam algumas desvantagens, o esporte proporciona outras inestimáveis. “Uma vez a Bruna estava competindo no Brasil, e eu nos EUA. Na hora da premiação dela, eu estava assistindo ao vivo pelo celular, no backstage da minha competição, momentos antes das minhas finais. Quando ela foi campeã, eu gritei muito, e os outros atletas vieram ver o que estava acontecendo e me deram parabéns pela conquista dela. Em seguida, eu também fui campeão da competição”, finaliza Diogo.

Para eles, este Dia dos Namorados de 2019 será ainda mais especial. No início do ano, Diogo e Bruna se casaram no civil e hoje são mais que namorados, são oficialmente uma família!

E é com esta história que encerro o artigo de 12 de junho, desejando a todos os casais um dia dos namorados repleto de amor e de cumplicidade, e que, independente das atividades desempenhadas por cada membro do casal, que um encontre no outro apoio, parceria, cumplicidade, inspiração e respeito!

 Um feliz Dia dos Namorados a todos e todas!

 

Busque seu propósito. Deixe seu legado. 

  Rê Spallicci

 

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A Copa do Mundo feminina de futebol e a resiliência das mulheres em campo

Juliana Manzato
Juliana Manzato

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Já faz algum tempo que acompanho a movimentação do mercado esportivo com o futebol feminino. Sobra oportunismo e frases de efeito, mas ainda falta o principal: engajamento. No melhor estilo, "falem bem ou falem mal", o futebol feminino ganha palco, holofote, álbum de figurinhas e visibilidade. Uma Copa do Mundo feminina de futebol está acontecendo, e entre jogos do Brasil na Copa América, polêmicas do Neymar, e outros campeonatos ao redor do mundo, nossas atletas ganham manchetes - pela performance e bom jogo, que fique claro. 

Estava mais do que na hora, e convenhamos, tá bonito de ver!  

Cresci em uma família que tem o futebol como esporte, tanto que a minha avó - e ídola - é palmeirense, super engajada nas partidas ouvidas no seu bom e velho radinho de pilha. Ela sabe tudo do Palmeiras - inclusive as contratações(!). Apesar de não ter seguido na linha futebolística, escrever sobre os mais diversos esportes me faz esbarrar no futebol - e dar uma olhada especialíssima no futebol feminino. 

Com tantas discussões sobre igualdade de gênero, feminismo e empoderamento feminino, inclusive no esporte, não demorou muito para grandes marcas surfarem a onda do futebol feminino. Nesses meus 31 anos, é a primeira vez que vou conseguir comprar uma camisa oficial de seleção com nome de jogadoras e com o modelo desenhado para o corpo feminino. É também, a primeira vez que estou acompanhando - e conhecendo - jogadoras de outros times e suas histórias, históricos, estilo de vida e etc. Não só pelo fato de exaltar uma atleta mulher, mas porque vejo no futebol feminino resiliência, resistência e engajamento. 

Engajamento esse que pega carona com os mais diversos movimentos à favor da mulher e da igualdade de gênero. Que também proporciona oportunidade para arquitetar de maneira mais consciente a escolha dessa nova geração de meninas que está por vir, e que, vão viver o "lugar de mulher é onde ela quiser" verdadeiramente.

Quando falamos em arquitetura de escolha trazemos para consciência a quebra de padrões apresentando novas possibilidades (recomendo muito leituras relacionadas a Richard H. Thaler e Cass R. Sunstein, ganhadores do prêmio Nobel de Economia e do livro Nudge). Se até então o futebol sempre foi apresentando como um esporte masculino, o momento atual mostra para a nova geração que mulheres jogam futebol tanto quanto homens. São competitivas, estratégicas, preparadas fisíca e emocionalmente para fazer uma bela partida.

Com tamanha exposição e holofote, conseguimos trazer para nossas meninas a oportunidade de perderem a vergonha e dialogarem com os pais a vontade de jogar futebol. De desenvolverem habilidades que só um esporte coletivo como o futebol pode desenvolver. Oportunidade de conversar e debater com outras meninas sobre o assunto. Estamos criando oportunidade para as outras amiguinhas da sua filha/sobrinha/afilhada/etc também jogarem futebol e quebrarem de uma vez por todas o estereótipo tão batido, mas tão presente, que "futebol é coisa de menino". 

E voltando a arquitetura de escolhas, estamos trabalhando para ter um mundo onde as garotas possam escolher o esporte que elas quiserem. Isso inclui um novo mindset de todos os adultos ao seu redor, para trabalhar o estímulo de novas modalidades esportivas além do tradicional ballet. E digo isso, por que segui exatamente por esse caminho, foram mais de dez anos no Ballet. Tive sorte de crescer em uma cidade do interior de São Paulo, e uma família que me deu acesso ao clube poliesportivo da cidade. Foi ali que entendi sobre diversidade e possibilidade. Futsal, basquete, natação, vôlei, tênis, corrida, artes marciais, e tantos outros.

Precisamos apresentar para nossas garotinhas mulheres que vão além da grande Ana Botafogo. Se tratando do país do futebol, não tenho dúvidas que temos as melhores.

 Da-lhe Marta e todas as atletas da Seleção Feminina de Futebol! 

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O dia em que eu voltei a torcer pela Seleção Brasileira

Bibiana Bolson
Bibiana Bolson

Sou e sempre serei uma torcedora da Seleção Brasileira. E para falar a verdade, é exatamente por esse sentimento, o de torcedor, que muitos de nós jornalistas esportivos, escolhemos o nosso ganha pão. Preservada a isenção necessária para o exercício da profissão, convenhamos, você tem que amar o que você faz, esse é o primeiro passo para qualquer um que busca o sucesso! Não sei citar um jornalista sequer que não seja também um torcedor (da Seleção ou de um clube de futebol), sim, somos todos apaixonados por esporte! 

Dito isso, quero compartilhar com vocês que fico emocionada toda vez que o Brasil está competindo. Não só torço, eu sofro mesmo. Acontece que, assim como muitos brasileiros, desde 2014 perdi o sentimento que era tão representativo desde a minha infância. A Seleção entrava em campo, mas não era a mesma empolgação. Até o dia de hoje... 

Quando o Brasil entrou em campo na manhã desse domingo contra a Jamaica, senti o que não sentia há muito tempo. Senti também algo ainda mais forte: que passo importantíssimo para o futebol feminino! Essa Seleção feminina, que perdeu 9 jogos consecutivos, estreou sob a voz de um dos maiores narradores da história da televisão brasileira. Estreou com uma comentarista mulher em televisão aberta. E estreou com vitória! Com três gols de uma das maiores jogadoras do Brasil, a Cristiane.  

Cristiane comemora hat-trick sobre a Jamaica
Cristiane comemora hat-trick sobre a Jamaica Getty

Vimos um Brasil aguerrido, com oportunidades e criando ao longo da partida. Eu sei que a Copa do Mundo é longa, que teremos pela frente grandes desafios e enfrentaremos também seleções de países que tratam o futebol feminino muito melhor do que nós, mas hoje eu quero apenas curtir esse sentimento que andava sumido por aqui.  

Às guerreiras da Seleção Brasileira, meu agradecimento por estarmos juntas vivendo esse momento histórico. Um dia que o futebol feminino lembrará para sempre. Uma manhã de domingo que nós mulheres vamos guardar no coração. Vocês, que andaram comigo com o sentimento que sempre o esporte masculino tem mais importância, vocês sabem do que estou falando, tenho certeza. Para cima, guerreiras!

Fonte: Bibiana Bolson

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Copa do Mundo começando e nós estamos na semifinal em Paris

Luiza Travassos Fut
Luiza Travassos Fut
Estamos na semi!
Estamos na semi! Reprodução

Enfim o tão esperado momento chegou. 

Depois de quase 30 dias que estamos na França , ontem foi a abertura da Ladies CUP,  um campeonato de Futebol Feminino de Clubes da Europa . E olha quem foi convidada pra participar: nós, as meninas do PSG Academy Brasil . O mais emocionante de tudo isso é que estamos vivendo essa experiência no mesmo momento que a nossa Seleção Brasileira está chegando para realizar o sonho de toda atleta de jogar em uma Copa do Mundo


Estamos todas aqui e a expectativa é enorme. Nós tivemos 4 jogos, ganhamos o primeiro por 4 a 0, empatamos o segundo em 0 a 0 e, no terceiro, saímos com a vitória (1 a 0). Encerramos o último jogo com mais uma vitória por 3 a 0! Hoje foram dois jogos: primeiro, enfrentamos Alemanha e, em seguida, a França. 2 a 0 nos dois jogos. Pra quem? Brasil! 

Amanhã disputaremos a semifinal. Nos dedicamos muito neste último mês aqui na França. Participamos de outros campeonatos, de amistosos e muitos treinos. O entrosamento aumentou ainda mais, a confiança está fortalecida e estamos firmes em busca da nossa taça.

[]


Enquanto isso, a seleção se prepara para seu primeiro jogo, dia 09/06 . Elas vieram de uma fase difícil e se tem uma coisa que o esporte nos ensina, é aprender com os erros e superar as dificuldades . Elas também estão fortes.  Tudo que viveram nos últimos meses faz com que elas saibam onde devem atacar e o que fazer pra conquistar a taça. 
E não posso deixar passar a oportunidade de mandar o meu recado pra elas. Na verdade, o recado de todas as meninas, as que estão aqui comigo jogando esse campeonato e de muitas outras que ainda não tiveram a oportunidade, mas que sonham em ser jogadoras de futebol.


Então , aí vai: 

Meninas da Seleção,

Quando vocês entrarem em campo no dia 9, saibam que vocês não serão apenas 11. Vocês são muito mais. Vocês são as raras atletas dos clubes profissionais brasileiros.  Vocês são dezenas de meninas, que acabaram de ser aprovadas nas recentes peneiras,  para as bases, que até recentemente, não existiam.  Vocês são centenas de meninas  que jogam em escolinhas e projetos sociais sem nenhum incentivo.  Vocês são milhares de garotas que sonham em jogar futebol , mas não tem onde, não tem como, não tem nenhum apoio , e por isso ainda não conseguiram , mas com vocês , elas conseguirão . Vocês são outras milhares de meninas que nem sabem que menina joga futebol, sim . E essas descobrirão nessa Copa do Mundo, graças a vocês. Obrigada por tudo que vocês representam pra todas nós. Como a gente diz por aqui, a cada jogo, a cada gol, tudo está no 0 a 0.  Então vão lá e tragam a taça, tragam a conquista de uma nova fase do Futebol Feminino.

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O fisiculturismo que transforma!

Rê Spallicci
Rê Spallicci
Edgard Cardoso - Fisiculturista
Edgard Cardoso - Fisiculturista []

Uma das coisas mais bacanas do fisiculturismo é a sua capacidade transformadora! Não são poucas as histórias que conheço de pessoas que saíram de uma rotina sedentária e que, graças ao esporte, mudaram totalmente seus hábitos de vida e, consequentemente, de corpo.

E uma das histórias que mais me surpreendeu foi a do Edgard Cardoso!

Quando jovem, Edgard era praticante de Karatê, o qual praticou por 20 anos, tornando-se faixa preta, campeão paulista universitário e vice-campeão paulista por equipe.

Após, passou a praticar Powerlifting que é uma modalidade de levantamento de peso. E a carreira dele nessa atividade também foi vencedora: sagrou-se dez vezes campeão paulista, oito vezes campeão brasileiro, três vezes campeão sul-americano, e uma vez campeão pan-americano, além de ter ficado em 13º lugar no mundial da África do Sul, em 2004. “Fui também campeão paulista e brasileiro de Supino e Levantamento Terra”, revela. 

Até que, em 2014, após todas essas conquistas, ele resolveu parar e, nesse mesmo período, verificou que estava com problemas de saúde. “Por não ter uma dieta controlada, adicionado ao excesso de consumo de carboidratos, adquiri esteatose hepática (gordura no fígado) e pré-diabetes. Foi quando resolvi cuidar mais da saúde.”

Coincidentemente, no calor desses acontecimentos, ele foi assistir a um campeonato de fisiculturismo e se apaixonou pela modalidade. “Era aquilo que eu queria. Comecei com a dieta e treinamentos, que culminaram na perda de 50 kg de gordura! Eu pesava, em 2014, 125 kg, e fiz minha estreia no fisiculturismo, em março de 2017, pesando 75Kg.”

Para que isso fosse possível, ele teve o acompanhamento da Dra. Ana Teresa Mello, que é médica nutróloga, e do Dr. Gustavo Pasqualotto, que é nutricionista e preparador de atletas. E ambos o acompanham até hoje. “Foi uma saga de dois anos de preparação intensa”, revela. “Recebi, também, o apoio e patrocínio da Performance Nutrition, que se interessou pelo meu projeto de vida e me patrocina até hoje.” 

Edgard estreou no Fisiculturismo, em março de 2017, ficando em 7º lugar. Depois participou do Paulista e ficou em 4º lugar, conseguindo a vaga para o Brasileiro, competição na qual foi vice-campeão. “O segundo lugar me deu uma vaga no sul-americano, na Argentina, no qual fiquei em 7º lugar”, conta orgulhoso.

E como não existe almoço grátis, para chegar ao seu corpo atual e alcançar todos esses bons resultados, Edgard mantém uma rotina pesada de dieta e treinamentos.  “Normalmente faço seis refeições por dia, com 150g de proteína em todas elas, variando com comida e suplementos. Consumo, em média, 100g de carboidrato em cinco refeições. Nas duas últimas refeições do dia, não consumo carboidrato, apenas gordura boa (abacate, pasta de amendoim, ovos inteiros). Os alimentos não são fritos. Sempre assados ou cozidos. Uso sal rosa do Himalaia e óleo de coco. Quando estou em off, aumento na quantidade de consumo de carboidratos. Quanto entro em precontest, mais próximo da competição, o carbo é reduzido, chegando a ficar zero na última semana.”

Em relação ao treinamento, ele faz um esquema de 4 por 1, ou seja quatro dias de treino e um de descanso. “Divido os grupos musculares da seguinte forma: peito e bíceps, dorsal e tríceps, ombro e trapézio e perna.  Aeróbico de 20 minutos por dia, quando entro em precontest, explica.

O fascínio pelo esporte

Mais do que os títulos, Edgard comenta que as lições de vida que tira do esporte é que mais o impulsionam. “O Karatê ajudou muito na formação do meu caráter. No levantamento de peso, aprendi a superar os limites, aprendendo que nada é impossível”, sintetiza

 Sobre o fisiculturismo, ele acredita que o esporte seja a materialização do jargão “você é o que você come”.

 “O fisiculturismo é o resultado de todo seu esforço com a dieta, treinos e privações sociais. Tudo isso reflete diretamente em seu corpo. Você se torna uma escultura viva; afinal, o esporte se chama originalmente bodybuilder (construtor de corpo). Nas competições, você vai simplesmente mostrar aos árbitros o resultado do seu trabalho. As pessoas buscam o físico perfeito, com volume muscular e simetria, e somente por meio do fisiculturismo isso é possível realizar.”

Outra coisa que o fascina no fisiculturismo é a longevidade que os atletas podem ter em suas carreiras. “Não há limite de idade para a prática e o ápice da carreira é aos 45 anos, segundo o Mestre Arnold Schwarzenegger”, comenta Edgard do alto dos seus 57 anos.

Uma verdadeira transformação

Edgard Cardoso - Fisiculturista
Edgard Cardoso - Fisiculturista []

Com a transformação que conseguiu em seu corpo, o Edgard me contou que muita gente ficou espantada e até pensou que ele tivesse feito cirurgias ou aderido a alguma fórmula mágica. “Mas a verdade é que não existe segredo, nem mágicas. Só muito trabalho e sacrifício.”

 Advogado no Tribunal de Justiça de São Paulo, há 30 anos, onde ingressou por concurso público, Edgard é assessor jurídico de gabinete de Magistrado. Casado com Cibele e pai de Fernando e Felipe, ele conta que o apoio da família é fundamental para que se mantenha firme em seus propósitos. “Sem ela, você não chega a lugar algum. Minha esposa é quem prepara toda minha alimentação e segue à risca todo o cardápio que minha médica e meu nutricionista passam. É um verdadeiro trabalho em equipe. A família ajuda muito no aspecto psicológico. Durante a fase aguda da preparação, você quer largar tudo. É nessa hora que aquela força extra vem da esposa e dos filhos e o estimula a treinar e não sair da dieta”, confidencia.

 Além de estar feliz com o corpo, Edgard comenta que ganhou inúmeros benefícios com sua nova vida. “A começar pela cura de doenças, além de ter mais disposição e força de vontade para enfrentar o dia a dia, ser mais bem-humorado e feliz.”

Para quem quer chegar aos 57 esbanjando um físico de dar inveja, ele acredita que “se quiser, você consegue”, desde que haja objetivo, foco e regularidade. “Mas saiba que sozinho não se chega a lugar algum. O acompanhamento de profissionais é essencial. A suplementação esportiva é importantíssima para a obtenção de resultados.

 No fisiculturismo, 70% são constituídos pela alimentação (incluindo a suplementação), e 30%, pelos exercícios. Sem dúvida alguma, o segredo está na comida. Outra coisa que é preciso desmistificar é que fisiculturista passa fome. Não, ele passa vontade, principalmente quando tem como diz um grande amigo meu, ‘cabeça de gordo’. Com o passar do tempo, seu paladar muda. O alimento fica mais saboroso. Existem milhares de receitas fitness, que se prepara com wheyprotein, pasta de amendoim, óleo de coco, bem como existe uma grande quantidade de temperos e molhos, tudo com zero gordura. Mudança de hábito, nada mais, esse é o segredo”, finaliza.

Realmente, a história de Edgard mostra que não há limites para a transformação, quando temos mente forte e desejo de mudança! Sempre que vejo personagens como ele, fico feliz em poder compartilhar suas trajetórias, porque sei que são pessoas como o Edgard que inspiram outras a transformarem as suas vidas, em diversos aspectos!


Busque seu propósito. Deixe seu legado.

Rê Spallicci

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Copa do Mundo feminina de futebol terá jogos exibidos no Museu do Futebol

Julia Vergueiro
Julia Vergueiro
Andressa, Cristiane e Marta estarão em campo pela seleção brasileira
Andressa, Cristiane e Marta estarão em campo pela seleção brasileira Getty

A Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA, realizada entre 7 de junho e 7 de julho, na França, terá jogos exibidos no Museu do Futebol – instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo. Com telão e arquibancada para cerca de 100 pessoas, o Museu recebe torcedores brasileiros e estrangeiros para vibrar por suas seleções. 

A estreia do Brasil é no domingo, dia 9 de junho, contra a Jamaica, às 10h30. Nesse dia, nossas alunas do Pelado Real FC estarão na arquibancada do Museu junto com os personagens da Turma da Mônica. Também assistirão ao jogo integrantes da União Brasileira de Mulheres (UBM) e do Movimento Toda Poderosa Corintiana. Com direito até a roda de samba, o primeiro jogo da Seleção promete agitar o Museu do Futebol.

2019 já é um marco para a história do Futebol Feminino. Pela primeira vez, os jogos do Mundial serão transmitidos pela TV no Brasil. E quem vier torcer no Museu também poderá conferir a exposição CONTRA-ATAQUE! As Mulheres do Futebol que narra a história do futebol feminino no país, que foi proibido por cerca de 40 anos entre as décadas de 1940 e 80 até as conquistas mais recentes.

“A exposição exalta esse momento e narra como foi o caminho trilhado pelas mulheres para chegar até aqui. O reconhecimento de suas lutas deve ser fonte de inspiração às novas gerações” afirma a diretora de conteúdo do Museu do Futebol, Daniela Alfonsi.

Carol Anjos, atleta do Centro Olímpico, visita a exposição Contra-Ataque
Carol Anjos, atleta do Centro Olímpico, visita a exposição Contra-Ataque Arquivo Pessoal

O ingresso para o Museu dá direito a ver a exposição temporária CONTRA-ATAQUE! As Mulheres do Futebol e a assistir aos jogos do dia. Às terças-feiras o Museu tem entrada gratuita.

Confira abaixo a programação de todos os jogos que serão transmitidos no Museu do Futebol:

Sala Jogo de Corpo

 7/6 - Sexta

16h França x Coreia do Sul (Grupo A)


 8/6 - Sábado

10h Alemanha x China (Grupo B)

13h Espanha x África do Sul (Grupo B)

16h Noruega x Nigéria (Grupo A)


9/6 - Domingo

10h30

Brasil x Jamaica

13h Inglaterra x Escócia (Grupo D)

 

11/6 - Terça

10h Nova Zelândia x  Holanda (Grupo E)

13h Chile x Suécia (Grupo F)

16h Estados Unidos x Tailândia (Grupo F)

 

12/6 - Quarta

10h Nigéria x Coreia do Sul (Grupo A)

13h Alemanha x Espanha (Grupo B)

16h França x Noruega (Grupo A)

 

13/6 - Quinta

13h Austrália x Brasil (Grupo C)

16h África do Sul x China (Grupo B)

 

14/6 - Sexta

10h Japão x Escócia (Grupo D)

13h Jamaica x Itália (Grupo C)

16h Inglaterra x Argentina (Grupo D)

 

15/6 - Sábado

10h Holanda x Camarões (Grupo E)

16h Canadá x Nova Zelândia (Grupo E)

 

16/6 - Domingo

10h Suécia x Tailândia (Grupo F)

13h Estados Unidos x Chile (Grupo F)

 

18/6 - Terça

16h Itália x Brasil (Grupo C)

 

19/6 - Quarta

16h Japão x Inglaterra (Grupo D)

 

20/6 - Quinta

13h Holanda x Canadá (Grupo E)

16h Suécia x Estados Unidos (Grupo F)

 

22/6 - Sábado

12h30 1ºB x 3ºACD - Oitavas de final (jogo 7)

16h 2ºA x 2ºC - Oitavas de final (jogo 1)

 

23/6 - Domingo

12h30 1ºD x 3ºBEF - Oitavas de final (jogo 2)

 

25/6 - Terça

13h 1ºC x 3ºABF - Oitavas de final (jogo 5)

16h 1ºE x 2ºD - Oitavas de final (jogo 6)

 

27/06 - Quinta

16h Vencedor do jogo 1 x Vencedor do jogo 2 - Quartas de final (I)

 

28/06 - Sexta

16h Vencedor do jogo 3 x Vencedor do jogo 4 - Quartas de final (II)

 

29/6 - Sábado

10h Vencedor do jogo 5 x Vencedor do jogo 6 - Quartas de final (III)

13h30 Vencedor do jogo 7 x Vencedor do jogo 8 - Quartas de final (IV)

 

2/7 - Terça

16h Semifinal Vencedor do jogo I x Vencedor do jogo II

 

3/7 - Quarta

16h Semifinal Vencedor do jogo III x Vencedor do jogo IV

 

6/7 - Sábado

12h Decisão do 3º lugar

 

7/7 - Domingo

12h Final

Serviço:
Praça Charles Miller, s/nº São Paulo, SP
Terça a domingo, 9h às 17h (visitação até as 18h)
R$ 15 | Meia-entrada: R$ 7,50 | Entrada gratuita às terças-feiras
* Horários diferenciados de funcionamento em dias de jogos no Estádio do Pacaembu. Consulte o site museudofutebol.org.br.
* Estacionamento com Zona Azul (R$ 5,00 válido por 3h). Mais informaçõesno site da Companhia de Engenharia de Tráfego – CET.


Fonte: Júlia Vergueiro

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Copa do Mundo feminina de futebol terá jogos exibidos no Museu do Futebol

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Melhor time feminino do mundo; a que se deve o sucesso da Atos e das alunas de Angélica Galvão?

Mayara Munhos
Mayara Munhos
Angélica Galvão levantou o troféu do título por equipes da categoria feminina pela primeira vez na história
Angélica Galvão levantou o troféu do título por equipes da categoria feminina pela primeira vez na história Kenny Jewel/GrappleTV


Além dos títulos individuais por atleta, que são muito cobiçados no Campeonato Mundial da IBJJF, o final do torneio é marcado pela premiação dos títulos por equipe. No ano passado, a Atos conseguiu vencer o bicampeonato derrubando a hegemonia da Alliance pelo segundo ano consecutivo. Este ano, a equipe liderada por Fábio Gurgel voltou a vencer e somou o 12° título, deixando o time de André Galvão em segundo. Mas isso tudo no adulto masculino.


Porém, algo inédito aconteceu: a Atos venceu por equipes no adulto feminino. É a primeira vez que o time das mulheres, liderado por Angélica Galvão, fica no topo do Mundial. Em 2018, a equipe terminou em 6°, com 22 pontos. A Alliance e a Gracie Humaita, que brigaram pelo primeiro lugar algumas vezes, acabaram ficando para trás para o Angelica's Army (Exército da Angélica, como 'apelidaram' suas alunas) levar o título para San Diego.

André e Angélica Galvão com o troféu de campeão
André e Angélica Galvão com o troféu de campeão Anailly Amorim

Nos primeiros dias de competição, a equipe disparou na liderança. Na faixa azul, destaque para Iasmin Casser, aluna de Guilherme e Rafael Mendes, da AOJ, que venceu ouro na categoria e no absoluto e ainda foi 'presenteada' com sua faixa roxa.  No peso pluma, Adriana Gamarra também somou pontos e faturou o bronze. 

Na faixa roxa, destaque para a campeã Jessa Khan, também aluna dos irmãos Mendes e que tem sido, sem dúvidas, um dos maiores nomes do jiu-jitsu feminino da atualidade. Ela também beliscou o bronze no absoluto. Destaque também para Heather Morgan e Crystal Gaxiola que, além do título na faixa roxa, receberam a faixa marrom no pódio. 

Na faixa marrom, alguns pontos a mais: Rafaela Guedes faturou o ouro na faixa marrom pesado e o bronze no absoluto. Quem também colaborou com pontos foi Emily Alves, que levou bronze na faixa marrom meio pesado e dividiu o terceiro lugar do absoluto com a Rafa.

Na faixa preta, Nina Moura, Nikki Cuddle e Luiza Monteiro estavam na briga. Nina e Nikki acabaram fora do pódio. Luiza, que era uma das favoritas ao título, ficou nas quartas de final do absoluto, sendo derrotada por Ana Carolina Vieira (GFTeam) e chegou na final da categoria meio pesado, mas ficou com a prata após ser finalizada por Andressa Cintra (Gracie Barra).

Bianca Basílio também era uma esperança de título. A atleta da Almeida, que luta os campeonatos da IBJJF pela Atos, fez a final do peso pena contra Ana Schmitt (Nova União) e terminou a luta empatada. Na decisão, Ana levou a melhor.

A GF Team até chegou a encostar, mas acabou em segundo lugar com 66 pontos. A Atos terminou com 71 e em terceiro, a CheckMat com 36.

Mas a que se deve o sucesso do time feminino da Atos? "A excelência está em oferecer o que minha cliente veio buscar. Isso faz toda diferença", me contou Angélica, que também falou um pouco mais sobre a turma feminina :)

AULA PARA MULHERES

Há 5 anos, Angélica tem dado aula só para mulheres. "As aulas femininas na Atos começaram quando eu fui graduada a faixa preta. Como a maioria das coisas na minha vida, o André sempre me desafiou a ir além. Eu confesso que não tinha muito interesse em dar aula, nunca tinha dado aula até então. O programa começou pequeno, o número de alunas ficava numa média de 8-10 meninas", disse a professora. Duas vezes na semana, um dos tatames da Atos é disponibilizado para elas. É uma aula que mistura o básico com o avançado, algo que possibilita que entrem novas alunas e que as mais antigas, também aprendam e contribuam com a classe.

Para a professora, treinar com mulheres traz uma realidade diferente e ela defende: "Peso, tamanho e força tem influência sim, se não tivesse, não existiriam divisões feminino e masculino, divisões de peso e nível de faixa. É um grande benefício ter um grupo bom de meninas para treinar". Mas apesar de defender o treino feminino, ela também acha importante encorajar as mulheres a treinarem nas aulas mistas.

"A mulher sem background no esporte pode se sentir intimidada dependendo do ambiente. Meu foco é apresentar o jiu-jitsu de uma forma saudável, interessante, eficiente, e com um toque desafiador. Com o tempo eu encorajo todas elas a participarem das aulas normais na academia", completou. 

Para Angélica, o fato de ser faixa preta e dividir a liderança da academia com André, também ajuda muito a ter novas alunas. "O fato de eu ser dona da academia, ser mulher faixa preta acaba ajudando bastante, pois eu sei a necessidade de uma mulher dentro da academia. Então acabo aplicando isso no time", disse.

Ela também acredita que o respeito que há entre ela e o André, é algo que acaba refletindo dentro do grupo, tornando o ambiente familiar, agrádavel e seguro. "Sempre me coloco como cliente e crítica. Analiso e me pergunto se eu gostaria daquele lugar se entrasse ali pela primeira vez, se eu me sentiria à vontade para deixar minha filha de 12 anos fazendo uma aula ali e sair para tomar um café. Esse é meu foco", disse. 


O DIA EM QUE ELAS CONQUISTARAM O TATAME PRINCIPAL

O que começou pequeno, tomou uma proporção gigante. Algumas semanas antes do Mundial, Angélica publicou uma foto e comemorou um recorde: 43 alunas.



A academia tem dois tatames a disposição, sendo um maior e principal e o outro, um pouco menor, que é onde acontece a aula das mulheres. Durante a aula das mulheres, acontece simultaneamente no tatame principal, o treino sem kimono, liderado pelo professor André. Neste dia, elas tomaram conta do tatame maior. 

"Ele [André] dá bastante suporte e atenção para o feminino. Então a gente sempre brincava que eu ia tomar o tatame grande. Aí esses dias, éramos em 43 meninas. Ele olhou e falou: 'pode usar meu tatame'. Foi uma honra", relembrou a professora.

Angélica também contou que para ela, o que mudou de cinco anos para cá foi o número de alunas e o fato de hoje em dia, poder contar com uma assistente para ajudá-la nas aulas. E, para quem acha que é difícil iniciar uma turma: acertou!

"Eu sempre dei meu melhor, mesmo quando ainda éramos em menos meninas. Já teve aula com 3 meninas apenas, mas eu sempre fiz com excelência, como se tivéssemos 100 meninas no tatame. Ainda contamos com 2 aulas semanais. Hoje tenho uma assistente em todas as aulas, pois são muitas meninas, e temos do nível inicial ao avançado. São meninas com metas e objetivos diferentes. Umas buscam competição, outras perda de peso, defesa pessoal, melhora da saúde, auto estima. Embora o jiu-jítsu seja o mesmo, isso precisa ser apresentados de maneira diferente", disse.

Angélica e André têm uma filha de 12 anos, Sarah, que é faixa cinza e preta e medalhista de prata no Pan-Americano. 

O SENTIMENTO DO TÍTULO

Pela primeira vez, a Atos levou o título da divisão feminina. Professora Angélica disse não levar o título como algo dela, e também disse que há muitas alunas, atletas e não atletas de outras filiais competindo pela Atos também.

"O título é da equipe. Sem bons líderes, que valorizam e incluem o jiu-jitsu feminino, não teríamos alcançado", disse.

Angélica reconhece seu empenho para fazer a equipe crescer, mas não deixa de citar: "Eu represento de uma certa forma o jiu-jitsu feminino na Atos. Sei que abri portas e de certa forma, tenho minha contribução para o esporte, mas sem todo grupo, nada disso seria possível". 

A professora e líder da equipe, já contou anteriormente que optou por abrir mão da carreira de atleta para se focar na academia e, embora tenha conquistado títulos mundiais na faixa roxa e marrom, não conquistou na preta, mas atrela isto a algo maior, e finaliza:

"Me sinto honrada e realizada. O título mundial de kimono na preta é algo que não pude conquistar, mas faço da vitória de cada uma delas, a minha vitória e o meu título mundial".

Que todas tenham fôlego para continuar levando a Atos para frente e que este, seja só o começo!

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