5 motivos que fazem o All Star Game da MLB ser tão legal

Antony Curti
Antony Curti

A quarta-feira , 10 de julho, marca um dia esquisito para os fãs do esporte americano: é o único dia do ano no qual não haverá uma partidas sequer de uma das quatro ligas que tanto admiramos e gostamos. Mesmo no natal (NBA), dia de ação de graças (NFL) ou Dia da Independência americana (MLB) há um cardápio recheado de partidas. Aliás, esses feriados chegam até a ser momentos importantes do calendário das respectivas ligas. A quarta, porém, não tem jogo nenhum – o que dá uma excelente janela para a realização dos ESPYs, os prêmios dados pela ESPN americana aos melhores do esporte dos EUA. 

Por que não tem nada na quarta? Bom, porque antes tem o jogo dMLB, as estrelas (All Star Game) do beisebol nesta terça, 9 de julho. Em vez de fazer uma série de tweets, resolvi fazer este pequeno texto para ilustrar como o All Star do beisebol é o melhor dos esportes americanos. Não que isso signifique tanta coisa a ponto de deixar o fã hardcore das outras ligas (e somente delas) meio pistola e faça com que ele venha tirar satisfações comigo no Twitter. Afinal de contas, ainda é um amistoso. 

Bryce Harper no All Star Game de 2018
Bryce Harper no All Star Game de 2018 []

Há mais defesa, por assim dizer

O primeiro motivo que faz do All Star da MLB o mais divertido dos esportes americanos é, também, a essência do esporte em relação aos outros. A defesa do beisebol não se opera de maneira física como na NBA, na NFL ou na NHL. Assim, o elemento "vamos evitar nos machucar" e, por tabela, defender com menos entusiasmo, não aparece na MLB. Claro que os placares são mais elásticos, com mais corridas anotadas, do que os jogos de temporada regular. Mas ainda assim há mais defesa, por assim dizer, do que na pointfest que virou o All Star da NBA, por exemplo. 

De certa forma, há alguma rivalidade entre os times

Leste e Oeste, Conferência Americana e Nacional: no final das contas, em ambos os casos, não há nenhuma rivalidade entre ambos. Já houve, mas não é mais o caso. Aliás, na NBA, o All Star Game não é nem mais entre Leste e Oeste, mas entre duas panelas (desculpa falar a verdade, mas você sabe que é o caso) de dois jogadores que "tiram time" para o jogo. Aliás, é mais legal assim. Na NFL, o formato AFC x NFC voltou – mas não sem antes fazer essa experiência, com lendas do esporte "tirando time" entre si e sendo treinadores das equipes. 

Já na MLB, ainda há certo resquício de rivalidade, dado que as duas Ligas, Americana e Nacional, têm uma regra diferente entre si: a do rebatedor designado. Na Liga Nacional, o arremessador vai ao bastão. Na Liga Americana, um rebatedor designado – que não joga na defesa, só rebate– faz isso por ele. Então a montagem dos elencos muitas vezes se dá de maneira diferente, embora nos últimos anos essas diferenças tenha sido reduzidas. 

Oportunidade de ver jogadores que em outros casos não veríamos

A MLB tem uma regra interessante para seu jogo das estrelas: todos os times, necessariamente, terão pelo menos um jogador no All Star Game. Isso faz com que o torcedor sinta-se mais representado – embora, claro, possa haver mais injustiças. De toda sorte, é por um motivo nobre. O beisebol tem uma relação com seu torcedor – e vice-versa – nos EUA que é um tanto quanto semelhante àquela do torcedor brasileiro com o futebol. Você raramente vê um torcedor do São Paulo (eu) assistindo porque sim a uma partida de Grêmio/Internacional/Atlético/Cruzeiro. Geralmente a gente vê os rivais, quando muito. No beisebol também é assim nos EUA: um torcedor dos Yankees raramente vai assistir a uma partida do Colorado Rockies. 

Na NBA e na NFL isso não acontece muito. Primeiro porque a primeira é uma liga de atletas: o nova-iorquino vai assistir aos Bucks porque quer ver Giannis Antetokounmpo. Na NFL, o esporte nacional (por muito) dos EUA, o calendário menor gera uma certa urgência de se assistir ao máximo de jogos possível. Na MLB, como demonstrei, isso não acontece. Assim, o All Star Game é uma ótima oportunidade para que esse torcedor dos Yankees veja Keltel Marte (2B do Arizona Diamondbacks), Nolan Arenado (3B do Colorado Rockies) e outros tantos que ele passa sem assistir de abril a setembro. 

Mais justiça na votação – o caso dos arremessadores

Além de garantir que haja um jogador de cada equipe, o All Star Game da MLB tem um elemento bem interessante que evita injustiças. Os arremessadores não são escolhidos pelo público. O escritório da liga e os próprios jogadores votam em quem será arremessador titular e reserva no All Star Game. Isso, claro, não evita que haja 100% de justiça – Blake Snell, arremessador do Tampa Bay Rays, estava fazendo temporada fantástica no ano passado e não esteve na primeira lista. O fato dele jogar num mercado consumidor menor e ser um jogador que não tinha tido uma temporada fabulosa anteriormente pesou, claro. De toda forma, justiça divina foi feita: Corey Kluber, dos Indians, acabou não jogando e Snell lhe substituiu. 

Seja como for, tirar o elemento do público na votação de uma das posições é um equilíbrio interessante. Neste ano, temos Jose Berrios merecidamente no All Star Game. Se a votação fosse aberta ao público, sinceramente não sei se o arremessador do Minnesota Twins seria eleito em favor de outro vindo de um mercado com mais torcida votante. 

É o que mais parece com um "jogo" mesmo

Bom, esse ponto o Ubiratan Leal me disse uma vez e estou me apoderando dele – dando os créditos, Bira! Se você pega os jogos das estrelas da MLB, da NFL (Pro Bowl), da NBA e da NHL, em qual deles você conseguiria enganar um leigo lhe dizendo que era uma partida entre dois times que realmente existem? Acho difícil que o da NFL, com os jogadores evitando dar tackle, e o da NBA, com os atletas defendendo mais de boa do que não sei o quê. Na NHL temos um jogo 3x3, com menos jogadores. Então só por conta disso, por padrão, o da MLB seria o mais parecido com um jogo de temporada regular. 

Dito tudo isso: o All Star Game da MLB ou das outras ligas está longe de ser algo além de um jogo festivo. Mas, deles, o que mais fico entretido é o da MLB. Por mais que as outras ligas façam mudanças tentando dar um quê a mais para seus jogos, creio que isso não deva mudar: até por conta da natureza do beisebol em relação aos outros esportes americanos. 

O All Star Game da MLB tem transmissão da ESPN para o Brasil – ao vivo e exclusivo a partir das 20:30 nesta terça, 9 de julho. 

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Melhor game de F1 já feito, F1 2019 é, também, mais do mesmo

Antony Curti
Antony Curti

Farei revisões de todos os lançamentos esportivos para PlayStation 4 e XBox One neste blog. Em todos, a mesma pergunta será feita ao final do texto: vale a pena comprar com preço cheio, especialmente se você já tem a versão do ano anterior? 

Chegamos a um ponto no qual a evolução dos motores físicos e gráficos é tamanha que pouca coisa pode mudar de um ano para o outro nesse tipo de lançamento. Antes de entrarmos nessas questões existenciais, vamos à revisão de fato para fazer jus ao título do review – que, embora contraditório, faz sentido. 

***

Quando tinha 6 anos, era fanático por Fórmula 1. Enchi o saco de minha mãe de tal forma que ela resolveu me dar de presente de aniversário um volante para jogar os games de corrida no PC – um amigo trouxe dos Estados Unidos, onde era possível comprar um em vez dos preços absurdos que tínhamos aqui, mesmo com o dólar 1:1 em relação ao real. Meu grande problema era conseguir configurar o tal volante para jogar com o Grand Prix 2 e F1 Racing, dois dos mais famosos games do gênero na metade da década de 1990. Mesmo quando conseguia, não era muito bom no jogo – normal para uma criança, convenhamos. 

A evolução dos jogos do gênero se deu de maneira concomitante à minha própria evolução jogando tais games. No início, não conseguia jogar sem assistência de freio, controle de tração e marchas no automático. A primeira coisa que consegui fazer foi jogar sem assistência de freio. Depois, comecei a passar a marcha no manual. Por fim, jogando hoje em dia com pedal e volante, o controle de tração que faz o carro rodar e virar um demônio se você acelera forte sem ele. 

Houve evolução dos jogos também? Sim. Desde o início da década, a Codemasters tem a exclusividade dos jogos de Fórmula 1 com os circuitos, equipes e pilotos do Campeonato Mundial. É "mato curto" para poder fazer coisas diferentes que permitam mais abrangência em modos de jogo, mas mesmo assim a produtora vem se esforçando para tal, como já veremos. 

Crédito: Divulgação/Codemasters
Crédito: Divulgação/Codemasters Codemasters

Simulação?

Que fique claro: F1 2019 não é um simulador tão fiel à realidade. Ele deixa a desejar para os Automobilistas, rFactos, iRacing e etc da vida especialmente no quesito de acerto de carros. Se você quiser se sentir como Nelson Piquet ou Niki Lauda nesse sentido, o F1 2019 não é o jogo para você. De toda forma, nem deveria ser. Esse é o custo "comercial" que a Codemasters paga para que o jogo seja viável. Há certos elementos arcade, por exemplo. Ele acaba sendo um jogo que vai agradar àquele que gosta de jogos de corrida, àqueles que assistem apenas às corridas de domingo e alguns que são fanáticos por Fórmula 1 a ponto de saber que a Andrea Moda é a pior equipe da história da categoria. 

Contudo, quem gosta mesmo de um simulador pode não ficar plenamente satisfeito. Há modelos de F1 em outros jogos – alguns nem tão hardcores em termos de simulação, como Gran Turismo Sport – que são mais fiéis à realidade. Ainda, no quesito simulação, os danos dos carros deixam muito a desejar – algo que deve ser até exigência da FIA. 

O conteúdo a mais: os carros clássicos

Ontem fui almoçar com amigos num restaurante alemão aqui em São Paulo. O prato principal estava delicioso, mas o que mais me deixou satisfeito foi a sobremesa: um apfelstrudel com chantilly – igual àquele que o Hans Landa come em Bastardos Inglórios. Se bobear, foi o que mais gostei no almoço. Não, pensando bem, foi. A analogia aqui faz sentido quanto aos carros clássicos disponíveis no jogo. São uma deliciosa sobremesa. 

É algo que a Codemasters faz desde a Era 360/PS3 – mas que agora podemos dizer que chegou ao ápice. Salvo modelos dos anos 1950 e 1960, a maior parte das gerações está contemplada. O plus da edição 2019 faz referência à temporada 1990, auge da rivalidade e disputa entre Alain Prost e Ayrton Senna. Seus bólidos naquele ano que terminou de maneira polêmica na primeira curva de Suzuka estão presentes na edição "Legends" do jogo e como DLC a parte para quem tiver a versão normal ou "anniversary", que foi a que testamos para o blog. 

De resto, mais do que já tínhamos antes. Sinto falta da Ferrari de 1995, com um ensurdecedor motor V12 que soava como poesia para meus ouvidos – mas, de resto, boa parte dos bólidos que fizeram história na Fórmula 1 estão presentes. Segue a lista: 

Década de 2000:  2010 Red Bull RB6,  2010 Ferrari F10 (F1 2019 Legends/Anniversary Edition bonus), 2010 McLaren MP4-25 (F1 2019 Legends/Anniversary Edition bonus), 2009 Brawn BGP 001, 2008 McLaren MP4-23, 2007 Ferrari F2007, 2006 Renault R26, 2004 Ferrari F2004, 2003 Williams FW25

Década de 1990: 1998 McLaren MP4-13, 1996 Williams FW18, 1992 Williams FW14, 1991 McLaren MP4/6

Década de 1980: 1990 Ferrari F1-90 (F1 2019 Legends Edition bonus), 1990 McLaren MP4/5B (F1 2019 Legends Edition bonus), 1988 McLaren MP4/4, 1982 McLaren MP4/1B

Década de 1970: 1979 Ferrari 312 T4, 1978 Lotus 79, 1976 Ferrari 312 T2, 1976 McLaren M23D, 1972 Lotus 72D

Modo Online: a bagunça de sempre

Detesto jogar games esportivos fora o FIFA quando o assunto é o ambiente online. Embora o Gran Turismo Sport tenha criado uma mecânica de reputação que deixa as corridas online mais limpas e o F1 2019 tenha algo parecido com isso, simplesmente não funciona e já há algum tempo é o caso. Se você quer jogar online este não é o jogo para você. Em literalmente todas as corridas online que disputei houve colisões absurdas na primeira curva. Em algumas, um carro que girou ficou no meio da pista só com o intuito de atrapalhar quem ainda estava  correndo. Foi uma experiência horrível e confesso que não estou surpreso em me desapontar com ela. 

Fora, claro, a questão do lag. Os carros dos oponentes parecem fazer um zig zag curto que atrapalha no vácuo e consequente ultrapassagem em muitas vezes. Nesse quesito, há muito a ser feito. Um servidor no Brasil ainda é um sonho distante como em Madden ou NBA 2k (esses, completamente injogáveis por conta de lag, coisa que o F1 2019 pelo menos não é). 

A Codemasters adicionou a possibilidade de customizar os carros no modo ranqueado, mas fora isso precisa endereçar a "boa educação" dos pilotos e principalmente a questão de servidores. Em ambos os casos, sinceramente, me parece algo impossível de vermos resolvido no curto prazo. Afinal, como disse acima, o jogo não é um simulador e menos ainda o será na modalidade online. 

A novidade do modo carreira: a Formula 2

Enquanto outros games do gênero como Project Cars 1 e 2 apresentavam a possibilidade de começar "lá atrás" no kart, o modo carreira da série da Codemasters sempre começou já na Formula 1. Isso tirava um pouco a imersão e foi endereçado nesta edição. Você agora começa – se quiser, se não pode pular direto para a F1 – na categoria de acesso, onde há rivalidades e "eventos" durante a temporada. Não se preocupe: é bem rápido, matei tudo em uma hora. De toda forma, recomendo que você dê uma olhada. É incrível como um carro de F2 é bem mais difícil de guiar do que um de F1 – até por ter anos luz menos aerodinâmica. Se você, no braço, treinar bastante com um bólido de F2, terá mais facilidades depois. Aqui, abaixo, dá para ver como tive que guiar o mais limpo o possível para fazer uma ultrapassagem. 

 

O primeiro evento se dá em Barcelona, com seu carro tendo problemas e a equipe ordenando que você deixe seu companheiro de equipe passar, dado que o carro dele está inteiro e pode buscar mais pontos para sua equipe. Como não é de minha personalidade deixar o cara passar fácil assim, não cumpri a ordem e ele não passou – pelo contrário, eu fiquei em segundo e ele ficou em quarto. Esse tipo de decisão bem como suas respostas em entrevistas – algo que já tínhamos no ano passado –lhe dão uma reputação de "showman" ou "cara legal". Essa reputação é importante porque cada equipe da F1 prefere um tipo ou outro. A Ferrari prefere o showman – a Mercedes, o cara legal. 

De resto, tudo o que já tínhamos na edição 2018 está lá. A árvore de melhorias no carro, por exemplo, segue por lá – onde você pode gastar os pontos ganhos no modo carreira em melhorias no motor, chassi e aerodinâmica para fazer sua equipe mais competitiva. As entrevistas, como também mencionei acima, também seguem no jogo e adicionam em imersão. 

É gratificante ver como as produtoras de games esportivos estão cada vez mais colocando elementos de RPG em seus "modos carreira" e aqui não foi diferente. Demoraram para entender como esses recursos são importantes para imersão mas, felizmente, eles viraram algo definitivo em jogos que simulam esportes. Ainda bem. 

Tenho o F1 2018, vale a pena?

Não. A menos, claro, que você faça muita questão dos carros e pilotos atualizados para a temporada 2019. Além das pequenas mudanças do modo carreira e um motor gráfico mais limpo – especialmente no que tange à iluminação – o game não mudou tanto assim da edição anterior para esta. A adição da rivalidade Senna/Prost é um elemento interessante e até mesmo ligeiramente replicada no início do modo carreira. Mas não é o suficiente para empolgar de verdade um fã casual que já tenha a edição anterior. 

Sinceramente, a menos que você seja muito fã hardcore ou tenha se empolgado com a adição da F2, eu recomendaria que esperasse uma promoção para adquirir o game em sua versão 2019. Como dito no início do texto, chegamos nessa eterna discussão de sexo dos anjos: será que um modelo de "subscrição" não faria mais sentido para jogos esportivos do que temos com os lançamentos anuais? Porque chegamos ao ponto que o mato está todo cortado e fica difícil, de verdade, colocar coisas novas a todo ano. A não ser que você faça o que a própria Codemasters já fez: tira um elemento do jogo, fica sem ele na geração seguinte e adiciona como novidade anos depois. Foi assim com os carros clássicos, por exemplo. 

De toda forma, temos o lado bom disso: como jogador da série desde os primórdios e como alguém que joga games de corrida desde o Grand Prix 2 no PC e os F1 World Grand Prix da vida no Nintendo 64, este é o melhor jogo de F1 já feito. Chegamos ao ápice. Agora é saber como a Codemasters vai lutar contra essa complacência em edições futuras. 

OBS: Review feito com todas as assistências desligadas (câmbio, freio, controle de tração) e num Logitech G29 no PlayStation 4. 

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Melhor game de F1 já feito, F1 2019 é, também, mais do mesmo

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No NBA 2k, os Rockets com Westbrook vão voar. E na vida real, funciona?

Antony Curti
Antony Curti

Histórias bonitas de amor no cinema não são lineares - gosto delas porque na vida real também é assim. Desencontros acontecem e quando os dois lados não estão na mesma página, a distância surge. Física, muitas vezes, mas em algumas oportunidades também uma distância em empatia, sintonia e todo o resto. 

Embora James Harden e Russell Westbrook estivessem distantes por 664 km, sempre se soube que seguiam próximos e, de certa forma, amigos. Ante ao terremoto que estremeceu a Costa Oeste na última free agency, Westbrook se viu sozinho em OKC. Nos últimos anos, Russell tornou-se um proprietário virtual do Thunder. A bola passava por ele, começava com ele e terminava com ele. As estatísticas, idem. Também nos últimos anos, ele era a esperança e o eixo motor do time, sobretudo no lado ofensivo da quadra. 

De repente, após anos de um sólido elenco com nomes como James Harden, Kevin Durant e outros, Westbrook se viu sozinho. Primeiro, Paul George pediu para ser trocado. Natural. A relação entre George e OKC sempre foi líquida. Ele era o escudeiro e não haveria uma fidelidade incontestável, nem para o sim e nem para o não. Essa foi a primeira peça do dominó final do desmanche. Na sequência, Jeremi Grant foi trocado para os Nuggets. A cena final do filme foi ontem a noite. 

Russell Westbrook durante partida do Oklahoma City Thunder contra o Indiana Pacers
Russell Westbrook durante partida do Oklahoma City Thunder contra o Indiana Pacers Getty

Por que Houston fez a troca?

Não havia outra saída para Daryl Morey, general manager dos Rockets. Primeiro, porque manter-se competitivo está em seu DNA e, de certa maneira, no da franquia também - não importando como os ventos estiverem soprando. Acontece que os ventos começaram a soprar de maneira mais forte no Oeste. De repente, a virtual garantia de que um time comandado por James Harden tivesse passaporte carimbado para a final do Oeste... Não existe mais.  

A análise da troca se opera em eixo. Primeiro, por que os Rockets "venderam" Chris Paul. Segundo, por que os Rockets "compraram" Russell Westbrook. Vamos à primeira. 

O contrato de CP3 era e é uma gigantesca bomba relógio e não há espaço na folha salarial de um time como os Rockets, que pretendem permanecer competitivos pelos próximos anos - o que não é problema no Thunder-2019. Chris Paul tem em seu contrato valores surreais e que não casam com sua produção. Ainda pior daqui uns anos. 2020-2021, aos 35 anos, conta em 41 milhões na folha. 2021-22, conta em 44 milhões. É como comprar um carro de luxo de 2010 e pagar mais caro do que um 0 km. Não faz o menor sentido e os Rockets perceberam isso a tempo - eu bati nessa tecla algumas vezes no ESPN League durante os playoffs, aliás. 

O outro lado é o por que os Rockets trocam CP3 por RW. No papel um é melhor que o outro. Westbrook é quatro anos mais novo e nas últimas três temporadas jogou 50% de minutos a mais do que Paul ao mesmo tempo que tinha um papel ofensivo muito mais importante em sua equipe. Ah, e foi candidato a MVP em todas elas. Ainda, caso o experimento dê errado, Russell pode ser trocado a partir de dezembro e certamente terá mercado - coisa que não é garantia com Chris. É como se livrar de um urânio empobrecido por um novinho em folha, que ainda não é radiativo. 

No NBA2k - ou no Live, vai que você prefere outro videogame - o elenco dos Rockets é maravilhoso para se divertir. Chuva de três pontos, Westbrook infiltra melhor do que Paul, enfim, vai ser uma beleza. Mas isso funciona na vida real? Porque vida real não é uma escalação no papel e nem videogame, com atributos dados aos jogadores e a química e ego entre eles não importando. A boa notícia, claro, é que eles são amigos. Mas como Westbrook vai jogar sem a bola? Nos últimos três anos, ele teve 33% de aproveitamento em catch-and-shoot, de acordo com o Second Spectrum Tracking, em bolas de três pontos. Paul? 45%.

Supondo que Russell carregue a bola, quanto ele vai dividi-la com James Harden num papel de shooting guard (ala-armador), se é que existe alguma possibilidade disso acontecer?  Embora exista a tara incessante das pessoas pelo precedente e pelo fato de ambos terem jogado junto antes, vale lembrar que James Harden jogando de vermelho está longe de ser o James Harden jogando de azul e laranja de OKC de 2012. 

Algo não encaixa, percebe? 

Westbrook vai ter que baixar a bola e perceber que virou um Michael Corleone ao final do terceiro filme. Já foi gigante, já foi candidato a MVP, mas para esse negócio funcionar, caso ele queira ser campeão, vai ter que se portar de maneira diferente. O time é de Harden, sempre foi e sempre vai ser. Westbrook chega para um papel de escudeiro que Paul George lhe foi na temporada passada. Quer prova maior que o time é de Harden do que o fato de que a diretoria trocou o futuro incerto pelo presente real por conta dele?

É uma nova aposta de Houston. Mas para funcionar, terá de ser, em essência, com muito risco - e  pouco ego. 

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No NBA 2k, os Rockets com Westbrook vão voar. E na vida real, funciona?

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Knicks não terem dado contrato máximo a Durant não é o absurdo que pintam

Antony Curti
Antony Curti

O autoconhecimento é uma ferramenta extremamente poderosa para o crescimento e o equilíbrio. Eu não pegaria um carro de Fórmula 1 para pilotar em Interlagos do nada, sei das minhas limitações e que, invariavelmente, iria me machucar. Da mesma forma, na 5ª série, eu não iria mandar um correio elegante na festa junina para a menina mais bonita da classe. 

O New York Knicks não quis oferecer um max contract para Kevin Durant. Foram duramente criticados na imprensa americana, no twitter e onde mais fosse. Mas é preciso contexto. Os Knicks não são uma franquia qualquer. Seu poder de atração de free agents é inversamente proporcional ao que deveria. Sem um título desde a década de 1970, com as demandas do mercado consumidor nova-iorquino  e com uma avalanche de decisões ruins atrás de decisões ruins, uma bola de neve foi criada e virou uma gigantesca avalanche. 

Não é exagero nenhum dizer que o melhor momento dos Knicks no século sequer existe em termos compatíveis com a grandeza que Nova York demanda. Em quadra, foi em 1998-1999 ao chegar nas Finais contra os Spurs. Meio que em quadra e fora dela, a era de esperança de Carmelo Anthony e o momento de euforia com Jeremy Lin e as semanas de Linsanity. No que realmente importa, títulos, não passaram da segunda rodada do Leste. 

Numa situação tão delicada, não é um passe de mágica que vai solucionar a avalanche no Madison Square Garden. O que funciona em outros times, como a contratação de um free agent de peso que muda o espírito da franquia, não funciona mais em Nova York. É necessária uma imensa reestruturação e, embora o Draft da NBA por vezes não seja tão impactante como o da NFL em termos de montagem de elenco, é por meio dele que essa reestruturação virá. Muita frustração foi criada em torno de não ter a primeira escolha geral e, por tabela, Zion Williamson. Pouco otimismo legítimo foi criado em torno do fato de, mesmo assim, terem R.J. Barrett, jogador com piso de produção alto e que de maneira orgânica pode melhorar as coisas em Nova York. 

Kevin Durant em sua passagem nos Warriors
Kevin Durant em sua passagem nos Warriors Getty Images

Ante esse contexto, digo: os Knicks não erraram em não dar um max contract para Kevin Durant. Primeiro porque para sair da situação em que se encontram, suor vai ter que ser derramado - um "processo" muito mais doloroso e cuidadoso do que ocorreu em Philadelphia. As expectativas em torno de um Durant que só volta na próxima temporada poderiam ser uma nova auto sabotagem para os Knicks. O time passaria mais um ano no limbo, esperando um Durant que voltaria de uma lesão grave. Lesão essa que, nos últimos 25 anos, só Dominique Wilkins conseguiu realmente se recuperar. Ou você esqueceu que Kobe Bryant e DeMarcus Cousins machucaram o tendão de Aquiles e não foram os mesmos depois disso?

Não estou agourando Kevin Durant ou torcendo contra, não é isso. Até porque citei o exemplo de Wilkins como exceção à regra e KD pode entrar nessa exceção. Mas os Knicks não podem ficar refém dessa esperança. Precisam organizar a casa de maneira orgânica. 

Ainda: quem garante que Durant toparia ir para lá? Tudo na vida de uma organização esportiva funciona como uma empresa FORBES 500. Imagine que os Knicks se esforçassem pelo contrato máximo em vez de arrumar a casa - a contratação de Julius Randle é bem subestimada, falando nisso - e ficassem sem nada? Sem Durant nem qualquer outra peça dessa reestruturação orgânica que eu disse? 

Claro que nem tudo funciona preto no branco. Mas acho que há exagero demais nas críticas a Nova York. Meio que virou, por padrão, uma crítica em piloto automático. Nem quando os Knicks são pé-no-chão e racionais parece que existe uma isenção de culpa. Tudo tá ruim. Tudo é limbo. Não acho que é assim. Caso Durant estivesse saudável, outros quinhentos. No panorama atual, foi a saída conservadora - mas com maior chance de haver uma recomposição da legitimidade de um time que deveria ser do tamanho de Nova York. 

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Knicks não terem dado contrato máximo a Durant não é o absurdo que pintam

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Kawhi Leonard nos Clippers: vencedores e perdedores

Antony Curti
Antony Curti

Tudo na vida se baseia em equilíbrio e numa balança. Poderia eu, estar fazendo uma propaganda demasiada ao signo de libra, para o qual pertenço? (risos). Talvez. Mas não é o ponto aqui. Um fato sobre análises esportivas é que, no final das contas, tudo se baseia em vitória e derrota. Um atleta mais talentoso é esquecido dezenas de anos depois em favor de um menos talentoso que acabou ganhando um título. 

Assim, como o mundo é dos vencedores, textos assim são uma excelente fórmula para a análise do pós-batalha. Farei bastante deles aqui. Para inaugurar o modelo, vamos à movimentação que mexeu com a força de vários times da NBA após o final de semana. 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Vencedor: Kawhi Leonard

Kawhi não precisou montar um circo para anunciar sua decisão. Embora o The Decision de LeBron James – "vou levar meus talentos", lembra-se? – teve sua renda de anúncios revertida para publicidade, foi algo que por um certo tempo maculou a carreira de James. Pareceu espetaculoso demais para alguns. Não que eu tenha me importado na época ou agora, mas fato é que muita gente torceu o nariz.

Com um silêncio ensurdecedor, Kawhi Leonard fez um The Decision à sua maneira: sem falar uma palavra sequer. Deixou a mídia fazer isso por ele, dado que de longe ele era o melhor free agent ainda disponível no mercado após a primeira leva de jogadores – Kyrie, Kevin Durant e etc. Como sobrou só ele, os programas americanos e o twitter dedicaram virtualmente todo seu tempo para falar de Kawhi. 

Ainda, o ala conseguiu algo importante: embora a ida para o Los Angeles Lakers seria uma quase garantia de título, ele nunca seria a estrela dominante. Poderia incorrer no "se perder, a culpa não é do LeBron" e o "se ganhar foi principalmente por conta dele". Isso não me parece muito atrativo para um diamante do nível de Leonard. Agora, nos Clippers, ele tem chance de aumentar seu brilho por contraste caso faça mais do que LeBron nos Lakers e ainda tem um time para chamar de seu no Staples Center. 

Nem perdedor, nem vencedor: Los Angeles Lakers

Não dá para falar que os Lakers saem vencedores ao não conseguir a contratação de Kawhi, mas também acho um tremendo de um exagero dizer que são perdedores. Afinal, ainda contam com o melhor jogador de basquete da década em LeBron James e um monstro do garrafão em Anthony Davis. Fosse um NBA Jam daria para dizer que seriam favoritos, mas o oeste selvagem não permite que com apenas dois jogadores possamos afirmar isso. De toda forma, os Lakers saem sem Kawhi mas com um plano mais austero, investindo em peças ao redor de LeBron – que jogará de armador – e AD. Como 3 and D, veio Danny Green e ainda outros reforços, como a volta de Rajon Rondo e a contratação de DeMarcus Cousins. 

Na prática é o New Orleans Pelicans de alguns anos atrás – que tinha muita expectativa em torno de si – mais a adição de um certo jogador de basquete nascido em Ohio. Não dá para dizer que os Lakers perderam. 

Perdedor: Toronto Raptors

Foi especulado que houve certas movimentações para que Paul George fosse trocado para os Raptors e, assim, Kawhi ficasse no Canadá. Para a diretoria de Toronto, o pacote – que supostamente envolveria Pascal Siakam, eleito o jogador que mais melhorou em 2018-2019 – seria caro demais e não apertaram o gatilho. Seja como for, não me parece uma decisão errada. 

De toda forma, os Raptors saem como perdedores. Não tem como dizer que o time vem forte como ano passado. A perda de Kawhi Leonard significa, também, a perda de protagonismo no Leste. Embora Toronto deva conseguir se classificar, não tem mais o mesmo poder de fogo para combater Milwaukee e Philadelphia. 

Vencedor: O resto do leste fora Toronto – principalmente o Boston Celtics

Em meio a uma gigante incerteza quanto ao time de Brad Stevens, uma certeza: há um competidor menos forte no Leste. Os Celtics estão na briga com outras equipes numa segunda potencial prateleira de força da Conferência Leste  – a primeira listei acima, Bucks e Sixers. Sem Kawhi, Boston tem poder de fogo para brigar ao menos pela terceira cabeça-de-chave no Leste, o que deixa a vida menos difícil para o time, que perdeu Kyrie Irving (se é que isso não seria reforço ante as tretas de vestiário) e Al Horford. Falando neste, agora nos Sixers, há um buraco no garrafão e não parece haver tanto talento no TD Garden para suprir isso – embora haja esperança se Enes Kanter começar a chutar melhor, vai que, né. 

Vencedor: Los Angeles Clippers

Um time que vem de um trabalho excelente com Doc Rivers – talvez o melhor que ele ja fez – e de uma campanha de 48 vitórias. Esse mesmo time deu canseira em Golden State completo, com direito a Klay Thompson e Kevin Durant saudáveis. Caso você tenha se esquecido, os Clippers roubaram dois jogos na série, que foi até o Jogo 6. Esse mesmo time agora tem Kawhi Leonard, atual MVP das Finais, e um Paul George de uma capacidade defensiva inestimável.  É possível dizer, embora a Conferência Oeste tenha um monte de bons times, que o lado azul e vermelho do Staples Center pinta como favorito depois da chegada de Kawhi e George. 

Não, a troca não saiu cara. Oklahoma City recebe um pacotão, mas lembre-se sempre: embora haja bons exemplos como os Warriors de Curry/Klay, os competidores se fazem via Free Agency na NBA, não pelo Draft, via de regra. Essas escolhas foram para ter Paul George e também Kawhi Leonard. Não apenas o ex-Indiana e OKC. 

Saudade daquilo que a gente não viveu
Saudade daquilo que a gente não viveu J Pat Carter/Getty Images

Perdedor: Russell Westbrook

 

Acho que o tweet acima diz tudo. 

Perdedor: Mercados pequenos

Não é a primeira vez que vimos isso acontecer, sejamos francos. A NBA tem uma disparidade muito grande entre mercados consumidores pequenos e grandes e, como é uma liga de atletas – e não de franquias, como na NFL – isso fica ainda mais óbvio em situações como esta. Ano passado vimos a mesma coisa com LeBron James dar opt-out de seu contrato com Cleveland para poder explorar as imensas oportunidades comerciais que se abrem em Los Angeles – uma cidade bem maior e segundo maior mercado consumidor dos EUA. A decisão de Kevin Durant escolher Brooklyn também não foi ao acaso, dado que Nova York é o maior mercado consumidor dos EUA. 

A times de mercados consumidores menores – e aos Knicks – com menor poder de atrair jogadores na free agency, o Draft fica ainda mais importante e isso ficou claríssimo em mais uma free agency. 

Perdedor: os outros 14 times do oeste

Sem Kawhi, por mais que houvesse um núcleo interessante e um bom trabalho de Doc Rivers, os Clippers não eram candidatos ao título. Agora são e, bem, é mais um time assim na costa oeste – para o desespero dos outros 14 times. Veja o caso de Golden State, por exemplo, que não conta mais com Kevin Durant e não deve contar com Klay Thompson até a véspera dos Playoffs: Houston, Los Angeles Clippers, Los Angeles Lakers, Utah Jazz, Denver Nuggets: de cabeça temos cinco times que têm totais condições de ficar acima dos Warriors na classificação. Isso é a demonstração de como o oeste estará mais selvagem que na segunda temporada de Westworld. 

Vencedor: o fã de NBA

Ok, seria bonito ver Anthony Davis, LeBron James e Kawhi Leonard dominando a pós-temporada com um basquete quase imparável que poderia se tornar o melhor time da década junto dos Warriors. Eu, pessoalmente, acharia bacana por alguns momentos. Mas fora o torcedor dos Lakers, uma hora essa panela iria começar a frustrar aquele que sonha em ver seu time brigando ou, ao menos, sonhando em brigar. Aqui, sei que minha opinião está longe de ser unânime e vai ter gente reclamando, mas eu prefiro muito mais uma NBA competitiva como essa que se avizinha do que a que poderíamos ter com um BIG 3 supremo nos Lakers.

Não dá para cravar nem o campeão do oeste e nem o campeão do leste. Há favoritos, claro, mas veja no oeste: tirando dois ou três times, temos pelo menos 10 com chances reais de se classificar e uns 5 com chances de chegar às finais. Isso é incrível para o esporte. O esporte, aliás, é o melhor reality show que existe. E é muito mais legal quando a gente não sabe o final da história. 

Siga-me no twitter em @curtiantony e no Instagram em @antonycurti

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Kawhi Leonard nos Clippers: vencedores e perdedores

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Iguodala e Durant saem, D'Angelo chega: Splash Family nos Warriors?

Antony Curti
Antony Curti

Havia uma grande certeza antes da última temporada da NBA: o Golden State Warriors chegava para brigar, como favoritos, e provavelmente estariam na final da liga. Foi o caso: o time não passou nenhum grande perrengue no caminho até as Finais - a bem da verdade o grande problema foi o inesperado e imponderável, as lesões de Kevin Durant e Klay Thompson. 

[]

Como está o panorama agora? Tudo aberto. Os Warriors são um time diferente para 2019-2020 do que eram há 365 dias, após a primeira leva da Free Agency. Se antes era uma certeza de que Golden State era o grande time a ser batido para a temporada, agora há uma pulverização de talento. Mais: o Los Angeles Lakers pode ser o grande favorito com LeBron James, Anthony Davis e... Kawhi Leonard - este, cenas dos próximos capítulos, dado que é o último grande free agent ainda disponível no mercado. 

Falando justamente nisso, o quinteto dos Warriors promete ser diferente de tudo o que estávamos acostumados antes de 2019. Klay Thompson começa o ano machucado e, com certo otimismo, deve voltar para a pós-temporada 2019-2020. Sua saída é suplementada por D'Angelo Russell, armador com início conturbado de carreira nos Lakers e que reencontrou seu bom basquete no Brooklyn Nets - em ano no qual brigou pra ser o Most Improved Player (jogador que mais melhorou) com Pascal Siakam. 

Com a chegada de Russell, veio a saída de Andre Iguodala para Memphis, sexto homem da dinastia dourada. A saída foi necessária por questões salariais para comportar a chegada de Russell. Com D'Angelo, Curry e a renovação de Klay Thompson, os Warriors têm 107 milhões de dólares comprometidos na folha. O problema? Draymond Green é free agent em 2020. A alma defensiva do time pode estar de saída num futuro próximo. 

Seja como for, o presente é o que importa. Enquanto Thompson não volta e sem Durant, é óbvio que é um time menos forte do que outrora. Menos imbatível, também. Mas é necessário certo respeito a D'Angelo e, queira ou não, certo otimismo também. Russell mostrou bastante inteligência no pick-and-roll na temporada passada e também um alcance especial no perímetro - coisa que parece e é importante para um time de Steve Kerr. No ano passado, merecidamente All-Star, D'Angelo teve 21,1 pontos por jogo, somando ainda a média de 7 assistências por partida. Isso, considerando que tem apenas 23 anos, é excelente. 

Até existe certa preocupação de alguns sobre como colocar Klay/Steph/D'Angelo em quadra - três armadores. Mas num time de Kerr, pouco pode ser duvidado quanto a isso. Não seria a primeira vez que uma tendência de small ball foi criada em Oakland/San Francisco. Com efeito, a saída de Kevin Durant é sentida mas isso não muda o paradigma estabelecido no meio da década, de que os Warriors ainda são um competidor ao título. 

Pode ser de maneira diferente, mas a alma de campeão do time segue em voga. É temerário acabar com essa dinastia. Os Warriors seguem fortes, embora de uma maneira diferente. Agora, como novos nomes ao lado dos Splash Brothers. Com Russell, talvez tenhamos até que pensar num apelido novo. Splash Family, talvez? 

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Mais um sinal de que fica? Kawhi assina contrato com empresa aérea canadense

Antony Curti
Antony Curti

Com a lesão de Kevin Durant, o destino potencial de Kawhi Leonard tornou-se um dos grandes focos e narrativas da intertemporada da NBA. Atual campeão e MVP das Finais, Kawhi tem opção contratual de tornar-se agente livre e assinar com qualquer franquia se assim desejar. Ele pode exercer essa opção e assinar com o próprio Toronto Raptors, é bem verdade, mas considerando a personalidade reservada do ala é virtualmente impossível prever algo nessa novela.

Ou será que não? 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Se juntarmos algumas peças de quebra-cabeça que nos foram deixadas, talvez possamos chegar a uma conclusão. Para começo de conversa, precisamos delimitar o sujeito da história: Kawhi Leonard. O título pelos Raptors contra o todo-poderoso Golden State Warrriors é um elemento a ser considerado na equação. Kawhi é do tipo de pessoa focada o suficiente para não se apaixonar pelos penduricalhos da fama. Redes sociais, dinheiro, fama, nada disso importa senão sua família e o amor pelo jogo. Como o objetivo do jogo é ser campeão, Toronto mostrou que pode lhe dar isso e que ainda poderá lhe dar, é algo com peso na decisão. 

Ainda, vale lembrar que por mais que haja uma ascensão de Giannis Antetokounmpo/Milwaukee Bucks, do bom time do Philadelphia 76ers e outros aspectos, a Conferência Leste ainda é um caminho mais fácil para as finais do que o povoado oeste. Na Conferência Oeste, mesmo um Utah Jazz que briga pelas quatro vagas finais dos playoffs ainda tem um time competitivo e que acabou de se reforçar com a chegada de Mike Conley para ajudar Donovan Mitchell. A vida no leste é bem mais fácil.  

Isso é importante de ser dito porque o outro potencial destino para Kawhi é o Los Angeles Clippers. Leonard é da cidade e o time fez bonito, considerando o elenco que tinha, num dos melhores trabalhos da carreira de Doc Rivers como treinador. Adrian Wojnarowski, cacique-mor entre os insiders americanos, afunila as possibilidades de times para esses dois. 

Kawhi segue em seu processo decisório mas há sinais – ou ruídos? – de que ele fica em Toronto. Além dos aspectos intangíveis que mencionei acima, temos alguns rumores. O primeiro dele é que ele vem se relacionando cada vez melhor com os companheiros de vestiário. Depois, saiu um rumor de que ele estaria matriculando sua filha numa escola de Toronto. Vale lembrar, LeBron James fez  a mesma coisa – mas com Los Angeles – antes de levar seus talentos para os Lakers. 

Hoje, saiu isto.


"Dando boas-vindas ao Rei do Norte, o verdadeiro #funguy (cara divertido) à família Cargojet"

A CargoJet é uma empresa canadense do ramo de frete aéreo e Drake tem contrato com ela. Não faria sentido Kawhi assinar algo com uma empresa canadense e ir embora de lá, certo? Bom, pelo menos na minha cabeça a lógica seria essa. Ainda, Kawhi levou sua namorada a um jogo de beisebol na noite de ontem enquanto o Draft rolava  – um jogo do Toronto Blue Jays. Se não houvesse ao menos um pequeno sinal de que ele possa ficar, Leonard não iria se expor publicamente assim. Lembrando que outrora ele esteve em jogos de beisebol em Los Angeles, aquele que na época parecia ser seu destino favorito – antes do exílio convertido em título no Canadá. 

Com Kevin Durant machucado, Kawhi Leonard torna-se o principal jogador na free agency e todos sabem do que ele é capaz: um jogador capaz de mudar narrativas, favoritos e os rumos de uma conferência inteira. Daí a #KawhiWatch que se segue. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

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Crônica: Os Guerreiros que caíram de pé

Antony Curti
Antony Curti
Steph Curry
Steph Curry Getty

A diferença entre guerreiro e mercenário reside além de lutar por dinheiro em vez de lutar por honra. Reside em como você cai. 

O Golden State Warriors chegou em sua quinta final de NBA com a impressão de que eram um exército de mercenários. Com DeMarcus Cousins jogando por virtual salário mínimo e Kevin Durant tendo se juntado aos Warriors depois de ter tomado a virada por 3-1 na final da Conferência Oeste, tudo indicava que o time era uma máquina mortífera, afinada e pronta para eliminar qualquer coisa que viesse pela frente. Com KD no quinteto, os Warriors ficaram atrás no placar em apenas uma série - na final do oeste do ano passado - contra os Rockets. De resto, só dominação. Chegaram à final deste ano sem ele e varrendo Portland. 

O título parecia inevitável. Mas há momentos em que as derrotas também são. 

Há certas coisas que não conseguimos ler ou prever nos esportes. As lesões são parte delas. E, em meio ao imponderável, os Warriors fizeram jus ao seu nome e mostraram seu verdadeiro valor. Em nenhum momento foram um exército de mercenários, jogando apenas por um anel. Jogaram com sangue, suor e lágrimas em quadra. Primeiro, Kevin Durant machucou. Depois, Kevon Looney.  Ambos voltariam à quadra na série final - mesmo sem nenhuma condição de jogo. 

Leia também: Kawhi, Rei do Norte (e da NBA)

A verdadeira virtude do guerreiro é lutar pelo próximo ao seu lado, mesmo que isso não faça sentido ou que a vitória seja um objeto distante, quase que inatingível. Kevin Durant entrou no Jogo 5 sem qualquer condição de jogar, Looney jogou hoje no sacrifício - esta, aliás, é a palavra que define os Warriors nesta série final. Sacrifício. Altruísmo. Essa é a diferença de um time qualquer, montado para vencer, e um time que joga junto. 

Golden State perde o título e não terá o tricampeonato. Perdem para um time forte, que merece os louros da vitória. Para um Kawhi Leonard impecável, que mereceria o título de MVP dos Playoffs se isso existisse. Perdem desfalcados, mas nunca jogando de maneira mole. Nunca desistindo mesmo parecendo que tudo estava jogando contra. 

O golpe derradeiro foi Klay Thompson saindo no Jogo 6 quando já tinha passado dos 25 pontos. Sentiu o joelho. Fez cara de dor. Em vez de dar as costas para a despedida da Oracle, voltou para bater o lance livre com a esperança que, com isso, pudesse voltar para a partida. Sua noite acabou ali. Mas não a temporada dos Warriors. Como seu nome diz, foram guerreiros até o último milésimo. Lutaram até o final. 

A Oracle Arena, que tanto ficou consagrada com chutes de 3 pontos de Stephen Curry, viu nessa jogada a última vez que os Warriors tentaram uma cesta - sem sucesso. A vitória dos Raptors estava consagrada. A luta dos Warriors teve seu fim. 

A diferença entre guerreiro e mercenário reside além de lutar por dinheiro em vez de lutar por honra. Reside em como você cai. Os Warriors mostraram por que são guerreiros. Porque caíram de pé. 

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Crônica: Kawhi, Rei do Norte (e da NBA)

Antony Curti
Antony Curti
Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Oracle Arena, 2017. Na frente do placar mesmo sendo zebra. Kawhi Leonard salta para fazer o chute e recebe o contato de Zaza Pachulia. A lesão. A incerteza. A derrota na série. 

Oracle Arena, 2019. Na frente do placar mesmo sendo zebra, Kawhi Leonard não precisa saltar para fazer os lances livres derradeiros e os pontos finais que o ginásio do Golden State Warriors viu em sua longa história. 

Nesse pulo de linha entre os dois parágrafos, muita coisa aconteceu. Leonard batalhou contra lesões e praticamente não jogou na temporada passada. O clima pesou em San Antonio. Ele dizia estar machucado e sem condições de jogo. O time não parecia acreditar muito na situação. O franchise player que deveria dar continuidade no reinado Duncan-Parker-Ginobili se afastou do time. Como resultado, foi trocado para o Toronto Raptors. 

Parecia o casamento imperfeito e que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. Kawhi exilado para o Norte como Jon Snow indo para a Patrulha da Noite em Game of Thrones. Os Raptors ainda lambendo as feridas de varridas sofridas, da brincadeira de "LeBronto", do sofrimento. Em momentos difíceis, ambos se deram as mãos e construíram algo. 

Toronto não chegou na pós-temporada como absoluto favorito que tínhamos em Golden State no oeste. Precisou de um Jogo 7 contra o Philadelphia 76ers, num buzzer beater de Kawhi. Nas finais do Leste, saiu atrás por 2-0 contra o Milwaukee Bucks - melhor campanha da liga e do potencial MVP, Giannis Antetokounmpo. Viraram a série e ganharam em seis jogos. Contra os Warriors, muitos imaginavam que apenas seriam uma dura luta e nada mais. 

Aí veio o Jogo 1, o (terrível) 2, as duas vitórias na Oracle. A pane no Jogo 5. O 3-2 e a chance de fechar a Oracle Arena no mesmo cenário em que todo aquele turbilhão começou na carreira de Leonard. A carreira parecia completamente bagunçada, havia incerteza de que se ele voltaria a jogar em alto nível. Uma carreira mergulhada em incerteza em meio às lesões e ao clima em San Antonio. Foi trocado para Toronto meio que como "um exílio" para o Canadá. 

No exílio, se fez Rei do Norte. Hoje, da NBA toda. 

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O Império Contra-Ataca: por que me rendi aos Warriors

Antony Curti
Antony Curti

Em meio à saída de Kevin Durant, a força dos Splash Brothers apareceu novamente. A ScotiaBank Arena entrou no jogo, um toco fantástico seguido de enterrada rolou em Steph Curry, DeMarcus Cousins fez duas faltas que custaram 4 pontos aos Warriors e tudo parecia jogar contra. É nesse momento, nas adversidades, que o caráter de um time é revelado. 

Steve Kerr
Steve Kerr Noah Graham/NBAE/Getty Images

O Golden State Warriors fez jus ao seu nome, de guerreiros, na noite de ontem. Brinquei muitas vezes quanto à panela e etc, mas uma panela não funciona da maneira que funcionou ontem. É um instrumento artificial, uma união pura e simplesmente com o objetivo de ser campeão. No primeiro momento que o caldo engrossa na panela, ela racha. Não foi o caso ontem e, a bem da verdade, não vem sendo durante a pós-temporada Durantless.  Os Warriors funcionaram como um exército no qual há uma sinergia digna de Três Mosqueteiros, não de um exército de mercenários. 

Sem Durant, Curry e Thompson combinaram para 57 pontos e as duas cestas derradeiras da partida. Em vez da bola ficar horas com eles nas jogadas derradeiras, Klay e Steph eram os últimos a encostar nela - com movimentação sem bola, com um pump fake fatal de Thompson. Não foi a sequência de crossover/stepback clássico de James Harden, com a vedete da bola de três. Foi bola girada. Foi inteligência. Foi bonito. Foi o momento em que me rendi e desliguei o secador. 

Do outro lado, a panicada. Nick Nurse, técnico dos Raptors, pode ser considerado culpado pelo resultado. Afinal, quem por ação ou omissão contribui para o resultado, pode ser responsabilizado pelo mesmo. Com pouco mais de seis segundos faltando, os Raptors ainda tinham um tempo para pedir. Eis a sequência que vimos, conforme ilustro no tweet abaixo.

Nurse poderia ter pedido tempo, mas ele nem de perto é o único culpado. Sequer que há um. Talvez uma tempestade perfeita ao mesmo tempo que existe (MUITO) mérito na defesa de Golden State - conforme, em muitos e muitos jogos já falamos. O coração dos Warriors - e não um amontoado de jogadores caros que se juntam para ser campeão. 

Os Warriors de Kerr têm; 

6-1 quando enfrentam um jogo de eliminação. 
8-2 quando atrás numa série de playoff
3-1 quando estão atrás numa série de Finais da NBA

Isso não vem do nada. Não veio do nada. E, pelo jeito, não irá para o nada. Torcer contra os Warriors depois de ontem tornou-se inviável.  A superação de ontem não foi a do vilão, do mal. Foi a de um time baleado que encontrou em suas raízes - a movimentação, o altruísmo, a coerência tática - uma virada fora de casa.

 A vitória de ontem foi um triunfo de Kerr, Curry, Thompson e, acima de tudo, um triunfo da organização. O Império Contra-Ataca. 

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O Império Contra-Ataca: por que me rendi aos Warriors

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Crônica: A Redenção de Kevin Durant

Antony Curti
Antony Curti

O Golden State Warriors ficou atrás em apenas um jogo numa série enquanto dispunham de Kevin Durant em quadra - ano passado contra Houston. Em finais da NBA, embora já tenham vencido o título sem ele na Era Steve Kerr, tinham 9 vitórias e 1 derrota com ele. Sem ele, 8-9. Ficou claro, límpido e cristalino que os Warriors são virtualmente imbatíveis com ele e um time mais mortal sem - embora o "Splash Warriors" seja incrível por si só. 

Durant sabia disso quando se juntou aos Warriors na Free Agency. O movimento foi duramente criticado nos Estados Unidos e, aqui no Brasil, chamamos de panela. Eu incluso - você, leitor de longa data, deve saber disso. A meu ver, foi covardia, porque ele sabia que ao se juntar aos Warriors a coisa ia virar um Megazord e ficar imbatível como de fato o foi. Não haveria como derrotar um time com 4 All-Star numa série melhor de 7 jogos. 

Recebi mensagens e argumentos em contrário dizendo que seria o mesmo que sair de um emprego e ir para outro melhor. Não vejo como sendo o caso: Durant estava no Thunder, um time de mercado consumidor menor e de torcida apaixonada, na frente por 3-1 na série valendo a Conferência Oeste e, ao perder, juntou-se aos Warriors. Não tem como dizer que foi o movimento mais nobre do mundo. Não tem como dizer que foi algo como Cristiano Ronaldo saindo do Manchester United para o Real Madrid. Ele seguiu o "se não pode com eles, junte-se a eles". Ele o fez e os tornou imbatíveis. 

Kevin Durant
Kevin Durant Getty Images

Isso, contudo, de nada mais importa. 

Na noite de ontem, Durant teve sua redenção. Jamais poderá  ser julgado como alguém que tinha na cabeça apenas a caça a um anel, a dinheiro, a fama ou qualquer coisa que seja. Durant colocou seu corpo na linha, sua carreira na linha, pela chance - apenas pela chance - do time seguir vivo nas Finais. A essência do altruísmo reside em se doar ao próximo sem que haja um bem para si, sem que haja pontos positivos para si. É fato que o título seria importante para ele, mas nessa altura da carreira, ele já tem dois. E especulava-se que KD sequer ficaria nos Warriors para 2019-2020, dado que tem uma cláusula no contrato que lhe permite ser free agent logo menos. 

Durant tinha nada a ganhar e tudo a perder. Doou-se pelo time dos Warriors, time este que não parecia mais ser tão seu como outrora. Em novembro do ano passado, no início da temporada regular, reportou-se que durante uma briga normal de vestiário, Draymond Green,supostamente, gritou:

"Vaza daqui, não precisamos de você"

Os Warriors tinham acabado de perder na prorrogação para os Clippers e o clima esquentou.  Ante essa situação e ao fato de que em nenhum momento vimos Kevin Durant negar os rumores de que seria free agent, ante os rumores de que o clima não estava legal, ante a questão dele supostamente ter se juntado aos Warriors de maneira artificial só para ganhar títulos, não faria sentido algum que ele arriscasse seu corpo e sua carreira por eles. 

Mas o altruísmo não precisa fazer sentido. Nós erramos. Eu errei. 

"A TODOS vocês que questionaram meu filho como homem, questionaram seu coração, questionaram sua integridade e seu AMOR pelo basquete, vocês NÃO conhecem-no. Ele tem o coração de um verdadeiro Guerreiro [Warrior]! Isso vai passar. Deus abençoe a TODOS".  Poucas pessoas conhecem alguém como uma mãe conhece o filho. Achamos que Durant sequer voltaria nessa série. Ele poderia arriscar a carreira como Kobe Bryant, Isiah Thomas e outros tantos que passaram por lesão de tendão de Aquiles. 

Ele não tinha condições de jogo, como ficou claro.  Isso não lhe impediu de ter condições de tentar ajudar os Warriors a reascender a esperança. 

Paneleiro. Covarde. Fraco. Kevin Durant foi chamado de muitas coisas nos últimos três anos. Só faltou uma palavra que realmente descreveu o que ele fez ontem. 

Warrior. 

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3º quarto: Como os Raptors roubaram o jogo 4 na Oracle Arena

Antony Curti
Antony Curti

Aqui neste blog, chamei a atenção para algo que já é mais do que sabido, no texto Nenhuma Liderança está a salvo contra os Warriors: Golden State é um time impressionante no terceiro quarto. 

"Nas últimas três pós-temporadas, os Warriors têm 54 sequências nas quais fizeram 10-0 em cima do oponente. Segundo o ESPN Stats and Info, de longe é a melhor marca da NBA. Como você deve esperar, boa parte dessas sequências aconteceram no terceiro quarto, vulgo a hora que o bicho pega para Golden State. A diferença de pontos dos Warriors, em pós-temporada em um dado quarto, é de absurdos +1.329 – 500 a mais que o segundo colocado no quesito, os Rockets, que o fazem no primeiro. "

O Golden State Warriors não é puramente um exército de mercenários ou uma panela sem alma. Brinco, claro, que é uma panela – e isso obviamente deixa a NBA menos competitiva. Mas é impossível dar o braço a torcer em relação ao coração e à química entre os jogadores. O mérito de Steve Kerr também há de ser dado quanto a ajustes do segundo pro terceiro quarto, mas essas sequências de 10 pontos sem resposta e as 7 viradas que falei acima também acontecem porque há uma cultura estabelecida na Oracle Arena. 

Enquanto outros times ficariam complacentes com um jogo fora de casa em série melhor de 7 e estando atrás por tantos pontos, os Warriors não querem saber de nada senão a total e completa dominância.  Poucas coisas, moralmente falando, demonstram isso como o poder de superação do time quando tão atrás no placar. Golden State pode não ser o "time do amor" para muitos. Mas, com certeza, é o time da virada."

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Ou pelo menos assim o foi até ontem

Durante o primeiro tempo, era nítido que o time dos Warriors estava eficiente e havia a expectativa de que a vitória viria a galope. Com a liderança e entrando no terceiro quarto costumeiramente avassalador, parecia que o jogo caminhava para uma vitória de Golden State. Aí vieram os Raptors. Toronto colocou 16 pontos a mais do que Golden State no terceiro quarto, a pior marca dos Warriors num jogo de playoff na Era Steve Kerr. 

O que os Raptors fizeram bem? Bom, primeiro de tudo, o óbvio, Kawhi Leonard teve 17 pontos, sua melhor marca em um quarto na carreira. Ajustes foram feitos por Nick Nurse também. No primeiro tempo, tiveram apenas 6 pontos na transição. No terceiro quarto, 13. No primeiro tempo, não conseguiram aberturas para chutes não contestados, forçaram várias bolas. No terceiro quarto foram perfeitos (4/4). Fora do garrafão, tinham 17% (4-23) de aproveitamento no primeiro tempo. No terceiro quarto? 66% (10-15). Eficiência foi a palavra de ordem.

O que esperávamos de Golden State aconteceu com Toronto. A série está com uma vantagem formidável dos Raptors.  34 vezes um time esteve 1-3 nas finais da NBA. Só os Cavaliers de 2016 viraram a série, justamente contra os Warriors. A boa notícia: times de Steve Kerr tem 83% de aproveitamento quando encaram um jogo de eliminação. Vejamos as cenas dos próximos capítulos. 

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Warriors saem derrotados, Curry sai vencido

Antony Curti
Antony Curti

47 pontos. Derrota. Mas da mesma forma que existem vitórias de Pirro, existem derrotas nas quais se cai para cima. Ao jogar com um time completamente desfalcado, Stephen Curry não fugiu e não se escondeu. Não há como qualquer um prosseguir com a narrativa de que ele some e pipoca em jogos importantes sem parecer um imbecil dizendo isso. Desculpe a honestidade, mas é apenas a realidade cuja atuação carimba após o jogo de ontem. 

A foto que postei acima, no Instagram, demonstra com clareza o momento. É importante ler além de palavras, cestas e assistências. Esporte, sobretudo, também é moral, psicológico, narrativa. A expressão de Curry, olhando para o logo do Golden State Warriors de maneira quase como lamentando, é emblemática. Curry olha como se soubesse que, em meio às lesões de Kevin Durant e Klay Thompson, ele sobrara como o último bastião entre a defesa do título e a invasão do Norte. 

Curry fez o que pode. Em termos numéricos, desde o primeiro momento, a partida caminhava para ser um momento de "Rambo" por parte de Steph, como tantas e tantas vezes vimos LeBron James tendo de fazer pelo Cleveland Cavaliers – em especial no início de sua primeira passagem por Ohio. Curry foi vítima do destino e das lesões mas não se fez de vítima. Embora na foto acima tenha baixado a cabeça em sinal de lamentação, não baixou a cabeça para a forte defesa dos Raptors e tentou proteger a Oracle Arena. Acabou sendo em vão. 

Kevin Durant novamente está fora segundo Steve Kerr e não joga na sexta. Klay Thompson deve jogar e, como vimos no Jogo 2, sua participação nos Warriors – até mesmo defensiva, aspecto subestimado de seu jogo – é de vital importância. A série está 2-1 e nada está perdido para os Warriors. Para Stephen Curry, mesmo com a derrota, é uma partida que aumenta seu legado. É uma atuação maiúscula. É uma atuação de caráter. É uma atuação que coloca fim em qualquer narrativa de que ele se esconde em jogos grandes. Os Warriors saíram derrotados ontem. Curry saiu vencido. 

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Warriors saem derrotados, Curry sai vencido

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Sem Durant, Cousins será essencial no Jogo 3

Antony Curti
Antony Curti


8 de maio. 

Essa foi última vez que vimos Kevin Durant em quadra. Era o jogo 5 da série entre Golden State Warriors e Houston Rockets, valendo pela semifinal da Conferência Oeste. De lá para cá, os Warriors perderam apenas uma vez, no jogo 1 contra o Toronto Raptors. Isso não quer dizer que ele não seja necessário neste momento. Até porque, considerando a quantidade de lesões para além de KD, a coisa não está fácil. 

Klay Thompson, que saiu do jogo 2 com lesão no posterior da coxa, está com participação questionável para o jogo 3. Durant está fora. Looney está fora. Cousins está dentro. 

Kevin Durant
Kevin Durant Getty Images

Esse é o grande ponto para o Jogo 3, sobretudo no lado defensivo. De toda forma, cabe perguntar: como o Golden State Warriors da Era Steve Kerr joga sem suas estrelas? O ESPN Stats and Info compilou essa informação. 

Desde 2016-2017/temp regular e playoffs e considerando o "big 4" como Curry, Durant, Green e Thompson, os Warriors têm 79% de aproveitamento quando todos jogam. Quando um deles está fora, 73%. Quando dois deles está fora, como pode ser o caso de quarta caso Klay não jogue, 61%. 10% parece pouca coisa, mas se tratando de um dos melhores times da história e em casa, qualquer desfalque pode fazer a diferença pra o oponente começar a sonhar. 

O impacto da ausência potencial de Klay

É, mas isso não significa nada - sobretudo se DeMarcus Cousins jogar no nível que jogou no jogo 2. Cousins visivelmente ainda não esta 100% - como também não parece ser o caso de Andre Iguodala, que foi visto mancando no vestiário. Seja como for, os Warriors mostraram inteligência e um poder de superação que são dignos de seu legado. Os 22 últimos chutes da partida mostraram aquela bola girando de mão em mão até chegar a sexta - eles todos foram assistidos. 

A potencial ausência de Klay Thompson pode ser sentida, sobretudo, se a defesa de Toronto jogar como o fez no primeiro jogo: com intensidade e contestando chutes. Thompson fez 31 pontos nessas situações no Jogo 1 e 2 e seu gatilho estava tão impressionante como... Bem, como sempre. O resto dos Warriors combinados em situações similares? 31 pontos. Todo o resto do time. Klay teve 46% de aproveitamento nessas situações e o resto apenas 22%. 

Parece uma estatística solta, mas quando combinada com questões de eficiência ofensiva, preocupa. Com Thompson em quadra, ainda segundo o Stats and Info, são 112.1 pontos/100 posses para Golden State. Sem ele, a marca cai para 96.2. Essa diferença, de -15,9, é a maior queda na ausência de qualquer jogador dos Warriors com pelo menos média de 10 minutos nas finais. 

É por isso que Cousins precisa repetir o que fez no Jogo 2

DeMarcus Cousins pode ter pouca experiência em playoffs, mas teve impacto incrível no Jogo 2. 

Depois de jogar apenas 8 minutos no primeiro jogo, Cousins teve sua minutagem aumentada por Steve Kerr para 28 e começou a partida. Jogou de maneira inteligente, com a cabeça erguida e sem ser apenas um poste no garrafão. 35% das cestas dos Warriors com ele em quadra foram assistidas por ele - foi a melhor marca de um jogador dos Warriors na partida e a melhor por um jogador com mais de 2,10 m desde as finais de 1997. 

O impacto defensivo de Cousins talvez tenha sido ainda mais impressionante. Até porque temos que considerar a ausência de Kevin Durant.  Ele selou o garrafão de maneira incrível e sua fisicalidade frustrou os Raptors. Sem chance de infiltrar, o time optou por tiros de média e longa distância e eles simplesmente não deram certo - subir a marcação e meia ajuda foram essenciais e temos que bater palmas para Steve Kerr por conta desses ajustes. Não é como se Toronto não tivesse tentado bater pra dentro, infiltrar. Fez isso. Mas Cousins entrou como um homem em missão na quadra. No jogo 2, em 12 oportunidades de infiltração de garrafão com Cousins sendo um dos defensores, os Raptors saíram com... 0 pontos. 

É difícil prever esse tipo de coisa. Aliás, com exceção às grandes lendas do esporte, um jogo fora de série não necessariamente virá seguido de outro - vide Siakam no Jogo 2. Mas o Golden State Warriors, especialmente na ausência potencial de Klay, precisa jogar de maneira a compensar a eficiência perdida. Essa eficiência - nos dois lados da bola - pode vir com Cousins. Cabe saber se ele entregará. 

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Sem Durant, Cousins será essencial no Jogo 3

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ESPN League segue diário até o último jogo das finais da NBA; Veja horários

Antony Curti
Antony Curti
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As finais da NBA estão a todo vapor com o Jogo 3 na quarta-feira entre Golden State Warriors e Toronto Raptors, valendo o Larry O'Brien Trophy e o título da NBA. Tratando-se de um momento tão especial nos esportes americanos, natural que haja o ESPN League com todos os detalhes da grande final - sejam narrativas, questões táticas, as coletivas de imprensa e até mesmo o movimento na NBA House aqui em São Paulo. 

Para isso, coloco aqui os horários do League até o Jogo 5 - que teremos a não ser que haja uma improvável varrida de Toronto. Caso haja Jogo 6 ou 7, o League segue diário até lá - com a participação de nossa equipe direto de Toronto e de Oakland, onde a série estiver no momento. 

Sem mais delongas, vamos aos horários! ]

Segunda, 3 de junho: 20h

Terça, 4 de junho: 20h

Quarta, 5 de junho (pré-jogo 3): 20h

Quinta, 6 de junho: 20h

Sexta, 7 de junho (pré-jogo 4): 20:45

Sábado, 8 de junho: 20h

Domingo, 9 de junho: 20h

Segunda, 10 de junho (pré-jogo 5): 20:45

Programação sujeita de alteração, fique ligado emespn.com.br/programacao caso haja alguma mudança! 

***

O Golden State Warriors enfrenta o Toronto Raptors em série melhor de 7 jogos  - em jogo o título da NBA. Você confere tudo ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN. Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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ESPN League segue diário até o último jogo das finais da NBA; Veja horários

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10 histórias para acompanhar nas Finais da NBA

Antony Curti
Antony Curti

A partir desta quinta (30), ao vivo e exclusivo na tv paga na ESPN e Watch ESPN, começa a série final e decisiva da temporada 2018-2019 da NBA. O Golden State Warriors chega a mais uma final consecutiva - surpresa para ninguém, mesmo para quem acompanha a liga de vez em quando. Com a lesão de Kevin Durant, os Splash Brothers voltaram com tudo e aquele Warriors clássico que começou essa estrada de dominância no meio da década voltou a aparecer. 

As finais, contudo, não se tratam apenas disso. Há diversas narrativas para ficarmos de olho a partir de quinta. Mesmo que haja uma varrida de Golden State - convenhamos, é algo que não podemos descartar - temos mais para assistir além da tendência da dinastia de Oakland/San Francisco continuar. 

1) A importância do Jogo 1

Por ter tido campanha melhor na temporada regular, o Toronto Raptors tem mando de campo nessas finais. Isso significa que pela primeira vez na Era Steve Kerr o Golden State Warriors abrirá uma série final fora de casa. Ganhar o Jogo 1 é mais do que importante nesse sentido. Significa que haverá no mínimo 5 jogos e que a série volta para a Scotiabank Arena e para o Canadá. Ou seja: a chance de zebra depende muito do resultado desta primeira partida. Claro que o Jogo 2 também é em Toronto, mas perder o primeiro jogo pode indicar uma espiral negativa na parte psicológica do time dos Raptors. É como um jogo de truco, quando "fazer a primeira" dá moral e vantagem no resto. 

2) Experiência vs Novidade

Kawhi Leonard já esteve lá e foi campeão com o San Antonio Spurs, mas a verdade é que estas finais tratam-se de um duelo da experiência no grande palco contra a novidade, que é o caso do Toronto Raptors. Criado como franquia de expansão da liga em 1995, junto do então Vancouver Grizzlies (hoje em Memphis) a equipe representa o "norte" e o Canadá pela primeira vez nas finais da NBA. É o primeiro finalista da liga que não joga nos Estados Unidos. A cidade tem um representante numa final de NFL/MLB/NBA/NHL  pela primeira vez desde 1993, quando o Toronto Blue Jays foi bicampeão da World Series. 

3) Kevin Durant vai voltar? Se voltar, que tal seu duelo contra Kawhi?

O estelar ala dos Warriors está fora do Jogo 1 e, a bem da verdade, o Golden State Warriors varreu o Portland Trail-Blazers na final do Oeste sem parecer que sentiu tanta falta assim de KD. É óbvio que sua presença fortifica o já absurdo elenco dos Warriors, mas o time é tão competente que consegue suplementar a ausência de um potencial MVP de finais como ele - como, aliás, já foi. É incerto que Durant voltará ainda nesta série, dado que ainda não começou a treinar. Embora não jogue na quinta, ele viajou com o time para Toronto, o que é uma boa notícia. 

Falei mais aqui sobre a pós-temporada fantástica de Kawhi: Não existe amor ideal, constrói-se um - vide Kawhi e os Raptors

Quando/se voltar, resta saber quem o marcará. A tendência é que a missão seja dada a Kawhi Leonard. Para o azar de todos que amam um duelo como este, a outra vez que tivemos a chance de acompanhar isso acabou em um só jogo. Foi no Jogo 1 das Finais do Oeste de 2017, quando Leonard ainda estava no San Antonio Spurs - ele saiu machucado da partida após um pisão de Zaza Pachulia, agora em Detroit, e não voltou mais. 

Stephen Curry
Stephen Curry Getty

4) "Os outros" dos Raptors

A gente sabe o que esperar de Kawhi Leonard, vide sua pós-temporada fora de série neste ano. De toda forma, os "coadjuvantes" são ainda mais importantes nesta série. O Golden State Warriors, como bem disse Kobe Bryant neste vídeo, lhe força muitas vezes a marcar "3x3" e não simplesmente 1x1. Os corta-luz sem a bola são movimentos mágicos quando os Warriors giram a bola. Comunicação é mais do que importante. 

Lowry, Danny Green & amigos têm papel mega importante para tentar marcar bem  o perímetro e evitar que comece aquela chuva de três pontos que os Warriors são capazes de impor aos oponentes. Ainda, um destaque especial tem que ser dado a Pascak Siakam, ala que tem sérias chances de ser eleito MIP (Jogador que Mais Melhorou) nesta temporada.  Siakam lembra, guardadas as proporções, o papel de Draymond Green na quadra. Sua capacidade de rebotes defensivos e dar a ignição de pontos fáceis na transição pode ser um ponto importante para os Raptors caso consigam a zebra.

5) Raptors na frente? Segura a emoção

Poucos times têm a capacidade de virar jogos como o Golden State Warriors. A franquia estabeleceu uma marca pra lá de incrível na série contra Portland.  Foram três viradas seguidas depois de estar 15 pontos atrás no placar - a maior sequência dos últimos 20 anos - e soa absolutamente natural em se tratando do time que é. Desde os playoffs de 2017, os Warriors têm 7 vitórias e 6 derrotas quando atrás por esses 15 pontos ou mais. 

Sabe quanto o resto da NBA tem? 12-146. Isso significa que o aproveitamento de Golden State é acima dos 50% e do resto da NBA é abaixo dos 10% – 7,6%, para ser mais preciso. 

Leia mais: Nenhuma vantagem está a salvo contra os Warriors

Ditos os fatos óbvios que muitos de vocês já sabiam e já devem ter lido no twitter, o que faz desse time tão potente em situações como essas? Claro, há o aspecto de ter Stephen Curry, Klay Thompson e um extremamente subestimado Draymond Green. Mas, para além disso e do intangível aspecto de coração de campeão e da cultura vencedora que logo falarei, temos aspectos dentro de quadra que são mais visíveis a olho nu. 

Nas últimas três pós-temporadas, os Warriors têm 54 sequências nas quais fizeram 10-0 em cima do oponente. Segundo o ESPN Stats and Info, de longe é a melhor marca da NBA.  Falei mais sobre neste texto do blog. Ou seja: mesmo que os Raptors estejam à frente em qualquer um dos jogos da série, é bom não se emocionar. Se tem um time capaz de implodir vantagens, esse time é o Golden State Warriors. 

6) Despedida da Oracle Arena

O Golden State Warriors despede-se de Oakland nesta temporada - por tabela, da Oracle Arena.  Os Warriors jogarão seus últimos jogos lá antes de se mudarem para o Chase Center para a próxima temporada. Além de uma mudança de ginásio, é uma mudança de cidade, queira ou não. O time representa o norte da Califórnia e, mais especificamente, a região da Baía de San Francisco - na cidade em si jogou na década de 1960 e voltará para lá agora. 

7) VanVleet seguirá sequência inacreditável?

Depois de um início de pós-temporada bem apagado, Fred VanVleet resolveu aparecer nesta pós-temporada nos três últimos jogos da série contra Milwaukee. Reserva e não draftado em 2016, VanVleet tornou-se um herói improvável na final da Conferência Leste ao ter 14/17 em três pontos durante os três jogos derradeiros - 82% de aproveitamento, algo surreal. A sequência coincide com o nascimento de seu filho, aliás. 

Em termos estatísticos é um tanto quanto improvável que essa sequência siga contra os Warriors - pela qualidade defensiva do time e pela própria questão da "regressão à média" que se apresenta nos esportes. 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

8) Só Lakers e Celtics na frente? 

Se o Golden State Warriors confirmar o favoritismo e vencer mais um título, junta-se ao Boston Celtics da Era Bill Russell como os únicos a terem quatro títulos em cinco anos - Boston venceu oito seguidos de 1959 a 1966, chegando a 10 finais seguidas no total. Falando em Celtics, apenas eles e os Lakers teriam mais títulos do que os Warriors se o Larry O'Brien for para a Oracle Arena. 

Seria o sétimo título e quebraria o empate com o Chicago Bulls, que tem 6 - todos na Era Michael Jordan. Assim, Golden State seria o terceiro maior campeão da história da liga. Boston tem 17 e os Lakers têm 16.

9) "Vingança" da temporada regular?

Como disse no twitter, o fato de Toronto ter "varrido" Golden State na temporada regular não quer dizer tanta coisa assim. Primeiro que são dois jogos na série - entre oponentes de conferência distinta - e segundo que o jogo foi lá no início da temporada. O que ficou desses jogos? No primeiro, Kawhi Leonard teve 37 pontos e a equipe venceu mesmo com Kevin Durant tendo 51 pontos, sua maior marca no ano. O jogo foi para a prorrogação, vale lembrar - e Steph Curry não jogou. 

No segundo, foi Kawhi quem não esteve em quadra - o time conseguiu superar sua ausência para quebrar uma sequência de 13 derrotas consecutivas na Oracle Arena. Curry jogou e fez apenas 10 pontos. Esse é o jogo que os Raptors querem que se repita. Lowry teve papel de protagonista e foi o cestinha de Toronto na partida, com 23 pontos. Agora ele precisa aparecer de novo. 

10) Drake e as apostas malucas

Las Vegas conta com apostas para absolutamente tudo, inclusive em relação a Drake. Torcedor fanático dos Raptors e rivalizando com Spike Lee pelo título de "mala" oficial do courtside, Drake chegou até a fazer massagem no técnico Nick Nurse durante um dos jogos da série contra os Bucks. 

Vegas têm apostas para todos os gostos, incluindo se Drake sairá na mão com um jogador dos Warriors, se ele estará presente no Jogo 3 - que é em Oakland - ou mesmo se a segurança vai lhe retirar do ginásio. Há também aposta para a "zica reversa". Conhecido como o "Mick Jagger" dos esportes americanos, Drake usa itens/roupas de um dado time e ele acaba sucumbindo na pós-temporada. Será que ele vai tentar zicar os Warriors usando algum item com as cores e logo dos Dubs? Cenas dos próximos capítulos. 

***

O Golden State Warriors enfrenta o Toronto Raptors em série melhor de 7 jogos a partir de quinta - em jogo o título da NBA. Você confere tudo ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN. Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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Não existe amor ideal: constrói-se um – vide Kawhi e Raptors

Antony Curti
Antony Curti

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Embora séries de televisão e filmes românticos indiquem que haja uma necessidade de se achar uma "pessoa certa" desde o início, prefiro acreditar que não é assim que as coisas funcionam. O romantismo, enquanto movimento cultural do século XIX, apresenta-se como manifestação da paixão em oposição à razão iluminista e ao realismo que lhe combateria no mesmo século. É a arte do ideal, da fantasia. Prefiro o realismo. Prefiro acreditar que um relacionamento não é moldado pelo início mas pela construção ao longo de momentos marcantes. 

Foi um ano conturbado. Kawhi Leonard praticamente não jogou na temporada 2017-2018 pelo San Antonio Spurs. O futuro era incerto e, tal como um rebelde contra o governo local, foi exilado para outro país. Com opção de sair do contrato herdado pelo Toronto Raptors na troca, muitos achavam que a passagem de Kawhi pelo Norte seria apenas uma estadia curta. Uma pós-temporada depois e na final da Conferência Leste, o improvável casamento parece ter dado certo. 

Momentos marcantes não faltaram na estadia de Leonard ao norte da fronteira. 

Começo a acreditar – e a torcer – para que a permanência dele em Toronto vire realidade independente do que acontecer ao final da série contra o Milwaukee Bucks, pela final do Leste. Para além do buzzer beater em casa ou de roubar o Jogo 5 em Wisconsin, Kawhi tem números absurdos nesta pós-temporada: 51-44-88 resumem em estatística a beleza do jogo do ala. Os olhos para além dos números puderam testemunhar quantas vezes ele carregou o time nas costas nestes playoffs. 

Como consequência e construção de uma pós-temporada histórica, o Toronto Raptors varreu as cicatrizes das varridas que lhe foram impostas. Pode até acontecer dos Bucks virarem a série e temos que respeitar um elenco que concorre para ser o melhor quinteto do leste – não por acaso tiveram a melhor campanha da temporada regular. Mas o poder de decisão de Kawhi pode ser o suficiente para que isso caia por terra. São sete jogos com pelo menos 35 pontos nestes playoffs e isso beira o absurdo. 

Meu palpite no ESPN League da semana passada era de que Toronto venceria a série em 6 jogos. Na minha cabeça, considerando o que Kahwi vinha fazendo nesta pós-temporada, era plenamente factível que os Raptors roubassem um dos jogos em Wisconsin e pudessem fechar a série no Canadá. Foi o que aconteceu. 

Os Raptors são favoritos para vencer o Jogo 6, segundo Las Vegas. O sábado será a primeira vez desde 1993 que uma equipe de Toronto poderá garantir presença numa final de liga – a última oportunidade foi com os Blue Jays garantindo vaga para a World Series, na qual eventualmente sairiam campeões. A boa notícia para o torcedor é que os Raptors conseguiram fechar as últimas quatro séries em casa quando assim tiveram a oportunidade. Nesta temporada, em duas vezes, contra Philadelphia e contra Orlando. Independente do que acontecer no sábado ou num potencial Jogo 7, é certo afirmar que o casamento entre Kawhi e os Raptors, por mais improvável que fosse e mais difícil de acreditar que daria certo em química, foi o ideal para ambos. Agora é ver o que acontece sábado. 

Se depender do que Kawhi vem fazendo, é plenamente possível acreditar que o Norte representará o Leste contra o Golden State Warriors. 

***

As finais da NBA começam no dia 30 de maio (quinta que vem), ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN.  Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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Nenhuma liderança está a salvo contra os Warriors

Antony Curti
Antony Curti

Nos jogos 2, 3 e 4, Portland chegou a ficar 17 pontos na frente e a maioria de vocês que leem esta frase sabiam que a liderança não estava a salvo. 

Por mais que eu brinque que o Golden State Warriors com Kevin Durant é uma panela – e, bem, é – tenho que dar o braço a torcer em relação a um aspecto: os Warriors têm um coração que vai além de um quinteto artificial. Seja com Durant ou sem, não se trata de um exército de mercenários que foram "comprados" para uma dada batalha: há coesão e o sangue frio em momentos decisivos mostra justamente isso. 

Nos três jogos que falei acima, os Warriors conseguiram a virada. Fosse outro time, soaria como um feito fora da curva. Em se tratando de Golden State, é mais um dia de trabalho. As três viradas seguidas depois de estar 15 pontos atrás no placar são a maior sequência dos últimos 20 anos e soa absolutamente natural em se tratando do time que é. Desde os playoffs de 2017, os Warriors têm 7 vitórias e 6 derrotas quando atrás por esses 15 pontos ou mais. 

Warriors têm 54 sequências de 10-0 nas últimas três pós-temporadas
Warriors têm 54 sequências de 10-0 nas últimas três pós-temporadas Getty

Sabe quanto o resto da NBA tem? 12-146. Isso significa que o aproveitamento de Golden State é acima dos 50% e do resto da NBA é abaixo dos 10% – 7,6%, para ser mais preciso. 

Ditos os fatos óbvios que muitos de vocês já sabiam e já devem ter lido no twitter, o que faz desse time tão potente em situações como essas? Claro, há o aspecto de ter Stephen Curry, Klay Thompson e um extremamente subestimado Draymond Green. Mas, para além disso e do intangível aspecto de coração de campeão e da cultura vencedora que logo falarei, temos aspectos dentro de quadra que são mais visíveis a olho nu. 

Nas últimas três pós-temporadas, os Warriors têm 54 sequências nas quais fizeram 10-0 em cima do oponente. Segundo o ESPN Stats and Info, de longe é a melhor marca da NBA. Como você deve esperar, boa parte dessas sequências aconteceram no terceiro quarto, vulgo a hora que o bicho pega para Golden State. A diferença de pontos dos Warriors, em pós-temporada em um dado quarto, é de absurdos +1.329 – 500 a mais que o segundo colocado no quesito, os Rockets, que o fazem no primeiro. O terceiro da lista? Os Warriors em primeiro quarto, com +720.  São 7 viradas dos Warriors, considerando os três últimos anos, estando 10 pontos atrás no placar ao início do terceiro quarto e estando à frente ao seu final. 

Agora, o aspecto intangível. 

Como disse acima, o Golden State Warriors não é puramente um exército de mercenários ou uma panela sem alma. Brinco, claro, que é uma panela – e isso obviamente deixa a NBA menos competitiva. Mas é impossível dar o braço a torcer em relação ao coração e à química entre os jogadores. O mérito de Steve Kerr também há de ser dado quanto a ajustes do segundo pro terceiro quarto, mas essas sequências de 10 pontos sem resposta e as 7 viradas que falei acima também acontecem porque há uma cultura estabelecida na Oracle Arena. 

Enquanto outros times ficariam complacentes com um jogo fora de casa em série melhor de 7 e estando atrás por tantos pontos, os Warriors não querem saber de nada senão a total e completa dominância. 

Poucas coisas, moralmente falando, demonstram isso como o poder de superação do time quando tão atrás no placar. Golden State pode não ser o "time do amor" para muitos. Mas, com certeza, é o time da virada. 

***

O Golden State Warriors espera o vencedor da série entre Toronto Raptors e Milwaukee Bucks pelo Leste e está nas Finais da NBA. Elas começam dia 30 de maio (quinta), ao vivo e exclusivo na TV paga na ESPN e Watch ESPN. Siga-me no twitter em @CurtiAntony e no instagram em @AntonyCurti.

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Como Senna é ídolo mesmo para quem nunca viu uma corrida dele ao vivo?

Antony Curti
Antony Curti

Ayrton Senna Comemora Vitoria GP Belgica Formula 1 F1 25/08/1991
Ayrton Senna Comemora Vitoria GP Belgica Formula 1 F1 25/08/1991 Pascal Rondeau/Getty Images

Eram outros tempos no Brasil. Os avanços sociais que começaram a ser consolidados em julho daquele ano com o Plano Real, ainda não tinham acontecido. O país era terra fértil para a criação de um herói, de um mito. Ainda mais quando, ao contrário dos Estados Unidos com os "Pais Fundadores", não há heróis nacionais no Brasil. Tiradentes é um herói fabricado, o elo mais fraco da Inconfidência que foi aproveitado quando da Proclamação da República – mas que não causa comoção. Tampouco Dom Pedro I, que nada mais foi do que a continuidade do Reino Unido a Portugal, quase como um quê de "pai, vou morar fora de casa" no 7 de setembro. 

É nesse solo de desigualdades e de carência de ídolos que Ayrton Senna nasceu – tanto o homem quanto o mito.  O que causa comoção até hoje, 25 anos de sua morte, era a parte do "Brasil que deu certo". 

Algumas pessoas guardam memórias a partir dos 4 anos de idade. Outras, 3 anos. Acredito que esteja incluído no segundo caso. Sou nascido em 1991 e, como muitos no dia de hoje, reverencio um mito que, em realidade, eu nunca vi. Mas me lembro quando partiu.

O clima em casa não era dos melhores e era difícil entrar na cabeça de uma criança de 3 anos de idade que as pessoas estavam tristes com a perda de uma pessoa que parecia ser da família mas que, em realidade, não era. 

É difícil, 25 anos após sua morte, escrever algo que ainda não foi escrito sobre Ayrton Senna. Até por conta disso, pensei: e se eu escrever como um dos poucos jornalistas que, hoje, sequer sabia escrever na época que ele corria? 

É uma sensação estranha saber que, de certa forma, tenho como herói alguém que eu nunca vi e, embora estivesse vivo nos anos finais de sua vida, não guardo nenhuma lembrança de vitórias e glórias. Eu não vi nenhuma corrida dele ao vivo. Como tantos outros millennials, os nascidos do final da década de 1980 até 1995, eu só tive contato com o mito. Não com o humano. 

O que faz de sua imagem algo tão celebrado, impactado e lembrado até hoje? Não há um aniversário "redondo" – 10, 15, 20, 25 – que não me pegue escrevendo sobre ele. Mesmo que sequer essa seja minha área no jornalismo esportivo. 

A força do mito criado em torno de sua carreira, valores e vida é tão forte que, indiretamente, ele influencia pessoas que nunca viram uma volta ao vivo na Toleman, Lotus, McLaren ou Williams. 

Senna em Interlagos
Senna em Interlagos Getty

Na efeméride de 10 anos de sua morte que acabou dando uma faísca para que eu escrevesse sobre esporte. Ainda tenho os textos guardados, mal escritos como se espera de um aluno da 7ª série, mas que talvez foram o ponto de partida para que eu pegasse gosto por escrever. Hoje, 15 anos depois, ainda o faço – mas como profissão e como ganha-pão. No ano seguinte, 2005, avacalhei tudo o que podia em termos de não estudar para provas de matemática.

Passar de ano ou não estaria nas mãos do "Conselho de Classe". Enquanto eles decidiam e eu esperava o telefone tocar para me avisar da decisão, assistia ao Grande Prêmio do Japão de 1988 – corrida na qual Ayrton tem problemas na largada e passa um por um até consagrar-se campeão do mundo pela primeira vez. De certa forma, sua tranquilidade em cada curva de Suzuka me tranquilizou. 

Na efeméride de 20 anos, em maio de 2014, minha mãe me deixou na porta da ESPN para aquele que seria meu teste como comentarista na NFL. Estava absurdamente nervoso, como era de se esperar. Aí, pedi um conselho para minha mãe – para que eu não ficasse assim, dado que se gaguejasse no microfone, um abraço. Ela disse para que eu mentalizasse alguém que eu admirava e que "mandava bem" em situações como essas.

Na hora, me lembrei da postura de Ayrton no primeiro teste em um F1, ainda em 1983 – o teste é mostrado no documentário "Senna", de Asif Kapadia. Ayrton menciona o teste como um presente de Deus, pelo qual ele estava esperando há tempo. A lembrança dessa imagem e sua confiança – bem como o excelente desempenho que teve naquele dia – me tranquilizaram o suficiente e, bem, aqui estou. 

A figura do mito é justamente essa, desde os tempos de Grécia Antiga. Por meio de um personagem, valores são carregados através de gerações – mesmo que essas gerações sequer tenham tido contato direto com os personagens ou a Era de quando os deuses em questão viveram. É inegável que Senna não era perfeito.

Senna em 1991
Senna em 1991 Getty

Seja como piloto, vide alguns erros como em Mônaco em 1988, batendo sozinho, e Itália em 1988 (única não-vitória do MP4/4 naquele ano) ou no Brasil em 1990, ambas situações nas quais ele bate em um retardatário e perdeu a prova. A vingança em Prost em 1990, após o tapetão de Jean-Marie Balestre no ano anterior, também não é das moralmente mais louváveis atitudes de um piloto. 

Mas todo o resto é composto de valores que atravessaram gerações. Determinação, fé, vítória, sucesso, paixão pelo ofício, são tantas que poderíamos ficar linhas e mais linhas lembrando-as. A compaixão, como demonstrada ao ajudar Erik Comas após batida na Eau Rouge é outro bom exemplo.

Do primeiro teste em 1983 na Williams até a última curva na mesma equipe, os mesmos valores estavam lá. Senna carregava consigo no cockpit do instável FW16 uma bandeira da Áustria, a qual usaria para homenagear Roland Ratzenberger, morto em Ímola no dia anterior.

Do início ao fim de sua trajetória, fica claro: a Tamburello pode ter tirado a vida de Ayrton, mas a verdade é que seu nome naquele momento virou sinônimo eterno com os valores que ele carregava para si. Lembraremos dele – e dos valores – hoje e em cada um dos próximos 1º de maio que vierem. 



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NFL: Draft Simulado 1.0 de Antony Curti

Antony Curti
Antony Curti

A versão completa do Draft Simulado 1.0 já está disponível no WatchESPN. Lá, o fã do esporte poderá ver a análise completa das 32 escolhas da 1ª rodada do recrutamento.

Clique para assistir no WatchESPN:

Picks 10 a 1
Picks 20 a 11
Picks 32 a 21

Lembrando que os canais ESPN mostram os três dias do evento de 2019.

Quinta-feira - 21h (de Brasília) - 1ª rodada na ESPN e WatchESPN
Sexta-feira - 20h (de Brasília) - 2ª e 3ª rodada na ESPN 2 e WatchESPN
Sábado - 13h (de Brasília) - 4ª a 7ª rodadas na ESPN 2 e WatchESPN

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NFL: Draft Simulado 1.0 de Antony Curti

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NFL Draft: Haskins? Murray? Os cinco melhores quarterbacks da classe de 2019

Antony Curti
Antony Curti


Em 2019, os canais ESPN e o WatchESPN mostram os três dias do recrutamento. Confira os horários:

Quinta-feira - 21h (de Brasília) - 1ª rodada na ESPN e WatchESPN
Sexta-feira - 20h (de Brasília) - 2ª e 3ª rodada na ESPN 2 e WatchESPN
Sábado - 13h (de Brasília) - 4ª a 7ª rodadas na ESPN 2 e WatchESPN

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